Relação bilateral entre o Brasil e o continente africano cresceu 400% em 12 anos. Goiás mantém transações regulares com 45 dos 54 países do continente africano
As relações entre Brasil e África vão além das influências históricas e culturais. Intensas e promissoras relações comerciais também são cultivadas. Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2014 o volume do comércio bilateral entre o nosso país e as nações africanas saltou de US$ 5 bilhões para US$26,8 bilhões, um aumento 400% no período e uma média de mais de 33% de crescimento ao ano. Os dados são do Ministério das Relações Exteriores.
Goiás é um dos estados brasileiros que possui estreita relação comercial com a África. Entre 2011 e 2016 a economia goiana manteve transações comerciais com 45 dos 54 países do continente africano. Em quatro anos (entre 2010 e 2014) o volume anual de exportações cresceu mais de 83%, saltando de U$ 224.212.917 em 2010 para U$ 411.968.117. Neste período o destaque vai para o ano de 2012, quando Goiás exportou U$ 517.010.948 em produtos. Entre 2010 e 2016 foram mais de U$ 2,3 bilhões. Dos dez principais produtos goianos que são vendidos para as nações africanas, somente o amianto não é um gênero alimentício. Milho, carne bovina e o açúcar de cana são destaques: esses produtos representaram quase que 90% das exportações goianas para a África.
“Acredito que o governo e a indústria, souberam aproveitar os caminhos que foram abertos. O crescimento do comércio bilateral com países africanos, ganhou força, principalmente a partir de 2012, quando o Brasil priorizou em sua política externa um novo olhar nas relações comerciais com países de África”, explica o Presidente do Coletivo de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros de Goiás, José Eduardo Silva
Nova fronteira – Essa profícua relação comercial tem feito da África a nova fronteira de expansão para empresas brasileiras. Especializada no setor de healthy fast food a franquia goiana Fast Açaí, se prepara para abrir três novas lojas no continente africano. Até o mês de dezembro as novas unidades estarão em funcionamento em Luanda, capital de Angola.
“Por meio da empresa B4U Investimentos e Participações, que é parceira da Fast Açaí nesta nova empreitada, vamos ter não só as três unidades em Angola, mas vamos começar a trabalhar com representação no mercado atacadista também. ”, explica o gerente de operações nacionais e internacionais da marca, Odilon Moura.
O empresário Jefferson Barbosa, 41 anos, mora em Angola há mais de 10 anos e é um dos sócios franqueados da rede. Ele conta que há algum tempo já tinha vontade de levar o açaí para o país africano. Ele lembra que os angolanos possuem uma relação muito próxima com o Brasil e gostam de tudo que é brasileiro. Há cinco anos o empresário conheceu o Hudson Alves, 35 anos, que também vive em Angola, mas já tem quatro franquias da Fast no Brasil. Desde então os dois vêm trabalhando em parceria para concretizar esse projeto de levar o açaí para terras africanas.
“A ideia de trazer o açaí para a África surgiu devido ao grande crescimento mundial do açaí, além de ser uma forma de alimentação saudável. Aqui em Angola a população fitness que consome este tipo de produto e que preza por ter um estilo de vida mais saudável cresce a cada dia e é pensando em públicos específicos como estes que decidimos expandir a rede de franquias até o continente africano”, revela o franqueado Jefferson.
Hudson não esconde que a decisão de levar a fast Açaí para a África surgiu devido ao grande crescimento pelo qual o continente passa atualmente. “O açaí, muito consumido nos Estados Unidos e países da europa, já está entre os principais commodities que o Brasil tem. Então decidimos inovar aqui também, já que a África é o principal continente de expansão comercial. Escolhemos Angola por ser onde moramos e por ter uma relação muito próxima com o Brasil. Os angolanos gostam muito de tudo que diz respeito ao Brasil, em especial nossas novelas”, conta o empresário.
Produtos tipo exportação – Para entrar no mercado atacadista de Angola, Frederico Junqueira, um dos diretores da rede de franquias, explica que um novo açaí expresso, carro-chefe da Fast Açaí, foi desenvolvido. “Já vínhamos trabalhando em uma forma de deixar o nosso principal produto, o açaí expresso, ainda mais atraente, portanto essa mudança do produto para atender o mercado africano encaixou com o que pretendíamos. Agora nosso principal ítem do cardápio tem qualidade não apenas nacional, mas também internacional”, afirma Frederico Junqueira.
Expansão – Em julho do ano passado a rede, que já possui mais de 150 unidades espalhadas em 13 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, comemorou a abertura de sua primeira loja internacional, na Flórida, nos Estados Unidos.
Todos os projetos de expansão internacional da marca têm o apoio do Projeto Extensão Industrial Exportadora (PEIEX), do Governo Federal, criado em 2009 para incrementar a competitividade e promover exportação das empresas de micro, pequeno e médio porte. É também uma forma de, qualificar e ampliar os mercados das indústrias brasileiras. Este programa foi eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o melhor projeto de apoio às empresas do mundo.