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Governo de Brasília lança pacote de pequenas obras para Ceilândia

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A reforma de quadra poliesportiva e a construção de calçadas tiveram suas obras iniciadas em Ceilândia, como parte de um pacote de benfeitorias lançado nesta terça-feira (27) pelo governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

Entre os benefícios para a comunidade estão serviços de urbanização, instalação de pontos de encontro comunitários (PECs), implantação de parque infantil e iluminação em diversas áreas da região administrativa.

As contratações terão um custo aproximado de R$ 2 milhões. “É um conjunto de pequenas obras reivindicadas pela população, que vão melhorar a qualidade de vida das diversas quadras da cidade de Ceilândia”, disse Rollemberg.

A solenidade ocorreu na praça da EQNM 4/6, em Ceilândia Norte. Entre as melhorias pedidas, os moradores receberão um ponto de encontro comunitário.

O governador destacou ações importantes que vêm sendo feitas na região, como as obras de infraestrutura no Sol Nascente, e a entrega dos terminais rodoviários do P Sul e da QNR.

Rollemberg destacou também a inauguração de um restaurante comunitário na QNR, as obras de iluminação na Feira do Produtor e Atacadista de Ceilândia e a iluminação na DF-180.

Licitadas pela Administração Regional de Ceilândia, as obras serão custeadas com recursos de emendas parlamentares da deputada distrital Luzia de Paula (PSB). Os trabalhos devem ser finalizados em 90 dias.

Antes do lançamento do conjunto de ações, Rollemberg almoçou com lideranças comunitárias da região em um restaurante no centro da cidade. Entre as autoridades, esteve presente ao evento o secretário das Cidades, Marcos Dantas.

As ordens de serviço foram assinadas pelo administrador, Vilson José de Oliveira, e pelas empresas encarregadas dos empreendimentos. O governador e Luzia de Paula assinaram como testemunhas.

 

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Governo recebe sugestões da população para o Orla Livre até 8 de janeiro

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Estão no ar até 8 de janeiro enquete e consulta pública do governo de Brasília para a população dizer como acha que a orla do Lago Paranoá deve ser revitalizada. Isso significa opinar sobre a criação de banheiros públicos, de parques infantis, de sombreiros, de praças, de restaurantes e de quiosques, por exemplo.

De 8 a 23 de dezembro, 1.476 brasilienses responderam à enquete da Orla Livre na internet. Qualquer pessoa pode participar, mesmo que não frequente o lago. São 15 perguntas, e não é necessário se cadastrar. Basta acessar o site, rolar a página e clicar no botão Participe da enquete. O que você quer na orla?

Em seguida, aparecerá a primeira pergunta sobre a região administrativa em que o internauta mora. Também há questões sobre os hábitos — como cada um usa o espaço, se for o caso —, quais equipamentos públicos e serviços deseja no local e sobre mobilidade. Ao final, para quem quiser se manter informado a respeito da orla, existe a opção de incluir um e-mail.

Consulta pública virtual

Outra forma de participação popular é a consulta pública virtual. Nesse caso, deve-se preencher cadastro on-line. Nele, são requisitados dados básicos: nome, CPF, e-mail, região administrativa e profissão, para pessoas físicas. Para pessoa jurídica, pedem-se: razão social, CNPJ, e-mail, região administrativa e ramo de atuação.

Na consulta, está a minuta do termo de referência para propostas de um plano urbanístico e paisagístico para a orla do Lago Paranoá. O documento fará parte de um edital de concurso público internacional, o Masterplan, que vai propor a forma de ocupação e a configuração da paisagem, além de possibilidades de utilização do espelho d’água.

Edital de concurso internacional

“O termo de referência reúne diretrizes ambiental, urbanística e de mobilidade, que precisam ser seguidas por quem se inscrever no concurso”, explica o secretário adjunto da Casa Civil, Fábio Pereira. Segundo ele, a participação dos brasilienses e de especialistas na consulta, portanto, é essencial, pois as contribuições serão analisadas para adequar o termo antes de o editar ser publicado. Essa formulação ocorrerá em conjunto com lideranças comunitárias. O resultado da enquete será divulgado e deverá embasar os projetos.

De acordo com o secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago de Andrade, as informações serão consideradas, inclusive pelo júri, no processo de seleção. “É fundamental construir junto e participar, porque vai ser o nosso manual de intervenção na orla. Vamos incorporar aquilo que for plausível.”

Andrade ressalta que esse é um planejamento estratégico para o futuro, que vai orientar a preservação, o turismo, o resguardo do lago como manancial e garantir cidadania à população. O secretário pontua ainda que nem tudo será feito de imediato e que o planejamento é de longo prazo.

As possíveis destinações para os locais desocupados do Lago Paranoá estão detalhadas em mapas no termo de referência, disponível na consulta pública. Há áreas, hoje sem infraestrutura, que podem receber futuramente píer, espaços lúdicos ou para esporte, quiosques e lanchonetes, por exemplo. “É possível que haja pequenos negócios, mas não vai ter centro comercial”, adianta o secretário Fábio Pereira.

“As faixas de terra mais estreitas entre as residências e o lago terão infraestrutura mínima, como uma trilha iluminada. Para evitar atividades de maior fluxo de pessoas muito próximo às casas, a minuta apresenta quais são essas áreas”, reforça Pereira. “E há outras áreas bem mais largas, que podem receber algum tipo de infraestrutura de lazer, de esporte, ou uma ou outra instalação comercial.”

O Plano Orla Livre tem o objetivo de tornar o Lago Paranoá um ponto de encontro mais acessível, organizado e com diversas opções de lazer, além de pensar em oportunidades de negócios pontuais que fomentem a economia. A proposta reúne uma série de ações para revitalizar 38 quilômetros de margem do espelho d’água e também busca soluções de mobilidade para quem quiser chegar à região.

 

Eleição para Mesa Diretora da Câmara dos Deputados será dia 2 de fevereiro

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A eleição para o cargo de presidente da Câmara e dos demais integrantes da Mesa Diretora foi marcada para o dia 2 de fevereiro. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou o cronograma em ofício encaminhado aos líderes dos partidos. O mandato dos eleitos será de dois anos.

Além da presidência da casa, mais dez cargos estarão em disputa: duas vice-presidências, quatro secretarias e quatro suplências de secretaria. A Mesa Diretora tem a atribuição de dirigir os trabalhos legislativos e os serviços administrativos da Câmara.

O prazo para o registro das candidaturas termina às 23h do dia 1º de fevereiro. Os partidos terão até as 12h desse mesmo dia para formar blocos parlamentares para concorrer à eleição. Às 15h, será realizada a reunião de líderes para definir a divisão dos cargos da Mesa Diretora. Qualquer deputado pode ser candidato à presidência da Casa. Os demais cargos da Mesa são distribuídos de acordo com a proporcionalidade partidária. Assim, os partidos ou blocos escolhem os cargos que pretendem ocupar. Podem disputar o voto apenas parlamentares do partido ou bloco a que cabe a vaga.

A eleição

Na eleição da Câmara, a votação ocorre em urnas eletrônicas usadas nos pleitos nacionais. No início da sessão para a eleição da Mesa, é uma tradição que cada candidato à presidência da Casa discurse.

Para ser eleito em primeiro turno para a presidência, o candidato terá de obter metade mais um do total de votos – maioria absoluta, observado o quórum mínimo de 257 votantes.

Se isso não ocorrer, os dois mais votados concorrem em segundo turno e será eleito aquele que obtiver maioria simples. Em ambos os casos, os votos em branco serão contados para efeito de quórum. No caso de empate, prevalecerá o candidato com maior número de legislaturas. Se ambos tiverem o mesmo número de mandatos, vencerá o mais idoso.

Inicialmente são apurados os votos para presidente da Câmara, que, após eleito, comanda a apuração dos votos para os demais cargos da Mesa Diretora.

Na última sexta-feira (21), Rodrigo Maia disse que só deverá decidir se irá concorrer à presidência da Casa para um mandato de dois anos em janeiro, após avaliações políticas com o seu partido e deputados. Na opinião de Maia, não há impedimento legal para que ele entre na disputa, pois não está escrito na Constituição que quem cumpre mandato-tampão não pode ser candidato à reeleição. Maia foi eleito para o cargo após a renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A eleição está marcada para as 9h do dia 2 de fevereiro. No mesmo dia, em horário a ser definido, haverá sessão do Congresso Nacional para abertura da próxima sessão legislativa. A inauguração dos trabalhos prevê a presença de um enviado do presidente da República com a mensagem presidencial que será lida pelo 1º secretário do Congresso.

GDF anuncia seleção de novos médicos para rede pública até sexta-feira

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Estão abertas 337 vagas para três especialidades, com o objetivo de reforçar o atendimento nos hospitais do DF

Médicos pediatras, neonatologistas e terapeutas intensivistas (adulto) podem se inscrever, até 30 de dezembro, no processo seletivo simplificado para a contratação de profissionais. Nessas especialidades, estão disponibilizadas 337 vagas, para reforçar o atendimento na rede de saúde enquanto concurso público regular é elaborado pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas.

A carga horária é de 20 horas semanais e a remuneração será de R$ 6.327. Para se inscrever, o interessado pode acessar o site da Secretaria de Saúde, preencher um cadastro e enviar documentos pessoais. Outra alternativa para a inscrição é comparecer à sede da pasta, localizada no fim da Asa Norte. Os aprovados serão contratados por um período de 12 meses, improrrogáveis.

Critérios simplificados para permitir maior participação

Nesta seleção, os critérios adotados são simplificados, de forma a permitir maior participação dos profissionais. Para se candidatar como pediatra, é necessário ter certificado de conclusão de residência médica em pediatria, reconhecida pelo Ministério da Educação, ou título de especialista na área reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

No caso do neonatologista, quem possuir título em pediatria basta ter atestado de experiência profissional que comprove, no mínimo, um ano de trabalho nessa área de competência. Também é possível apresentar certificado de residência médica em neonatologia, reconhecido pelo Ministério da Educação, ou título de especialista nesse campo reconhecido pela AMB.

Os terapeutas intensivistas (adulto) precisam comprovar experiência de dois anos como médicos de UTI. Quem não possui atuação comprovada, pode apresentar certificado de conclusão de residência médica reconhecido pelo Ministério da Educação na especialidade, ou título de especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMIB/AMB).

Em todas as categorias é necessário apresentar diploma, devidamente registrado, de conclusão de curso, expedido por instituição de ensino superior reconhecida pelo Ministério de Educação, bem como registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Os interessados podem tirar dúvidas pelo telefone (61) 99216-3605.

Últimas semanas para ver a mostra cubana Los Carpinteros: objeto vital

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Exposição do coletivo cubano, celebrado no mundo todo, chega à reta final no Centro Cultural Banco do Brasil. Obras desafiam a noção de utilidade dos objetos e abraçam a ambiguidade da crítica social

O público de Brasília tem até o dia 15/01 para visitar a exposição Los Carpinteros: objeto vital, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. A mostra faz um apanhado da carreira do coletivo cubano desde o início da década de 1990. A partir da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design, o grupo subverte e questiona as funções dos objetos, em obras carregadas de críticas sociais e humor.

Fazem parte do grupo os cubanos Marco Castillo e Dagoberto Rodríguez, mas há obras que contaram também com a contribuição de Alexandre Arrechea, que integrou o coletivo até 2003. A exposição é composta por mais de 70 obras: desenhos, aquarelas, esculturas, instalações, vídeos e obras site specific.

Na exposição o público conhece todas as fases do coletivo: desde os primeiros trabalhos – com esculturas em restos de madeira encontrados nas ruas, casas e até no lixo de Havana e pinturas que mesclam a linguagem acadêmica ao choque social – até as aquarelas e peças gigantescas construídas com lego, que representam uma visão única da arquitetura. Há também obras inéditas, feitas especialmente para a exposição no Brasil. A curadoria é de Rodolfo de Athayde, da Arte A Produções.

Los Carpinteros já expuseram em alguns dos maiores museus do mundo, como o MoMA e o Guggenheim em Nova York, o Museum of Contemporary Art em Los Angeles e a TATE Gallery, em Londres. Já passaram também pelo México, Japão, França, Suíça, entre outros países.

Marco Castillo, Dagoberto Rodriguez e Alexandre Arrechea são graduados pelo Instituto Superior de Arte de Havana. Os dois artistas que hoje compõem o coletivo vivem e trabalham entre a capital cubana e Madri, na Espanha.

Após passar por Brasília, a mostra segue para os CCBB`s de Belo Horizonte (Estreia: 01/02/2017) e do Rio de Janeiro (Estreia: 26/04/2017)

 

ESTRUTURA DA EXPOSIÇÃO

Los Carpinteros: Objeto Vital é apresentada em três segmentos:

1. Objeto de Ofício

É o segmento dedicado ao primeiro período, determinado pela manufatura artesanal de objetos inspirados pelas vivências do cotidiano e o uso intensivo da aquarela como parte do processo de visualização da ideia inicial da obra. Os trabalhos são fruto da intensa troca criativa ocorrida durante o período da formação dos artistas, no Instituto Superior de Arte em Havana. Naturalmente, também refletem o contexto cubano dos anos 1990, em franca crise econômica.

2. Objeto Possuído

Apresenta o momento em que o trabalho de Los Carpinteros começa a ganhar representatividade em importantes coleções no mundo com obras que, para além das problemáticas especificamente cubanas, falam de questões existenciais universais. “A transterritorialidade característica da arte contemporânea leva os artistas a um terreno aberto em que dividem preocupações com criadores de diversas nacionalidades, à margem de suas origens”, afirma o curador. Muitos dos projetos ambiciosos que tinham sido esboçados no papel são materializados nesse momento com a abertura de novas perspectivas. Dentro deste segmento foi reservado um lugar especial para os objetos de som: aquelas obras que têm um vínculo direto com a música, expressão cultural por excelência que marca a ideia do “ser cubano”.

3. Espaço-Objeto

Neste núcleo é dedicada atenção especial à arquitetura e às estruturas, temáticas constantes na obra dos artistas, que reiteradamente selecionam referências do entorno urbano para subvertê-las, ao alterar contexto e funcionalidade. Esse diálogo, característico do trabalho de Los Carpinteros, permeia toda a exposição e terá neste segmento um espaço reservado.

DATAS E LOCAIS

CCBB Brasília: Até 15 de janeiro de 2017

CCBB Belo Horizonte: de 1 de fevereiro a 10 de abril de 2017

CCBB Rio de Janeiro: de 26 de abril a 03 de julho de 2017

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA

Livre

CURADORIA

Rodolfo de Athayde.

PRODUÇÃO

Arte A Produções Ltda.

PATROCÍNIO

Banco do Brasil

APOIO

Smiles

 

SERVIÇO

Los Carpinteros: Objeto Vital

Até 15 de janeiro de 2017

Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

SCES, Trecho 02, lote 22

CEP 70200 002 | Brasília (DF)

Galerias I, II, Pavilhão de Vidro, Sala Multiuso e Vão Central

Telefone: (61) 3108 7600

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h

Entrada gratuita

 

Câmara do DF aprova lei que tira poder da Adasa sobre águas subterrâneas

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Água na barragem do Descoberto, que ficou pela primeira vez com volume abaixo de 20% em novembro (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Medida transfere competência para Secretaria de Meio Ambiente. Deputada Luzia de Paula diz que proposta foi aprovada por engano

Do G1 DF – A Câmara Legislativa do Distrito Federal promulgou um projeto da deputada Luzia de Paula (PSB) que retira poderes da Agência Reguladora das Águas (Adasa) sobre temas que envolvem a gestão e preservação de águas subterrâneas. Pela nova regra, a Secretaria de Meio Ambiente passa a ser a responsável pela manutenção do cadastro de poços e implantação de programas de conservação.

Nos bastidores, a mudança se explica pelo fato de políticos conseguirem exercer pressão maior em secretarias porque podem indicar os chefes das pastas. A proposta tinha sido vetada pelo governador Rodrigo Rollemberg, mas foi “ressuscitada” pelos deputados distritais. Ela virou lei quando foi publicada no Diário Oficial, na última quinta-feira (22).

Questionada, a deputada Luzia de Paula afirmou ter havido um “problema interno” na Câmara Legislativa porque já havia solicitado que o projeto não virasse lei. Ela disse que iria defender a aprovação de outro projeto semelhante com a intenção de manter a Adasa responsável pelas questões sobre águas subterrâneas e que tentaria revogar a lei.

Para a direção da Adasa, a nova lei “prejudica o trabalho da Agência”. O órgão informou que vai encaminhar todas as argumentações à Procuradoria-Geral, braço jurídico do governo, que pode recorrer à Justiça para barrar a mudança.

A agência acompanhar 15 mil ações relacionadas a outorgas de águas subterrâneas. Com a lei, a Adasa deixaria de ter entre as atribuições a “emissão de outorgas, o cadastramento de poços, ações de monitoramento da quantidade e da qualidade das águas subterrâneas e a fiscalização do cumprimento da legislação pertinente”.

Ainda segundo a Adasa, a mudança pode levar a uma piora da crise hídrica vivida no DF, que tem autorização para fazer racionamento de águas. Neste sábado, o reservatório do Descoberto – o mais importante – registrou volume de 22,70% da capacidade.

Baixo crescimento marcará economia em 2017, preveem especialistas

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Um início de recuperação em meio a um crescimento tímido e a dificuldades no cenário internacional. Para economistas ouvidos pela Agência Brasil, as perspectivas para a economia em 2017 indicam leve melhora em relação a 2016, mas apontam para um caminho cheio de percalços rumo à retomada da produção e do consumo.

Segundo os especialistas, o quadro político também retarda a recuperação da economia. Para eles, o país precisa superar as pendências políticas antes de voltar a crescer, mas essa é apenas uma parte da solução.

Para a professora de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Virene Matesco, o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) crescerá no máximo 0,5% em 2017. Ela diz que somente quando consumidores e empresários recuperarem a confiança, a economia começará a recuperar-se plenamente.

“A recuperação da economia em 2017 depende fundamentalmente de dois fatores: a superação da crise política e a aprovação de medidas que sinalizem algum compromisso do governo com as contas públicas. Somente aí, o país poderá começar a se reorganizar”, disse. “O Congresso é como um trator que vai tirar o carro atolado, que é o Brasil. Só que o trator está quebrado.”

Segundo Virene, mesmo a aprovação da reforma da Previdência será apenas uma indicação para o mercado e os investidores. Isso porque tanto a revisão no regime de aposentadorias e pensões como a emenda constitucional que cria um teto para o gasto público têm impacto sobre as contas do governo apenas no médio e no longo prazo. “Como os déficits nas contas públicas continuarão persistindo, existe a possibilidade de o governo aumentar impostos para elevar a receita”.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, concorda com os reflexos da política sobre a economia. “Para mim, a crise atual é fundamentalmente política. Será que os investidores continuarão dispostos a pôr dinheiro no Brasil vendo o que está acontecendo aqui?”, pergunta.

Perfeito tem uma estimativa mais pessimista para o crescimento da economia no próximo ano: 0,2%. Segundo ele, o resultado poderia ser melhor se o governo ampliasse o déficit primário da União, estimado em R$ 139 bilhões para 2017, para estimular a economia. “Um aumento de gastos seria válido se fosse temporário e feito com transparência, mas não existe espaço político para isso, até por causa dos erros dos governos anteriores com esse tipo de medida”, explica.

O economista também atribui parte das dificuldades de recuperação da economia ao cenário internacional, principalmente após a indicação do Federal Reserve (Banco Central norte-americano) de que poderá aumentar os juros da maior economia do planeta até três vezes em 2017 para conter os efeitos dos cortes de impostos e da expansão dos gastos públicos do futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Indústria

As entidades do setor produtivo também não têm projeções otimistas para a economia no próximo ano. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima crescimento de 0,5% para o PIB, com expansão de 1,3% na indústria. Para a entidade, o investimento deve crescer 2,3% em 2017 depois de cair 11,2% este ano.

Para o gerente-executivo da CNI, Flávio Castelo Branco, a ociosidade das indústrias, que estão com grandes estoques acumulados, e as dificuldades financeiras das famílias e das empresas dificultam a retomada do crescimento. Segundo ele, somente quando o endividamento diminuir, o consumo e a produção terão condições de reagir.

“Quando as empresas geram empregos, giram a economia, aumentando investimentos, salários, consumo e produção”, explicou Castelo Branco durante a divulgação das estimativas da entidade para a economia em 2017 no último dia 13. Segundo ele, a aceleração das reformas da Previdência e trabalhista e a diminuição dos desequilíbrios nas contas públicas são importantes para que o país volte a crescer.

No fim de novembro, o Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do PIB para 2017 de 1,6% para 1%. A previsão oficial é mais otimista que a do mercado. Na penúltima semana de dezembro, as instituições financeiras estimavam expansão de 0,58% do PIB para o próximo ano, segundo o Boletim Focus do Banco Central, publicação semanal com projeções de analistas de mercado. As instituições projetam inflação de 4,9% em 2017 pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Mega-Sena acumula e vai pagar R$ 225 milhões no sorteio do dia 31

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O concurso 1889 da Mega-Sena, realizado ontem, acumulou. Foram sorteados os números 16, 23, 25, 28, 30 e 44. As informações são do site da Caixa Econômica Federal.

A Quina teve cinco acertadores, cabendo a cada um deles R$ 28.397,25. A estimativa para o prêmio do próximo sorteio da Mega, dia 31, é de R$ 225 milhões.

ENTREVISTA | Rollemberg diz ao Correio que fará mudanças no secretariado

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Por Ana Dubeux, Ana Maria Campos, Cristine Gentil , Helena Mader


Em entrevista ao Correio, Rollemberg afirma que Reguffe e Cristovam poderiam ajudar mais Brasília, e antecipou as medidas prioritárias para o ano que vem

Em entrevista concedida ao Jornal Correio Braziliense, o governador do Distrito Federal, reconhece que há deficiências na articulação política do governo. De acordo com o Chefe do Executivo, “a administração da crise econômica absorve muito e talvez a gente não tenha dado a atenção ideal para esses aliados, mas sempre é tempo de corrigir isso”, disse.

O governo descarta novos aumentos de impostos em 2017, mas não abre mão de outra medida impopular, considerada imprescindível para manter as contas públicas em dia: a reforma da Previdência. Paralelamente ao projeto debatido no Congresso Nacional, o GDF vai propor uma mudança na alíquota de contribuição dos servidores, atualmente de 11%. Alguns estados aumentaram esse percentual para 14%.

“É muito importante abrir esse debate, senão a cidade corre o risco de não conseguir pagar os aposentados em um prazo de cinco a 10 anos. A discussão sobre a mudança de alíquota precisa ser feita, de forma aberta e transparente”, explicou o governador Rodrigo Rollemberg, em entrevista ao Correio. Durante a conversa, o chefe do Executivo fez um balanço das ações de 2016 e antecipou as medidas prioritárias para o ano que vem.

Cobrado sobre promessas de campanha que não devem ser entregues até o fim do mandato, como a ampliação do metrô, a implantação da escola integral em toda a rede pública, a realização de concursos e a construção de policlínicas, Rollemberg usou o caos financeiro como justificativa para o descumprimento dos compromissos eleitorais.

“Eu comparo compromissos de campanha à intenção de uma família que planejou fazer uma viagem nas férias e não contava com a crise econômica”, explicou. “Mas conseguimos manter o salário em dia, garantimos o pagamento do 13º e de boa parte da dívida que herdamos do governo anterior. Ainda iniciamos um conjunto de obras e de ações muito importantes para a população de Brasília”, acrescentou o governador.  Ele ressalta que os senadores do DF poderiam ajudar mais a cidade, em busca de recursos.

A menos de dois anos para a próxima corrida pelo Palácio do Buriti, Rollemberg ainda evita cravar se será ou não candidato à reeleição. “Estamos vivendo um momento de grandes desafios para a cidade e para o Brasil. Só vou tratar de 2018 em 2018. Tenho uma responsabilidade muito grande com Brasília, ainda que as medidas necessárias tenham um custo político alto”, justificou.

O governador explicou ainda seu apoio explícito ao distrital Agaciel Maia (PR) na disputa pela Presidência da Câmara Legislativa. O parlamentar acabou derrotado por Joe Valle (PDT), apesar do empenho de Rollemberg em prol de sua candidatura. “Sou uma pessoa muito transparente. Para o ambiente político, tanto faz articular nos bastidores ou explicitamente, todo mundo acaba sabendo da sua opção”. Durante a entrevista, ele fez um mea-culpa: admitiu uma falha na interlocução com políticos que ajudaram a elegê-lo em 2014. “Reconheço que há deficiências na articulação política. A administração da crise econômica absorve muito e talvez a gente não tenha dado a atenção ideal para esses aliados”.

Veja a entrevista completa:

Que balanço o senhor faz de 2016, um ano marcado pelo embate com os servidores e pela falta de recursos?

Considero que tivemos um ano positivo, especialmente se compararmos com a situação atual do país e de outras unidades da Federação. Quando assumimos o governo, Brasília estava na pior situação e, hoje, olhamos para estados ricos como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que estão parcelando salários. Em Brasília, conseguimos manter o salário em dia, garantimos o pagamento do 13º e de boa parte da dívida que herdamos do governo anterior. Ainda iniciamos um conjunto de obras e de ações muito importantes para a população de Brasília.

Quais foram as principais obras?

Citaria a infraestrutura de áreas como Sol Nascente, Porto Rico, Vicente Pires, Buritizinhos e Bernardo Sayão. As obras do Bloco 2 do Hospital da Criança estão bem adiantadas. Essa será uma construção muito importante, que vai oferecer atendimento de média e de alta complexidade de pediatria. No início de 2017, vamos inaugurar a estação de tratamento de Águas Lindas, um empreendimento para garantir a qualidade da água na Barragem do Descoberto, e estamos adiantados com a nossa parte na estação de tratamento de água de Corumbá. Em janeiro, vamos inaugurar o aterro sanitário. Estamos fazendo as obras do trevo de triagem norte, que vai melhorar muito a mobilidade naquela área. A partir do ano que vem, vamos universalizar a educação infantil para crianças de quatro e cinco anos. Embora tenha sido um ano muito difícil, acho que estamos fechando com saldo positivo.

Qual a sua expectativa para 2017? Será um ano mais difícil?

Tenho convicção de que será um ano difícil. O Congresso Nacional e os estados terão que enfrentar pautas difíceis. Mas nossa esperança é de que haja uma retomada da economia, ainda que leve. Isso já traria resultados muito positivos para o DF.

Quais são essas medidas impopulares? Elas serão tomadas em Brasília também?

O que me preocupa como governador de Brasília é que todas as pautas que geram conflito e tensão acabam sobrecarregando as nossas forças de segurança. E 2017 será um ano de grandes manifestações na cidade. O Brasil tem que enfrentar o debate da Reforma da Previdência. Isso tem consequências nas manifestações realizadas na cidade.

Que avaliação o senhor faz da atuação das forças de segurança nas últimas manifestações, quando houve muita depredação?

A polícia cumpriu seu papel. É claro que sempre é possível aperfeiçoar. Percebemos, nas últimas manifestações, que há um conjunto de pessoas, a maioria vinda de fora, que estava com o objetivo específico de promover confusão e depredação. E isso nós não vamos admitir.

O governo fará uma reforma da Previdência local, aumentando a alíquota da contribuição dos servidores?

É muito importante abrir esse debate, senão a cidade corre o risco de não conseguir pagar os aposentados em um prazo de cinco a 10 anos. A primeira medida, que já enviamos à Câmara Legislativa, é o projeto de lei da previdência complementar dos servidores que ingressarem no serviço público a partir de agora. Quanto a isso, não haverá grande dificuldade. Já o debate sobre a mudança de alíquota também precisa ser feito, de forma aberta e transparente.

O senhor teve de usar recursos do Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev) em 2015 e em 2016. O GDF vai recorrer a essa medida novamente nos próximos anos?

Espero que não. No primeiro ano, precisamos usar um montante muito maior mas, agora, o valor foi muito menor. O mais importante é que fizemos isso com muita responsabilidade. Repusemos todos os recursos usados para pagar aposentados que entraram no serviço público antes de 2006. Fizemos essa reposição com terrenos em áreas nobres da cidade, como Noroeste e Águas Claras, o que vai dar solidez ao pagamento de aposentadorias futuras. Agora, repusemos os recursos com ações do BRB e o Iprev passa a ser sócio do banco.

O uso de recursos do Iprev é um assunto controverso e há especialistas que indicam a existência de um risco futuro à previdência dos servidores… 

Fizemos uma negociação com os sindicatos e trocamos terrenos a pedido deles. Percebemos muita satisfação por parte dos sindicatos. Os técnicos do governo federal apreciaram a operação e entenderam que ela era positiva para o Iprev.

Como o senhor disse, 2017 será um período difícil e, além disso, será um ano pré-eleitoral. O senhor deve ser candidato à reeleição, em um momento de falta de credibilidade do mundo político? Como lidar com esse problema?

Tenho feito as coisas que precisavam ser feitas para o DF. Tenho sido muito responsável com o futuro de Brasília, tomando medidas necessárias, muitas vezes com custo político elevado. Estamos buscando equilíbrio fiscal. Jamais aceitaria ser conhecido como o governador que quebrou Brasília. Quero ser lembrado como o governador que equilibrou as contas públicas, até porque isso é fundamental para colocar em prática as políticas públicas. Estamos combatendo com rigor a cultura da grilagem de terras e democratizando o acesso às áreas públicas com a desobstrução da orla do Lago Paranoá e com a abertura da área à população. Vou continuar fazendo o que entendo que seja correto e necessário.

Já resolveu se será candidato à reeleição?

Estamos vivendo momento de grandes desafios para a cidade e para o Brasil. Só vou tratar de 2018 em 2018. A melhor forma é fazer o que precisa ser feito. Tenho uma responsabilidade muito grande com essa cidade, ainda que as medidas necessárias tenham um custo político alto.

O senhor evita antecipar o debate eleitoral, mas seus potenciais adversários estão se preparando. Nas ruas, a gente já vê adesivos de “Fora, Rollemberg”, assim como houve o “Fora, Temer” e o “Fora, Dilma”. Acha que a disputa já começou?

O Brasil está passando pela maior crise da sua história. Brasília não é uma ilha e também enfrenta esse problema, causado pela irresponsabilidade fiscal. Estamos sendo extremamente responsáveis. Tenho convicção de que no momento do debate político, onde há a oportunidade de contextualizar as coisas, mostrar as medidas tomadas, e as entregas à população, não pensando na próxima eleição, mas nas futuras gerações, grande parte da população vai compreender o nosso esforço.

O custo político é grande principalmente com relação aos reajustes aprovados no governo passado e não pagos pela sua gestão. Isso pode derrotá-lo nas eleições?

Já percebo de parte dos servidores públicos o reconhecimento da impossibilidade de darmos o aumento agora. As pessoas preferem a garantia de ter o salário em dia, que é a segurança das famílias, do que ter um aumento sem receber. Isso acaba com qualquer planejamento familiar. O governo deve ser julgado ao fim da gestão. Não adianta, especialmente em um momento de crise, em que temos que tomar medidas duras em nome do equilíbrio fiscal, querer julgar o governo na metade do trabalho.

O senhor tem recebido muitas críticas de aliados que ajudaram a elegê-lo em 2014. Que avaliação o senhor faz da sua relação com esses aliados?

Eu reconheço que há deficiências na articulação política do governo. A administração da crise econômica absorve muito e talvez a gente não tenha dado a atenção ideal para esses aliados. Mas sempre é tempo de corrigir isso. Às vezes, a imprensa fala que não temos base aliada na Câmara, mas aprovamos 95% dos projetos importantes que encaminhamos. E graças a esses projetos, chegamos ao fim de 2016 em uma situação muito melhor do que a maioria dos estados brasileiros.

Muitos deputados apoiam o governo porque têm cargos, administrações regionais. Qual a mudança em relação a gestões passadas?

Isso ocorre em uma escala muito menor do que ocorria nos outros governos. As secretarias de Saúde, Educação, Segurança Pública, as principais áreas, não sofrem interferência política. Existe alguma composição política, mas é em um alcance menor. É claro que isso tem aspectos positivos, mas amplia as dificuldades de convivência com a Câmara. Ao longo dos últimos dois anos, tivemos uma relação com a Câmara muito positiva.

As eleições para a Mesa Diretora do Poder Legislativo sempre têm a influência do Executivo, mas essa articulação normalmente ocorre nos bastidores. Desta vez, o senhor apoiou abertamente o candidato Agaciel Maia, que acabou derrotado. Esse apoio explícito pode ter atrapalhado?

joe-valle-rodrigo-rollembergEu sou uma pessoa muito transparente. Para o ambiente político, tanto faz articular nos bastidores ou explicitamente, todo mundo acaba sabendo da sua opção. Eu fui muito franco, disse ao deputado Joe, por quem tenho apreço e respeito, que eu precisava fazer uma opção, e que a minha opção era pelo deputado Agaciel, que nesses dois anos foi uma pessoa muito correta com o governo. Não tenho dificuldade nenhuma de convivência com o deputado Joe e tenho certeza que teremos uma parceria muito positiva em defesa dos interesses de Brasília.

Adversários declarados do senhor, como os distritais Wellington Luiz (PMDB) e Raimundo Ribeiro (PPS), chegaram à Mesa Diretora. Isso representa uma preocupação?

A Mesa Diretora é muito presidencialista. Do ponto de vista político, é o cargo de presidente que faz muita diferença. Nas comissões, será importante ter uma correlação de forças importante. Mas qualquer que seja a composição, vamos buscar colocar os interesses da cidade acima de outros. A população está muito atenta, se ela perceber que algum político está colocando interesses pessoais e políticos acima do seu cargo, para prejudicar a cidade, ele que estará em prejuízo.

A contratação de organizações sociais é a principal aposta do governo para a saúde, mas a medida suscita grande resistência de sindicatos, servidores e do Ministério Público. O governo tem um plano B para melhorar a rede pública?

Tenho uma convicção firme de que a implantação das organizações sociais nas UPAs seria muito positiva para a população de Brasília e não criaria tanto conflito com os servidores da saúde. A gente percebe que há resistência ideológica do MP e há resistência dos sindicatos porque eles não querem que haja nenhum modelo de comparação. Isso poderá fragilizar a posição dos sindicatos. Visitei várias organizações sociais que administram equipamentos de saúde em São Paulo, em Goiás, com resultados muito positivos.

Acredita que será possível vencer essa resistência?

Se não existisse dificuldade, já teríamos implantado esse modelo. Vamos tentar superar os obstáculos para implantar as OSs. Mas estamos trabalhando em outras áreas para melhorar o atendimento da saúde. Parte dos nossos problemas da área ainda é fruto das dívidas que herdamos do governo anterior. Ainda devemos R$ 400 milhões da gestão passada. Muitas vezes, empresas que fazem manutenção de equipamentos se recusam a fazer novo contrato se não pagarmos as dívidas de 2014. Só agora, conseguimos renovar os contratos dos tomógrafos e mamógrafos, conseguimos pagar as dívidas ao longo deste ano. Esta semana, conseguimos regularizar o estoque de antibióticos na rede. Mas é uma dificuldade muito grande para isso, muitos medicamentos têm fornecedores exclusivos que se recusavam a fornecer o remédio se não recebessem a dívida de 2014. Por outro lado, a redução da jornada da saúde criou um problema muito grande. A população não sabe, mas todo servidor da saúde hoje tem jornada de 20 horas e isso cria uma dificuldade muito grande para compor escalas. Mas tenho convicção de que, independente de OS, a população vai perceber melhorias na saúde em 2017.

Brasília ainda tem qualidade de vida, mas a gente percebe o crescimento dos índices de criminalidade, especialmente contra o patrimônio. Como deter o avanço da violência?

Conversamos com especialistas de segurança pública, mostramos os dados, que são muito transparentes, e eles ficaram muito impressionados positivamente. A violência tem aumentado muito nos outros estados, mas em Brasília ela está sob controle. No ano passado, tivemos o menor índice de homicídios por 100 mil habitantes dos últimos 22 anos. Este ano, vamos fechar com o menor índice dos últimos 23 anos. Estamos com 15 homicídios a menos, em comparação com o ano passado. Por outro lado, tivemos aumento dos crimes contra o patrimônio ao longo deste ano. Se a gente comparar o período de setembro a dezembro do ano passado, quando já haviam sido adotadas as audiências de custódia, com os mesmos meses deste ano, a gente vai perceber que o aumento foi muito pequeno, o índice praticamente estabilizou.

As audiências de custódia aumentaram a criminalidade?

Elas têm o aspecto positivo de descomprimir o sistema prisional, mas, ao mesmo tempo, isso aumenta os crimes contra o patrimônio porque o sistema prende e solta, prende e solta, e a pessoa acaba cometendo o delito mais de uma vez. Em segundo lugar, temos as influências das manifestações. Tivemos um processo de impeachment em que o país esteve muito dividido, com risco de conflitos, e concluímos esse processo sem nenhum incidente grave. Mas, toda vez que há uma grande manifestação, a gente acaba deslocando um contingente muito grande de policiais para a Esplanada, deixando outras áreas descobertas. Em terceiro lugar, a crise econômica nacional leva ao aumento do desemprego e também pressiona os índices de crimes contra o patrimônio. Estamos fazendo pesquisas para identificar as sete manchas maiores de violência, com definição dos dias e horários em que os crimes ocorrem com maior intensidade, para, a partir daí, ter uma atuação mais efetiva das forças de segurança. Também vamos concentrar projetos sociais proritariamente nessas áreas, com foco na juventude. Grande parte dos crimes é cometida por jovens reincidentes.

“Temer assumiu num momento de grande complexidade e dificuldade. Nesse sentido, temos de ser compreensivos. Entendo que, para o bem do país, nós devemos buscar colaborar para que o governo supere esse momento difícil e para que o país retome o desenvolvimento”

Na área de educação, algumas das principais promessas de campanha foram resolver a falta de creches, a entrega de um tablet por aluno do ensino médio e a garantia da escola integral em todas as escolas. Alguma dessas promessas vai sair do papel?

Eu comparo compromissos de campanha à intenção de uma família que planejou fazer uma viagem nas férias e não contava com a crise econômica. Muitas das coisas que prometemos na campanha, não vamos conseguir cumprir na integralidade, ou não vamos conseguir cumprir no prazo que gostaríamos. Como uma família atingida pela crise econômica replaneja uma viagem, ou a festa de 15 anos da filha. O fato concreto é que muitos desses compromissos estão sendo cumpridos, apesar da crise.

Para a área de educação, qual será seu maior legado?

Em fevereiro, teremos universalizado a educação infantil para crianças de quatro e cinco anos. Isso é um feito extraordinário. Não podemos construir creches para atender essas crianças, mas credenciamos 135 entidades e o governo vai pagar para essas crianças estudarem. Conseguimos que todos os alunos do 3º ano fizessem o simulado para o Enem, e fizemos o Bora Vencer, que é um programa de cursos para estudantes que vão fazer o PAS e o Enem. Para implantar a escola em tempo integral, estamos aguardando a conclusão da escola técnica do Guará, que ficará pronta no ano que vem. Nessa escola, vamos desenvolver um projeto-piloto, e tenho convicção de que vamos transformá-lo em um modelo de educação integral para o país. Vamos integrar a rede de ensino à escola técnica, para garantir, a partir do segundo semestre do ano que vem, o ensino integral para todos os alunos do Guará. Depois, vamos ampliar para todas as regiões.

Como está sua relação com o vice-governador (Renato Santana), depois de vários atritos públicos. Esses episódios estão superados?

Combinei de conversarmos mais neste fim de ano. O episódio está completamente superado. Tenho muito apreço pelo Renato Santana, pelo Rogério Rosso e pelo Arthur Bernardes, que fazem parte do governo.

E com o Reguffe? Ele fez críticas duras ao seu governo em entrevista ao CB.Poder…

Mandei uma mensagem para o Reguffe, quando deu aquela declaração. “Pau que bate em Chico bate em Francisco”, eu disse. Ele ficou todo preocupado…

O que o senhor quis dizer com isso?

Da mesma forma como ele tem uma avaliação do governo, eu tenho uma avaliação do mandato do Reguffe. Eu gostaria de ver um senador de Brasília ajudando mais a cidade do que o senador Reguffe ajuda. Eu reconheço que o governo tem muitas deficiências e muitas são de desarticulação política. Gostaria de estar mais próximo do Reguffe, gosto dele, e aquelas declarações em nada me afastam do senador. Mas aquilo pode servir também para um alerta, para que eu possa me aproximar mais dele, mas para que ele possa também se aproximar mais de Brasília.

Outra crítica que se ouve com frequência é que o projeto para fazer eleição direta para administrador não teve avanço. Foi criado um grupo de trabalho e ficou nisso. O senhor fará a eleição?

Rollemberg.A proposta está pronta e será encaminhada para a Câmara Legislativa no ano que vem. Se não encaminhamos ainda foi porque fizemos consulta pública, foram muitas sugestões, e tivemos que fazer uma triagem, ver o que cabia e o que não cabia no projeto. E não tinha ambiente político para encaminhar neste semestre. Quando a gente firma um compromisso de campanha não quer dizer que faremos tudo no primeiro ou no segundo ano de governo. E com toda a franqueza, ninguém imaginava que viveríamos no Brasil dois anos de depressão econômica. É claro que isso mudou os planos e dificultou as coisas. Reguffe fala em dar isenção de imposto para remédios, num ambiente em que é preciso priorizar o aumento de arrecadação. Foi o que disse a ele: não há a menor possibilidade agora. Lá na frente, quando as coisas melhorarem, certamente vamos fazer.

Em relação aos dois outros senadores, Cristovam Buarque e Hélio José, qual a avaliação que o senhor faz?

O Cristovam tem uma atuação política muito focada no plano nacional. Sinto falta de ter senadores mais focados nos temas do DF e na busca de recursos para a cidade. Temos R$ 750 milhões de recursos de compensação previdenciária. Em dois anos, eu não vi nenhum movimento dos senadores Cristovam ou Reguffe para ir ao Ministério da Fazenda para ajudar a liberar esses recursos para o Distrito Federal. Isso não depende do governador e o dinheiro não será para o governador, isso é para a cidade. Se a gente tivesse conseguido esse recurso, talvez nem precisasse usar o dinheiro do Iprev. E o senador Hélio também acho que pode e será bem-vindo se quiser a ajudar a economia do DF.

O senhor começou o mandato aliado da então presidente da Câmara, Celina Leão. Houve um rompimento e, agora, o senhor apoiou a candidatura de Agaciel Maia. A Operação Drácon acabou ajudando o senhor? Como será essa relação com a Câmara Legislativa a partir de agora?

No primeiro ano, tivemos um conjunto de propostas aprovadas pela Câmara Legislativa que foram muito importantes para o DF. A utilização do Iprev, o Refis, foram indispensáveis para que chegássemos no fim do ano com o pagamento dos servidores em dia. Só tenho uma única queixa com relação à Câmara Legislativa: ela fez uma CPI com o propósito desleal de tentar associar a mim ou a minha família condutas irregulares, que jamais tivemos ao longo da gestão. E o destino mostrou que algumas dessas pessoas que estavam se utilizando da CPI para tentar impor ao governo um desgaste acabaram expostas pela própria investigação do Ministério Público. E que não houve envolvimento algum do governo nesse processo.

O fato de a deputada Celina Leão ter ajudado a eleição do Joe Valle, na sua opinião, vai influenciar a Câmara contra o seu governo?

Creio que não. Eu disse ao Joe que tenho uma identidade de propósitos muito grande com ele, uma relação pessoal de muitos anos. Ele é de um partido aliado do PSB desde o primeiro momento. Tenho convicção de que não haverá dificuldade nenhuma nessa convivência entre governo e Câmara Legislativa.

Esses pedidos de impeachment que tramitam na Câmara o preocupam?

Não preocupam porque não há nenhuma base jurídica nem política para isso.

Existe uma expectativa com relação à reforma do secretariado que o senhor fará no primeiro escalão. A mudança será feita para abrigar melhor os aliados?

Estamos chegando à metade do governo. É momento de dar uma sacolejada e fazer com que o governo seja mais ágil em algumas áreas. É também momento de fazer uma avaliação política, secretaria por secretaria, para imprimir as mudanças necessárias para que o governo possa entregar mais à população de Brasília. É claro que temos que fazer isso levando em conta as forças políticas que estão na Câmara Legislativa e que estão representadas na cidade. Mas as mudanças serão pontuais.

Na sua análise desses seis meses de governo Temer, o Brasil está no caminho certo?

Temer assumiu num momento de grande complexidade e dificuldade. Nesse sentido, temos de ser compreensivos. Entendo que, para o bem do país, nós devemos buscar colaborar para que o governo supere esse momento difícil e para que o país retome o desenvolvimento. Qualquer disputa política deve ser deixada de lado.

Com Temer a relação é melhor do que era com a Dilma?

Tenho uma facilidade de diálogo muito grande com o presidente Temer e com o ministro (Henrique) Meireles. Acho que com esse papel que acabei desempenhando de articular o fórum de governadores, tenho convicção e digo isso com humildade, cumpri um papel muito importante de construir uma agenda política positiva e produtiva para o país. Hoje, alguns estados tiveram uma melhora significativa na sua situação em função da articulação desse fórum de governadores. Abri um espaço de interlocução muito grande.

O fato de o presidente Temer ter entre seus principais assessores Tadeu Filippelli, um potencial rival político do senhor, atrapalha ou já atrapalhou essa relação?

Não vejo como possa atrapalhar. A presença de uma pessoa de Brasília só pode ajudar. Eu espero que todos os políticos de Brasília ajudem a cidade neste momento. A disputa política vai se dar em 2018 com toda a naturalidade.

O deputado Chico Vigilante, do PT, apoia mais o seu governo do que muitos aliados diretos. Essa aproximação com o PT numa eleição é provável?

A questão de 2018 será tratada em 2018. Tenho que reconhecer que o deputado Chico Vigilante, embora seja muitas vezes um crítico do governo,  tem colaborado com temas de interesse da cidade. Tem tido uma postura positiva em relação à cidade.

Desde o ano passado, havia o risco de uma crise hídrica, o que acabou se confirmando. Os especialistas têm alertado sobre a demora em tomar medidas de mais impacto, tanto da tarifa de contingência quanto do racionamento. O senhor está certo de que as medidas adotadas serão suficientes? Não teme chegar ao fim do mandato e ter de tomar medidas mais impopulares ainda?

Todas as decisões em relação à questão da água foram tomadas do ponto de vista eminentemente técnico. Não houve nenhuma influência política. Hoje, cabe à Adasa e à Caesb definir o que deve ser feito para garantir o abastecimento agora e futuro. Acompanho diariamente o nível da barragem e estou realmente preocupado, mas tenho deixado essas decisões serem tomados do ponto de vista técnico. Inclusive, quanto ao anúncio de um possível racionamento, muitos me aconselharam, dizendo que haveria desgaste político. Mas se essa for a decisão técnica, tem que haver esse alerta à população. Agora, é importante registrar duas coisas: nunca um governo na história de Brasília combateu a ocupação irregular do solo e a grilagem como nós estamos combatendo, que é uma das causas da falta de água. E há 16 anos não se fazia um investimento na ampliação da capacidade hídrica do Distrito Federal.

O senhor acha que o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, chega a 2018 como candidato do PSDB com apoio do PSB?

Alckmin é uma pessoa de grande envergadura, que administra muito bem o estado de São Paulo e que tem muito boa relação com o PSB. Quem serão os candidatos em 2018? É cedo para dizer. Até porque há uma disputa política dentro do PSDB. Ele será candidato? Será pelo PSDB? Se não for, será por outro partido? São definições que só teremos em 2018.