O presidente do Banco de Brasília (BRB), Vasco Cunha Gonçalves, recebeu para uma reunião a deputada Celina Leão, presidente da Câmara Legislativa, e representantes das lojas do BRB Conveniência, na sede do banco. Os representantes de lojas apresentaram ao presidente do banco relatórios com o custo de suas unidades, enfatizando que o valor é alto, especialmente se for mantido o corte de 50% da taxa que recebem por dia, por loja, o que para muitos inviabiliza manter as portas abertas dos estabelecimentos.
“Agradeço a receptividade do presidente do BRB que cria, hoje, um grupo de trabalho para discutir soluções, o que pode ser feito para reduzir custos, sem fechar quase mil postos de trabalho devido a esse corte de metade da taxa. Agradecemos ao banco por ter essa iniciativa durante a crise, criando um grupo de trabalho para melhorar o atendimento à população e para manter os postos de trabalho no DF”, avaliou Celina.
Para o presidente do BRB, a iniciativa dos donos de lojas e a intercessão da deputada Celina Leão é louvável. “É importante essa discussão porque o BRB Conveniência é um parceiro do banco e, por isso, devemos ampliar e discutir as bases dessa parceria. É importante a Câmara Legislativa do DF, na figura da nossa presidente, deputada Celina Leão, buscar esse alinhamento porque só assim teremos um entendimento melhor e possível para todos”, concluiu Vasco Gonçalves.
O senador Cristovam Buarque (PDT) sugeriu a formação de um grupo de notáveis para auditar, e apresentar à população, os reais números do alardeado déficit nos cofres do GDF, sugerindo soluções
Negociações entre governador e bancada federal do DF sobre reivindicação de servidores não avançam. No encontro, solicitado por parlamentares, Rollemberg voltou a dizer que não há recursos para pagar categorias
Frustrada a tentativa de senadores e deputados eleitos pelo Distrito Federal de contribuir para um acordo entre o governo local e os servidores que estão mobilizados para garantir o pagamento da terceira parcela do reajuste concedido a mais de 30 categorias do funcionalismo público do DF a partir de 2013. No encontro, o governador Rodrigo Rollemberg reiterou aos setes (de 11) parlamentares do DF presentes que não há dotação orçamentária para honrar com o compromisso acordado com as categorias, transformado em lei e cuja legalidade foi atestada pela Justiça esse ano, após questionamento do Ministério Público.
Rollemberg ainda agradeceu o apoio do senador e dos deputados federais presentes. “O que precisamos é de união”, disse. Uma equipe do Executivo local apresentará dados do Sistema Integrado de Gestão Governamental, o Siggo, aos parlamentares. Estes, por sua vez, se comprometeram a ajudar como possível. “Com isso, a própria bancada poderá fazer um estudo e apresentar algumas propostas”, explicou o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF) após o encontro. Segundo ele, serão feitas reuniões com alguns sindicatos para que os parlamentares medeiem negociações entre os servidores e o Executivo local.
Para a deputada Erika Kokay (PT-DF), o governador não guarda coerência com sua própria história e suas ações. Ela lembrou, logo na abertura da reunião, que, como coordenador da bancada federal, o então senador Rodrigo Rollemberg trabalhou como interlocutor entre os parlamentares, o GDF, sindicato e a sociedade civil durante a greve dos professores de 2012, para pôr fim às paralisações que já duravam 52 dias. E isso só ocorreu porque pactuou-se os reajustes ao funcionalismo público, de forma escalonada, que o agora governador Rodrigo Rollemberg afirma não ter como pagar.
Nesse sentido, explicou a petista, na semana passada a bancada federal reuniu-se com representantes da sociedade civil, especialmente Universidade de Brasília (UnB) e Comissão Justiça e Paz da Igreja Católica, reeditando a Comissão de Alto Nível que ajudou a construir a solução para a greve de 2012, além de pedir o encontro de hoje com o governador.
“Estamos todos nós, de forma suprapartidária, empenhados em buscar uma solução para isso, repudiando a violência cometida contra os professores na quarta-feira, e na tentativa de buscar uma alternativa para atender as categorias, encerrar as graves e reestabelecer a normalidade dos serviços à população. O radicalismo, a repressão e a judicialização dos movimentos não resolvem nada. Ninguém ganha com isso”, reiterou.
Para Erika, tão inegável quanto a legalidade dos reajustes é o direito de os servidores receberem o que lhes é devido. “Não adianta o GDF ficar dizendo que não tem dinheiro e pronto. Melhor seria admitir que deve e sentar novamente, abrir um canal de negociação, para vermos quando e como isso será pago”, afirmou a deputada. Entre outras contribuições, o senador Cristovam Buarque (PDT) sugeriu a formação de um grupo de notáveis para auditar, e apresentar à população, os reais números do alardeado déficit nos cofres do GDF, sugerindo soluções. Além dele e de Erika, os deputados Rogério Rosso (PSD), Rôney Nemer (PMDB), Augusto Carvalho (SD) e Ronaldo Fonseca (PROS) propuseram a reabertura de negociações; a definição de interlocutores entre categorias, GDF, parlamentares e sociedade civil; a revisão ou estabelecimento de cronograma de pagamentos e a negociação das reivindicações feitas pelas categorias que não tenham impacto orçamentário, com pronto atendimento. A reunião também contou com a participação do chefe de gabinete do coordenador da Bancada Federal do DF, senador Hélio José (PSD), que está em missão oficial ao Panamá.
Defesa da PM – Acompanhado dos secretários da Casa Civil, Educação, Planejamento, Relações Institucionais e da Fazenda, além da procuradora-geral do DF e assessores, Rollemberg repetiu o que tem dito aos sindicatos: não há dinheiro. E defendeu a violenta ação da Polícia Militar para desobstruir o Eixão Sul, onde professores realizavam manifestação na quarta-feira, realizando prisões e disparando bombas de efeito moral, gás de pimenta e tiros com balas de borracha. Para o governador, “houve excesso de ambas as partes” e era preciso garantir, mesmo que com uso da força, a liberação da via.
Na sequência, Rollemberg negou que o GDF não esteja negociando nem reconheça o direito das categorias aos pagamentos. Mas questionou a eficácia da lei que garante os reajustes, uma vez que não há recurso orçamentário para honrar com o compromisso. Também afirmou não ser possível rever o cronograma de pagamento – a terceira parcela, que deveria ter sido paga em outubro, deve ficar para outubro de 2016 – sem a garantia de a Câmara Legislativa aprovar o pacote de medidas de ajuste fiscal encaminhado pelo Buriti. Dos senadores e deputados, pediu apoio político, ajuda em busca de recursos devidos pelo governo federal ao GDF e interlocução junto aos sindicatos para repetir o discurso do Buriti de que não há dinheiro para os pagamentos.
Erika Kokay se despediu antes do fim da reunião, deixando claro que não servirá de porta-voz do GDF. “O governador não apresentou uma proposta nova, qualquer novidade em relação ao que vem sendo dito, não apresentou uma saída em relação aos movimentos das servidoras e servidores, que têm o direito assegurado. Não tem que se questionar o direito. E não tem que se transformar as servidoras e os servidores em algozes do povo do Distrito Federal”, afirmou Erika Kokay, em entrevista aos jornalistas. “A bancada veio aqui se colocar à disposição do Governo do Distrito Federal e do movimento das servidoras e dos servidores. Mas isso não é uma mão única. Eu não vim aqui para ser boneca de ventríloquo do governador e para me prestar ao papel de estar tentando convencer os trabalhadores que eles não têm direitos: eles têm direitos assegurados e esses direitos devem ser honrados”, encerrou.
Este tema não é novo. Terceirizar, pelo dicionário significa “contratar terceiros para executar tarefa que originalmente seria de sua competência direta”.
No Brasil sempre se discutiu a possibilidade de terceirização, tanto nas atividades privadas, quanto no serviço público. Mas nunca antes na história do Distrito Federal o tema foi colocado de forma tão ampla quanto desnecessária, no âmbito do governo local.
Trata-se de um erro primário, afinal se a intenção era esta, melhor seria ter colocado claramente pra população a intenção de fazê-lo, durante o período eleitoral, ao invés da surpresa de momento.
Afinal já temos terceirização na limpeza, na vigilância, em serviços de recepção e até de motoristas. Mas em todas estas áreas, quem quiser ou tiver a curiosidade de verificar, vai descobrir com espanto o tamanho do custo da terceirização. Uma forma cara e mau administrada de zelar pelo dinheiro público, um ingrediente tão escasso quanto insuficiente.
Geralmente neste tipo de negócio é o governo que arca com o custo e este é sempre maior do que o seria se executasse diretamente a tarefa. O problema é que se criou uma cultura, onde o poder público é tido sempre como incompetente para fazer o que deveria. Daí transferir pra terceiros, mesmo de forma mais cara, ter se transformado em panaceia para a solução do problema.
A moda agora é a terceirização de serviços na educação e na saúde. Não importa quão mais caros eles fiquem. A tática é simples: destrói-se o que já existe, acrescenta-se má gestão na execução dos serviços e depois se colhe a insatisfação da população. Pronto: está construído o cenário para o caminho fácil é extremamente caro da terceirização, em nome de uma eficiência que não virá, mas que certamente fará a alegria de alguns poucos.
Contudo a população está atenta, e nem mesmo a tentativa de vender, através da grande mídia, a idéia de que o remédio é milagroso, tem dado resultado e a consequência disto já se reflete nas pesquisas de aprovação do governo. Tão mal das pernas quanto os serviços que oferece à população.
O perigo é que esta fórmula do sucesso da pseudo terceirização pegue de vez e que o povo resolva em 2018 terceirizar de vez o mandato daqueles que apoiam, incentivam e aplicam a terceirização como a mágica governamental, só que fadado ao insucesso. Quem viver verá.
O mês de novembro é marcado em todo o mundo pela campanha Novembro Azul. A campanha tem como objetivo principal a conscientização dos homens sobre a importância da prevenção e diagnóstico do câncer de próstata.
A deputada Luzia de Paula (Rede) apresentou dois projetos de lei, que buscam proteção à saúde do homem. O PL nº 1.675/2013, propõe a criação do Dia Distrital da Saúde do Homem. Já o PL nº 1.679/2013, incluiu o Novembro Azul no calendário oficial de eventos do Distrito Federal, com o objetivo de esclarecer a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata e outras doenças.
“Nós mulheres temos uma grande responsabilidade, pois, por natureza, somos grandes agentes de saúde. Somos nós que conversamos com os maridos e na maioria das vezes os levamos para o médico”, ressaltou a parlamentar.
“O foco da campanha é conscientizar os homens para que façam o exame de próstata, principalmente aos 50 anos. Infelizmente a doença não apresenta sintomas na fase inicial. Quando o câncer de próstata começa a dar sintomas, a doença já está avançada,” finaliza Luzia de Paula.
Sobre o Câncer de Próstata
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas, de forma e tamanho semelhantes a uma castanha. Ela localiza-se abaixo da bexiga e sua principal função, juntamente com as vesículas seminais, é produzir o esperma.
O câncer de próstata é o tumor mais frequente no sexo masculino, ficando atrás apenas dos tumores de pele. A cada seis homens, um é portador da doença, que pode demorar a se manifestar, exigindo exames preventivos constantes para não ser descoberta em estágio avançado e potencialmente fatal.
A recomendação é que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para realizar os exames preventivos anualmente. Indivíduos com história familiar de câncer de próstata, da raça negra, sedentários e obesos devem iniciar a prevenção a partir dos 45 anos, pois possuem maior risco de desenvolver a doença, que quando diagnosticada precocemente as chances de cura são de aproximadamente 90%.
Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília Representantes do Sinpro reunidos com o governador, Rodrigo Rollemberg, o vice-governador, Renato Santana e secretários
Rodrigo Rollemberg e secretários de Estado recebem representantes dos professores e dos técnicos e auxiliares de enfermagem
Samira Pádua e Rafael Alves – Em mais uma rodada de diálogo com servidores em greve, o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, e integrantes do Executivo local reuniram-se na manhã desta terça-feira (3) com representantes dos sindicatos dos Professores (Sinpro-DF) e dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Distrito Federal (Sindate). A discussão teve como foco as reivindicações pontuais das duas categorias.
“A greve não vai fazer surgir dinheiro e quem sai prejudicada é a população”, disse Rollemberg ao fim dos encontros, no Palácio do Buriti. O chefe do Executivo local classificou as reuniões como positivas.
No caso dos professores — em greve desde 15 de outubro — o governador garantiu em entrevista coletiva que não haverá modificação na jornada ampliada de trabalho e que vai garantir o pagamento dos auxílios transporte e alimentação para os temporários. A categoria exige também o pagamento imediato do reajuste salarial aprovado em 2013 sem previsão orçamentária.
“Fazemos questão, no nosso diálogo permanente, de abrir aos sindicatos as contas do governo para que eles saibam que os compromissos financeiros não estão sendo cumpridos neste momento por total impossibilidade de fazê-lo”, ressaltou o governador.
Saúde – Para os profissionais de saúde representados pelo Sindate, Rollemberg propôs a criação de um grupo para discutir as reivindicações da categoria. Para isso, os servidores precisam finalizar a paralisação e voltar imediatamente ao trabalho.
A ideia é debater a criação de um cronograma para implementar a redução da jornada de trabalho de 24 para 20 horas semanais; a elaboração de um cronograma de reposição dos dias parados; e a mudança da nomenclatura da função dos auxiliares (eles também passariam a ser técnicos de enfermagem). São cerca de 14 mil profissionais no quadro de funcionários da Secretaria de Saúde. Os servidores reivindicam a última parcela do reajuste salarial autorizado em 2013 sem previsão orçamentária.
Também participaram das reuniões o vice-governador Renato Santana; o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio; o secretário de Saúde, Fábio Gondim; o secretário de Fazenda, Pedro Meneguetti; o secretário de Educação, Esporte e Lazer (fusão das antigas secretarias de Educação e do Esporte e Lazer), Júlio Gregório Filho; a procuradora-geral do DF, Paola Aires; o secretário-adjunto de Planejamento e Orçamento, Renato Jorge Brown, e o secretário-adjunto de Administração, Alexandre Ribeiro (ambos da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão); o secretário-adjunto da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais, Igor Tokarski; a subsecretária de Relações Institucionais e Sociais, Mari Trindade; e o deputado distrital Professor Reginaldo Veras (PDT).
TRT decidiu que empresa deve ter 30% dos trens rodando; cabe recurso. ‘Não vou ser leviano de colocar o serviço dessa forma’, diz presidente
Por Gabriel Luiz – O presidente do Metrô do Distrito Federal, Marcelo Dourado, anunciou nesta terça-feira (3) que vai suspender o serviço nesta tarde depois que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) decidiu em caráter liminar (provisório) que o serviço pode continuar com ao menos 30% dos trens em circulação. Todas as estações dever ser fechadas por razão de segurança, segundo Dourado.
A direção da empresa queria pelo menos 80% das composições rodando no horário de pico e 60% nos demais horários. Segundo Dourado, o número reduzido de trens devido à greve gera “risco à vida dos usuários” e afeta a segurança do sistema. Os horários de pico vão das 6h às 8h45 e das 16h45 às 20h15.
“Com 30% [dos trens] são oito trens. Eu não sou maluco de colocar oito trens no horário de pico na volta para casa porque assim você não oferece nenhuma segurança aos usuários”, afirmou ao G1. “Tivemos essa experiência antes e foi um quebra-quebra, gente passando mal e sendo socorrida. Não vou ser leviano de colocar o serviço dessa forma, então vou ter que infelizmente fechar o Metrô.”
Nesta terça, primeiro dia da greve, o serviço funcionava com 15 dos 24 trens. O embarque só era permitido em 12 das 24 estações. Nas demais, os passageiros só podiam desembarcar.
O presidente do Sindicato dos Metroviários, Ronaldo Amorim, comemorou a decisão do TRT e criticou o pedido da direção de ter 80% dos trens circulando. “Hoje nem quando o sistema está normalizado funciona com 80%.”
Uma audiência de conciliação está marcada para a tarde desta quarta-feira. A expectativa do Metrô é de que o serviço volte a funcionar após a reunião, para garantir a volta para casa dos usuários.
Condições do sistema
O Metrô funciona entre 6h e 23h30 de segunda a sábado e 7h e 19h aos domingos e feriados. A média é de 140 mil passageiros por dia. O sistema tem 54 quilômetros de extensão e liga Ceilândia e Samambaia ao Plano Piloto. Ele opera com 24 vagões no horário de pico. A estação com maior fluxo é a da Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 20 mil pessoas por dia. (Do G1 DF)
Por Washington Dourado – No dia 13 de dezembro de 2014, ainda durante o Governo de Transição, o novo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, do PSB, chamou a imprensa para anunciar o “caos” financeiro nas contas públicas. O anúncio do “caos” foi realizado em um cenário previamente preparado, de tal forma que representasse o suposto “buraco negro” nas contas pública. Não foi à toa que a foto aí em cima tem esta conotação.
Após tomar posse, em 1º de janeiro, a nova gestão anunciou que não tinha dinheiro em caixa e parcelou os salários até o mês de setembro de 2015. Depois da pressão das categorias, logo o dinheiro apareceu e em abril as folhas salariais já estavam sendo pagas na data correta.
Porém, aproveitando o discurso do “caos”, o Governo publica em julho deste ano no diário oficial o Chamamento Público para habilitação de “organizações sociais” interessadas em assumir a gestão de serviços públicos, entre outros, nas áreas de saúde e ensino.
Nas últimas semanas passou a correr cada vez mais forte a informação de que o Governo do Distrito Federal estuda abrir a gestão das escolas públicas para “organizações sociais”. Por este modelo a escolas continuariam com os professores efetivos, mas teriam liberdade para contratar diretamente novos professores, obviamente por condições ainda mais precarizadas do que é feito com os professores temporários hoje.
E o modelo o GDF já tem: é o que está em curso no Estado de Goiás, comandado por Marconi Perillo, PSDB. Veja a reportagem a seguir e tire suas conclusões:
Estado deve implantar OSs na área da Educação aos moldes das charter schools americanas
Governador Marconi Perillo pretende repassar a administração de unidades educacionais estaduais para às organizações sociais. Modelo a ser adotado obteve grande sucesso nos Estados Unidos
Por Frederico Vitor, do jornal Opção – Pelo que tudo indica, o governo de Goiás está empenhado em levar a cabo uma nova experiência com as organizações sociais (OSs) dentro da estrutura do Estado. Depois da Saúde, no qual em 2011 as principais unidades hospitalares foram repassadas para a administração das OSs, a Educação será a próxima área a ser submetida ao novo modo administrativo. Por enquanto, não há informações oficiais de como este plano será implementado, porém fontes indicam que o modelo a ser implantado vai seguir o padrão de Charter Schools americanas, ou seja, colégio estadual com maior autonomia, cuja gestão é compartilhada entre os setores públicos e privado.
O governo avalia que a proposta é viável, porém o projeto deve passar por análise mais profunda. A nova secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, está em viagem pelos Estados Unidos, contudo não se sabe se a titular estaria buscando maiores informações acerca do modelo americano de colégios charter. O Palácio das Esmeraldas tem como objetivo melhorar ainda mais a qualidade da rede estadual de ensino, apesar de a Educação em Goiás ficou em 1º lugar do País no ensino médio pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o ano de 2014.
O Estado entende que a gestão terceirizada em parceria com o setor privado, pode-se alcançar uma qualidade de ensino ainda maior. O objetivo é repetir em outras unidades de educação o mesmo sucesso apresentado pelos colégios militares, cujo corpo administrativo é formado por oficiais e praças da Polícia Militar e o corpo docente é preenchido por quadros da Secretaria de Educação. O que difere esses colégios dos demais é a disciplina aos moldes dos quarteis e o método pedagógico que exige mais comprometimento dos alunos.
Cerca de 30 manifestantes estão no local desde as 17h desta segunda-feira. DF/Foto: Jorge Viana/Sindate
Eles pedem redução da carga horária de 24 horas para 20 horas semanais
Por Jéssica Nascimento – Em greve há 26 dias, técnicos e auxiliares em enfermagem do Distrito Federal acamparam em frente ao prédio da Secretaria de Saúde para pedir redução da carga horária. O grupo, formado por 30 pessoas, está no local desde as 17h desta segunda-feira (2).
O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem informou que, dos 14 mil servidores, 70% estão paralisados. Eles pedem a redução da carga de 24 horas para 20 horas semanais e manutenção da carga de 40 horas semanais para parte da categoria. Serviços como vacinas, preparação do paciente para exames e cirurgias e marcação de consultadas estão suspensos.
“Nós não queremos reajuste nem aumento de salário. As condições de trabalho são desgastantes, não há remédios nem utensílios. O que queremos é reduzir essa carga de horário, todas as outras categorias da saúde trabalham assim. Por que somos excluídos? Nosso trabalho é essencial no funcionamento de um hospital”, diz o vice-presidente do Sindate Jorge Viana.
O piso salarial de um técnico em enfermagem que trabalha 24 horas semanais é R$ 1,8 mil. Já quem trabalha por 40 horas recebe R$ 2,2 mil. De acordo com a categoria, o governador Rodrigo Rollemberg receberá um grupo às 9h no Palácio do Buriti. Caso ofereça alguma proposta, os servidores se reúnem às 10h em assembleia, em frente ao prédio da Secretaria de Saúde, para votarem sobre a continuação da greve.
“A paralisação continuará por tempo indeterminado se o governador não oferecer alguma proposta justa. Fomos a primeira categoria a entrar em greve. Não temos medo de multa, de corte de ponto e nem de nada. Nosso pedido não é para uma vantagem pessoal, sabe? Pensamos também no paciente. Afinal, ele é o mais prejudicado. Só para se ter uma ideia, não há macas e nem agulhas nos hospitais. Se a saúde funciona, de alguma forma, é por causa dos servidores”, ressalta Viana.
Além dos auxiliares e técnicos em enfermagem, médicos, radiologistas, agentes do DER, agentes do Detran, professores e metroviários também estão de braços cruzados. As outras categorias protestam contra a suspensão de reajustes salariais. (Do G1)
Secretária de Ciência e Tecnologia da Paraíba, Francilene Procópio Garcia. Imagem/Divulgação
Por Veruchka Fabre, do portal Anexo6
A cidade de João Pessoa receberá, de 9 a 13 de novembro, o 10° Fórum Internacional de Governança da Internet (IGF). Lideranças políticas, especialistas e empresários de diversas localidades do planeta debaterão a atuação de governos na rede mundial de computadores. O tema proposto para o encontro, que foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), é ‘Evolução da Governança da Internet: Capacitar o Desenvolvimento Sustentável’.
A expectativa dos organizadores é que 2,5 mil pessoas participem do evento, que ocorrerá no Centro de Convenções. Até o momento, delegações de 130 países confirmaram presença. Representantes dos Estados Unidos já garantiram participação, mas por medida de segurança não informaram se o presidente Barack Obama estará no Fórum.
De acordo com a secretária executiva de Ciência e Tecnologia da Paraíba, Francilene Procópio Garcia, a Paraíba vive um momento bom para receber eventos de porte internacional. “Sermos escolhidos mostra que temos competências para receber eventos dessa magnitude. Possuímos um conjunto de atributos como o nosso Centro de Convenções, que é de excelência, nossas belezas naturais, além dos grandes investimentos na área que o governador [Ricardo Coutinho] vem fazendo”, esclareceu.
Sobre o tema proposto, Francilene explicou que a Paraíba tem dado atenção especial a área. “Sabemos que se comparados aos grandes centros do Brasil e do mundo estamos à margem no quesito tecnologia, mas temos trabalhado bastante para mudar este cenário. Projetos como Google Classroom (aplicativo que integra o Google Educação), a implantação de rede de fibra óptica da Grande João Pessoa – Rede Metro JP, que faz interconexão de João Pessoa com Campina Grande e mais 55 municípios paraibanos, mostram a nossa competência e esforços ao mundo”, ressaltou.
Além da visibilidade mundial que o Fórum Internacional proporciona a João Pessoa, o evento também movimentará a economia local. “Teremos gente de todo o mundo circulando pela cidade durante praticamente uma semana. A economia de João Pessoa só tem a ganhar com isso”, comemorou Francilene.
Sobre o Fórum
O Fórum de Governança da Internet (IGF) foi criado, em 2006, pelo então secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan. Durante uma década, ele serve de arena para debates mundiais sobre questões de políticas públicas relativas a elementos importantes da governança da Internet como, por exemplo, transparência nas contas públicas e acesso a informações de caráter público.
Lucia Willadino Braga, diretora da Rede Sarah de Hospital: “Aqui ninguém é mais importante do que ninguém. O médico não é mais importante, como a gente vê por aí.” “Tive que provar para a comunidade científica, com dados estatísticos, que amor faz bem.” Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Por Ana Dubeux, Ana Maria Campos e Carlos Alexandre, do Correio Braziliense
O reconhecimento internacional da Rede Sarah se deve, em boa medida, aos multitalentos de Lúcia Willadino Braga. Em uma trajetória marcada por caminhos improváveis e quase aleatórios, a gaúcha de Porto Alegre foi decisiva para tornar o centro de reabilitação inaugurado em 1960, por JK, uma referência mundial na medicina e na gestão pública. Neta de alemã e de índio, musicista autodidata e de uma curiosidade insaciável, ela deve a Brasília o espírito inovador que marca seus projetos em neurociência. Em meio àquela utopia que nascia no Planalto Central naqueles anos pioneiros, Lúcia aprendeu cedo que era possível fazer tudo a partir do nada. “Todo mundo tinha que criar, e acho que isso me abriu uma proposta de criação”, diz. Com forte inovação e uma gestão de alto nível, marcada pela participação de todos os colaboradores, Lucinha — como é conhecida — representa o expoente de um modelo exemplar, diametralmente oposto à calamidade frequentemente diagnosticada na saúde pública nacional — inclusive no Distrito Federal. Nesta entrevista ao Correio, Lúcia, presidente da Rede Sarah, avalia que a ausência de uma filosofia e de um projeto de longo prazo são graves lacunas que impedem avanços no atendimento à população. E acredita que a solução para os hospitais está nas escolas: “Com educação você já melhora muitíssimo o nível de saúde.”
A infância numa cidade em construção influenciou sua trajetória?
Foi determinante. Mostrou que qualquer um pode fazer alguma coisa, se quiser, se você se empenhar. Isso me influenciou e me influencia até hoje. Não consigo ver que uma coisa é impossível. Vejo que há obstáculos que a gente supera. E outra coisa que me influenciou muito foi o plano educacional.
Onde você estudou?
O Anísio Teixeira e o Darcy Ribeiro criaram uma proposta educacional completamente inovadora e fomos cobaias. Mas foi uma maravilha ter sido cobaia disso. Estudei num lugar chamado Escola de Aplicação, que era um barraco de madeira, do lado do Elefante Branco. Isso no ensino de primeira a quarta séries. Nas escolas, não tínhamos que decorar nada. A ideia era ensinar a pensar. Não decorei nem a tabuada. Até hoje não sei e nunca me fez falta nenhuma. A ideia era aprender a pensar. E isso me influenciou muito.
Depois veio a ditadura…
Tinha uma coisa nas escolas que era um tanto quanto subversiva. Os professores diziam: “Olha, você não pode falar isso, mas tem que pensar aquilo”. Isso estava arraigado nos professores. O professor vinha, por exemplo, com Construção, do Chico Buarque, para debater. Havia um processo de politização. E quando entrei na UnB, em 1976, muito jovem, a ditadura ainda não tinha conseguido sufocar a universidade. E aí você podia fazer matéria em qualquer departamento.
Que curso?
Fiz música, psicologia. Fiz matérias de vários departamentos. Acho que sou uma autodidata, porque, olhando hoje o conceito de neurociência, vejo que desde muito cedo, nos anos 1970, venho buscando essa diversidade. Pensava que seria música porque, com cinco anos, aprendi a ler partitura sozinha e curti. Aprendi “n” instrumentos.
Qual é o preferido?
Gostei de todos. Aprendi regência com o Cláudio Santoro, na UnB, toquei piano, oboé, violino, flauta… Pensava que faria isso da minha vida, mas, quando cheguei à UnB, vi que tinha uma matéria sobre o desenvolvimento do pensamento da criança. Pensei: “É isso que me interessa…” Aí tinha matéria sobre neurologia. Achei muito legal. Comecei, então, a pegar as disciplinas e montar ideias na minha cabeça.
Foram os primeiros projetos?
No meio do segundo semestre, tive a ideia de desenvolver um projeto, numa bolsa de iniciação científica do CNPq, que era trabalhar parâmetros do som com as crianças com lesão cerebral para desenvolver o pensamento. Foi em cima da ideia de trabalhar o pensamento cognitivo. Esse projeto foi aprovado, super bem cotado. Eu tinha 19 anos. E aí me disseram que, se conseguisse um lugar para implantar o projeto, poderia executar. Deixei o projeto no Hospital de Base e no Sarah. De repente, o Sarah falou que poderia vir. Cheguei aqui, não tinha local para mim e muito menos material. Aí arrumei, dentro daquela ideia de que se você não tem, faz. Eles me deixaram guardar o material dentro do ar-condicionado. E trabalhava do lado de fora.
Conheceu Campos da Paz nessa época?
Ele me viu aqui, na enfermaria, tocando flauta. Fazia esse trabalho com as crianças. Ele achou curioso o projeto e me convidou para apresentar numa sessão clínica. Quando me formei, fiz seleção para cá e entrei no Centro de Pesquisa. E aí, já trabalhando aqui, fui fazer mestrado e doutorado, sempre em estudos sobre o cérebro. Depois, fiz pós-doutorado em ciências. Campos tinha essa abertura para o novo. Ele não se assustava.
Como você, que não se enquadra e busca sempre o novo, tem esse lado executiva? Isso se encaixa? São duas Lucinhas ou uma só?
Encaixa-se muito. É uma Lucinha só. Da mesma forma que posso criar um novo método de tratamento, posso construir uma organização do trabalho, posso construir um hospital. Então, é uma coisa gostosa. Bem novinha, já tinha essa facilidade de organizar as coisas e as pessoas. Tanto que assumi a chefia da área de lesão cerebral com 22 anos. Assumi a coordenação porque a própria equipe pediu. Organizava bem. Você pode ser criativa na gestão. Combina bem. A gestão não precisa ser pesada, burocratizada. Então comecei no setor de lesão cerebral infantil. Depois, no setor de lesão cerebral como um todo, coordenei praticamente todos os programas do Sarah. No fim, nos anos 1980, era gerente de reabilitação. Tudo sobre reabilitação era comigo.
O fato de não ser médica prejudicou? Sofreu preconceito?
Nunca senti preconceito porque nunca tentei ocupar o espaço de ninguém. Muitas pessoas falam: “A dra. Lúcia não é médica”. É comum ouvir isso, mas não incomoda porque acho natural que as pessoas pensem que, para ser diretor de hospital, precisa ser médico. Então, por mais que diga que não sou, volta. É recorrente. Mas não me afeta porque nunca quis ser médica.
Teria feito o curso, se quisesse…
Passei no vestibular com uma das maiores notas da UnB. Meu sogro era médico e ele queria muito que fizesse medicina. Só fiz matérias que me interessavam, estudei anatomia e outras. Gosto de aprender e faz muito bem para o cérebro.
Por que é tão difícil adotar um modelo de sucesso como o do Sarah na saúde pública?
Tem muitos fatores. O Sarah tem alguns diferenciais. Por exemplo, a gente tem uma filosofia. Todo mundo vem para uma seleção pública, faz um treinamento para igualar princípios filosóficos. Trabalhamos com dedicação exclusiva. Então, um grupo pequeno de profissionais pode dar um atendimento de qualidade. Muitos hospitais nos procuraram querendo fazer igual. Mas muitos dizem que dedicação exclusiva não dá. Aí começa a não dar certo.
São bons salários para dedicação exclusiva?
São salários dignos. Para ter um bom profissional, não posso pagar uma miséria, porque ele não estará aqui. Mas o que a gente vê lá fora é que o trabalho de um é dividido por quatro pessoas, cada uma fazendo algumas horas. A organização do trabalho é muito importante. Há também um diferencial nosso em termos da gestão de materiais. Muitas unidades têm o tomógrafo, mas está quebrado; têm a agulha, mas falta a linha; têm o cirurgião, mas falta o anestesista. Em saúde, não pode faltar nada. Isso não é uma questão de custo. É uma questão de planejamento. Claro que se paga por tudo o que se utiliza, mas não deixamos as coisas perderem a validade, não deixamos as coisas no estoque e conseguimos planejar. Isso em saúde é fundamental.
Falta de medicamentos e má utilização de equipamentos são grandes problemas da saúde pública…
Sim, na falta de planejamento, a pessoa manda comprar um equipamento e não tem onde instalar. Como vou comprar uma ressonância sem ter onde instalar? Outra coisa fundamental é manutenção. Estamos num prédio de 1980 e aqui não tem nada quebrado. Não fica nada quebrado nenhum dia. Aqui trabalhamos também com o princípio da economicidade. Não somos donos do Sarah. O dono do Sarah é o povo brasileiro. Essas responsabilidades, essa consciência, esse cuidado com o bem público são muito fortes na nossa filosofia. Ninguém deixa uma luz ligada; a gente usa iluminação natural, ventilação…
Tem muito rigor?
Sim. Mas quem não se adapta vai embora. Não aguenta. Aqui ninguém é mais importante do que ninguém. O médico não é mais importante, como a gente vê por aí. A pessoa que limpa o chão faz uma seleção pública, recebe treinamento que passa por um olhar no microscópio. Passa por uma filosofia. Ele sabe que precisa limpar para retirar as bactérias. Com isso, temos a menor taxa de infecção do mundo. Esses profissionais de higiene são profissionais de saúde.
Usar organizações sociais na gestão de hospitais é uma saída?
Depende das instituições contratadas. Já houve uma experiência em Brasília que não deu certo. As organizações sociais surgiram como espelho do Sarah. Só que a gente tem essas peculiaridades que vão desde o treinamento de um auxiliar de higiene até os profissionais de saúde. A gente tem, por exemplo, um programa muito legal, que se chama Paciente por um dia. O pessoal novo se coloca como tetraplégico, paraplégico, afásico (não fala), e os outros colegas vão tratar dele. Alguém vai alimentar, vai ver o ritmo… Isso dá um outro olhar, mais humano. Temos uma perspectiva humanística. Quando se pergunta a um ortopedista: “O que você olha num paciente?” Olhe o olho.
Então, depende mais de uma filosofia de trabalho?
De uma filosofia e de um modelo de trabalho. Tem que ter o modelo, desde a gestão dos recursos humanos; precisa ter os profissionais trabalhando com prazer. Assim é também no tratamento, precisa ser prazeroso para os pacientes. Desenvolvemos um método que se chama neuroreabilitação ecológica. Se você não pode tirar uma pessoa do hospital para a vida, então tem de levar o hospital para a vida. Um exemplo: as pessoas remando no lago, no Sarah Lago Norte. Lutei muito para construir aquela unidade. Enfrentei muita oposição. Só faltavam me matar.
Por que um hospital na beira do lago?
Justamente pela possibilidade de fazer coisas mais lúdicas, de ter um visual mais legal, um espaço aberto. A pessoa fica paraplégica e precisa de braços muito fortes. Quando ela vai se transportar da cadeira para a cama, para o carro, usa todo o peso do corpo no braço. Se você botar a pessoa para carregar um peso, vai encher a paciência dela. Se você coloca para remar, é muito mais interessante. Para quem precisa trabalhar o equilíbrio, velejar é muito melhor. São coisas assim que temos feito.
Como foi o trabalho de envolver a família nos tratamentos?
Em 2005, escrevi um artigo em que comprovei que a participação da família propicia um tratamento muito melhor.
Hoje em dia, nos hospitais, quando alguém está em fase terminal, cada vez mais o médico comanda o destino daquele paciente longe da família. Acha correto?
Isso é muito prejudicial. Em paciente em estágio terminal, a gente tem que ter uma linha de cuidados paliativos de dar conforto, tranquilidade, amor. Tive que provar para a comunidade científica, com dados estatísticos, que amor faz bem. Parece surreal. Já diziam os Beatles: “All we need is love”.
Foi difícil provar essa tese?
A comunidade científica não aceitava. Quando comecei a trabalhar no Sarah, a família não entrava, ficava do lado de fora. Vinha o paciente para tratar, a mãe ficava do lado de fora. Dizia: “Isso não vai dar certo. A mãe passa 24 horas por dia em 365 dias por ano com o filho. Ela tem muita informação para dar.” Não tive dúvidas: peguei meu tapete e coloquei do lado de fora do hospital. Comecei a atender as famílias. Dava um resultado incrível. Mas, quando comecei a apresentar isso, tive que quebrar um tabu muito forte. Ouvia: “Eu sou a fisioterapeuta, como a mãe vai fazer os exercícios?”; “Eu sou a fonoaudiológa.”… Achava que tudo aquilo poderia ser ensinado para as famílias. Peguei um grupo tratado durante um ano com a participação da família, e um outro grupo sem a participação. Quem teve a família foi muito melhor. Provei que a variável mais importante para uma criança melhorar é a afetiva. É o amor.
A criança se sente mais segura?
Quem mais quer o bem dessa criança? Quem ensina uma criança a andar? Não é o fisioterapeuta. É a mãe, a família. Quis devolver à família o papel natural. Quando comecei a falar sobre isso fora do Brasil, também me deu muito problema. Hoje a família é muito bem-aceita. Publiquei um livro que ensinava tudo com desenho, a fazer estimulação motora, cognitiva, da linguagem…
Que imagem o Sarah tem lá fora?
Hoje, o Sarah é um dos modelos mais reconhecidos em reabilitação no mundo. Esse método da família é usado em muitos países. Fui convidada no ano passado até para inaugurar um hospital na Holanda, em Haia, que usa basicamente os métodos que desenvolvi. Hoje recebo visitantes para treinar aqui. Vem gente da Noruega, da Suécia, dos Estados Unidos, da Inglaterra, França, Dinamarca, África do Sul… Temos projetos de colaboração com vários centros do mundo.
Não é um reconhecimento fácil…
É uma coisa que se constrói no dia a dia. Nunca coloquei isso como meta, mas sempre quis mostrar que esses métodos eram importantes. Nos últimos 20 anos, sempre sou chamada para abrir congressos. Amigos meus, que começaram a trabalhar comigo, de outros países, brincam: “Pôxa, você, a menorzinha de nós, latino-americana, mulher, é a convidada especial”.
Nesse período, sentiu preconceito lá fora?
Teve momentos em que senti. Essa questão da família enfrentou muita resistência. Uma vez fui falar em Curitiba sobre a importância da família e as pessoas se levantaram no meio da fala, em protesto.
Existe muita arrogância na ciência?
Existe. Alguns franceses acharam legal meu projeto da família, alguns alemães também. Mas nem todos. Tinha um amigo alemão, que me tratava muito bem, mas nunca comentava as pesquisas com a família. Uns anos depois, ele me liga: “Meu filho sofreu um acidente de carro e teve uma lesão cerebral. Estou me sentindo excluído. Só agora entendi seu lance com a família. Quero levar meu filho para você tratar, e fazer parte do tratamento”.
E a vaidade no mundo científico?
Há uma vaidade intelectual. Mas tem um lado na ciência: tudo você precisa comprovar. Como provei, com todas as estatísticas, com amostra grande, vários estudos com ressonância magnética funcional em que se mostra dentro do cérebro da pessoa, então não há um questionamento. Aí você publica esse estudo na Science, a comunidade científica acolhe, segue e tenta dar um passo à frente. Então hoje tem menos esse embate.
Como está a saúde hoje no país?
É um momento muito difícil. O país é muito grande. Garantir qualificação, qualidade, a distância… Seria necessária a formação de gestores em saúde. Ser um bom médico não significa ser um bom gestor. Mas a gestão de materiais e a manutenção do sistema são complexas. E é isso que a gente vê muito nos escândalos: falta remédio, equipamento parado. A saúde só vai mudar se a educação mudar. Minha sensação é de que o país precisa investir em educação. Com educação, você já melhora muitíssimo o nível de saúde. Uma coisa que já discuti com alguns governos: por que não se coloca no fim do ensino médio disciplinas de enfermagem, de medicina? Com um ano de formação mínima, haveria muito menos procura de pronto-socorros. Haveria muito mais ações preventivas.
Para não sobrecarregar o sistema?
Isso. A pessoa vai saber quando a situação é grave e que precisa correr para o pronto-socorro ou se pode esperar. Essa noção básica se resolve com educação. Os países que fizeram as grandes mudanças pensam nos próximos 20 anos. Veja o que era a Suécia antes de investir em educação: a pobreza, a miséria, a prostituição, o alcoolismo… E o que é a Suécia hoje, e os países escandinavos.
Mas, aqui no DF, se resolve como? É educação, gestão?
É gestão. Uma coisa que tenho informação, que me foi dito pelo próprio Rollemberg, é que tem um número muito grande de médicos na administração. Não tem nenhum médico na gestão da rede Sarah toda. E ninguém faz só gestão. Faço gestão, faço pesquisa e atendimento de pacientes. O gestor que não for para a base não sabe o que está acontecendo. Se eu não for ao meu ambulatório, à minha enfermaria, vou ficar fazendo o que aqui? Ficar de rainha da Inglaterra? E o que faz esse tanto de gente, esse tanto de médico? Por que estão na administração e não na frente? Por que não se monta um sistema de compra de material que seja minimamente planejado? Por que quando se compra um equipamento não se contrata a manutenção? Não dá para ter uma visão imediatista. Essa ideia de pensar o país a longo prazo é o que falta. É como aqui no GDF.
Qual é a solução?
Deveria se pensar assim: vamos virar a mesa e partir do zero. Vamos construir uma coisa nova? O que sinto dos sucessivos governos são remendos para dar conta durante alguns mandatos.
Seria uma mudança estrutural?
Isso. Parar tudo e ver quem está fazendo o quê. Quem vai cuidar do quê… Eu, que já fiz tantos hospitais, acho tão simples. Olhar o problema de frente, encarar. Ter a participação das pessoas. Esse também é um problema. Você não pode fazer uma gestão que não seja participativa. Não posso dizer: agora sou a secretária de Saúde e vocês vão fazer assim. Ninguém vai fazer porque quero, mas porque acredita. Passaria por uma revisão geral. Vamos construir juntos. Uma coisa muito complicada é ficar se queixando, dizendo que não pode fazer porque não tem condições. Então, descola. Providencia. Briga por isso. Se houver uma boa intenção, você vai conseguir ajuda.
Já foi convidada para ser ministra?
Fui convidada por três diferentes presidentes. Fui convidada para ser secretária de Saúde do DF, mas a estrutura política do Brasil é muito difícil. Tem a coisa da divisão partidária. A vida toda trabalhei com profissionais concursados. Acho complicado esse universo criado pelos políticos de indicar determinado profissional porque tem ligação partidária, política. O cargo de ministro é político. Não é um cargo de gestor público e o meu cargo aqui é de gestor público, de responsabilidade enorme e com cuidado muito grande dos recursos públicos. Nunca tivemos nenhum questionamento do TCU nem da CGU. Se for tudo no preto e no branco, não tem questionamento.
Na hora de pedir recursos do orçamento, há dificuldades?
A gente tem sempre um apoio muito grande da bancada do DF, de todos os partidos. Os grandes aliados do Sarah são as pessoas que nele se tratam. Os parlamentares são eleitos pela população e a população está satisfeita. O nível de satisfação do paciente do Sarah, na última pesquisa, foi de 98,3%. Quando a gente pede uma emenda, não enfrenta dificuldades. E aqui a gente não faz nenhum tipo de diferença partidária ou religiosa.
O aparelhamento político atrapalha?
Atrapalha, mas em que ministério é diferente? Acontece em todo o sistema político.
Na saúde, o peso de indicações políticas não é maior?
Saúde e educação são áreas que não deveriam ter influência política. Se fosse ministra da Saúde, teria de brigar muito. Não iriam me querer em três meses. Logo me dariam alta. Temos que viver para a saúde e não sobreviver da doença.
Como é sua relação com os pacientes?
Sou contra distanciamento. Eu beijo, abraço, gosto. Defendo o envolvimento. Meus pacientes vão se tornando meus amigos. Você comemora cada vitória. É muito bom ver que a pessoa está melhorando e você melhora junto. A gente se “co-constrói”.
Com as derrotas, você acaba sofrendo também?
Não acredito em derrota. Tudo depende do objetivo a ser alcançado. Não posso querer que uma pessoa que comprometeu toda a medula volte a andar. Não posso considerar uma derrota não a fazer andar. Tenho que trabalhar com ela um objetivo que lhe dê qualidade de vida, e a gente vai comemorar muito, a gente vai curtir.
Muitos pacientes chegam com a esperança de cura. Como dizer a eles que nunca mais vão andar?
Acho natural que as pessoas venham com a expectativa acima da realidade. Acontece. Você não pode tirar a esperança de ninguém, mas também não pode alimentar expectativa falsa, porque reversão de expectativa é que causa sofrimento. Acontece assim: a pessoa vai conversar com outras que têm o mesmo problema. Aí, ela começa a digerir. Quando a pessoa está pronta para perguntar ao médico, ela pergunta. Não é preciso antecipar. Trabalho muito o seguinte: o que você tem, e não o que você não tem. Se você gosta de esportes, não pode ser um campeão de corrida, mas pode ser um campeão de remo. Existem “n” possibilidades. O caminhar é mais importante para as pessoas que não têm problema do que para as pessoas que têm. Se você não andar, mas souber contornar isso, será feliz, como a gente vê em milhares de paraplégicos, tetraplégicos, hemiplégicos.
Têm ocorrido muitos acidentes de trânsito por uso de celular?
Demais. É impressionante. Antes os problemas de trânsito eram causados por bebida alcoólica. Hoje são principalmente causados pelo celular. É aquela ideia de que você vai ganhar tempo. Na verdade, acaba perdendo um tempo enorme. Passar meses e anos se reabilitando. É um filme que não volta.
Vocês ainda têm programas de orientação para jovens?
Sim. Temos um programa de prevenção que é muito legal. A gente começou pensando em jovens do ensino médio próximos de tirar a carteira. Mas aí descobrimos o óbvio: adolescentes contestam os adultos. Então baixamos a faixa etária para um pessoal bem novinho, porque a criança chega em casa e fala: “Ah, pai, se não botar o cinto, não vou”.
Como fazer com que as pessoas tenham cuidado?
É interessante essa questão da prevenção: ninguém chega e fala: hoje vim me prevenir de um câncer ou de uma lesão na medula. Viável é convidar as escolas para uma visita. É o espaço da educação. Aí você vai trabalhar a formação das crianças. Seria muito legal que as crianças tivessem essa formação. A prevenção passa por aí.
Como enxerga a educação hoje no país?
É preciso investir mais na remuneração do professor. Acho impressionante que não se veja o valor desses profissionais. E investir no ensino fundamental. Um ensino fundamental de qualidade muda muito a realidade. O resto é consequência.
Há situações em que você não acreditaria que o paciente chegaria lá?
A gente nunca acha que a pessoa não vai chegar lá. A questão é construir dia a dia. Sempre se pode dar um passo a mais. Talvez seja um passo diferente, por outra via. O importante, em recuperação e reabilitação, é comemorar cada passo. Cada melhora é uma melhora.
E quanto à força de vontade do paciente?
É fundamental. Quando recebo algum paciente adulto, com uma lesão cerebral mais grave, falo: “Quer melhorar? O mais importante para melhorar é querer. Senão não vai ter como fazer nada, nem sua família, nem ninguém. A pessoa é responsável pela própria saúde.
Vocês atendem de celebridade e político a pessoa comum. O tratamento é padrão?
É absolutamente igual. Aqui não há infecção social. A família chega, toma um banho e veste um uniforme. Isso é para evitar infecção hospitalar e infecção social. A roupa que o acompanhante da celebridade vai usar é a mesma do acompanhante do paciente em uma situação econômica mais precária. Os pacientes usam o mesmo uniforme, o mesmo tratamento, a mesma enfermaria, comem no mesmo refeitório, a mesma comida. A pirâmide socioeconômica do Sarah é igual à do Brasil. Aumentou a classe C no Brasil, aumentou no Sarah. O acesso era todo por telefone, agora é pela internet. O que a gente tem, diferentemente de outros hospitais públicos, é muita busca de pessoas que poderiam pagar. Porque elas buscam a qualidade.
O índice de satisfação com o Sarah é alto. Mas há quem critique porque não consegue consulta. Por quê?
Aí depende. Muitos casos a gente não atende porque as pessoas não têm noção do trabalho do Sarah. Acham que aqui trata fratura. E aqui não trata fratura. O acesso é tranquilo. Entra no site, escolhe a unidade. Você vai ver, por exemplo, que não há ortopedia e neurocirurgia em Fortaleza. Foi definido assim. Tudo é dentro de uma única perspectiva, mas alguns têm especialidades que outros ainda não têm. Tudo isso passa pelo governo federal, porque todos os nossos recursos são públicos.
A arquitetura tem um peso fortíssimo em todos os Sarah. Tudo tem a mão do Athos e do Lelé. Você enxerga os dois?
Isso é uma coisa maravilhosa. Até outro dia comentava… Éramos quatro pessoas muito ligadas: eu, Campos da Paz, o Lelé e o Athos. Sempre fui a caçula da turma, hoje só fiquei eu. O arquiteto não faz um hospital se você não tem um bom programa. E um programa de reabilitação não funciona se não há uma boa arquitetura. Se tivéssemos cubículos, não conseguiríamos fazer um atendimento humanizado. Então adotamos alguns princípios: abertura com a natureza, ventilação natural, iluminação natural, espaços amplos e abertos, multidisciplinariedade. Isso tudo faz parte de um programa de reabilitação. A filosofia do Sarah também se sustenta na arquitetura. Ninguém tem o seu consultório, em nenhuma unidade da rede. A gente divide boxes.
Não foram projetados?
Exatamente. Não temos computadores pessoais. Achei estranhíssimo quando vim para a diretoria — não queria vir. Não tenho talento para ficar em gabinete. Gosto de trabalhar do lado de fora. Quando vim para essa sala e vi que podia abrir a porta e botar uma mesa do lado de fora, carreguei a mesa para a grama e comecei a trabalhar. A arquitetura foi toda pensada assim: os elementos do Athos sempre conversaram com a arquitetura do Lelé. Isso a gente ensina também na formação dos profissionais do Sarah. Ninguém cola um Mickey Mouse em cima de uma peça do Athos. Lelé e Athos tinham uma conversa muito gostosa para cada hospital. Os azulejos do Sarah de São Luís, Athos pensou de maneira diferente, porque é uma cidade com tradição de azulejos. No Sarah centro, o Athos começa com o painel marrom, o painel verde. Você chega ao Sarah Lago, ao Sarah Fortaleza, explode em cores. Um dia falei ao Athos: “Você começou fazendo o Teatro Nacional todo branco… de repente explodiu em cores. Como foi isso?” Ele respondeu: “Lucinha, fiquei velho, perdi a vergonha” (risos).
Que influência tiveram na sua vida?
Tive oportunidades e estou tendo ainda de conhecer pessoas interessantes. Estou sempre muito aberta a aprender, a ouvir o outro. Aprendi muito com Campos, com Lelé, com Athos… Tinha outras pessoas também. Jorge Amado, Zélia Gattai, Millôr Fernandes, pessoas de uma sabedoria.
Do que mais sente falta de Campos da Paz?
Do humor. Na vida diária, a gente tinha uma relação muito próxima. Teria idade para ser filha dele. E um dia ele me falou: “Engraçado, as pessoas pensam que você é tipo minha filha, mas você é tipo minha mãe” (Risos). E é verdade. Porque ele era muito impulsivo. E eu dizia: “Não, não pode, se comporte!” A gente tinha essa liberdade.
Ele disse uma vez sobre você: “O professor se realiza quando descobre que o aluno é melhor que ele”.
Ele botou isso no livro dele. Falei para ele: “Não bota isso não”. Sou do tipo low profile.
Trabalha quantas horas por dia?
Quantas horas for preciso. O envolvimento que a gente tem vem da paixão pelo trabalho. Deve ser muito triste uma pessoa trabalhar numa coisa de que não gosta. Morreria. A gestão me dá prazer. Acho muito gostoso organizar as coisas, ver o resultado e envolver as pessoas. É preciso pensar junto, porque a conquista é do grupo. Aqui todo mundo é muito preocupado em não rasgar o papel, de imprimir um papel que não precisa, de sair e deixar uma luz acesa.
Como cortar gastos e manter bons salários?
Há 15 anos, cortaram muito o nosso orçamento. E os preços subindo. O dinheiro estava limitado e o salário, uma porcaria. Falei: “O salário da gente está ruim, não está? Também acho, porque também sou funcionária. Se todo mundo diminuir o custeio, dá para aumentar o salário”. Imediatamente todo mundo fez uma economia enorme no custeio e reverteu em salário no mês seguinte. Mas a gente sabia que tinha de manter. E até hoje temos essa filosofia.
Como você enxerga a crise no país?
A gente não pode se deixar levar pelo baixo astral. Tem tanta gente batalhando por alguma coisa boa… Tudo passa se a gente resolver cooperar para que as coisas sejam superadas.
E o teatro do Sarah? Os pacientes frequentam?
Sempre achei legal trazer arte para dentro do hospital. Logo que vim para cá, trazia filmes, uns amigos da Escola de Música para tocar. A gente ia fazer um barulho lá fora. Quando resolvemos ampliar o auditório, fizemos um que serve também de teatro. É um espaço com acessibilidade. Os pacientes adoram. Tem gente que vem de maca, tomando quimioterapia. Já falo logo para os artistas: se alguém sair, não é nenhuma crítica (risos). E agora comecei a perceber que diminuiu muito o uso de analgésicos, porque você levanta o astral das pessoas.