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Eleições 2018: Projeto de Izalci para o Distrito Federal ganha apoio de Alckmin

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A intenção do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) de disputar as eleições para o GDF no ano que vem ganhou um importante aliado, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, possível candidato do partido à Presidência da República.

Amigo de longa data de Alckmin, Izalci, que é presidente do PSDB no DF, esteve no gabinete do governador em São Paulo no início dessa segunda-feira. Izalci levou debaixo do braço um mapa com detalhes das reuniões que já promoveu em mais de 20 cidades do  dentro do projeto TODOS PELO DF,  e que até o final deste semestre deverá ter percorrido todas as regiões administrativas do Distrito Federal.

Alckmin elogiou a disposição de Izalci em elaborar um projeto consistente para o futuro de Brasília e se ofereceu para, junto com sua equipe, colaborar na elaboração de uma proposta de gestão moderna para a capital do País.

O chefe do Executivo  de São Paulo reforçou sua posição em que defende que o PSDB tenha candidatos a governador em todas as unidades da Federação. “Vejo a administração do Alckmin como um grande exemplo de gestão pública moderna e disse a ele que quero trazer esta experiência aqui para Brasília”, destacou Izalci.

Um dos pontos que Izalci pretende buscar bons exemplos de São Paulo é no campo do desenvolvimento econômico para geração de emprego e renda. “Brasília parou no tempo nos últimos anos e no governo Rollemberg está andando pra trás, pois muitas empresas estão indo embora daqui”, frisou o deputado. “Temos que criar um projeto consistente que estanque esta evasão de empresas e empregos e que traga um novo tempo de desenvolvimento e crescimento econômico para o Distrito Federal”, completou.

Já está certa a participação do governador Geraldo Alckmin e do prefeito de São Paulo João Dória nas inserções do PSDB-DF que vão ao ar no mês de maio

Secretário Humberto Fonseca, da Saúde, apresenta relatório de gestão à Câmara

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A Secretaria de Saúde executou R$ 6,5 bilhões em 2016, valor abaixo do que foi gasto em 2015, R$ 6,9 bilhões. O dado foi apresentado pelo secretário de Saúde, Humberto Fonseca, na manhã desta segunda-feira (24), em audiência pública promovida pela Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O secretário apresentou o relatório de gestão da pasta no 3º quadrimestre de 2016 e alguns dados já consolidados do ano. Na opinião do secretário, o maior problema do setor está na diminuição gradativa de recursos a cada ano, ao mesmo tempo em que a demanda na rede pública de saúde vem crescendo.

Também foi apontada uma diminuição nos recursos repassados para a saúde pelo Fundo Constitucional do DF. No ano passado, a maior parte dos recursos foi oriunda de recursos próprios do GDF. Em 2016, 16,46% dos impostos arrecadados no DF foram aplicados na saúde, contra 13,03% do ano anterior. Humberto Fonseca também destacou o fortalecimento de instrumentos de gestão e a implantação de sistemas de regulação como avanços no período do relatório.

O relatório aponta ainda a existência de 234 unidades na rede pública de saúde. Também foram apresentados números sobre as auditorias realizadas pela pasta, totalizando 405 demandas no quadrimestre, aproximadamente cinco por dia, número considerado elevado pelo secretário para a estrutura existente.

Em outra parte do relatório, foi observado que a cobertura das equipes estratégicas da saúde da família chegou a pouco mais de 30%. A meta para este ano, segundo o secretário, é chegar a 75% de cobertura, com a contratação de novas equipes. Fonseca inclusive solicitou o apoio da Câmara na aprovação de uma modificação na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a fim de permitir a contratação de técnicos de saúde.

A audiência pública também contou com a participação do presidente do Conselho de Saúde do DF, Helvécio Bueno. O presidente da Comissão, deputado Delmasso (Podemos), ressaltou que o objetivo da audiência é tornar mais transparente a gestão das entidades públicas para população e também para Câmara Legislativa. A apresentação de relatórios das secretarias do GDF acontece com regularidade.

Delmasso considerou que a situação financeira da pasta é agravada também pela rolagem de dívidas de um ano para outro, problema que vem se arrastando nos últimos anos.

Rollemberg participa de seminário que reúne prefeitos e vices do PSB

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Prefeitos e vice-prefeitos de diversas cidades do Brasil estão reunidos desde as 9 horas desta segunda-feira (24) em encontro que visa qualificá-los para os desafios da gestão pública.

O Seminário Nacional dos Prefeitos do Partido Socialista Brasileiro (PSB) 2017-2020 ocorre até as 21 horas, no Centro de Convenções Brasil 21. O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, participou da cerimônia de abertura.

“Neste momento delicado política e economicamente, é muito importante essa troca de experiências e de boas práticas desenvolvidas nos municípios para dar melhores condições de gestão aos novos prefeitos”, disse Rollemberg. Para ele, essa é uma forma de garantir melhor qualidade de vida para a população.

O governador de Brasília falou sobre a necessidade de manter o equilíbrio econômico-financeiro nas cidades. “É um requisito fundamental para que a prefeitura possa cumprir as obrigações em dia e ter recursos para investimentos.”

O Seminário Nacional dos Prefeitos tem como tema Cidades das Pessoas: a construção do ambiente sustentável no Brasil. Durante todo o dia, o encontro reunirá especialistas em modelos de gestão pública, transparência, democracia e comunicação.

Premiação em Madri

Rollemberg destacou para os prefeitos o recebimento, no dia 19, do Prêmio de Capital Ibero-americana da Paz. A entrega ocorreu em Madri, na Espanha, na abertura do 1º Fórum Mundial sobre as Violências Urbanas e Educação para a Convivência e a Paz.

Brasília foi escolhida por ganhar destaque com políticas públicas contra a violência, em especial o programa Viva Brasília – Nosso Pacto Pela Vida, que envolve a colaboração entre a comunidade, as polícias civil e militar e diversos outros órgãos de governo.

Izalci quer ampliar gratuidade do transporte prevista no Estatuto da Juventude

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A Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que pode estender o benefício da gratuidade no transporte público para jovens de baixa renda que utilizem linhas de ônibus interestaduais ou intermunicipais. De autoria do deputado Izalci (DF), o projeto modifica o Estatuto da Juventude e faz a reserva de duas vagas gratuitas e de, no mínimo, duas vagas com desconto de 50%. Na prática, a matéria amplia o conceito de transporte coletivo semiurbano, já comum em várias áreas limítrofes dos estados, mas que, para fins de gratuidade e desconto aos jovens estudantes de baixa renda, é equiparado ao transporte urbano, o que limita a concessão do benefício.

Izalci explica de que forma o projeto vai atuar na reconfiguração dos tipos de transporte para garantir os benefícios. “O que não existe no Estatuto é o transporte interestadual ou intermunicipal. Por exemplo, as regiões metropolitanas, que são as grandes cidades, normalmente têm uma parte que envolve outros municípios. Aqui no DF você tem todo o entorno. As passagens do entorno para cá são consideradas intermunicipais. Então a gente está criando o semiurbano para que essa área seja considerada diferente da interestadual, pois a passagem interestadual é muito cara. E não existe, legalmente, a obrigatoriedade da questão da gratuidade”, explicou.

O parlamentar tucano afirma que o problema do custo alto no transporte está presente ocorre em vários municípios, e reforça que esse é o primeiro passo para mudar essa situação. “Tem muita gente do entorno, no Goiás, que estuda em Brasília. Em Belo Horizonte, São Paulo e Rio, também envolvem muitos municípios e muitas vezes os estudantes tem que pagar o transporte interestadual, e fica muito caro. Então esse é o primeiro passo”, completou.

A proposta tramita em caráter conclusivo na Câmara, ou seja, dispensa a deliberação do plenário, e já foi aprovada pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara. A matéria deve passar ainda pelas comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça.

GDF leva Cidades Limpas ao Guará e anuncia que escola técnica fica pronta este ano

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A partir desta segunda-feira (24), e pelas próximas duas semanas, o Guará recebe o Cidades Limpas. Articulado pela Secretaria das Cidades, o mutirão vai reunir diversos órgãos do governo de Brasília para levar ações de limpeza, conservação e revitalização à região. A iniciativa está em sua 13ª edição.

Hoje, logo pela manhã, a Praça da Moda, Quadra QE 40, já contava com as equipes de trabalho a postos para iniciar a operação, composta por 157 trabalhadores. Na quarta-feira (26), elas começarão a remover as carcaças de automóveis abandonados nas ruas da região.

“Além do empenho do governo, contamos com o esforço da população, que será responsável por manter a conservação dos serviços”, destacou o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, durante o lançamento do programa.

Com a ajuda da população, a Administração Regional do Guará mapeou 53 carcaças e comunicou aos donos para que providenciem a retirada. O prazo foi de 15 dias. Caso a determinação não seja cumprida antes do dia da ação, o Departamento de Trânsito (Detran) está autorizado recolher os veículos abandonados.

Todas as carcaças serão removidas para o pátio da administração, na Área Especial do Cave.

Como recuperar os veículos recolhidos

O proprietário que quiser reaver o veículo precisa levar a documentação à administração regional, assinar o termo de responsabilidade e pagar a taxa de uso de área pública tabelada pela Secretaria de Fazenda.

O cidadão que identificar veículos abandonados nas ruas da cidade poderá acionar os canais oficiais de comunicação da Ouvidoria-Geral do DF pelo telefone 162, via internet: www.ouvidoria.df.gov.br ou pessoalmente na administração, ao lado da Feira do Guará, de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas.

Outra ênfase do programa é manter em queda os índices de contaminação da dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também causador da zika e da chikungunya. “É um momento para intensificar o trabalho das administrações em cada região”, disse o secretário das Cidades, Marcos Dantas.

Escola técnica

Durante a abertura do programa Cidades Limpas, o governador Rodrigo Rollemberg avisou que o Executivo local segue com obras importantes na região. Entre as principais, ele destacou a construção da Escola Técnica do Guará. “É um espaço que vai aliar as atividades formais ao ensino profissionalizante, que pretendemos inaugurar ainda neste ano”, afirmou.

Ele também ressaltou as entregas dos terminais rodoviários do Guará I e do Guará II. Por fim, falou do processo de retirada de ocupações irregulares do Parque Ecológico Ezechias Heringer, que vai promover “melhor qualidade de vida para os moradores da região com a entrega de um espaço voltado exclusivamente para o lazer e para a preservação ambiental”.

Reconhecer autonomia da advocacia pública não criaria outro Ministério Público

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Segundo o presidente da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo (Apesp), Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo, a principal dificuldade é demonstrar que procuradores de estados e dos municípios não “querem ser outro Ministério Público” nem agir por conta própria, tornando cada procuradoria “ingovernável”. “Na realidade toda solução continuará indo para o chefe do Executivo, mas com garantia de que foi formulada da maneira mais técnica possível”, afirma.

Ex-procurador-geral do Estado (2007-2010), Nusdeo garante que não há “interferências” no trabalho dos procuradores em São Paulo. Mesmo assim, defende que a chamada PEC da Autonomia é necessária para assegurar o trabalho da advocacia pública pelo país e também orçamento próprio para a Procuradoria-Geral do Estado gerir verbas.

Esse novo cenário poderia resolver uma das demandas da Apesp na esfera local: a contratação de novos procuradores e a criação de uma carreira de apoio — profissionais que cumpririam tarifas administrativas, como anexar petições. A dificuldade econômica dos governos, para Nusdeo, não impede que a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) atenda à demanda: “em época de crise, a procuradoria é a solução, não o problema”, afirma, com base em processos de recuperação de receitas.

A Reforma da Previdência também é um tema que preocupa a associação. Na terça-feira (18/4), o presidente da Apesp viajou a Brasília para discutir o tema na Câmara dos Deputados. Ele é contra a idade mínima de 65 anos — presente na proposta original, que agora já pode ser flexibilizada — e reclama de regras diferentes entre servidores antigos e jovens.

Apesar das críticas, Nusdeo avalia que o presidente Michel Temer (PMDB) “está no caminho de tentar” resolver problemas do país. Ele se prepara para ser o anfitrião do 43º Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, entre 11 e 14 de setembro. O tema é ambicioso: “Reflexões e Desafios da Advocacia Pública para a Superação da Crise do País e para o Fortalecimento da Democracia”.

Formado pela Faculdade de Direito da USP (1984) e mestre em Direito Constitucional (1994) pela mesma instituição, Marcos Nusdeo é professor de Direito Constitucional na Fundação Álvares Penteado (Faap) desde 2000.

Leia a entrevista:

ConJur — Quais os principais avanços no período em que o senhor está no comando da Apesp [desde 2016]?

Marcos Nusdeo — Eu costumo explicar o trabalho resumindo a atuação interna e a atuação externa. No primeiro campo, assumimos a associação em um momento de muita crise na Procuradoria-Geral do Estado, porque o trabalho aumentou vertiginosamente e o quadro de procuradores ficou defasado. Fizemos uma análise minuciosa do trabalho concreto nas diversas unidades da PGE e resolvemos atuar com as principais pautas dos procuradores naquele momento: abertura do concurso de ingresso e criação da carreira de apoio — sem profissionais da área administrativa, procuradores hoje precisam conciliar o trabalho jurídico com atividades como anexar petições no processo eletrônico e analisar precatórios de obrigação de pequenos valores.

Sobre as atividades externas, enfrentamos no ano passado um desafio muito grande, que foi o processo de renegociação das dívidas dos estados com a União. O chamado PLP 257 foi proposto pela anterior presidente da República [Dilma Rousseff] e, ao mesmo tempo em que possibilitava essa renegociação, incluía contrapartidas inconstitucionais para os entes que aderissem e ainda alterava diversos dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal, ao invés de discutir mudanças em um projeto de lei à parte. A Apesp e outras entidades conseguiram convencer deputados a mudarem o texto: o projeto que saiu da Câmara cuidava só da renegociação da dívida e tirou as contrapartidas inconstitucionais. No Senado, essas mesmas contrapartidas voltaram, mas o projeto saiu enxuto, tratando só de renegociação da dívida, e virou a Lei Complementar 156/2016 [sancionada em dezembro pelo presidente Michel Temer]. Nós, como procuradores do Estado, temos que zelar pelo cumprimento das normas constitucionais que garantem autonomia aos Estados.

Também atuamos no Congresso Nacional para defender a Proposta de Emenda Constitucional 82, que reconhece autonomia técnica, administrativa, orçamentária e financeira às carreiras da advocacia pública.

ConJur — Essa PEC da Autonomia já tramita há anos…

Marcos Nusdeo — Dez anos, desde 2007. A proposta já foi aprovada na comissão especial [em 2014] e está pronta para ir ao Plenário da Câmara. Estamos trabalhando para conseguir consenso quanto ao conteúdo, com paciência e persistência. O grande problema — e por isso nossa atuação no ano passado — é que foi muito mal compreendida pelos parlamentares. Muitos tinham a impressão de que procuradores de estados e dos municípios querem ser outro Ministério Público.

ConJur — Qual a diferença?

Marcos Nusdeo — O Ministério Público tem aquilo que se chama autonomia funcional: cada membro tem autonomia para buscar o que entende ser a solução jurídica mais aplicável ao caso. Nós estamos pleiteando autonomia técnica, um mecanismo de evitar eventuais e indesejáveis interferências externas. Por exemplo, assegurar constitucionalmente que as procuradorias vão dar a solução técnica mais apropriada.

ConJur — Sem depender do chefe do Executivo?

Marcos Nusdeo — Na realidade toda solução continuará indo para o chefe do Executivo, mas com garantia de que foi formulada da maneira mais técnica possível. É uma forma de garantir segurança ao Poder Executivo, demonstrar a existência de advogados públicos altamente qualificados para estudar a saída técnica adequada a cada caso. Isso é confundido, infelizmente, com autonomia funcional, no achismo de que a procuradoria ficaria ingovernável, de que cada procurador agiria com a sua cabeça… Então nós desmistificamos, preparamos até uma cartilha importante mostrando os benefícios da emenda constitucional à sociedade.

ConJur — Quais são hoje essas interferências indesejadas?

Marcos Nusdeo — Em São Paulo seguramente não há interferências externas. Mas não se pode ter certeza de que isso não exista em outros estados ou em outros municípios. Por isso é importante garantir a autonomia na Constituição e evitar tratamento diferente das outras carreiras jurídicas essenciais à Justiça, reconhecendo o advogado público no mesmo patamar do Ministério Público, da Defensoria Pública e da magistratura. Com autonomia administrativa, técnica, orçamentária e financeira, nós estaríamos em outro patamar de administração da procuradoria.

ConJur — A Apesp está pleiteando que o governo estadual abra concurso para novos procuradores. Caso a PEC seja promulgada, a PGE teria poderes para definir isso por conta própria?

Marcos Nusdeo — Basicamente seria isso. A emenda dotaria a Procuradoria-Geral do Estado de uma verba adequada, para se autogerir, o que traria um ganho de resultado muito maior.

ConJur — Por que é necessário abrir novas vagas?

Marcos Nusdeo — Nós tínhamos um quadro original de 1.033 cargos, e a nova lei orgânica da PGE criou mais 170 em 2015, reconhecendo que era necessário aumentar o pessoal. O quadro total hoje é 1.203 pessoas, mas temos vagos 329, somando cargos novos e os que vagaram nos últimos quatro anos. O número representa 1/4 da nossa carreira. Ao mesmo tempo, ocorreram dois fenômenos nesses últimos anos: aumento da judicialização e processos mais céleres, com o processo eletrônico. Aumentou o número de conflitos, aumentou a velocidade de andamento dos processos e diminuiu o número de procuradores.

ConJur — Existe possibilidade real com todos os estados quebrando pelo Brasil afora?

Marcos Nusdeo — Costumamos dizer que, em época de crise, a procuradoria é a solução, não o problema. A procuradoria, como todos sabem, tem basicamente duas funções: cuida da parte contenciosa e da parte consultiva do Estado. Então, na realidade, o procurador do Estado ajuda na recuperação de receitas e viabiliza políticas públicas. Nos últimos quatro anos, a nossa arrecadação ultrapassou R$ 12 bilhões. Imagine com mais procuradores quanto mais a gente poderia trazer. Eu ousaria dizer que nós poderíamos aumentar esse número em cerca de 50%.

ConJur — Compreendemos a função da carreira, mas o senhor acredita que há espaço no governo para essa discussão agora?

Marcos Nusdeo — Nós estivemos com o governador em março do ano passado e ele entendeu perfeitamente a nossa demanda, apenas disse que esperaria para analisar os efeitos da crise na época, que acabou sendo devastadora. Nós sabemos disso, houve uma perda brutal de arrecadação nos estados. Agora, a economia já dá mostras de estar se recuperando. E estamos pleiteando a abertura do concurso de ingresso, o primeiro procedimento. A posse seria só em 2018.

ConJur — Gestões anteriores da Apesp já tiveram atritos com a PGE. A relação é harmônica hoje? A PGE tem respondido às reclamações da entidade?

Marcos Nusdeo — A Apesp tem levado vários pontos ao gabinete do procurador-geral e, na realidade, vejo que ele está atendendo em doses homeopáticas. O papel da associação é levar todos os pontos à procuradoria, lembrar que, quando o procurador trabalha bem, o resultado é positivo para o interesse público, para toda a sociedade.

ConJur — O interesse do estado é sempre o interesse público?

Marcos Nusdeo — Sim!

ConJur — Mesmo na área tributária?

Marcos Nusdeo — O estado vive de rendas públicas previstas na Constituição, ou seja, a adequada arrecadação de tributos é que possibilita que o estado faça uma série de atividades. O não recolhimento de tributos prejudica a população.

ConJur — Mas o excesso de tributos também não prejudica a população?

Marcos Nusdeo — Nosso sistema tributário pode ser aperfeiçoado. Agora, essa é uma discussão de fundo. Fui questionado se a arrecadação de impostos é de interesse público, e é claro que sim. É graças a isso que o estado sobrevive. Caberá ao legislador formatar o melhor sistema tributário possível. Esse debate já começou, já se vislumbra pelo menos uma discussão sobre reforma tributária.

ConJur — E a guerra fiscal entre estados, como será resolvida?

Marcos Nusdeo — Guerra fiscal não traz resultados positivos para o país nem para o próprio estado, em médio prazo. Alguns governadores já estão retirando esses incentivos, perceberam a perda brutal da receita. A verdadeira solução da guerra fiscal deve ocorrer na reforma tributária. Se todos perdem, é preciso buscar agora uma solução em conjunto.

ConJur — Então o fim não será por meio do Judiciário?

Marcos Nusdeo — Acho que será por via legislativa.

ConJur — Quando Michel Temer assumiu a Presidência, quase um ano atrás, a Apesp publicou nota desejando que ele alcançasse a paz, a harmonia e a justiça social no Brasil. O senhor acha que esse cenário já chegou?

Marcos Nusdeo — Governar sempre é difícil. A gente desejou francamente que ele entregasse um Brasil melhor do que aquele Brasil que estávamos vivendo naquela ocasião. Eu acredito que ele está no caminho de tentar fazer isso.

ConJur — Inclusive com a proposta de Reforma da Previdência?

Marcos Nusdeo — Este é o grande tema do momento. Tem sido acompanhado pela Apesp, faz parte da nossa atuação externa. É uma proposta que realmente abrange um conjunto muito grande de normas e que deveria ser o ponto de partida, não o ponto de chegada. O texto apresentado foi aquele que o presidente da República, ouvindo seus técnicos, entendeu ser adequada para enviar ao Congresso Nacional. Quem tem o poder de aprovar uma emenda é só o Legislativo. Então nosso trabalho tem sido demonstrar aos parlamentares a importância de aperfeiçoamentos nesse texto.

ConJur — Então a associação é favorável a uma reforma, mas discorda de alguns pontos?

Marcos Nusdeo — Na realidade, existe um consenso no Brasil de que alguma reforma precisa ser feita. Eu, particularmente, posso lhes assegurar que as regras das emendas 20/1998 e 41/2003, já fecharam uma série de brechas que existiam no sistema. Então, a atual reforma basicamente quer discutir qual vai ser o benefício dos futuros aposentados, e pelo menos dois pontos merecem aperfeiçoamento.

Primeiro ponto: regra diferente para servidores. A proposta do governo prevê uma regra de transição específica para servidores homens que, no regime próprio, tenham 50 anos ou mais, além de servidoras com idade maior ou igual a 45 anos. Todos teriam um pedágio sobre o tempo de contribuição restante. O que o Congresso deve discutir é se o pedágio proposto, de 50% do tempo de contribuição que falta, é adequado ou não. Agora, quem estiver abaixo dessa faixa etária será tratado com uma regra lotérica, totalmente diferente: aposentadoria por idade, com mais tempo de contribuição e benefício menor. Então o que estamos pleiteando é que essa regra do pedágio seja igual para todos os servidores. Quem tivesse mais tempo de contribuição teria um pedágio menor. Os mais jovens, com menos tempo, teriam um pedágio maior. Mas me parece justo que seja uma regra igual para todo mundo.

Segundo ponto que seguramente precisa de aperfeiçoamento: para servidores que não entrarem na regra de transição, o provento vai ser uma proporção com base em valor pré-definido de 51% do salário, acrescido de um ano por tempo de contribuição. Então a nova média é basicamente a seguinte: se a pessoa tiver 65 anos e 25 anos de contribuição, a soma será 51% mais 25%, chegando a 76%. É muito baixa! Estamos falando de pessoas que contribuíram a vida inteira e, no caso de servidores, vão continuar contribuindo porque existe a contribuição previdenciária de inativos.

Há ainda um terceiro ponto: a proposta quer proibir o recebimento de mais de uma aposentadoria ou uma aposentadoria com pensão. Esse tema também poderia ser melhorado.

ConJur — O serviço público é um dos principais responsáveis por causar um buraco na Previdência?

Marcos Nusdeo — A grande questão é a seguinte: o servidor que contribui por 25 anos no serviço público e continua contribuindo como inativo, enquanto viver, seguramente paga a sua aposentadoria. Acontece que no passado, como falei anteriormente, existiam brechas. E aí pessoas do serviço público se aposentaram com idade razoavelmente mais baixa. Com a norma hoje em vigor existe uma combinação de tempo mínimo de contribuição e idade mínima que faz com que as pessoas se aposentem em uma idade bastante razoável.

ConJur — Deve ficar na mão dos estados adotar regras para os servidores, como propôs o governo federal?

Marcos Nusdeo — Esse é um ponto que não está muito claro, porque toda a parte do regime previdenciário dos servidores já tem normas constitucionais, no artigo 40. Me parece que o mais importante seria pensar em regras únicas e adequadas para os servidores, que dessem segurança. E eventualmente deixar para os estados alguns pontos específicos, não toda a regulamentação.

ConJur — O senhor é a favor ou contra a idade mínima de 65 anos, sugerida na proposta inicial?

Marcos Nusdeo — Pessoalmente, acho uma idade excessiva.

ConJur — Ainda sobre projetos de lei, a Apesp concorda com a proposta que busca liberar advogados públicos a exercerem advocacia privada?

Marcos Nusdeo — A posição institucional da Apesp é a de fomentar o debate entre os seus associados.

ConJur — A Apesp não tem posição, mas e o presidente?

Marcos Nusdeo — Farei aquilo que os meus associados entenderem o melhor.

ConJur — Do período que o senhor foi procurador-geral, há cerca de sete anos, até hoje, as grandes pautas na PGE são as mesmas?

Marcos Nusdeo — Eu acho que hoje em dia existe mais consenso com relação à necessidade da diminuição da litigiosidade. Não tem sentido todo mundo brigar por todas as coisas, o que gera décadas de espera.

ConJur — O Estado deve desistir mais de ações?

Marcos Nusdeo — Esse é o grande ponto. Para mim, causas já decididas pelo Supremo Tribunal Federal deveriam pacificar definitivamente a questão, inclusive em âmbito interno.

ConJur — São Paulo se prepara para receber, em setembro, o 43º Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. Qual a importância desse evento?

Marcos Nusdeo — Será um momento importantíssimo para a advocacia pública brasileira e paulista. Esse congresso se realiza anualmente, junto com a Associação Nacional dos Procuradores (Anape). O estado de São Paulo sediou pela última vez em 1998, em Campos do Jordão. Advogados públicos poderão discutir e refletir sobre os desafios para a superação da crise e o fortalecimento da democracia. Porque, num cenário de crise, o advogado público é a pessoa por excelência preparada para buscar caminhos. Conhece como ninguém o estado e as possíveis soluções dos problemas.

Câmara terá semana agitada com debates e início de votações de reformas

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A Câmara dos Deputados terá uma semana bastante movimentada com discussões e o início das votações das reformas propostas pelo governo ao Congresso: a trabalhista e a previdenciária. Além das duas pautas, os deputados devem concluir a votação dos destaques apresentados ao projeto que trata da recuperação fiscal dos estados superendividados, retomar a discussão da reforma política na comissão especial e também eleger os dirigentes da Comissão Mista de Orçamento para iniciar a apreciação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano que vem.

No plenário, os trabalhos começam na segunda-feira (24), com sessão deliberativa às 15h para a discussão e votação da Medida Provisória (MP) 752/16, que cria regras para a prorrogação e a relicitação de contratos de concessão com parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário. A MP está trancando a pauta da Casa e, com isso, impedindo a votação de outras matérias em sessões ordinárias da Câmara.

Já a votação dos destaques que visam modificar o projeto de recuperação fiscal dos estados em situação de calamidade financeira está prevista para terça-feira (25). O texto-base foi votado na última semana, quando também foram rejeitados alguns destaques que pretendiam retirar as contrapartidas dos estados para aderirem ao programa de recuperação. No entanto, ainda há dispositivos a serem apreciados que pretendem subtrair do texto principal a exigência de privatização de estatais e a proibição de realização de novas despesas com pessoal, como contratações, reajustes e auxílios, dentre outras.

Reformas

Na terça-feira (25), começa a fase final dos debates das reformas trabalhista e previdenciária nas comissões especiais criadas para analisar o mérito das duas propostas. Depois de muitas idas e vindas, na última quarta-feira (19), o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, que trata da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), apresentou o relatório final para ser discutido e votado na comissão e depois no plenário da Câmara. Ficou acertado entre a oposição e aliados do governo que os debates em torno do relatório serão realizados na terça (25), quarta (26) e quinta-feira (27), para que a votação do texto na comissão se inicie no dia 2 de maio.

Em fase mais adiantada de apreciação está a reforma trabalhista, que teve o regime de urgência aprovado e deverá ser votada já quarta-feira (26) em plenário. Mesmo não havendo necessidade de ser votada na comissão especial, uma vez que tramita em regime de urgência, a proposta deverá ser apreciada na terça-feira pelo colegiado. O relator Rogério Marinho (PSDB-RN) prometeu aceitar emendas ao texto que havia apresentado há duas semanas até o final da tarde de segunda-feira. Na sequência, ele deverá apresentar um novo substitutivo.

Orçamento

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso tem reunião marcada para quarta-feira, às 14h30, destinada à eleição do presidente e dos três vices do colegiado. Já foram feitas várias tentativas de eleição dos dirigentes da mesa diretora da CMO. No entanto, a definição não foi possível porque o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), ainda não indicou os senadores do partido que irão compor o grupo. Pelas regras da Casa, a presidência da comissão deverá ser ocupada por um senador do PMDB. Só depois da eleição é que serão escolhidos os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e do Orçamento Geral da União.

Reforma política

A comissão especial que analisa a reforma política tem reuniões marcadas para quarta e quinta-feira para continuar a discussão da proposta. A ideia é debater e votar o relatório do deputado Vicente Candido (PT-SP) que prevê a apresentação de um projeto de resolução para disciplinar a tramitação dos projetos de lei de iniciativa popular na Câmara. Outros relatórios apresentados pelo relator ainda estão sem data para apreciação. Eles tratam da unificação dos prazos de desincompatibilização eleitoral, registro de candidaturas, convenções partidárias e medidas para reduzir o custo das campanhas eleitorais.

Datacenter do GDF ganha mais espaço para hospedar sistemas e serviços

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Com capacidade de armazenamento de 2,5 petabytes, nova central que guarda máquinas e dados da rede corporativa será inaugurada na terça (25). Segurança e desempenho também foram aumentados

O governo de Brasília inaugura na terça-feira (25) um datacenter (central que guarda máquinas e dados da rede corporativa) com mais espaço físico e o dobro da capacidade de hospedagem de sistemas e serviços.

A área útil dobrou de tamanho — de 130 para 260 metros quadrados —, e a capacidade de armazenamento agora é de 2,5 petabytes.

Localizado no primeiro andar do edifício da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), o novo datacenter é responsável por atender cerca de 30 mil servidores públicos que acessam a internet e os sistemas corporativos do Executivo local todos os dias, de forma simultânea.

De acordo com a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, a expansão do datacenter — projeto estratégico da pasta e parte do acordo de resultados — vai melhorar o desempenho, a disponibilidade e a segurança dos mais de 150 sistemas e 148 websites corporativos nele hospedados.

Alguns deles são essenciais para o funcionamento do governo de Brasília e para a população, como o Portal da Transparência, o Na Hora, o Portal do Voluntariado e o Sistema de Bilhetagem Eletrônica da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF).

Ainda segundo o Planejamento, a ampliação da central viabilizou a expansão da rede corporativa GDFNet, que interliga 470 unidades governamentais. A pasta calcula que mais de R$ 7 milhões já foram economizados com essa conexão.

Com esse incremento da central de dados, as Secretarias de Educação e de Saúde substituíram contratos terceirizados pela rede governamental GDFNet. Foram contemplados escolas, hospitais e unidades de pronto-atendimento (UPAs).

Central de dados funciona ininterruptamente

O datacenter é responsável por atender toda a administração direta e indireta. Funciona ininterruptamente, com monitoramento eletrônico e controle de acesso, geradores próprios de energia e subsistemas com redundância. Tudo isso para garantir a disponibilidade dos serviços e sistemas corporativos.

Desde 2009, com a publicação do Decreto nº 30.034, o datacenter reuniu os principais serviços que desempenham papel de servidor de aplicação ou de banco de dados de interesse do Executivo local.

O projeto de ampliação de uma central de dados do governo própria está em andamento desde 2011, mas só avançou nesta gestão. Isso permitiu que o ambiente corporativo hospedasse, com segurança e qualidade, mais sistemas e serviços do Estado.

Polícia Civil do Distrito Federal lança disque denúncia online 24 horas

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Moradores do Distrito Federal poderão denunciar ocorrências e suspeita de crimes pela internet, sem se identificar. Telefone 197 continuará recebendo informações

Do G1 DF – Começou a funcionar nesta sexta-feira (21), o disque denúncia online da Polícia Civil do Distrito Federal. Com o serviço, além do telefone 197, o morador do DF passa a contar com a internet para denunciar, 24 horas por dia, todo tipo de crime ou suspeita, sem a necessidade de se identificar.

O disque denúncia online oferece nove opções para que a pessoa encontre o tipo de crime que pretende relatar. Entre eles estão o tráfico de drogas, a violência contra a mulheres, crianças, idosos e maus-tratos a animais. O site tem imagens com cada situação para facilitar o acesso ao serviço e um guia de perguntas para facilitar a comunicação.

Segundo a Polícia Civil do DF, com o atendimento pela internet, o uso de e-mail, o telefone 197 e o WhatsApp, o brasiliense passa a ter várias formas de acesso à corporação podendo denunciar crimes em andamento, que estejam sendo planejados ou que já tenham ocorrido.

A polícia pede aos denunciantes que, para facilitar as investigações, procurem fornecer o maior número possível de informações, como endereço completo, ponto de referência, nomes, apelidos, características físicas, placas de veículos, vídeos e fotos.

Consumidor deve ficar atento a fatores que influenciam o preço da energia

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Diversos fatores podem influenciar a conta de luz e o consumidor deve estar atento às informações do setor para se programar e tentar economizar quando as condições estiverem menos favoráveis, como na vigência da bandeira vermelha, por exemplo, que encarece o preço da energia.

A fatura de eletricidade é composta por diversos itens, como o custo da geração de energia, da transmissão, além de impostos e encargos. Todos os anos, ela passa pelo processo de reajuste, que tem como objetivo corrigir os preços cobrados pelas distribuidoras. A cada quatro anos, em média, ocorre a revisão tarifária, quando são revistas as regras de cálculo das tarifas e a transferência dos ganhos de produtividade das distribuidoras. No ano em que há a revisão tarifária, não é aplicado o reajuste anual.

Tanto os reajustes quanto as revisões tarifárias são definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Recentemente, a agência tem estabelecido alguns percentuais negativos de reajustes, ou seja, o preço da energia para os clientes de algumas distribuidoras têm caído em vez de aumentar. Isso acontece quando a Aneel faz um ajuste dos valores que foram estimados no processo tarifário anterior.

Bandeiras

Além dos reajustes nas tarifas, desde 2015 a conta de luz sofre o impacto das bandeiras tarifárias, que refletem o custo de geração da energia. Quando chove menos, os reservatórios das hidrelétricas ficam mais vazios e é preciso acionar termelétricas para garantir o suprimento de energia no país. Nesse caso, a bandeira fica amarela ou vermelha, de acordo com o custo de operação das termelétricas acionadas.

Em abril, a bandeira tarifária em vigor é a vermelha patamar 1, que significa um adicional de R$ 3 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, explica que a bandeira tarifária não é um pagamento adicional, porque os consumidores já pagavam pelo uso das termelétricas, mas isso entrava no cálculo dos reajustes anuais. “Não é um pagamento adicional, é apenas mais alinhado no tempo com a realidade. Se você está acionando mais termelétricas hoje, está fazendo o pagamento tempestivamente, com a bandeira amarela ou vermelha.”

Indenizações

Outro fator que deverá aumentar a conta de energia nos próximos anos é o pagamento de indenizações às transmissoras de energia. O total, de R$ 62,2 bilhões, será pago pelos consumidores em oito anos. Em 2017, o impacto será de 7,17%, segundo a Aneel.

Conta de luz (Arquivo/Agência Brasil)
Conta de luz com aviso de bandeira vernelha
Essa indenização será necessária para remunerar os ativos das transmissoras de energia elétrica. A remuneração é uma gratificação paga pelos investimentos feitos pelas empresas que renovaram suas concessões antecipadamente em 2012, mas só recentemente a Aneel definiu como será feito o ressarcimento.

“Do ponto de vista do consumidor, isso é um incômodo absolutamente indesejável, mas é vital para a sobrevivência das empresas”, avalia Sales, lembrando que a indenização é uma consequência da Medida Provisória 579, que em 2012 determinou a renovação antecipada das concessões do setor elétrico.

Desconto

Por outro lado, os consumidores terão um alívio nas contas de luz de abril por causa da devolução de valores cobrados a mais no ano passado. Os percentuais de redução na tarifa que será aplicada em abril variam de 0,95% a 19,47% para 90 distribuidoras.

A devolução vai ocorrer porque o custo da energia proveniente da termelétrica de Angra 3 foi incluído nas tarifas do ano passado, mas a energia não chegou a ser usada porque a usina não entrou em operação. O valor total a ser devolvido será de R$ 900 milhões.