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Saiba como funciona a lei do Pix Pensão para débito automático

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Regra sancionada pelo governo federal permite transferência direta entre contas bancárias sob regulação do Banco Central e exige autorização judicial para qualquer alteração

Da Redação

A legislação sancionada pelo governo federal altera a forma de pagamento da pensão alimentícia no Brasil e institui a transferência automática de valores entre contas bancárias, mecanismo denominado Pix Pensão. O valor fixado por decisão judicial passa a ser debitado automaticamente da conta do responsável pelo pagamento e creditado na conta do beneficiário ou de seu representante legal.

O procedimento ocorre por meio do sistema bancário e sob regulação do Banco Central. Antes da norma, o pagamento dependia de iniciativa do devedor, por transferência, Pix, boleto ou desconto em folha.

Com a nova regra, o débito ocorre na data definida pela Justiça. O pagador não pode cancelar a operação, diferentemente de um Pix agendado comum. Qualquer alteração ou suspensão depende de nova decisão judicial.

Não é necessário abrir conta específica para o recebimento. Basta que a conta informada esteja vinculada a instituição financeira autorizada pelo Banco Central e seja indicada no processo. Podem solicitar o pagamento automático beneficiários de pensão estabelecida por decisão judicial ou acordo homologado, mães, pais ou responsáveis legais que recebam em nome de crianças e adolescentes, e pessoas que detenham título executivo judicial reconhecendo a obrigação alimentar.

O pedido deve ser apresentado no próprio processo em que a pensão foi fixada, por meio de advogado, Defensoria Pública ou Ministério Público. É necessário informar os dados bancários de quem paga e de quem recebe. Após autorização do juiz, é expedida ordem digital para que o banco realize os débitos recorrentes na data estabelecida.

Caso a conta do devedor não apresente saldo suficiente no vencimento, a legislação prevê a possibilidade de tornar indisponíveis recursos em outras contas ou aplicações financeiras, até o limite do valor devido. Assim que houver disponibilidade, o montante é retido e transferido ao beneficiário.

 

24º Sesc Festclown encerra temporada e deixa lições para a vida

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Festival reuniu mais de 50 atrações e público de sete mil pessoas no Distrito Federal, com apresentações em praças, teatros, semáforos e hospitais

Durante uma semana inteira (27/7 a 2/8), cerca de sete mil pessoas participaram das mais de 50 atrações do 24º Sesc Festclow, que reuniu artistas de todas as regiões do Brasil e de outros países. O maior festival de palhaçaria da América Latina trouxe a praças, teatros, semáforos e hospitais do Distrito Federal mágica, acrobacia, malabarismo e, principalmente, lições para a vida.

Entre sorrisos, encantos e surpresas, o público foi convidado a refletir sobre a capacidade de adaptar-se a situações difíceis, a enfrentar dificuldades sem desistir da caminhada. “O circo é resiliência. O artista cai, mas sempre se levanta. E eu acho que esse é um bom exemplo que a gente pode dar através dos nossos espetáculos, das nossas acrobacias. O circo faz a realidade mais bonita”, afirma a acrobata Pauline Zoé, da Bélgica.

A programação do 24º Sesc Festclown também instigou a plateia a questionar os próprios limites. “O circo e a mágica em geral têm uma coisa de a gente contestar a realidade. A premissa da mágica é a realização de algo impossível. E quando a gente está diante do impossível, a gente repensa o que é possível”, ensina o ator e mágico Marcelo Moraes, de São Paulo, que apresentou o espetáculo “Experimentos do Invisível”.

O circo também ensina que o sorriso pode ser ferramenta de transformação social. Para a palhaça argentina Maku Fanchulini, “o que o circo faz é acompanhar e transformar as tristezas da vida, sobretudo através do sorriso”. “Fazer sorrir é uma forma maravilhosa de fazer o bem. Neste mundo cada vez mais maluco, com tanta injustiça, mais do que nunca precisamos da ‘arma’ do sorriso”, diz a artista que arrancou gargalhadas de centenas de pessoas com o espetáculo “Metro e Meio”.

Quando o sorriso se torna um bem compartilhado, o espaço se pavimenta com respeito, diversidade, igualdade. Essa é a mensagem dos palhaços Ankomárcio Saúde (Chaubraubrau) e Ruiberdan Saúde (Raquaquá), irmãos na vida e no picadeiro, que apresentaram “O Circo dos Irmãos Saúde”. “O circo é a metáfora da vida. Aqui no circo temos pessoas de todos os tipos e de todas as cores. Não importa de onde elas vêm ou para onde vão. Não importa quanto ganham ou a roupa que usam. Aqui no circo todos e todas são o respeitável público”, afirma Chaubraubrau. O irmão completa: “O riso não tem uniforme, não tem cor, não tem classe. O riso é importante para todos”. “Que nosso riso seja sempre para acolher, para unir; nunca para nos discriminar, nos desvalorizar e nos afastar”, diz Chaubraubrau.

Transmissão de saberes

O 24º Sesc Festclown também se consolidou como um espaço de formação e multiplicação de conhecimentos, conectando gerações e perpetuando a arte da palhaçaria.

Hugo Leonardo, o palhaço Gaubi Beijodo, foi batizado no Festclown há mais de 20 anos. “Eu tenho memórias emotivas com esse festival. Eu e minha geração fomos formados por este festival. A gente teve oportunidade de fazer oficinas com mestres do mundo inteiro, formações pelas quais não poderíamos pagar. E hoje eu vejo minha geração aqui, como facilitadores das ações formativas. Esse festival propiciou a nossa formação e a multiplicação desses saberes. Pra mim isso é lindo demais”, declara.

A geração de Hugo Leonardo se encontrou no 24º Sesc Fetclown com a geração de Tarcísio Souza, de 15 anos. Estudante de Eletroeletrônica do Instituto Federal do Triângulo Mineiro, campus Paracatu (MG), ele veio para o festival com um grupo de 26 colegas, todos da mesma escola técnica, para vivenciar a arte da palhaçaria.

Os jovens participam do Projeto Risoterapeutas, coordenado pelo professor e diretor do Grupo Cênikas, Guelber Evandro. A iniciativa existe desde 2013, e tem como objetivo utilizar a arte da palhaçaria para humanizar as relações sociais, inclusive no mundo do trabalho. “É a importância de levar o riso, de ser ouvinte, a importância de um olhar, de um abraço. É ir humanizando o mundo com pequenas sementinhas. Amanhã esses jovens serão grandes empresários, advogados, vereadores, presidentes”, conta o professor.

Para o estudante Tarcísio de Souza, os aprendizados vivenciados no 24º Festclown podem ser aplicados ao cotidiano. “Em todas as apresentações, se acontecia alguma coisa, eles (os artistas) continuavam na maior naturalidade, faziam essa apresentação continuar fluindo, com todo mundo achando engraçado. Eu vou levar isso para minha vida pessoal e profissional”, afirma.

Para além dos aprendizados destacados pelos artistas e pelo público, o 24º Sesc Festclown evidenciou seu potencial estruturante. Ao reunir dezenas de atrações nacionais e internacionais, o festival movimentou a cadeia produtiva da cultura no Distrito Federal. “Isso mostra que a arte e a cultura, quando fomentadas e defendidas como direito, alcançam a economia, a formação profissional e a própria dinâmica social do território que a acolhe”, afirma o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo.

 

Sesc+Corridas reúne mais de 1.200 atletas na estreia da etapa Planaltina

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A estreia da etapa reuniu atletas de diferentes regiões do Distrito Federal e reforçou o compromisso do Sesc DF com a promoção do esporte, da saúde e da qualidade de vida

A primeira edição do Sesc+Corridas – Etapa Planaltina reuniu mais de 1.200 corredores na manhã do último domingo (2), consolidando mais uma etapa do circuito de corridas de rua promovido pelo Sesc DF. Antes mesmo da largada, às 7h, a avenida em frente à Administração Regional de Planaltina já estava tomada por atletas de diferentes regiões do Distrito Federal, preparados para encarar os percursos de 5 km e 10 km.

A estreia da etapa atraiu corredores experientes e iniciantes, reforçando o crescimento do circuito e o interesse cada vez maior da população por atividades que incentivam hábitos saudáveis e a prática esportiva.

Entre os participantes estava Marcos Leandro, morador do Gama, que acompanha o circuito desde o início do ano. Ele contou que participou de todas as etapas do Sesc+Corridas em 2026, com exceção da prova realizada em Ceilândia, e fez questão de prestigiar a estreia em Planaltina.

“O Sesc está de parabéns. O percurso foi excelente, muito bem organizado, e a criação de mais uma etapa incentiva ainda mais pessoas a praticarem atividade física e buscarem mais qualidade de vida”, destacou.

Mais do que uma competição esportiva, o evento ofereceu uma programação voltada ao bem-estar e à integração dos participantes. O público contou com sessões de massagem, teste da pisada, distribuição gratuita de chopp, brindes e um show especial na Carreta do Esporte, garantindo entretenimento antes, durante e após a corrida.

A iniciativa integra o compromisso do Sesc DF de ampliar o acesso ao esporte e à promoção da qualidade de vida em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. Durante a largada, o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, destacou a importância de levar grandes eventos para todas as cidades do DF e lembrou que a chegada do circuito a Planaltina representa um passo importante nesse processo.

“Sempre ouvi que seria difícil trazer uma corrida para Planaltina porque diziam que era muito longe. Mas, para o Sesc, não existe distância quando o objetivo é levar qualidade de vida para a população. Hoje realizamos a primeira edição desta etapa e, em breve, a cidade também contará com uma unidade do Sesc. Nada mais justo do que estarmos presentes desde já, promovendo esporte, saúde e bem-estar para a comunidade”, afirmou.

Agências do trabalhador oferecem 986 vagas nesta terça-feira

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Há oportunidades disponíveis para profissionais de diferentes níveis de escolaridade, com ou sem experiência. Os salários oferecidos chegam a R$ 5 mil

As agências do trabalhador do Distrito Federal oferecem, nesta terça-feira (4), 986 vagas para candidatos em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. As chances contemplam profissionais de diferentes níveis de escolaridade, com ou sem experiência, incluindo quem busca o primeiro emprego. O maior salário entre as vagas disponíveis é para o cargo de chef de cozinha, com cinco vagas na Asa Sul e remuneração de R$ 5 mil, além dos benefícios.

Outro cargo que se destaca pela quantidade de vagas oferecidas é o de operador de caixa, com 185 oportunidades. Em seguida, aparece o cargo de repositor de mercadorias, com 111 vagas. Ambos oferecem remuneração de até R$ 1,7 mil, além dos benefícios.

Para participar dos processos seletivos, basta cadastrar o currículo no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS) ou ir a uma das 16 agências do trabalhador, das 8h às 17h, durante a semana. Mesmo que nenhuma das oportunidades do dia seja atraente ao candidato, o cadastro vale para oportunidades futuras, já que o sistema cruza dados dos concorrentes com o perfil que as empresas procuram.

Empregadores e empreendedores que desejam ofertar vagas ou utilizar o espaço das agências do trabalhador para as entrevistas podem se cadastrar pessoalmente nas unidades ou pelo e-mail. Pode ser utilizado, ainda, o Canal do Empregador.

Pesquisa aponta que 75% dos eleitores já definiram voto para 2026

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Levantamento divulgado nesta segunda-feira mostra fidelidade elevada entre apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro enquanto campanha oficial começa apenas em 16 de agosto

Da Redação

A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (3) indica que 75% dos eleitores afirmam ter decidido em quem votar nas eleições de 2026 e não pretendem mudar de candidato. O levantamento registra que 23% ainda podem alterar o voto e 2% não souberam ou preferiram não responder.

Entre os eleitores de Lula (PT), 81% declaram que manterão a escolha, 18% admitem possibilidade de mudança e 1% não responderam. No eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), 80% afirmam que o voto está definido, 18% podem mudar e 2% não souberam responder.

Os candidatos de outras legendas apresentam índices menores de consolidação. Entre os apoiadores de Romeu Zema (Novo), 57% não pretendem alterar o voto. O percentual é de 55% para Renan Santos (Missão), 52% para Augusto Cury (Avante) e 49% para Ronaldo Caiado (PSD).

No caso de Cabo Daciolo (Mobiliza), 17% afirmam estar decididos a manter a escolha. No cenário de primeiro turno, Lula registra 41% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 37%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos com 4% e Romeu Zema com 3%. Augusto Cury, Cabo Daciolo e Samara Martins (UP) somam 1% cada. Brancos, nulos e indecisos representam 4%, enquanto 3% não souberam ou preferiram não responder.

Na simulação de segundo turno, Lula obtém 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 45%. Brancos, nulos e indecisos somam 10%. Em outro cenário, Lula registra 46% e Ronaldo Caiado 42%, dentro da margem de erro.

A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. A partir dessa data, candidatos, partidos e federações poderão realizar propaganda eleitoral. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

 

PF solicita ao STF abertura de terceiro inquérito contra Lulinha

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Pedido apresentado à Corte Superior investiga suspeitas de tráfico de influência para favorecer empresas parceiras enquanto ministro André Mendonça já autorizou apurações anteriores sobre o filho do presidente

Da Redação

A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal pedido de abertura do terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova apuração trata de suspeitas de tráfico de influência. Na quinta-feira (30/7), o ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção passiva no Ministério da Saúde relacionados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

No novo pedido, Lulinha é suspeito de tráfico de influência para favorecer empresas parceiras. A 3Structure It LTDA, que atua na área de tecnologia, mantém contratos em vigor com o governo federal no valor de R$ 55.721.051,62. A empresa foi criada em 2019 e tem sede em Florianópolis.

O primeiro contrato foi firmado com o Centro Integrado de Telemática do Exército em novembro de 2022. O instrumento prevê solução de TI e comunicação de backup para expandir a infraestrutura de armazenamento do Sistema de Telemática do Exército. O valor inicial de R$ 21,8 milhões recebeu aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano.

A defesa de Lulinha informou que ele tem sido alvo de investigações pelo fato de ser filho do chefe do Executivo. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que alguns setores estão promovendo apurações desnecessárias e que o inquérito não teria sido instaurado se ele não carregasse o sobrenome.

Os indícios surgiram durante as quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, que apura esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a Polícia Federal, Lulinha teria usado ligações com o governo federal para favorecer interessados na comercialização do canabidiol.

Um dos investigados é o Careca do INSS, apontado em operações da Polícia Federal como operador de esquema de descontos fraudulentos. O ministro André Mendonça também autorizou inquérito sobre suspeitas de atuação de Lulinha a favor de empresário em negociações com a Dataprev, estatal responsável por dados de programas sociais.

Os três inquéritos envolvem o Ministério da Saúde, a Dataprev e a 3Structure It.

 

Lobista amiga de filho de Lula registrou 42 acessos a órgãos federais

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Levantamento com base na Lei de Acesso à Informação aponta que 41 visitas entre o início do terceiro mandato e abril de 2024 não constaram das agendas oficiais de autoridades

Da Redação

Registros de acesso a órgãos do governo federal indicam que a lobista Roberta Luchsinger realizou 42 visitas a instituições públicas entre o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abril de 2024. Desse total, 41 não constam das agendas oficiais dos agentes públicos, conforme levantamento baseado na Lei de Acesso à Informação. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a Polícia Federal a aprofundar investigações sobre possível tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Luchsinger.

Em pelo menos duas ocasiões, a lobista esteve acompanhada de Fernando Bittar, então sócio de Lulinha, no Palácio do Planalto e no gabinete do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Os encontros não foram registrados nas agendas oficiais. Em abril de 2024, ambos permaneceram cerca de 50 minutos no ministério, onde, segundo a pasta, discutiram propostas sobre sistemas integrados. A pasta informa que não houve desdobramentos administrativos.

O gabinete de Wellington Dias recebeu 17 visitas de Luchsinger. Em 9 de março de 2023, ela entregou ao ministro uma caixa de bombons suíços Sprüngli e uma edição de colecionador autografada de O Alquimista, de Paulo Coelho. O cerimonial registrou o momento em fotos, mas a agenda oficial não. Quatro visitas contaram com a presença de Efrain Saavedra, gerente comercial da Duosystem.

Cinco dias após encontro em 30 de março de 2023, o ministério firmou contrato de R$ 31 milhões com a 3STRUCTURE IT, empresa de Cleber Ribas de Oliveira, com quem a Polícia Federal identificou relação comercial com Luchsinger. No Ministério da Saúde, Luchsinger realizou 16 visitas não oficiais e uma registrada.

Na visita oficial, em outubro de 2023, apresentou software de gestão de leitos da Duosystem à Secretaria de Atenção Primária. Fora da agenda, reuniu-se com o então secretário-executivo Swedenberger Barbosa na companhia de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

O tema abordado foi a comercialização de medicamentos à base de canabidiol pela World Cannabis. A Polícia Federal apura possível intervenção de Lulinha em autorizações governamentais nessa área e se valores pagos a Luchsinger, cuja empresa RL Consultoria recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes, tiveram o filho do presidente como beneficiário.

Em conversas apreendidas, o empresário menciona repasse de R$ 300 mil “para o filho do rapaz”. Luchsinger também acompanhou Sergio Roberto Bringel, do Grupo Bringel, em três visitas ao Planalto, incluindo o gabinete de Alexandre Padilha, e à Saúde. Empresas do grupo firmaram contratos de R$ 7,8 milhões na pasta desde 2023, com destaque para R$ 3 milhões com o Grupo Hospitalar Conceição.

No BNDES, em julho de 2023, ela esteve no gabinete de Aloizio Mercadante acompanhando a Unigel em discussão sobre hidrogênio verde. Apresentou-se como namorada do diretor de relações governamentais e nora do presidente do conselho da companhia. A Unigel desmente parentesco e qualquer contrato com ela.

A Secretaria de Comunicação da Presidência afirma que os encontros no Planalto não produziram desdobramentos administrativos, contratuais ou regulatórios. As defesas de Luchsinger e de Lulinha sustentam que se trata de atividade profissional regular e que não houve pagamentos ao filho do presidente. Fernando Bittar não se pronunciou.

 

AS NOVAS FRONTEIRAS DAS RELAÇÕES DE TRABALHO

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A centralidade da negociação coletiva nas relações de trabalho brasileiras deixou de ser apenas uma consequência da Reforma Trabalhista para se consolidar como uma exigência da própria dinâmica do mercado contemporâneo

A velocidade com que surgem novas formas de organização do trabalho, impulsionadas pela transformação digital, pela disseminação do trabalho remoto e pela diversificação dos modelos de contratação, tornou insuficiente a pretensão de que a legislação estatal, por si só, seja capaz de oferecer respostas adequadas para todas as situações decorrentes da realidade produtiva. Nesse cenário, a autonomia coletiva passa a ocupar espaço de protagonismo, não como mecanismo de flexibilização indiscriminada de direitos, mas como instrumento constitucional de adaptação das normas trabalhistas às especificidades de cada categoria econômica e profissional.

Essa constatação encontra fundamento direto na Constituição Federal. O reconhecimento das convenções e dos acordos coletivos de trabalho, previsto no artigo 7º, inciso XXVI, não representa mera diretriz programática, mas verdadeira opção constitucional pela valorização do diálogo social como método de composição dos interesses entre capital e trabalho.

A Reforma Trabalhista, ao introduzir os artigos 611-A e 611-B na Consolidação das Leis do Trabalho, reforçou essa lógica ao estabelecer um espaço normativo próprio para a negociação coletiva, delimitando, ao mesmo tempo, os direitos passíveis de negociação e aqueles que permanecem indisponíveis em razão de sua natureza fundamental.

Durante os primeiros anos de vigência da Lei nº 13.467/2017, parte significativa da doutrina e da jurisprudência demonstrou resistência quanto à extensão dessa autonomia negocial. Questionava-se, sobretudo, até que ponto a negociação coletiva poderia estabelecer condições diversas daquelas previstas na legislação sem afrontar o princípio da proteção ao trabalhador.

A evolução da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, contudo, conferiu maior estabilidade ao tema ao reafirmar que a autonomia coletiva integra o próprio modelo constitucional brasileiro de relações de trabalho e merece especial deferência sempre que observados os direitos de indisponibilidade absoluta e a efetiva representatividade das entidades sindicais.

Não se trata de admitir a prevalência irrestrita do negociado sobre o legislado, tampouco de reduzir a negociação coletiva a instrumento de renúncia de direitos. O que se consolidou foi o reconhecimento de que sindicatos legitimamente constituídos possuem capacidade institucional para construir soluções normativas compatíveis com as particularidades econômicas, produtivas e organizacionais de cada setor. A negociação coletiva deixa, assim, de ser compreendida como exceção ao regime legal para assumir a condição de fonte primária de regulação das relações de trabalho em matérias que exigem elevado grau de adaptação à realidade empresarial.

Essa mudança de paradigma torna-se particularmente evidente quando se analisam os desafios impostos pela reorganização do trabalho ocorrida nos últimos anos. A expansão do home office e dos modelos híbridos ilustra com precisão as limitações da disciplina legal uniforme.

Questões relacionadas ao controle da jornada, ao fornecimento de equipamentos, à responsabilidade pelas despesas decorrentes da atividade, à ergonomia, à proteção da saúde ocupacional, ao tratamento de dados pessoais e ao direito à desconexão dificilmente comportam soluções padronizadas. Cada segmento econômico apresenta necessidades distintas, níveis variados de utilização de tecnologia e diferentes formas de organização da produção, circunstâncias que recomendam a construção de regras específicas por meio da negociação coletiva.

A própria disciplina da jornada de trabalho revela o grau de complexidade alcançado pelas relações laborais contemporâneas. O desenvolvimento tecnológico ampliou significativamente as possibilidades de flexibilização dos horários de trabalho, mas também tornou mais tênue a fronteira entre tempo de trabalho e tempo de descanso.

A hiperconectividade, associada à utilização de plataformas digitais de comunicação corporativa, desafia conceitos tradicionais construídos em um contexto no qual a prestação laboral estava restrita ao ambiente físico da empresa. A negociação coletiva passa, então, a desempenhar função essencial na definição de mecanismos capazes de compatibilizar flexibilidade organizacional com a preservação da saúde física e mental dos trabalhadores, estabelecendo critérios para compensação de jornada, bancos de horas, escalas diferenciadas, períodos de disponibilidade e políticas efetivas de desconexão.

Outro aspecto que evidencia a crescente importância da negociação coletiva diz respeito às novas formas de contratação. O mercado de trabalho brasileiro convive, atualmente, com múltiplos modelos de prestação de serviços, nos quais coexistem empregados submetidos ao regime celetista, trabalhadores terceirizados, temporários, autônomos, prestadores organizados sob a forma de pessoa jurídica e profissionais vinculados a plataformas digitais.

Embora cada modalidade possua disciplina jurídica própria, a convivência entre esses diferentes vínculos produz desafios relevantes relacionados à organização do ambiente de trabalho, à gestão de equipes e à prevenção de conflitos. A negociação coletiva, nesse contexto, não substitui os critérios legais para caracterização do vínculo empregatício, mas pode estabelecer parâmetros objetivos para disciplinar práticas empresariais, reduzir assimetrias e conferir maior previsibilidade às relações jurídicas.

A ampliação do espaço reservado à negociação coletiva também exige uma redefinição do papel das entidades sindicais. O encerramento da compulsoriedade da contribuição sindical provocou uma necessária reestruturação dessas instituições, que passaram a depender, em maior medida, de sua capacidade efetiva de representação para justificar sua legitimidade perante a categoria.

Esse movimento contribuiu para deslocar o foco da atuação sindical do modelo predominantemente reivindicatório para uma atuação mais técnica, voltada à formulação de soluções normativas capazes de responder às transformações do mercado de trabalho. Quanto maior a complexidade das relações laborais, maior tende a ser a relevância de sindicatos dotados de capacidade negocial, conhecimento jurídico e compreensão das especificidades econômicas dos setores que representam.

Sob essa perspectiva, a advocacia trabalhista também assume função diversa daquela tradicionalmente associada ao contencioso judicial. O assessoramento jurídico em negociações coletivas exige domínio simultâneo da legislação, da jurisprudência constitucional, da dinâmica econômica dos setores produtivos e das repercussões práticas decorrentes das cláusulas negociadas.

A elaboração de instrumentos coletivos passou a demandar sofisticada análise de riscos, especialmente diante da crescente valorização conferida pelo Poder Judiciário à autonomia coletiva e da necessidade de harmonizar flexibilidade contratual com a preservação do núcleo essencial dos direitos fundamentais dos trabalhadores.

É precisamente nesse ponto que reside um dos maiores desafios das relações coletivas de trabalho para os próximos anos. O fortalecimento da negociação coletiva não pode ser confundido com a simples ampliação da liberdade contratual entre sindicatos e empresas.

Sua legitimidade depende da efetiva representatividade das entidades sindicais, da transparência dos processos negociais, da boa-fé objetiva das partes e da observância dos limites constitucionais impostos à autonomia privada coletiva. Quanto mais robustos forem esses pressupostos, maior será a segurança jurídica conferida aos instrumentos coletivos e menor a necessidade de intervenção judicial sobre escolhas legitimamente construídas pelos próprios atores sociais.

A experiência recente demonstra que a complexidade das relações de trabalho continuará a crescer em ritmo superior à capacidade de atualização da legislação. Inteligência artificial, algoritmos de gestão, automação, novas profissões e modelos flexíveis de organização produtiva desafiarão, cada vez mais, as categorias jurídicas tradicionais do Direito do Trabalho.

Nesse cenário, a negociação coletiva tende a consolidar-se como o principal mecanismo de aproximação entre a norma jurídica e a realidade econômica, preservando o caráter protetivo do Direito do Trabalho sem comprometer sua capacidade de adaptação às profundas transformações do mundo produtivo.

O fortalecimento da negociação coletiva, portanto, não representa apenas uma consequência da evolução legislativa iniciada em 2017, tampouco uma tendência circunstancial das relações sindicais. Trata-se da reafirmação de um modelo constitucional que reconhece no diálogo social um instrumento de produção normativa legítimo, apto a promover equilíbrio entre proteção ao trabalho, segurança jurídica e desenvolvimento econômico.

Em um ambiente cada vez mais marcado pela diversidade das formas de trabalho e pela velocidade das mudanças tecnológicas, talvez seja justamente na maturidade das relações coletivas que o Direito do Trabalho encontre suas respostas mais consistentes para os desafios do presente e do futuro.

Andrea Sucupira é advogada, sócia fundadora do Sucupira Advogados, com mais de 30 anos de atuação em direito do trabalho, relações sindicais e direito empresarial. Agente FIFA, é CEO da Squadra13 e presidente do Instituto Brasileiro de Futebol Feminino (IBFF), onde atua na profissionalização e no fortalecimento do futebol feminino no Brasil. Sua experiência integra estratégia jurídica, gestão esportiva, governança e desenvolvimento de carreiras no esporte.

CLDF retoma trabalhos com sessão ordinária marcada para terça

Primeira sessão ordinária do segundo semestre ocorre na terça-feira às 15h enquanto sessões solenes abrem a semana na segunda-feira com transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital

Da Redação

A Câmara Legislativa do Distrito Federal retoma as atividades nesta segunda-feira (3), com a primeira sessão ordinária do segundo semestre programada para a terça-feira (4), às 15h. A pauta de votação será divulgada com antecedência no portal oficial da Casa.

Os trabalhos começam com sessão solene em homenagem às doulas e em apoio à elaboração do Marco Legal da Doulagem no Distrito Federal. O evento, de autoria da deputada Doutora Jane (Republicanos), está marcado para as 9h desta segunda-feira.

No mesmo dia, à noite, ocorre outra sessão solene em comemoração ao Dia do Motociclista e Triciclista, de autoria do deputado Iolando (MDB). Ambas as cerimônias serão transmitidas ao vivo pela TV Câmara Distrital.

No primeiro semestre, a Câmara Legislativa aprovou 172 proposições, referentes às deliberações em plenário realizadas entre fevereiro e junho. Os projetos de lei corresponderam à maior parte, com 89 matérias, das quais 29 tiveram origem no Poder Executivo.

Entre as matérias do governo aprovadas no período, destacou-se a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que estabelece previsão de receita de R$ 74,97 bilhões para o Distrito Federal em 2027.

 

BRB convoca assembleia para autorizar ações contra ex-gestores

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Acionistas deliberam em 24 de agosto sobre medidas judiciais de responsabilidade civil ligadas às operações com o Banco Master e à Operação Compliance Zero

Da Redação

O Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para que os acionistas autorizem a adoção de medidas judiciais de responsabilidade civil contra ex-administradores envolvidos no caso Master.

A convocação foi publicada na edição desta segunda-feira (3/8) do Diário Oficial do Distrito Federal. A assembleia ocorre em 24 de agosto, às 10h.

Os acionistas decidirão se o banco pode ajuizar ações contra ex-administradores que, por ação ou omissão, forem identificados como responsáveis pelos prejuízos suportados pela instituição.O objetivo é buscar reparação por danos ao patrimônio social e moral decorrentes das operações realizadas com o ecossistema Banco Master/REAG, no contexto dos fatos apurados na Operação Compliance Zero.

Neste domingo (2/8), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o empréstimo solicitado ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para o BRB está demorando por causa da documentação dos bancos que prestarão a fiança. O valor estimado da operação é de R$ 6,6 bilhões.

O acordo para viabilizar o crédito foi homologado no Supremo Tribunal Federal em 28 de maio.

“O BRB está em fase de recuperação e falta apenas a assinatura do acordo. Está mais devagar porque quem comanda é o Banco do Brasil e ele está terminando de pegar a documentação de todos os bancos N1 que vão participar do consórcio”, declarou a governadora.