A foto do vice-presidente da República, Michel Temer, acompanhando pela televisão, no Palácio do Jaburu, a votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, deu o que falar na política local.
A presença do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), até pouco tempo principal aliado do PT no Distrito Federal, causou indignação entre petistas. Filippelli sempre foi defendido por caciques do partido, como o deputado distrital Chico Vigilante.
A proximidade de Filippelli com Temer, acusado de golpista pelos petistas, é a quebra das últimas pontes que existiam entre as duas partes.
Além disso, caso se concretize a posse de Michel Temer na Presidência da República, Filippelli será um dos homens fortes do governo. Ocupará um cargo de alto escalão no gabinete no novo presidente ou será ministro, que poderá lhe cacifar para as eleições de 2018.
O PT promete guerra a um eventual governo Temer. E promete também infernizar Filippelli. O partido se sente traído, afinal ele foi o vice e sócio-político do governador Agnelo Queiroz (PT), a quem sempre se manteve fiel.
O PT contava com Filippelli para 2018. Chegou a cogitar apoia-lo para governador, caso nenhum nome do partido despontasse de forma competitiva para o GDF.
Para o PT-DF, Filippelli hoje é mais traidor do que Temer.
Por meio de nova decisão vitoriosa no caso GEAP, o Judiciário esclareceu que o limite de reajuste no plano de saúde da GEAP por ele fixado em 20% se estendeu também aos agregados e dependentes dos titulares do plano de saúde GEAP e não apenas os associados da ANASPS.
A recente decisão ainda estabeleceu que o início dos efeitos do reajuste de 20% se inicia a partir da primeira decisão que já havia definido o referido percentual de reajuste, uma vez que antes disso os beneficiários estavam amparados pela primeira decisão de suspensão do reajuste, não devendo existir cobrança retroativa.
A ANASPS está tomando todas as providências cabíveis para que a GEAP cumpra integralmente a decisão, em prol de seus Associados e familiares.
Embora no primeiro momento o Poder Judiciário não tenha estendido os efeitos da liminar aos agregados ao servidor, em pedido de reconsideração essa decisão foi revista, sendo limitado o aumento da GEAP aos agregados em 20%, pelo fato de ter sido reconhecido que o vínculo destes com a GEAP decorre exclusivamente de sua relação com o servidor, sendo este o responsável final pelas obrigações assumidas, garantindo assim a legitimidade para lutar por seus direitos.
Quanto ao segundo ponto, a autora/embargante representa os seus associados, e são esses associados os atingidos pelos efeitos da decisão.
Conforme afirma a agravada, “…o vínculo dos dependentes e grupo familiar com a GEAP decorre única e exclusivamente da relação daqueles com os titulares, e o ônus de pagamento e integralmente dos titulares, que são associados da Autora, nos termos do Parágrafo Quinto e Sexto da Clausula Segunda do Convenio por Adesão n° 001/2013, de modo que o associado possuem interesse e legitimidade”.
Logo, se os titulares são os responsáveis pelo pagamento da contribuição de seus dependentes e grupo familiar, os efeitos da decisão abarcam também a contribuição devida por esses dependentes e grupo familiar, e não somente aquela devida pelo titular.
Eventual retorno ‘brusco’ à oposição daria tempo ao partido para eleições municipais
Fernando Duarte, da BBC Brasil em Londres – O processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, um capítulo amargo na história do Partido dos Trabalhadores depois de 13 anos no poder, poderia servir como uma espécie de “bênção disfarçada” para a legenda.
Especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a percepção de que o processo tem contradições, em especial a presença do polêmico presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no comando da votação autorizando o início do processo de impeachment, oferece ao PT a chance de explorar uma imagem de “vítima” – ainda que condicionada a um arrefecimento da Operação Lava Jato nas investigações de denúncias envolvendo o partido e de acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O impeachment acaba sendo o resultado mais confortável para o PT. Tira Dilma de cena e praticamente coloca Lula em campanha, reforçado pela imagem de que houve abusos no processo”, acredita Rodrigo Nunes, professor de filosofia política da PUC-Rio.
“O partido, claro, tem problemas, incluindo possíveis dissidências. Mas o estrago para o PT seria muito maior sem o impeachment, pois correria o risco de ficar infinitamente mais impopular permanecendo no poder em meio a um cenário de crise econômica.”
Autocrítica
A ideia de que um governo Michel Temer também terá problemas de popularidade, a começar pelas pesquisas mostrando rejeição ao vice de Dilma, passando pela provável adoção de medidas impopulares para tentar estabilizar a econômica, também reforça o argumento de que a volta brusca à oposição poderá ser benéfica para o PT.
“Possivelmente, é melhor para o PT virar oposição agora”, diz a jornalista britânica Jan Rocha, autora de uma “biografia” do partido em inglês. “O PMDB vai ter dificuldades para governar, até porque também tem rejeição popular.”
“As pessoas se sentem traídas pelo PT, mas não estão se bandeando para o PMDB. Isso não quer dizer que o PT não tenha um enorme desafio pela frente, é preciso que isso fique bem claro, mesmo agora que pesquisas mostrem Lula liderando intenções de voto para 2018.”
Embora o PT hoje corra o risco de uma derrota eleitoral contundente nas eleições municipais, analistas acreditam que o partido ganhou tempo para tentar fazer o que Alfredo Saad-Filho, professor do Departamento de Estudos em Desenvolvimento da Universidade de Londres, chama de autocrítica.
“O impeachment tira pressões do PT e é uma possibilidade bastante plausível que a liderança do partido buscará o discurso de que o PT sofreu uma injustiça. Porém, como parte do processo de rearticulação de sua base de apoio, é muito mais sólido que o partido avalie o que deu errado em sua administração. Se o PT não fizer isso, corre o risco de perder sua relevância.”
Fator Lula
E como fica o fator Lula no processo de reorganização do partido? Os especialistas concordam que o ex-presidente ainda exerce grande influência sobre o PT, mas não são unânimes em avaliar se isso é bom ou ruim para o partido.
Para Jan Rocha, Lula “é valioso para o PT e é inteligente. Ele pode se reinventar, e as pesquisas mostram que mesmo as acusações contra ele não o impediram de voltar a ser uma figura nacional”.
“O partido não pode ignorar isso, mas é preciso fazer algo mais do que se colocar no papel de vítima. Será necessária uma mensagem positiva.”
Saad-Filho vê Lula como a maior liderança política no Brasil, mas também como um problema para o PT. “No que diz respeito ao surgimento de outras lideranças no partido, Lula foi desastroso, porque hoje não tem substituto.”
“Ele não está ficando mais jovem e, mesmo que volte à presidência, não pode esperar que tenha o mesmo sucesso (do primeiro mandato). A longo prazo, a presença de Lula é limitante tanto para o PT quando para a esquerda brasileira”.
Já Rodrigo Nunes vê em Lula uma chance de sobrevida para o partido: “É possível que a legenda sobreviva como algo sustentado pelo carisma de Lula e inspirado pelo imaginário varguista”, explica o professor, referindo-se à volta de Getúlio Vargas à Presidência, em 1951, após ter sido deposto em 1945.
A cerca de contenção colocada na Esplanada dos Ministérios para evitar confrontos e animosidades foi alvo de críticas durante toda a semanada passada. Foi inspiração para memes na internet e movimentos pela paz. Foi criado até o movimento “Mais pontes, menos muros”.
Pessoas se reuniram pregando a paz entre os manifestantes rivais. Um fotógrafo fez um ensaio com dois atores se beijando em cima do muro, cada um posicionado numa escada em um lado do muro, que na verdade é uma cerca.
A cerca foi pichada com protestos e palavras de ordem, e até chamamento pela paz. Foi pintada com grafite, teve cartazes colados com as posições políticas de ambos os lados. Teve frases criativas como “Bora se amar” e “Menos muro, mais Moro”.
Entre os apelidos foi chamado de Portão de Rollemburg, que separava a Esplanada Oriental e a Esplanada Ocidental. E também “Muro da Vergonha” e “Muro do Impeachment”. Teve até panelaço dos que criticaram a instalação da cerca.
No final, a cerca e a área de contenção foram medidas acertadas. E deve-se reconhecer que a estratégia foi correta. Não foi registrada ocorrências graves. E um dos momentos mais importante da história recente do país transcorreu em paz e na normalidade.
Acordo foi oficializado nesta segunda-feira (18), quando também foi assinado documento de gestão e desempenho entre a Adasa e o SLU
Fotos: Catarina Callado | Texto: Samira Pádua
Foi assinado nesta segunda-feira (18) o contrato, no valor de R$ 3.381.583,89, para consultoria especializada que apoiará o governo na elaboração do Plano Distrital de Saneamento Básico. O documento está previsto nas Leis Federais nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, e nº 12.305, de 2010, e auxiliará o poder público no planejamento para soluções de curto, médio e longo prazos para o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, os resíduos sólidos e a drenagem urbana.
A assinatura ocorreu no Auditório Humberto Ludovico, na Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa-DF), com a participação do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg. “É fundamental que haja um trabalho integrado em todas as áreas de saneamento para que a gente possa fazer de Brasília um exemplo de cidade sustentável”, destacou o chefe do Executivo, que lembrou que a capital receberá em 2018 o 8º Fórum Mundial da Água.
A empresa contratada — Serenco Serviços de Engenharia Consultiva — foi a vencedora da concorrência lançada pela Adasa em 2015, e o prazo de execução do contrato será de sete meses. Durante a elaboração do plano, haverá audiências públicas. Também serão entregues estudos que apoiarão a elaboração, pelo governo, do Plano Distrital de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.
“O planejamento deve estar sempre presente nas ações do governo. A questão do saneamento básico é uma das mais importantes que nós temos. Estamos tratando de esgoto e de resíduos sólidos, por exemplo, de coisas que podem poluir o meio ambiente, piorar a qualidade de vida da população e causar problemas como doenças”, disse o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles.
O trabalho será coordenado pela Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, por meio de comissão composta por representantes da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), da Secretaria do Meio Ambiente e da Adasa-DF.
Gestão e desempenho
Durante o evento, também foi assinado o contrato de gestão e desempenho entre a Adasa e o SLU para que a agência fiscalize e regule a prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. O contrato regula a qualidade dos serviços e estabelece direitos e deveres tanto para o prestador (SLU) quanto para os usuários. É ainda uma exigência da Lei Distrital nº 4.285, de 26 de dezembro de 2008, que, entre outras definições, reestrutura a Adasa-DF.
Também participaram do evento o secretário do Meio Ambiente, André Lima, o presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Maurício Luduvice; a diretora-geral do SLU, Kátia Campos, e o diretor da empresa vencedora, Marcos Moisés Weigert.
Livro reúne importantes estudos acadêmicos e experiências forenses sobre a violência contra a mulher. O evento para apresentação da obra e sessão de autógrafos será no auditório do IDP, na segunda-feira, 18/4, às 19h
Na próxima segunda-feira, 18 de abril, será lançado, em Brasília, o livro “A Mulher e a Justiça – A Violência Doméstica sob a Ótica dos Direitos Humanos”. A obra, organizada pela juíza Theresa Karina de Figueiredo Gaudêncio Barbosa, por intermédio da Associação dos Magistrados do DF (Amagis-DF), reúne capítulos de 27 autores, dentre magistrados e servidores do TJDFT, membros do Ministério Público e professores renomados nas áreas de Direito, Psicologia, Sociologia, Comunicação Social e Antropologia.
O lançamento e a sessão de autógrafos estão marcados para às 19h, no auditório do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). A cerimônia abre o ciclo de diálogos “As Mulheres na Carreira Jurídica”, coordenado pela professora titular do Mestrado em Direito da Escola de Direito de Brasília (EDB/IDP), Soraia da Rosa Mendes, uma das coautoras do livro.
O livro “A Mulher e a Justiça” busca promover uma abordagem multidisciplinar do tema para aprimorar os mecanismos de prevenção e controle da violência doméstica, integrar as diversas formas de enfrentamento das questões relativas à violência e proteger as vítimas e seus familiares.
Serviço: Lançamento do livro “A Mulher e a Justiça – A Violência Doméstica sob a Ótica dos Direitos Humanos”
Data: 18 de abril, às 19h
Local: Auditório do IDP – SGAS Quadra 607, Módulo 49, Via L2 Sul – Brasília-DF
Coautores: Ana Carolina Chaves; Ana Cláudia Loiola de Morais Mendes; Ana Lúcia Galinkin; Antonio Henrique Graciano Suxberger; Antônio Pereira Rabelo; Bruno André Silva Ribeiro; Carmen Hein de Campos; Cláudio Nunes Faria; Débora Giestas; Deusélio Bassini Fioresi; Ela Wiecko Volkmer de Castilho; Elaine Bello Bonorino; Elen Cristina Geraldes; Jala Mahira Hassaine da Costa; Janara Kalline Sousa; Karine Brito dos Santos; Lia Zanotta Machado; Lourdes Maria Bandeira; Oriana Piske de Azevêdo Barbosa; Paula Carvalho Peixoto; Rejane Zenir Jungbuth; Soraia da Rosa Mendes; Tânia Mara Campos de Almeida; Theresa Karina de Figueiredo Gaudêncio Barbosa; e Vanessa Negrini.
Edição: Amagis-DF
Organização: juíza Theresa Karina de Figueiredo Gaudêncio Barbosa
Por Karine Melo – Com o sinal verde dado neste domingo (17) pela Câmara dos Deputados para abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o futuro do mandato presidencial está agora nas mãos dos 81 senadores.
Nesta segunda-feira (18), o processo será enviado ao Senado e no dia seguinte (19) lido no plenário da Casa. Ainda na terça-feira, os líderes partidários deverão indicar os 42 parlamentares que vão compor a comissão que analisará o assunto no Senado, com 21 titulares e 21 suplentes. A comissão tem prazo de 48 horas para eleger o presidente e o relator. Por causa do feriado de 21 de abril, nesta quinta-feira, isso deverá ocorrer somente na segunda-feira (25).
Os integrantes da comissão especial serão definidos conforme a proporcionalidade dos partidos ou dos blocos partidários. A partir daí, o colegiado terá dez dias para apresentar um relatório pela admissibilidade ou não do processo de impeachment. O que ainda não está claro é se são dias corridos ou dias úteis. O parecer será votado na comissão e independentemente do resultado também será apreciado pelo plenário do Senado. Em ambos os casos, a votação será por maioria simples.
Afastamento
Caso aprovada a admissibilidade do processo pelo Senado, o que deve ser decidido entre os dias 10 e 11 de maio, a presidenta Dilma Rousseff será notificada e afastada do cargo por um prazo máximo de 180 dias, para que os senadores concluam o processo. O vice-presidente da República, Michel Temer, assume o posto. Mesmo se for afastada, Dilma manterá direitos como salário, residência no Palácio da Alvorada e segurança. Nesse período, ela fica impedida apenas de exercer suas funções de chefe de Estado.
Instrução processual
Nesta etapa, o processo voltará à comissão especial para a fase de instrução. É aí que a presidenta terá até 20 dias para apresentar sua defesa. A comissão analisará todos os elementos para o impedimento e a defesa de Dilma Rousseff. Também serão juntados documentos, provas, mas, para isso, não há prazo definido em lei.
Um novo parecer com as conclusões, com base no que for reunido, será votado na comissão especial e no plenário da Casa, também por maioria simples. Se aprovado mais esse parecer a favor do impeachment, o julgamento final do processo será marcado. A sessão, no Senado, será presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa última votação, feita apenas no plenário do Senado, é preciso dois terços dos votos para que o impedimento seja aprovado. Ou seja, 54 dos 81 senadores.
Dúvidas
O processo de impeachment de Dilma Rousseff chega ao Senado em meio a uma série de dúvidas sobre o que determina a legislação e o regimento interno a respeito de prazos processuais.
Até terça-feira (19), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deverá reunir os líderes dos partidos e consultar o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, sobre o rito do processo na Casa. A opinião de Lewandowski é considerada fundamental para que o rito não seja questionado judicialmente por partidos. A expectativa é que a partir daí o calendário de tramitação no Senado sofra alterações.
O próprio início da participação do presidente do STF no julgamento é motivo de dúvidas. Em 1992, o ministro Sydney Sanches, que presidiu a condução do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, assumiu o comando do processo no Senado a partir de sua admissibilidade. Agora, a avaliação é que o presidente do Supremo lidere o processo apenas no dia do julgamento.
Outra dúvida diz respeito a composição da comissão que avaliará previamente a admissibilidade do processo. Ainda não está definido se o presidente e o relator da comissão serão designados, como tradicionalmente, respeitando a maior bancada, ou se haverá eleição.
O prazo que a comissão teria para apresentar um relatório e votá-lo também é motivo de questionamentos. Diferentemente da Câmara, que considerou 10 sessões plenárias, a previsão em lei é de dez dias no Senado. Não está claro, entretanto, se serão contados dias corridos ou úteis.
Por Talita Abrantes, da Exame.com– Contrariando expectativas de uma votação acirrada, a Câmara dos Deputados acaba de aprovar a continuidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
A votação ainda não terminou. Mas 342 deputados (que é o mínimo necessário para aprovar o impeachment na Casa) já votaram pelo prosseguimento da ação.
Até o momento, entre votos, abstenções e ausências, o governo contabiliza apenas 135 pontos contrários.
A votação de hoje foi marcada por uma série de traições de parlamentares da base aliada e garantiu à oposição uma larga vantagem sobre o governo desde o início da sessão.
Dos 25 partidos com representantes na Casa, 17 orientaram seus filiados a votar pela aprovação do impeachment.
Apenas 6 siglas (PT, PR, PCdoB, PSOL, PDT e PTdoB) defenderam a manutenção do governo Dilma. Rede e PEN liberaram sua bancada para votar conforme a consciência.
A decisão dos partidos não foi suficiente para impedir votos desfavoráveis ao governo. A onda de traição rendeu até a renúncia do o deputado Alfredo Nascimento (PR-AM) à presidência do partido. Ele, que foi ministro dos Transportes dos governos Lula e Dilma, contrariou a decisão da sigla ao apoiar o impeachment no Plenário.
A maior de todas as derrotas – até agora
É exatamente graças a problemas de conciliação com sua base que a presidente Dilma Rousseff (PT) convive com a possibilidade de ver seu mandato abreviado.
Desde dezembro do ano passado, quando o presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha (que pertence a um dos então principais partidos de apoio do governo), aceitou o pedido de impeachment protocolado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína Paschoal.
Em tempo: a decisão de Cunha aconteceu poucas horas depois do PT definir votos contra o peemedebista na Comissão de Ética da Casa.
Desde então, o governo fez de tudo para aplacar tal sina.
Recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), renegociou vantagens com a base aliada, escalou governadores e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mesmo sem assumir o cargo de chefe da Casa Civil, tem coordenado, de um hotel de luxo em Brasília (DF), a força-tarefa para barrar o impeachment.
O resultado da votação de hoje conclui um ciclo de derrotas para o governo e a conduz ainda mais enfraquecida para . Na últimas semanas, a presidente Dilma Rousseff viu a debandada de três dos principais partidos da sua base aliada: PMDB, PP e PSD.
Muitos deputados favoráveis ao fim do mandato da presidente aproveitaram o microfone do plenário nos últimos três dias para reclamar da falta de traquejo político que definiu os seis anos do governo Dilma.
As queixas não poderiam ser mais pertinentes. Para além das pedaladas fiscais ou abertura de créditos suplementares, foi uma articulação política desastrada que conduziu a petista para uma possível abreviação do própria mandato.
“[O processo de impeachment] é também uma ruptura com esse governo que não soube negociar”, afirma Humberto Dantas, professor do Insper e consultor da 4E Consultoria.
O que acontece agora?
Com a aprovação na Câmara, o processo segue agora para o Senado, que deve abrir uma comissão para avaliar se o julgamento tem condições ou não de ser aberto. O colegiado tem 10 dias para elaborar um parecer.
Feito isso, é a vez dos senadores avaliarem a denúncia e decidir por maioria simples (41 dos 81 parlamentares) pela abertura do julgamento.
Se aprovado no Senado, a presidente Dilma Rousseff é afastada por um período de 180 dias. O vice-presidente Michel Temer assume o cargo.
No Senado, o julgamento é presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e pode pendurar por no máximo seis meses. O impeachment é aprovado se dois terços dos senadores (54 dos 81) votarem a favor.
Se Dilma for condenada, perde o mandato e se torna inelegível por oito anos. Se for absolvida, volta automaticamente ao cargo e recebe o valor que deixou de receber enquanto estava afastada.
Por Painel, da Folha de S.Paulo- O vice-presidente Michel Temer acompanha com satisfação o andamento da votação do impeachment na Câmara.
A foto abaixo foram tiradas há pouco por aliados que o visitaram no Palácio do Jaburu.
Aliados cotados para integrar o chamado núcleo duro de seu governo acompanham a votação ao lado de Michel Temer.
Estão com o peemedebista, Eliseu Padilha, ex-ministro da Aviação Civil que deixou o governo assim que o impeachment foi aberto; Henrique Alves, que se demitiu do Ministério do Turismo quando o PMDB rompeu com o governo; o presidente do partido, senador Romero Jucá; além de Rodrigo Rocha Loures, braço direito do vice na articulação com o Congresso.
Indagado se teria sido se arrependido do gesto, ele respondeu: “de jeito nenhum. Eu cuspiria na cara dele quantas vezes eu quisesse e quantas vezes tivesse vontade”
ESTADÃO CONTEÚDO – Após terminar de anunciar o seu voto no plenário da Câmara dos Deputados, Jean Wyllys (PSOL-RJ) cuspiu na direção do parlamentar Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Por serem do Rio de Janeiro, os dois votaram no mesmo bloco durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa. Em seu discurso, Bolsonaro enalteceu o ex-chefe de um dos órgãos de repressão da ditadura militar.
“Na hora que fui votar esse canalha (Bolsonaro) decidiu me insultar na saída e tentar agarra meu braço. Ele ou alguém que estivesse perto dele. Quando ouvi o insulto eu devolvi, cuspi na cara dele que é o que ele merece”, explicou Willys.
Indagado se teria sido se arrependido do gesto, ele respondeu: “de jeito nenhum. Eu cuspiria na cara dele quantas vezes eu quisesse e quantas vezes tivesse vontade”.
O deputado disse não temer um processo por conta do gesto. “Processo merece quem é machista, que é a favor da violência, que defende a memória (do coronel Carlos Alberto) Brilhante Ulstra, um torturador. Isso deveria escandalizar vocês, não um cuspe na cara de um canalha”, justificou.
O parlamentar do Psol não detalhou qual o teor do suposto insulto de Bolsonaro.
“Perderam em 1964, perderam agora em 2016”, disse Bolsonaro antres de Wyllys subir ao plenário, fazendo uma referência ao golpe militar. “Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, o meu voto é sim”, defendeu Bolsonaro. Ele parabenizou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dizendo que ele “entrará para a história”.
O deputado Jean Wyllys disse estar “constrangido” de participar de uma “eleição indireta, conduzida por um ladrão, urdida por um traidor conspirador e apoiada por torturadores covardes, analfabetos políticos e vendidos. Uma farsa sexista”. Ele declarou seu voto contra o impeachment em nome “dos direitos da população LGBT, do povo negro exterminado nas periferias, dos trabalhadores da cultura, dos sem teto, dos sem terra”.
Ele não foi o único a criticar o presidente da Câmara. Pouco antes, o também deputado do PSOL, Glauber Braga, disse que Cunha é um “gângster”, dirigindo-se diretamente para o local onde o peemedebista. “O que dá sustentação a sua cadeira cheira a enxofre. Eu voto por aqueles que nunca escolheram o lado fácil da história.” Ele citou nomes de políticos como Carlos Marighella, morto em 1969 pelo regime militar, para votar não.
A Casa, mais uma vez, foi tomada por gritos de “Fora Cunha!”. Outra parlamentar a criticar diretamente Cunha durante o seu voto foi Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Primeiro, quero registrar minha indignação, deputado Eduardo Cunha, por ainda vê-lo sentado nessa cadeira, sem reunir condições morais para isso. Segundo, a minha indignação de vê-lo abraçado com um traidor da democracia, que é o vice-presidente Michel Temer.”