Início Site Página 350

Foco da direita no Brasil é derrotar Lula em 2026, reforça Caiado

Governador ressaltou que será candidato com o compromisso de pacificar o Brasil, promovendo equilíbrio fiscal e desenvolvimento, com capacidade de renda e IDH

Em entrevista por videoconferência aos programas Café com a Gazeta do Povo e Estúdio i, da GloboNews, nesta segunda-feira (18/8), o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) reforçou a ideia de que a união para evitar a reeleição de Lula em 2026 deve ser prioridade da centro-direita no país. Caiado destacou que o foco deve ser a disputa eleitoral e não questões secundárias, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que “não vai resolver os problemas do país” nem alterar o curso das eleições.

“O objetivo número um é tirar o Lula, ganhar as eleições no dia 4 de outubro de 2026. São 14 meses até lá”, salientou o governador, que questionou: “Médico incompetente pode fazer diagnóstico errado. Você tem de saber primeiro identificar o que é causa e o que é efeito. Senão, você mata o doente. Então, você quer fazer medida politiqueira ou quer saber a medida que vai resolver o problema do país?”

Caiado observou que o curso dos acontecimentos que vão definir o destino do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) independe da vontade de terceiros e que o impeachment de ministros não passa de ação com potencial de desestabilizar o cenário. “Nada impedirá o julgamento no dia 2 de setembro. Você vai também revogá-lo? Ou criar uma situação para o Brasil ter um presidente que possa implantar uma anistia ampla, geral e irrestrita?”. Caiado defende a anistia como forma de pacificar o país.

O governador de Goiás também reforçou a necessidade de manter a unidade da centro-direita, que, segundo ele, já está consolidada entre os principais governadores. “Está muito bem consolidado. Há poucas semanas, estivemos reunidos em Brasília: eu, Ratinho, Tarcísio, Zema, todos nós estamos tranquilos. Aquele que chegar ao segundo turno terá o apoio dos demais”, ao relatar o encontro com os governadores do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, também pré-candidatos à presidência.

Caiado criticou ainda as ações do governo federal para minimizar os impactos decorrentes da tarifação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. “Nós não temos nada a ver com essa política do Lula de provocar o presidente Trump. Não queremos enfrentamento com nenhum país.” Ele lembrou também que realizou negociações com o encarregado de negócios da Embaixada Americana, Gabriel Escobar, para tratar do assunto. “A minha posição é contrária ao tarifaço. Cabe a mim defender o emprego, o desenvolvimento da renda e das indústrias de Goiás.”

Além de defender a unidade do campo político, Caiado destacou que sua pré-candidatura tem como propósito oferecer ao país estabilidade e responsabilidade na condução do governo. “Serei candidato a presidente da República com o compromisso de pacificar o país, promovendo equilíbrio fiscal e desenvolvimento, com capacidade de renda e IDH. É exatamente o que consigo fazer com um mandato”, finalizou.

Ceilândia recolhe mais de 750 toneladas de entulho e reforça limpeza urbana

0

Serviço gratuito da Administração Regional contribui para saúde pública e sustentabilidade da cidade

Brasília, 18 de agosto de 2025 – O serviço de recolhimento de materiais inservíveis, oferecido pela Administração Regional de Ceilândia, já retirou mais de 752 toneladas de entulho desde 2024, atendendo 859 residências. Somente em janeiro deste ano, foram 239 toneladas de móveis, eletrodomésticos e outros objetos volumosos descartados de forma correta, evitando acúmulo nas calçadas e fortalecendo a limpeza urbana na maior cidade do Distrito Federal.

A iniciativa é gratuita e beneficia diretamente os mais de 350 mil moradores da região, oferecendo um destino adequado para itens quebrados ou sem uso. Segundo o administrador de Ceilândia, Dilson Resende, o serviço é uma ferramenta de aproximação entre governo e comunidade.

“O ideal seria que cada pessoa contratasse um contêiner para o descarte, mas oferecemos a coleta gratuita para apoiar a comunidade. Nossa equipe está sempre a postos, garantindo que ninguém fique sem atendimento conforme agendamento”, afirmou.

Além de contribuir para o bem-estar urbano, a ação também atua na prevenção de riscos à saúde, como a proliferação do mosquito da dengue. Por isso, os moradores devem colocar os itens na calçada apenas no dia marcado.

“Essa agilidade é fundamental para manter a cidade limpa e segura. Quando cada um faz sua parte, todos ganham”, reforçou Resende.

Como funciona

  • Dias de coleta: terças e quintas-feiras

  • Capacidade: dois caminhões de até 7 toneladas cada

  • Agendamento: pelos telefones (61) 3550-6231 e 3550-6271

  • Áreas atendidas: Ceilândia Sul, Ceilândia Norte, Setor P Sul, Setor P Norte, Setor O, Expansão do Setor O, Setor QNQ, Setor QNR e Condomínio Privê.

Plano Piloto recebe, nesta terça, ação de acolhimento da população em situação de rua

0

Cinco pontos serão atendidos com serviços de saúde, assistência social e oportunidades de inclusão

Brasília, 18 de agosto de 2025 – O Governo do Distrito Federal (GDF) dará início, às 9h desta terça-feira (19), a uma ação conjunta de acolhimento e assistência social a pessoas em situação de rua instaladas em cinco locais do Plano Piloto. A iniciativa é coordenada pela Casa Civil e envolve mais de dez órgãos e secretarias do governo, entre eles Sedes, SES, SEEDF, Sedet, SSP, DF Legal, Sejus, SLU, Novacap, Codhab, Detran-DF, além da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e o Conselho Tutelar.

A operação oferecerá atendimento social, de saúde e educação, além de acesso a programas de qualificação profissional, como o RenovaDF, e cadastro para futuras unidades habitacionais. Também será disponibilizado o auxílio excepcional de R$ 600 para pessoas sem condições de pagar aluguel, bem como vagas em abrigos institucionais. Outros serviços previstos incluem orientação sobre cuidados com animais domésticos e apoio em deslocamentos interestaduais.

Após os atendimentos, a DF Legal será responsável pela retirada das estruturas instaladas nos pontos de ocupação. Os pertences dos moradores serão levados para os locais regulares indicados por eles; caso não haja definição, os objetos serão encaminhados ao depósito da pasta, no SIA Trecho 4, onde poderão ser retirados em até 60 dias, sem custo.

Segundo o GDF, equipes técnicas já realizaram abordagens prévias nos últimos dias, mapeando as demandas específicas de cada pessoa para garantir um acolhimento mais eficiente.

Locais da ação nesta terça-feira (19):

  • Muro ao lado do Colégio Pódion, 913 Norte

  • 908 Norte, próximo ao Bloco 11 do Uniceub

  • 910 Norte, atrás da Casa do Ceará

  • 915 Norte, terreno ao lado do Colégio Sagrada Família

  • Área verde em frente à 5ª DP

Vacinação antirrábica imuniza mais de 500 animais em Vicente Pires

0

Campanha percorre cidades do DF e reforça a importância da prevenção da raiva

Brasília, 18 de agosto de 2025 – A equipe do Núcleo Regional de Vigilância Ambiental em Saúde (Nuval) do Guará realizou, no último sábado (16), uma ação de imunização em Vicente Pires. Ao todo, 542 cães e gatos foram vacinados contra a raiva em um pet shop da região, como parte da campanha anual promovida pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES).

De acordo com a agente de Vigilância Ambiental do Nuval do Guará, Lidiane Pires, a iniciativa busca ampliar a cobertura vacinal e reduzir os riscos de circulação do vírus. “Queremos atingir pelo menos 80% da população animal do DF. Mesmo sem registros recentes da doença em cães, ainda existe a possibilidade de transmissão por animais silvestres”, destacou.

O evento contou com a presença de tutores que reconhecem a importância da prevenção. O servidor público Heanes Medeiros, 49 anos, levou a gata Juma, de 10 meses. “Nossos animais são parte da família. Manter a vacinação em dia protege não só eles, mas também as pessoas que convivem com eles”, afirmou.

A vacinação também foi realizada em pontos de Santa Maria e Sobradinho. Além dessas ações itinerantes, a dose segue disponível ao longo do ano nos 15 Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental e na Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde, com endereços e horários acessíveis no site da SES.

A recomendação é que cães e gatos a partir de três meses de idade recebam a vacina anualmente, inclusive fêmeas prenhas ou lactantes. Para vacinar, basta que o tutor maior de idade apresente documento de identidade e leve o animal devidamente contido, seja em caixa de transporte, coleira ou focinheira.

Heanes Medeiros levou a gatinha Juma, de 10 meses, para vacinar

Entre os atendidos, a cadela Pepita, de 12 anos, também recebeu a dose. Seu tutor, Leonardo Martins, 52 anos, reforçou a importância da continuidade da imunização: “Ela já faz parte da família há muitos anos. Vacinar é um cuidado essencial que deveria ser mais frequente”.

A raiva é uma doença viral grave que pode atingir mamíferos, inclusive seres humanos, sendo transmitida por mordidas, arranhões ou lambidas de animais infectados. A vacinação de cães e gatos permanece como a forma mais eficaz de prevenção.

Preparatório para alunos com deficiência ou transtornos que vão fazer o Enem tem aula inaugural

0

Projeto da SEEDF prepara estudantes com deficiência para o exame nacional

Brasília, 18 de agosto de 2025 – A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), por meio da Subsecretaria de Educação Inclusiva e Integral (Subin), lançou no último sábado (16) a edição 2025 do projeto Enem Inclusivo e Especial. A iniciativa, voltada a estudantes da rede pública com deficiência ou transtornos funcionais, oferece aulões preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O evento inaugural ocorreu no auditório do Centro de Educação de Jovens e Adultos da Asa Sul (Cesas) e marcou o início de encontros semanais que seguirão até a realização da prova.

A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, destacou a essência do programa. “O projeto nasceu para garantir que todos tenham oportunidades iguais. Cada detalhe foi pensado para os estudantes, desde o apoio de intérpretes de Libras até a dedicação dos professores”, afirmou.

Neste ano, o programa apresenta uma novidade: a parceria com o Senac-DF, que disponibiliza uma plataforma digital acessível. O ambiente virtual conta com recursos de tecnologia assistiva, legendas, audiodescrição e suporte de profissionais especializados. Segundo a subsecretária Vera Lúcia Barros, criadora da iniciativa, “o diferencial está na acessibilidade integral, que assegura a cada aluno um espaço de aprendizado seguro e inclusivo”.

A edição de 2025 já soma 41 estudantes inscritos diretamente no Enem Inclusivo e Especial, além de outros 50 acompanhados pelo eixo de empregabilidade, que prepara os jovens para o mercado de trabalho. A proposta vai além do ingresso no ensino superior, contribuindo para que esses alunos conquistem autonomia e melhores condições profissionais.

Secretária de Educação, Hélvia Paranaguá (D), participou da aula inaugural: “A educação é a chave que abre portas, mas é o coração de vocês que decide atravessá-las”

Um exemplo do impacto do projeto é a trajetória de Luis Felipe Sales, ex-participante que ingressou em jornalismo pelo Enem e, recentemente, conseguiu seu primeiro emprego formal. “Graças ao programa, tive apoio para seguir em frente. Hoje estou empregado e planejando novos passos”, contou. Ele também aconselhou os atuais alunos a aproveitarem cada aula, manterem hábitos de estudo e cuidarem da saúde para alcançar bons resultados.

Além das aulas de conteúdo, os encontros semanais incluem atividades de motivação, orientação sobre rotina de estudos e técnicas de memorização. Para Hélvia Paranaguá, o objetivo vai além da preparação para o exame. “A educação abre portas, mas é a determinação de cada estudante que faz a diferença”, afirmou.

O Enem Inclusivo e Especial consolida-se, assim, como um espaço de aprendizado, apoio emocional e valorização das diferenças, reforçando o compromisso da rede pública com a inclusão educacional. “A inclusão transforma vidas. Este projeto é prova disso”, completou Vera Lúcia Barros.

Decisão de Flávio Dino coloca em risco o sistema financeiro do país

Medida do ministro do STF contra sanções estrangeiras gera alarme sobre possível colapso financeiro e instabilidade econômica no Brasil

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, anunciada nesta segunda-feira (18), que determina que leis, atos administrativos e decisões judiciais estrangeiras, como a Lei Magnitsky, não têm validade automática no Brasil, desencadeou um debate acirrado sobre seus impactos no sistema financeiro nacional. Proferida em resposta a uma ação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a medida busca proteger a soberania nacional, mas críticos alertam que ela pode levar o Brasil ao isolamento financeiro global, com potencial para causar um colapso sistêmico na economia.

A liminar de Dino estabelece que sanções estrangeiras, como as impostas pelos EUA ao ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky, só terão efeito no Brasil após homologação pelo STF ou pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão, embora motivada por um caso envolvendo litígios de municípios brasileiros na Justiça britânica, é amplamente vista como uma reação às sanções americanas contra Moraes, acusado por Donald Trump de promover “prisões arbitrárias” e “censura” contra Jair Bolsonaro e seus aliados. Dino notificou o Banco Central, a Febraban e outras entidades financeiras, determinando que operações como bloqueios de ativos ou cancelamentos de contratos por ordens estrangeiras dependem de autorização judicial brasileira.

O ministro argumentou que “leis estrangeiras, atos administrativos e ordens executivas” não podem afetar pessoas, bens ou empresas em território nacional sem validação, sob pena de violação da soberania. Ele criticou “tentativas de imposição de força” por nações estrangeiras, apontando riscos de “protecionismos e neocolonialismos”.

No entanto, a medida colocou o Brasil em uma encruzilhada, especialmente no contexto das tensões diplomáticas com os EUA, que também impuseram tarifas de 50% a produtos brasileiros.

Críticos, como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), afirmam que a decisão de Dino é um “atentado ao sistema financeiro nacional”, com potencial para jogá-lo no “caos”. A principal preocupação é o dilema imposto aos bancos brasileiros: cumprir as sanções americanas, desobedecendo o STF, ou seguir a determinação de Dino, enfrentando possíveis sanções secundárias dos EUA. Essas sanções poderiam incluir multas, restrições a transações em dólar ou exclusão do sistema SWIFT, essencial para operações internacionais. Bancos como Itaú, Bradesco e Santander, com forte exposição global, seriam os mais afetados, enquanto instituições focadas no mercado interno, como Banco do Brasil e Caixa, enfrentariam menor impacto.
Nas redes sociais ecoam o temor de um “total colapso do sistema financeiro brasileiro”, sugerindo que a decisão poderia desestabilizar a economia. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ainda mais longe, comparando o Brasil a nações como Cuba e Coreia do Norte, alertando para um possível “estrangulamento financeiro” por isolar o país do sistema global. Ações de bancos como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) caíram até 2% na B3 no dia do anúncio, refletindo a incerteza do mercado.

Apesar do alarme, analistas de veículos como InfoMoney e Valor Econômico consideram a narrativa de colapso exagerada. O sistema financeiro brasileiro é robusto, com reservas de R$ 1,2 trilhão em depósitos compulsórios no Banco Central (dados de julho de 2025) e uma regulação sólida. Mesmo em um cenário de sanções secundárias, apenas bancos com grande exposição internacional seriam significativamente impactados, e o Banco Central poderia intervir com linhas de crédito emergenciais. A Febraban, em nota, afirmou que os bancos estão avaliando os impactos e reforçando protocolos de compliance, enquanto o Banco Central sinalizou diálogo com autoridades americanas para evitar escaladas.

A decisão de Dino intensificou as tensões entre o STF e o Congresso. Parlamentares da oposição, como Luciano Zucco (PL-RS), classificaram a medida como uma “declaração de guerra aos EUA”, enquanto aliados do governo Lula, como Orlando Silva (PCdoB-SP), a defenderam como uma afirmação da soberania. A medida também ocorre em um contexto de crise política, com a oposição obstruindo sessões no Congresso para pressionar pela votação da anistia aos condenados do 8 de janeiro e do impeachment de Moraes.

No mercado, a incerteza reflete-se na alta do dólar, que pode superar a cada dos R$ 6 como em dezembro de 2024, impulsionada por conflitos institucionais e pela necessidade de ajustes fiscais. A decisão de Dino, embora não diretamente ligada às emendas parlamentares, alimenta o clima de instabilidade, dificultando a aprovação do orçamento de 2025. O governo teme que a “piora no clima político” permita a inclusão de “jabutis” na Lei Orçamentária Anual, comprometendo os planos da equipe econômica.

Embora a decisão de Dino seja juridicamente fundamentada na defesa da soberania, sua implementação prática coloca o Brasil em uma posição delicada no sistema financeiro global. O risco de colapso total do sistema financeiro, como alertado por alguns, parece exagerado, mas não é desprezível. A dependência do Brasil no sistema SWIFT e nas transações em dólar expõe vulnerabilidades, especialmente para bancos com operações internacionais. A comparação com países como Cuba e Venezuela, feita por Flávio Bolsonaro, é hiperbólica, mas reflete o temor de isolamento econômico.

A pacificação do Brasil, como defendido por governadores de direita sob a liderança de Ibaneis Rocha, exige diálogo entre os poderes e com parceiros internacionais. A carta de Ibaneis a Trump, destacando a redução de homicídios no DF e apelando por relações diplomáticas, é um sinal de que o caminho para evitar uma crise passa pela negociação, não pelo confronto. A decisão de Dino pode agravar as tensões se não for acompanhada de esforços para mitigar seus impactos no sistema financeiro e na economia.

 

DÍVIDA PÚBLICA VERSUS SERVIDORES, APOSENTADOS E PENSIONISTAS

0

POR LUCIANA GOUVÊA

Agosto de 2025 inaugura mais um capítulo da já avançada crise de confiança que corrói a democracia e a moralidade institucional no Brasil. Diante da nova onda de taxações impulsionadas pelo governo dos Estados Unidos e da instabilidade global, o governo brasileiro acena com medidas econômicas que, mais uma vez, miram os de sempre: consumidores, pequenos empreendedores, servidores públicos, aposentados e pensionistas.

Sem força política para negociar com o cenário internacional, a conta sobra, como sempre, para os cidadãos comuns. O “pacotão fiscal” em discussão ameaça empurrar milhões de brasileiros para o colapso financeiro. O cenário é de sufocamento: aumento de tributos, deterioração dos serviços públicos e esvaziamento de direitos conquistados com décadas de trabalho.

Hoje, o Brasil conta com mais de 11 milhões de servidores civis, mais de 90% deles vinculados a estados e municípios. São professores, médicos, policiais, engenheiros, administradores e técnicos que mantêm viva a espinha dorsal do serviço público. Muitos deles, já aposentados, estão entre os mais afetados pelas distorções do sistema, como revela a realidade no Estado do Rio de Janeiro.

Desde a criação do Rioprevidência, beneficiários enfrentam um verdadeiro labirinto burocrático: erros nos contracheques, descontos indevidos, ausência de atualizações legais e a necessidade de travar longas batalhas judiciais para reaver o que já lhes é devido. A nota inferior a 6 atribuída ao órgão no site Reclame Aqui é sintomática do sentimento de abandono institucional.

E o problema vai além para o funcionalismo público. Mesmo quando o servidor ou beneficiário consegue uma vitória judicial, depara-se com um novo e frustrante obstáculo: o precatório. Um instrumento que deveria simbolizar o fim da disputa e o reconhecimento de um direito legalmente conquistado, transformou-se em emblema da morosidade e da negligência institucional. Governos utilizam o não pagamento como ferramenta de ajuste fiscal e moeda de troca política, relegando credores a intermináveis filas, mesmo após decisões definitivas do Judiciário.

Para piorar, tramita no Congresso a PEC 66/2023, que propõe excluir os precatórios e as RPVs (Requisições de Pequeno Valor) do cálculo das despesas primárias do Executivo. Em outras palavras, o governo poderá maquiar o cumprimento de metas fiscais enquanto posterga, indefinidamente, o pagamento de suas dívidas judiciais. Trata-se de um retrocesso grave, que institucionaliza o calote e corrói ainda mais a confiança da população no Estado e na Justiça

Enquanto isso, partidos políticos e lideranças evitam tocar num ponto incômodo: os supersalários. Embora representem menos de 0,23% do funcionalismo, os vencimentos acima do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 39,2 mil, o equivalente a 35,6 salários mínimos, continuam sendo pagos sem pudor, impactando diretamente o orçamento público e contribuindo para distorções no PIB. Essa minoria privilegiada segue sendo blindada, enquanto a maioria, que sustenta os serviços públicos essenciais, é empurrada para o sacrifício.

Há casos isolados de remunerações que ultrapassam R$ 100 mil por mês, turbinadas por penduricalhos e brechas legais acumuladas ao longo dos anos. Só esses desvios consomem cerca de R$ 2,6 bilhões por ano, o suficiente para custear o Bolsa Família por um ano para mais de 1 milhão de famílias.

Fica clara a contradição: enquanto o governo promete proteger os mais pobres e tributar os mais ricos, mantém privilégios “legalizados” para uma elite de funcionários públicos que já migraram para a categoria dos super-ricos, e faz isso às custas do sacrifício da maioria, que já perdeu poder de compra, reajustes e estabilidade.

É hora de encarar a verdade: a responsabilidade é coletiva e começa com cada cidadão, seja servidor, aposentado, pensionista ou consumidor consciente. Exigir transparência, fiscalizar contracheques, denunciar abusos, revisar contratos, apoiar instituições que defendem direitos e unir-se a redes de ação são formas possíveis e urgentes de enfrentar esse colapso.

Ações simples, como revisar anualmente extratos bancários, cálculos previdenciários e reajustes legais, podem evitar prejuízos de longo prazo. Mais que um dever individual, essa vigilância é uma forma de resistência democrática. O mesmo vale para consumidores que enfrentam taxas abusivas, serviços ineficientes ou contratos lesivos. A justiça só acontece quando é provocada, e não é apenas sobre dinheiro. É sobre dignidade. É sobre o futuro, o bem estar das diferentes gerações brasileiras.

Ações aparentemente simples como revisar extratos bancários, contracheques, cálculos previdenciários e reajustes legais — podem ser o divisor de águas entre a perda silenciosa de direitos e a reconquista da dignidade. Em um país onde o desrespeito se institucionalizou, vigiar seus próprios direitos é um ato de resistência democrática. Para todos nós, significa compreender que justiça não é um favor, é uma conquista, e conquista só acontece quando alguém age. Não se trata apenas de dinheiro. Trata-se de liberdade, de bem-estar, de garantir um amanhã mais justo para esta e para as próximas gerações de brasileiros.

LUCIANA GOUVÊA – Advogada. Especialista em Proteção Legal Patrimonial e Proteção Ética e Legal Empresarial, informação e entrega de direitos. Especialista na área de inovação e tecnologias

Reforma de UTI no HRL prevê cirurgias de alta complexidade mais ágeis

Hospital da Região Leste, no Paranoá, é referência em procedimentos na coluna

A reforma da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Região Leste (HRL), no Paranoá, iniciada em agosto, envolve melhorias estruturais em todo o setor. Estão contemplados piso, teto, paredes, redes elétrica, hidráulica e de gases (oxigênio, ar comprimido e vácuo) e sistema de climatização. A expectativa é que as adequações tragam mais agilidade à realização de cirurgias complexas.

O HRL é referência da Secretaria de Saúde (SES-DF) em procedimentos ortopédicos de alta complexidade, como nas mãos e na coluna vertebral, além de receber pacientes vítimas de traumas causados por acidentes. Contudo, mesmo quando marcadas de maneira eletiva, essas cirurgias demandam permanência pós-operatória dos pacientes na UTI.

As reformas permitirão aumentar o número de cirurgias, explica Maria de Lourdes Castelo Branco, superintendente da Região Leste de Saúde. “O intuito é otimizar o fluxo para que haja uma retaguarda de leitos; além disso, a entrega das melhorias vai ocorrer junto à chegada de anestesistas”, informa.

A unidade da Região Leste também tem recebido equipamentos para a execução dessas cirurgias e feito adequações de gestão de treinamento, como ocorre com o projeto Telescope II, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

O número de leitos permanecerá o mesmo: dez. Porém, novos equipamentos poderão ser instalados no ambiente, e a equipe multiprofissional de 70 servidores terá um espaço mais confortável e adequado a especificações técnicas para desenvolver o trabalho.

Planejamento

Enquanto os serviços avançam, o HRL continua a ter cinco leitos de UTI, em um espaço adaptado. O chefe do setor, Sidney Sotero, lembra que essa mudança foi possível graças aos contratos assinados pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para a ocupação de leitos de UTI em unidades da rede privada. “O HRL sempre teve uma pressão assistencial muito grande, por ser um centro de trauma e referência para cirurgias de coluna e de mão”, reforça.

Amizade é estímulo essencial no desenvolvimento de crianças com Síndrome de Down, aponta médica

0

Amanda de Paula, médica especialista em Síndrome de Down, reforça a importância dos vínculos afetivos para o progresso físico, emocional e cognitivo de adultos e crianças com a condiçã

Amizade é mais que afeto na vida de pessoas com Síndrome de Down: ela atua como estímulo essencial ao desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. Desde a infância, os vínculos afetivos com familiares, amigos e colegas contribuem para o progresso da linguagem, da autonomia e das habilidades sociais. Para especialistas, conviver com outras crianças, brincar e compartilhar experiências são práticas tão importantes quanto o acompanhamento terapêutico e médico.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil possui cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down. Elas compartilham algumas características comuns no desenvolvimento, como atraso na fala, no controle motor e na aquisição de habilidades cognitivas. No entanto, esses desafios podem ser atenuados por estímulos adequados, explica a Dra Amanda de Paula, médica de Família e Comunidade especializada em Síndrome de Down.

“É importante que a criança com T21 seja inserida em redes de convivência desde cedo. Ter com quem brincar, conversar e compartilhar experiências contribui diretamente para o seu desenvolvimento integral”, explica a especialista. A expressão T21 refere-se à trissomia do cromossomo 21, condição genética causada pela presença de um cromossomo 21 extra nas células de uma pessoa, em vez de dois. Essa cópia adicional resulta na Síndrome de Down.

A médica Amanda de Paula (em pé de vestido preto e branco) e sua filha Aurora durante comemoração do Dia das Mães. (Foto: Arquivo Pessoal)

Dra. Amanda é mãe do André, de cinco anos, e da pequena Aurora, de 1 ano, diagnosticada com a condição após o parto. A chegada da bebê estimulou a sua especialização em Síndrome de Down. A médica defende que a amizade é mais que um fator emocional. Ela atua como ferramenta terapêutica complementar. “Nenhuma terapia isolada consegue promover os mesmos resultados quando não há uma rede de apoio que inclui afeto, trocas e confiança. A criança aprende no convívio com o outro — e isso vale para qualquer criança, com ou sem deficiência”, afirma.

Incentivo à amizade

Além do acompanhamento clínico e de terapias multiprofissionais, a inserção em contextos sociais diversos — como escolas inclusivas, grupos comunitários, clubes e associações — pode impulsionar aspectos como autonomia, autoestima e linguagem. “É necessário dar chances reais para que essas crianças vivam experiências significativas. Isso significa permitir que errem, tentem, persistam. O diagnóstico não deve ser um limitador de possibilidades”, complementa a especialista.

Dra. Amanda comenta que conheceu outras mães atípicas durante sua busca por especialistas para tratamentos diversos da filha. O contato constante virou amizade, que também fortalece a jornada dessas mulheres. “A rotina de uma mãe atípica é exaustiva, com diversas idas ao médico, pesquisa por informações, além dos compromissos em casa e no trabalho. A gente acaba encontrando apoio uma na outra, além de trocar experiências. Vira uma comunidade”, afirma. Pelo menos uma vez por mês, mães e bebês se encontram para piqueniques, passeios e atividades que estimulam o desenvolvimento das crianças.

A valorização das amizades também contribui para o combate ao preconceito e à segregação. Ao conviver com a diversidade desde cedo, crianças sem deficiência aprendem sobre empatia, respeito e cooperação. “A inclusão não é benéfica apenas para quem tem Síndrome de Down. Ela transforma a sociedade como um todo”, diz Amanda.

Dra. Amanda Ferreira de Paula é médica de Família e Comunidade pela AMB – Associação Médica Brasileira (RQE 15.314 | CRM ES 15.515). Formada em Medicina pela Universidade Vila Velha (UVV), tem atuação voltada para o cuidado integral de pessoas com Síndrome de Down.

Possui formação em consultoria em amamentação, curso de cuidados ao longo da vida na Síndrome de Down pelo Hospital Albert Einstein (SP) e é pós-graduanda em Síndrome de Down pelo CEPEC/SP.