Início Site Página 3136

Tribunal cobra implantação de plano anticorrupção do Governo do Distrito Federal

0
tcdf
Menos da metade das boas práticas nacionais e internacionais referentes à transparência e ao combate de desvio de recursos foram adotadas no DF

Embora o combate à corrupção seja apontado como prioridade, o Governo do Distrito Federal não implementou efetivamente uma política específica para fazer cumprir esse objetivo. Além disso, o GDF não adota a maioria das boas práticas de referência nacional e internacional voltadas para a transparência na gestão pública e para o combate ao desvio de recursos. É o que aponta uma auditoria operacional do Tribunal de Contas do DF que analisou as medidas tomadas pelo ex-governador Agnelo Queiroz e pelo atual, Rodrigo Rollemberg.

Durante a gestão passada, o TCDF deu início a uma fiscalização para avaliar o Plano de Transparência e Combate à Corrupção (PTCC), anunciado em fevereiro de 2011. Das 10 ações anticorrupção previstas para aquele ano, somente quatro foram integralmente implementadas. A investigação apontou que o anunciado PTCC nunca foi formalizado e implementado pelo ex-governador Agnelo Queiroz, apesar de reiteradas solicitações e recomendações da Corte.

Além disso, o corpo técnico da Corte detectou que apenas 45% das boas práticas nacionais e internacionais foram adotadas no Distrito Federal. O Tribunal chegou a mandar, para o GDF, um modelo de como deveria ser elaborado o plano de ação, mas ele não foi feito.

O mesmo ocorre na administração de Rodrigo Rollemberg. Embora o atual governo tenha se comprometido a “aprimorar as ações de transparência e controle, bem como dar continuidade às ações consideradas relevantes e necessárias”, até o momento não foram elencadas as medidas efetivas de combate à corrupção, nem foram estabelecidas metas, cronograma e responsáveis por uma política de melhoria da integridade e promoção da transparência na gestão.

Informalidade – O TCDF fez uma série de recomendações ao GDF, como a inclusão de cláusula antifraude e anticorrupção nos contratos celebrados pelo DF, prática já adotada nos projetos financiados com recursos externos; consolidação das informações relativas a todas as obras públicas não concluídas no Distrito Federal; inclusão no Portal de Transparência do DF de link de acesso ao Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas (Ceis); publicação de estatística mensal com dados da despesa de pessoal do GDF, distribuição por órgãos e entidades da administração, número de servidores públicos (efetivos e comissionados) e distribuição por faixa de remuneração; edição de Código de Conduta da Alta Administração do DF e criação de Comissão de Ética Pública do GDF.

Essas recomendações, entretanto, nunca foram cumpridas, apesar de terem sido reiteradas em 2013, 2014 e também em 2015, já na gestão de Rodrigo Rollemberg. “Resta claro que o chamado PTCC, anunciado pelo GDF em 2011, não só permaneceu na informalidade até o final daquele governo como também prossegue sem planejamento sistematizado na atual gestão”, alerta o Tribunal.

No último dia 31 de março de 2016, a Corte reiterou pela quarta vez a solicitação de que o governo “elabore planejamento específico, a partir da utilização de referencial teórico preconizado pelos organismos nacionais e internacionais de referência com definição de metas a serem alcançadas, cronograma detalhado das atividades a serem desenvolvidas, competências, responsabilidades, mecanismos de acompanhamento para todas as ações previstas, entre outros, de modo a evitar a informalidade que caracterizou o denominado PTCC e que, por esse motivo, não atingiu nível razoável de efetividade no governo anterior.”

Processo 27709/2011

Decisão Nº 1193/2016

O Tribunal, por maioria, de acordo com o voto da Relatora, decidiu: I – tomar conhecimento: a) da Informação nº 015/2015-DIAUP/SEMAG e do Parecer nº 1105/2015-DA; b) do documento juntado à fl. 503, pelo qual a Procuradoria-Geral do Distrito Federal encaminha cópia do Ofício nº 895/2015-GAB/CGDF, de 29.05.15, da Controladoria-Geral do Distrito Federal e anexos (cópia dos Ofícios nºs 865/2015-GAB/CGDF, 863/2015- GAB/CGDF e 864/2015 (fls. 504/515); II – considerar descumprido o item IV da Decisão nº 4.086/14, reiterado pela Decisão nº 1.242/15, em razão do não encaminhamento do Plano de Ação tal como solicitado pelo Tribunal, com indicação das ações, metas, cronogramas e demais informações que o caracterizem como documento de planejamento para aprimorar o PTCC – Plano de Transparência e Combate à Corrupção do Distrito Federal, deixando, entretanto, de reiterar a solicitação, tendo em conta que, após reiteradas tentativas em sensibilizar o Governo a fazê-lo, o Plano de Transparência e Combate à Corrupção do Distrito Federal permaneceu na informalidade; III – alertar o atual Governador para que, sendo prioridade em seu governo combater a corrupção, bem como aumentar a integridade e a transparência pública e incentivar a participação social, observe a necessidade de se elaborar planejamento específico, a partir da utilização de referencial teórico preconizado pelos organismos nacionais e internacionais de referência, com definição de metas a serem alcançadas, cronograma detalhado das atividades a serem desenvolvidas, competências, responsabilidades, mecanismos de acompanhamento para todas as ações previstas, entre outros, de modo a evitar a informalidade que caracterizou o denominado PTCC – Plano de Transparência e Combate à Corrupção do Distrito Federal e que, por esse motivo, não atingiu nível razoável de efetividade no governo anterior; IV – autorizar o retorno dos autos à SEMAG para arquivamento.

Ciclistas organizam pedal solidário para arrecadar alimentos a Ong Salve a Si, que recupera dependentes químicos

0

pedal_solidario

 

Ciclistas de diversos grupos do Distrito Federal e cidades do Entorno farão, no próximo dia 17 de abril, o 1º Pedale & Salve, pedal solidário em prol da Comunidade Salve a Si, centro de tratamento gratuito para dependentes químicos, localizado em Cidade Ocidental, Goiás. A proposta tem o apoio de ciclistas voluntários e pretende arrecadar alimentos para os mais de 80 acolhidos da casa, que foram resgatados em situação de vulnerabilidade social devido ao uso de álcool e outras drogas.

Os interessados poderão contribuir com alimentos não perecíveis, preferencialmente arroz (5Kg), macarrão ou café. Os participantes farão uma confraternização na comunidade Salve a Si e terão ainda a oportunidade de conhecer os acolhidos, assim como as instalações da casa. O encontro também é aberto aos familiares.

O ponto de encontro para os ciclistas será às 7h, na Padaria Seleta (Rodovia DF 140, km 4), local onde os alimentos poderão serão entregues. O percurso totaliza 20 km, nível fácil, que serão feitos de bicicleta em torno da Fazenda Salve a Si, já em Cidade Ocidental (GO).

Salve a Si – Desde a fundação, em 2008, o Centro de Tratamento para Dependência Química Salve a Si, já acolheu mais de duas mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, dependentes de drogas. A comunidade é uma ONG sem fins lucrativos e está regularizada junto aos órgãos competentes.

Apesar do apoio de algumas entidades públicas e privadas, a Salve a Si ainda passa por dificuldades financeiras para dar continuidade ao trabalho de acolhimento, recuperação e reinserção social de dependentes químicos em todo Distrito Federal e cidades do entorno.

 

SERVIÇO:

Pedal Solidário Salve a Si

Quando: 17 de abril | Domingo

Ponto de encontro: Padaria Seleta| 7h | Rodovia DF 140, Km 4 Alpha Center – Setor habitacional do Tororó

Ponto Zero: Fazenda Salve a Si | Cidade Ocidental – GO

Percurso: 20 km

Contribuição: Em alimentos. Preferência por arroz (5Kg), macarrão ou café

GDF anuncia pagamento de R$ 16 milhões em horas extras da Saúde

1
Rodrigo Rollemberg fez o anúncio durante visita ao Centro Educacional da Primeira Infância Araraúna, na QR 103. Foto Tony Winston
Rodrigo Rollemberg fez o anúncio durante visita ao Centro Educacional da Primeira Infância Araraúna, na QR 103. Foto Tony Winston

 

Pagamentos de novembro e dezembro serão feitos para 7.405 servidores. Governador Rollemberg disse que depósitos devem ser feitos nesta sexta

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, informou na manhã desta quinta-feira (7), durante visita a uma creche em Santa Maria, que o pagamento das horas extras dos servidores da área da saúde, referente aos meses de novembro e dezembro, será efetuado nesta sexta-feira (8).

De acordo com a Secretaria de Saúde, o recurso destinado ao pagamento dessas horas extras é de R$ 16 milhões, para o pagamento de 7.405 servidores.

“Isso [o pagamento] certamente vai contribuir para a melhoria do ambiente da saúde. O desequilíbrio financeiro que nós herdamos comprometeu muito tanto o fornecimento de medicamentos quanto os serviços, mas aos poucos a gente vai voltando à normalidade”, disse Rollemberg.

A dificuldade no pagamento das horas extras também ocorreu em outros meses. Em setembro, a Secretaria de Saúde informou que recebeu um crédito suplementar de R$ 16 milhões e que usaria o dinheiro para pagar as horas extras de maio. Sem o repasse, servidores haviam reduzido parte do serviço e pacientes relatavam demora e falta de atendimento em unidades da rede pública. (Com informações do G1)

Levantamento de Chico Leite aponta queda nos investimentos do GDF para o SAMU

1

samu

 

Em constante queda desde 2012, quando ultrapassaram os R$ 39 milhões, hoje, os recursos autorizados para o serviço chegam a pouco mais de R$ 7 milhões. Uma redução de 81.3%

De acordo com dados levantados pelo mandato do deputado Chico Leite (Rede), o cenário não muda nos últimos anos e os investimentos em melhorias para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) seguem em constante queda. Se compararmos o orçamento autorizado para o serviço do ano passado para este ano, é possível constatar uma redução de 57.88%. R$ 17,3 milhões em 2015, contra R$ 7,3 milhões em 2016.

O detalhamento mostra que, no ano passado, dos 17,3 milhões autorizados pelo GDF, R$ 15,9 milhões foram empenhados e R$ 11,4 milhões foram liquidados. Em 2016, o recurso autorizado caiu para R$ 7,3 milhões; desse total, R$ 2,2 milhões foram empenhados, mas nenhum centavo foi liquidado até o momento.

Preocupado com a situação, Chico Leite questiona sobre qual será o futuro do serviço se o governo continuar agindo dessa forma. “Nesse ritmo o SAMU alcançará o seu fim. Com os recursos em constante queda, chegará o momento em que não existirá mais orçamento para o programa e mais uma vez a sociedade é quem fica no prejuízo”, destacou.

Criado em 2003, o SAMU tem como finalidade prestar socorro à população em casos de emergência. Chico Leite defende a importância da manutenção do serviço, haja vista que foi fundamental para a redução no número de óbitos, do tempo de internação em hospitais e das sequelas decorrentes da falta de socorro precoce.

“A população clama por maior atenção para a saúde pública. Se o governo deixar de destinar os recursos necessários para a manutenção dos serviços básicos e essenciais, infelizmente é a população quem vai sofrer as consequências” concluiu.

 

7 mitos e verdades sobre a cirurgia bariátrica

0

bariatrica


Ronaldo Cuenca, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Brasília, esclarece algumas dúvidas sobre o procedimento, que já é realizado por cerca de 100 mil brasileiros a cada ano

A Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos. No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais, e o país já é o segundo com o maior número de cirurgias bariátricas realizadas por ano – são cerca de 100 mil – ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Hoje, 7 de abril, é comemorado o Dia Mundial da Saúde e esses dados demandam um debate mais incisivo sobre hábitos alimentares saudáveis. Comer bem e melhor, segundo Ronaldo Cueca, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Brasília, é a principal arma contra a obesidade.

Por ser um procedimento ainda desconhecido por boa parte da população, Ronaldo Cuenca revela mitos e verdades sobre o tema.

 

  1. Qualquer pessoa obesa pode passar por uma cirurgia bariátrica

Mito. Em janeiro deste ano, o Conselho Federal de Medicina divulgou diretrizes (Resolução 2.131/15)  que regulamentam os pré-requisitos para que uma pessoa seja candidata à cirurgia bariátrica. Há uma limitação de idade: as pessoas que estão pré-autorizadas para a realização da cirurgia devem ter mais de 16 anos e menos de 65 anos. Além disso, existe o limite do Índice de Massa Corporal: estão pré-autorizadas as pessoas portadoras de IMC de 35kg/m² associado a comorbidades (doenças que, aliadas à obesidade, podem levar à morte) ou pessoas com IMC de 40kg/m² mesmo sem comorbidades.

 

  1. Não cumpro esses requisitos, então vou engordar para poder fazer a cirurgia

Mito. É um atentado contra a saúde. Esta mesma resolução do CFM impede que isso aconteça, ao definir que o obeso mórbido precisa ter a obesidade mórbida estável há, no mínimo, dois anos para realizar a cirurgia.

 

  1. Os planos de saúde e o SUS são obrigados a cobrir a realização da cirurgia bariátrica

Verdade. Eles são obrigados a cobrir se as pessoas se enquadrarem dentro dos requisitos da resolução 2.131/15 do CFM. No caso das cirurgias reparadoras, só plástica de abdômen é coberta.

 

  1. Assim que eu me recuperar da cirurgia, vou tirar o excesso de pele

Mito. A indicação para a realização da cirurgia reparadora é de dois anos após a bariátrica. A justificativa é: durante esses dois anos, a pessoa vai emagrecer gradativamente e estabilizar a perda de peso em seis meses. Precisa ter cumprido as curvas de perda e ganho de peso e de estabilização para que o excesso de pele seja retirado.

 

  1. Depois de seis meses, o paciente para de perder peso

Mito. O paciente vai atingir o ponto de equilíbrio depois de dois anos. A perda de peso é mais acelerada, de fato, nos primeiros 6 meses. A estimativa nesse período é de perda de 60% do excesso, mas o paciente continua emagrecendo até 2 anos após a cirurgia.

  1. Sou mulher e quero engravidar, mas devo esperar dois anos

Verdade. Antes desse tempo, a capacidade absortiva do intestino fica desviada, e uma gestação pode ser transformada em alto risco por conta da baixa absorção e, consequentemente, resultar em má formação fetal.

 

  1. É possível voltar ao peso normal, e até engordar mais, depois da cirurgia bariátrica

Verdade. Isso acontece por conta da relação do paciente com a comida, que não foi modificada. O estômago, após a cirurgia, tem 5% de tamanho em relação ao normal. Além da redução do estômago, há o desvio do intestino, que vira o local para a absorção e a digestão dos alimentos. Ao longo do tempo, se o paciente continuar tendo um hábito alimentar errado, o pedaço do intestino começa a absorver mais para compensar a falta de espaço no estômago. É uma adaptação do organismo que pode acarretar em novo ganho de peso.

 

 

Servidor público teme ficar sem salários a partir de outubro e pede antecipação do 13º

5

palacio do planalto

Funcionários públicos da União querem antecipação do 13º salário diante dos fortes rumores de que o governo federal, quebrado por sua política econômica, não vai conseguir pagar a folha de pessoal a partir de outubro. Como, aliás, já acontece em diversos estados e no Distrito Federal.

Não bastasse todas as dificuldades enfrentadas, atualmente, pelos servidores públicos, tramita na Câmara Federal um Projeto de Lei complementar que irá prejudicar e ceifar, ainda mais, os direitos do funcionalismo público.

O PLC 257/16, que tramita sob regime de urgência, prevê a renegociação da dívida dos Estados, mas para que isso ocorra são impostas uma série de condições que comprometem diretamente os serviços públicos e a vida dos servidores.

Entre algumas das principais exigências feitas aos Estados estão, a não concessão de reajustes salariais aos servidores, a extinção de benefícios já conquistados, o impedimento para a realização de novos concursos e a imposição de previdência complementar. Esses são apenas alguns itens, de uma lista extensa que irá comprometer totalmente os serviços e os direitos básicos do funcionalismo público.

Enquanto enfrenta a turbulência política e a ameaça cada vez mais forte de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o governo federal corre para estabilizar a atividade econômica e dar sinais de que a saída para a crise pode vir pela economia.

A equipe econômica trabalha para apresentar iniciativas que possam segurar a recessão e fazer o crédito e o investimento deslancharem.

Sem dinheiro em caixa para o modelo de subsídios utilizado no passado e com a queda significativa na arrecadação de tributos, as ações deixam de lado o ajuste fiscal e se baseiam principalmente na expansão de gastos e em medidas para destravar a concessão de financiamentos dos bancos públicos.

Propina abasteceu campanha de Dilma de 2014, diz Andrade Gutierrez

0

dilma1

 

Por Bela Megale, Graciliano Rocha, Valdo Cruz e Leandro Colon – A Andrade Gutierrez, segunda maior empreiteira do país, fez doações legais às campanhas de Dilma Rousseff (PT) e de seus aliados em 2010 e 2014 utilizando propinas oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico.

A informação consta da delação premiada do ex-presidente da empresa Otávio Marques de Azevedo e foi sistematizada por ele em uma planilha apresentada à Procuradoria-Geral da República.

O ex-presidente e o ex-executivo Flávio Barra detalharam a planilha em depoimentos ocorridos em fevereiro, enquanto negociavam a delação premiada que espera homologação no Supremo Tribunal Federal.

É a primeira vez que é descrito por um empresário o esquema revelado pela Operação Lava Jato, de financiamento de partidos por meio de propinas de contratos públicos legalizadas na forma de doação eleitoral.

Em 2014, a Andrade Gutierrez doou R$ 20 milhões para o comitê da campanha de Dilma. Na tabela, que inclui também doações em 2010 e 2012, cerca de R$ 10 milhões doados às campanhas de Dilma estão vinculados à participação da empreiteira em contratos de obras públicas, segundo a Folha apurou.

Não está claro se o valor endereçado a Dilma foi doado ao comitê ou ao Diretório Nacional do PT.

Segundo Azevedo disse a procuradores, a propina que abasteceu a campanha tinha origem em contratos da empreiteira para a execução das obras do Complexo Petroquímico do Rio, a usina nuclear de Angra 3 e a megahidrelétrica de Belo Monte –que estão entre as dez maiores do Programa de Aceleração do Crescimento, vitrine petista.

Azevedo traçou uma divisão na composição das doações oficiais. Segundo ele, existia a parte dos “compromissos com o governo” por atuar nas obras –isto é, propina– e a parte “republicana”, ou seja, a ação institucional em forma de doação.

A tabela também relaciona valores para as campanhas de Dilma em 2010 e para o Diretório Nacional do PT na eleição municipal de 2012. Não há citação à campanha dos adversários tucanos de Dilma.

ESTÁDIOS DA COPA

Segundo envolvidos na negociação do acordo, os delatores afirmam que até 2008 os valores doados legalmente para PT e outros partidos, como PSDB, eram similares.

A delação da Andrade Gutierrez engloba ainda pagamento de propinas relacionadas a obras executadas em estádios da Copa do Mundo de 2014, como Maracanã, Mané Garrincha e Arena Amazonas, e atinge não só o PT mas também o PMDB –informações antecipadas pela Folha em novembro.

Ao todo, 11 executivos da construtora prestaram depoimentos no Rio, Curitiba e Brasília, que já foram encaminhados para o ministro Teori Zavascki homologar a delação. Alguns chegaram a ser presos, como Azevedo, mas todos estão soltos.

Pelo acordo, a construtora se comprometeu a pagar uma indenização de R$ 1 bilhão e alterar seu relacionamento com o setor público.

A negociação para estruturar o esquema teve participação, segundo a Folha apurou, de Antonio Palocci Filho, o homem-forte da campanha de Dilma em 2010.

Para os delatores, Palocci era o “representante do governo” e de Erenice Guerra, ex-ministra-chefe da Casa Civil e braço-direito de Dilma quando a obra de Belo Monte estava em gestação.

Segundo a delação, foi a partir de Belo Monte que o esquema de pagamentos ganhou escala. A Andrade e a Odebrecht foram responsáveis pelos estudos prévios do projeto da usina.

As duas empreiteiras, mais a Camargo Corrêa, desistiram de participar do leilão da usina em junho de 2010 por discordarem da estimativa de R$ 19 bilhões feita pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Outro grupo de empresas, sozinho, acabou ganhando a concorrência.

As grandes ficaram fora da obra por pouco tempo: no final de 2011, as três passaram a integrar o Consórcio Construtor de Belo Monte.

OUTRO LADO

O comando da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014 negou, em nota encaminhada à Folha, qualquer irregularidade nas doações feitas à petista em sua campanha da reeleição.

Assinada pelo coordenador jurídico da campanha presidencial, Flávio Caetano, a nota diz que “toda a arrecadação da campanha da presidenta de 2014 foi feita de acordo com a legislação eleitoral em vigor”. Acrescenta que “jamais a campanha impôs exigências ou fixou valores” para as empresas que doaram recursos para a petista em sua última eleição.

“Aliás, a empresa fez doações legais e voluntárias para a campanha de 2014 em valores inferiores à quantia doada ao candidato adversário”, afirma Flavio Caetano.

O texto diz ainda que “em nenhum momento, nos diálogos mantidos com o tesoureiro da campanha sobre doações eleitorais, o representante da Andrade Gutierrez mencionou obras ou contratos da referida empresa com o governo federal”.

O coordenador-jurídico encerra a nota afirmando ser “lamentável que o instrumento da delação premiada seja, mais uma vez, utilizado politicamente por meio de vazamentos seletivos”, acrescentando que “a afirmação em tela é inverídica e serve apenas, na atual conjuntura, para alimentar argumentos daqueles que querem instaurar um golpe contra um mandato legitimamente eleito pelo povo brasileiro”.

Tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, o ministro Edinho Silva (Comunicação Social) fez o seguinte questionamento: “A pergunta que não cala é: por que as doações para a candidatura adversária, que foram superiores à nossa, não são questionadas e as nossas são, sendo que todas saíram do mesmo caixa e, ambas, estão declaradas ao TSE?”.

A campanha de 2014 de Aécio Neves (PSDB), que perdeu para Dilma no segundo turno, auferiu R$ 200 mil a mais do que a de Dilma. Os delatores não citaram o tucano em seus depoimentos.

A defesa da Andrade não se pronunciou sobre o caso.

Por nota, o ex-ministro Antonio Palocci negou ter participado de negociações em torno da construção de Belo Monte e que tenha atuado na captação de doações para a campanha de Dilma em 2010. Também manifestou estranheza que o suposto pedido de doação para 2010 esteja relacionado ao consórcio, contratado apenas em fevereiro 2011 e cuja obra só começou no segundo semestre daquele ano.

O criminalista José Roberto Batochio, que defende Palocci, disse que a citação ao ex-ministro é uma “mentira deslavada”, fruto do que seria perseguição do Ministério Público contra seu cliente.

O advogado da ex-ministra Erenice Guerra, Mário de Oliveira Filho, disse que não vai se manifestar até ter conhecimento dos termos da delação dos ex-executivos da Andrade.

Rollemberg recebe a Confederação Nacional de Municípios que pede apoio para aprovação de projetos de lei

0
Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília
Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Em reunião com o governador na noite desta quarta (6), representantes da entidade também convidaram o govrnador do DF para marcha em defesa dos municípios

Por Jade Abreu – O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, reuniu-se com membros da Confederação Nacional de Municípios (CNM), no início da noite desta quarta-feira (6). No encontro, no Palácio do Buriti, eles pediram o apoio do Executivo local para a aprovação de projetos de lei de interesse da entidade que deverão ser votados no Congresso Nacional até o fim de abril. Rollemberg disse ter todo o interesse em apoiar as reivindicações e se dispôs a acompanhar o andamento das proposições no Legislativo federal.

Os dirigentes da confederação também convidaram o governador a participar da 19ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O evento ocorrerá de 9 a 12 de maio, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, no Setor de Clubes Esportivos Sul. A primeira edição foi em 1998. Por fim, deixaram o convite à inauguração da nova sede da CNM, prevista para setembro.

Estavam na reunião o diretor-geral da CNM, Eduardo Tabosa, o diretor-executivo, Gustavo Cezário, e uma das fundadoras da confederação Dalva Christofoletti, entre outros participantes. Criada em 1980, a entidade trabalha para fortalecer a autonomia dos governos municipais. É uma organização independente, apartidária e sem fins lucrativos.

ANALISE POLÍTICA | O foro privilegiado e o risco da Lava Jato desmoronar

0

analise politica

 

Por Mara Paraguassu – Como qualquer cidadão, numa República os políticos deveriam responder à justiça em primeira instância. O foro privilegiado é uma distorção: viola o princípio democrático constitucional de que todos são iguais perante a lei.  O que deveria ser exceção, acaba por ser regra no Brasil, uma das poucas democracias no mundo em que a suprema Corte tem a obrigação de julgar parlamentares, ministros, presidente da República e procurador-geral da República.

Há pouco menos de um ano, um dos coordenadores da Lava Jato, procurador da República Deltan Dallagnol, disse que haviam no Brasil 22 mil pessoas sob o guarda-chuva do foro privilegiado, número que escapa a qualquer padrão internacional.

Sem condições de promover uma investigação, colher provas, depoimentos, mobilizar tantas providências e partes envolvidas num inquérito, o Supremo Tribunal Federal (STF) bem que merece passar pelo constrangimento causado na noite desta segunda-feira (3), quando o jornalista Nêumanne Pinto, no Roda Viva (TV Cultura), disparou indignado para o entrevistado de plantão, ministro Marco Aurélio Melo:

“Ele {juiz Sérgio Moro} condenou 67 réus e vocês só enrolando”. Nêumanne não é voz no deserto, e o ministro, que para variar naquele momento criticava o juiz, ficou com cara-de-tacho. É tão enrolada a situação, que a taxa de prescrição no STF é superior a 20%, isso sem falar na inexistência de privilegiados presos, com a exceção de Natan Donadon.

Demoram tanto, diante da incapacidade operacional em tarefa que não cabe à Corte máxima do país, que a sociedade também desconfia, com uma carreta de razões, que o jogo político e as conveniências do poder dão lá sua importante contribuição para arquivar novas e antigas histórias de corrupção cometidas pelos agentes públicos, colaborando para consolidar o sentimento de imunidade judicial aos que se arvoram mais iguais do que outros.

Somente para ilustrar, entre tantos casos contados em verso e prosa por jornalistas comprometidos com a informação que interessa, o senador Fernando Collor respondia por crimes da época em que sofreu impeachment, no ano de 1992. Prescreveram, antes do julgamento, dois dos três crimes dos quais era acusado: falsidade ideológica e corrupção passiva. Isso tem coisa de dois anos. Segue um caminho torto, mas foi premiado com cadeira no Senado.

Envolvido no caso da Operação Sanguessuga, o deputado do Pará Josué Bengston se safou do processo por corrução, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crime contra a lei de licitações em fevereiro do ano passado. O célere STF considerou que os delitos a ele atribuídos há mais de dez anos haviam prescrito assim que a “Excelência” completou 70 anos, em maio de 2014.

Jáder Barbalho, envolvido em caso escabroso de desvio de R$ 1 bilhão da Sudam, escapou também pela inércia dos supremos ministros, após anos de processo em paralisia que acomete uma Justiça morosa. Ao mensalão deu prioridade porque o bafo da pressão social – que tudo indica vem para ficar – chegou ao cangote dos homens de capa preta.

A Lava Jato se desenrola como uma novela dinâmica, cada capítulo mais emocionante que outro, e ninguém que acompanha o núcleo ágil do juiz Sergio Moro torcerá pelo núcleo da morosidade que mora ao lado do Congresso Nacional e do Palácio da Alvorada, e dá causa ao constrangimento nacional de livrar da prisão os que assaltam impiedosamente o país. Os brasileiros, finalmente, estão indignados com a corrupção.

Mesmo assim, a Lava Jato corre o risco, pelo exposto, de desmoronar. A pressão tem de continuar.

 

* Mara Paraguassu é jornalista desde 1989 e escreve sobre política, Amazônia, cidadania

Rollemberg e ministro da Saúde lançam ação contra o Aedes aegypti em centro educacional no Riacho Fundo II

0
Além do governador Rodrigo Rollemberg, participou da visita o Ministro da Saúde, Marcelo Castro. Foto Pedro Ventura
Além do governador Rodrigo Rollemberg, participou da visita o Ministro da Saúde, Marcelo Castro. Foto Pedro Ventura

Ao lado do ministro da Saúde, Marcelo Castro, o governador de Brasília destaca a importância do apoio da população na batalha contra o mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya

Por Ádamo Araújo – Estudantes e professores do Centro Educacional Agrourbano Ipê, no Caub I, no Riacho Fundo II, promoveram uma série de atividades culturais com o objetivo de sensibilizar a comunidade no combate ao Aedes aegypti.

A atividade, na manhã desta quarta-feira (6), integra a Semana da Família na Escola — programa do Ministério da Educação destinado a incentivar a participação da população na vida escolar. Mobilização faz parte do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia.

Presente na ação, o governador Rodrigo Rollemberg reforçou a necessidade de unir forças para o enfrentamento ao mosquito causador da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya. “Estamos empenhando um esforço gigantesco para comprar produtos e equipamentos de combate ao inseto, mas as pessoas não podem deixar de fazer a sua parte.”

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse que a erradicação do mosquito tornou-se um desafio mundial, pois está presente em mais de 100 países. Castro ressalta a prevenção como medida mais viável no momento. “Estamos buscando vacinas e tratamentos, mas isso demanda pesquisa e tempo. Não é imediato.”

Mobilização nacional
A Semana da Família na Escola é encabeçada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação e envolve todo o sistema educacional brasileiro, com ênfase nos 223 municípios considerados prioritários para o combate ao Aedes aegypti.

Durante a solenidade, o secretário de Educação do Distrito Federal, Júlio Gregório, entregou para Rollemberg e para Castro, o Programa de Combate ao Aedes Aegypti. No documento estão descritas as ações que a pasta fará nas escolas do DF. Logo após o encontro, as autoridades percorreram a instituição de ensino e conheceram os projetos de sustentabilidade de baixo custo, como Casa Ecológica e os sistemas de compostagem de alimentos.

Também estiveram presentes o administrador do Riacho Fundo II, Vicemar Medeiros, e o deputado distrital Julio César (PRB), entre outras autoridades.

Boletim
Segundo o boletim epidemiológico divulgado em 30 de março, 7.821 registros de dengue foram confirmados em moradores do DF desde o início do ano. Fevereiro é o mês com mais ocorrências (4.172) seguido por janeiro (2.103).