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Caixa 2 generalizado é “opinião” da Odebrecht, diz presidente Temer a EFE

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O presidente da República, Michel Temer, disse neste sábado (22) em entrevista à agência EFE que um suposto uso universal da prática conhecida como caixa 2 nas eleições brasileiras é “uma opinião” da empreiteira Odebrecht. O ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, afirmou em depoimento à Polícia Federal que não existe, no Brasil, nenhum político eleito para cargo público sem o uso dessa prática.

“Acho que é uma opinião. A Odebrecht é que acha que todos os políticos se serviram do caixa 2. Aliás, ao assim se manifestarem, dizem que eles são os produtores do caixa 2. Eu conheço muitos políticos que não se serviam do caixa 2 para se eleger. Eu fui presidente de um partido [PMDB], o maior partido do país durante 15 anos, e as contribuições chegavam oficialmente pelo partido”.

Temer descartou ainda que a delação da Odebrecht vá atrapalhar a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência no Congresso Nacional. Após a delação, foi pedida a abertura de inquéritos para investigar ministros do seu governo, além de deputados e senadores da oposição e da base aliada.

“Quando um delator fala, há o início de um processo que nem ainda é um processo judicial. Muitas vezes é um inquérito de natureza administrativa. Depois pode dar-se a hipótese do inquérito judicial, e depois é que o Ministério Público vai verificar se denuncia ou não. E o Judiciário vai dizer se recebe ou não a denúncia”, enumerou Temer, que reafirmou ter estabelecido uma “linha de corte”. “Quando alguém é denunciado pelo Ministério Público eu afasto provisoriamente o ministro. Se depois a denúncia for aceita [pelo Judiciário] eu afasto definitivamente”, acrescentou.

Previdência

Ainda sobre as reformas em tramitação no Congresso, Michel Temer disse acreditar que após os ajustes articulados com o relator na Câmara dos Deputados, Arthur Maia (PPS-BA), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que trata da Previdência, será aprovada.

“Com essas adequações, a impressão que nós temos é que vai ser possível aprovar a reforma. Eu, claro, faço tudo pautado por uma equipe econômica”, afirmou o presidente. Segundo ele, com a suavização da reforma da Previdência, a redução do déficit previdenciário nos próximos dez anos cairá de R$ 820 bilhões para R$ 600 bilhões. Para Temer, mesmo com a redução no volume economizado a reforma é “útil” porque contribuirá para um país “mais organizado” em 2019.

O presidente disse ainda que as manifestações contra seu governo são de “natureza política” e que, por isso, “dá pouca atenção” ao tema. “A oposição é muito organizada. E, neste sentido, a oposição até está legitimada a fazer este movimento. Eu dou pouca atenção a isso, porque eu faço uma distinção muito grande entre atos populistas, que são irresponsáveis, e o ato popular”, disse.

Segundo Temer, as mudanças que sua gestão está promovendo se enquadrariam no conceito de ato popular. “O ato popular é aquele em benefício do povo e demanda um certo período para ser reconhecido. O que eu estou praticando não são atos populistas, são atos populares. As reformas pesadíssimas que estou fazendo para preparar para o futuro são o oposto dos gestos populistas. Então, em um primeiro momento, elas assustam”, disse o presidente.

À QUEIMA-ROUPA: Entrevista Júlio César Reis, presidente da Terracap

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Por Helena Mader, do CB Poder 

Na semana passada, o balanço da Terracap indicou que a construção do Estádio Mané Garrincha provocou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão à empresa. É possível reverter esse quadro?

A Terracap está se reestruturando para dar a volta por cima. A construção do estádio gerou um rombo bilionário. A empresa sempre alavancou seus empreendimentos com recursos próprios. Atualmente, estamos indo ao mercado financeiro para buscar recursos e honrar com a infraestrutura de empreendimentos lançados e vendidos em gestões passadas, quando vivíamos o auge do mercado imobiliário. Esses recursos foram utilizados no estádio. Os empréstimos servirão também para alavancar novos empreendimentos da companhia. Estamos ainda reduzindo em 30% o quadro de servidores por meio de um PDI.

 

Quais empreendimentos são as apostas da empresa?

A venda direta, principalmente de lotes dos condomínios da Etapa 2 do Setor Jardim Botânico, e a segunda etapa do Setor Noroeste, além do Trecho 2 do Taquari. No caso do Noroeste, essa etapa foi lançada pela Terracap no fim de 2013, mas a infraestrutura não foi feita. Vamos concluir essa pendência para comercializar as demais unidades das quadras 103 a 107. Parte da segunda etapa já chegou a ser vendida, mas não foi totalmente ocupada porque houve as licitações sem obras de infraestrutura. A Terracap vai honrar esse compromisso, que deveria ter sido cumprido até 2014.

 

A transferência dos índios que ainda vivem no bairro está concluída?

Temos acordo com duas das três etnias, mas estamos perto de fechar um acerto com a terceira etnia. Parte deles será transferida para a área ao lado do viveiro de mudas da Novacap, no SOF Norte, e outros pretendem voltar para o seu local de origem.

 

A Terracap vai investir em parcerias para melhorar os resultados?

A Terracap lançou recentemente o edital para a Granja do Torto. A licitação foi suspensa pelo Tribunal de Contas, mas esperamos em breve reverter isso. Temos total segurança de que os procedimentos adotados pela empresa foram adequados. Temos ainda o Biotic, que é um parque de tecnologia da informação e biotecnologia, estamos em processo de contratação do agente financeiro que vai estruturar o fundo de investimentos e distribuir os títulos.

 

E a PPP do estádio? O Mané Garrincha vai deixar de ser um elefante branco?

O projeto chamado Arenaplex engloba, além do estádio, o ginásio Nilson Nelson e o complexo aquático Cláudio Coutinho. Já recebemos o modelo de negócios da empresa que foi habilitada e estamos analisando essa documentação, para submetê-la ao Tribunal de Contas até maio. A expectativa é lançar o edital de licitação em julho. Com isso, será possível que o Mané Garrincha sirva de palco para uma maior quantidade de ventos esportivos e culturais, de maneira mais adequada.

 

O que muda na gestão daqui para a frente?

A atual gestão da Terracap e o governo estão focados na governança e na transparência. Existem diversos desafios a serem enfrentados e resolver o balanço era um deles. As contas da Terracap devem retratar a real situação da empresa, para que ela possa ser compreendida e acreditada. Com aprovação do balanço, demos um passo importante nesse sentido.

Campanhas presidenciais de 2014 receberam R$ 37 mi em caixa 2

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Os executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht afirmaram, em depoimentos de delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, que a empresa repassou R$ 37 milhões em doações irregulares, o chamado caixa 2, para a campanha presidencial de 2014.

De acordo com levantamento feito pela Agência Brasil a partir dos depoimentos de cinco delatores, as campanhas eleitorais presidenciais do PT, do PSDB e do PSC, em 2014, tiveram R$ 24 milhões, R$ 7 milhões e R$ 6 milhões, respectivamente, em repasses ilícitos. Parte das doações irregulares era feita em espécie e repassada em mochilas durante encontros entre mediadores da empresa e dos partidos.

Os valores foram detalhados pelos ex-executivos da companhia, que tiveram os depoimentos homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste ano. Na semana passada, com base nas delações premiadas, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, determinou a abertura de inquéritos para investigar os políticos com foro privilegiado na Corte citados nos depoimentos.

Responsável pelas maiores negociações, o ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, conta que, após acertar os valores com partidos e candidatos que receberiam apoio, as doações eram operacionalizadas entre seus subordinados e representantes dos candidatos. De acordo com ele, como havia um limite para doação oficial, a Odebrecht sempre recorria ao caixa 2 para concretizar os repasses acertados previamente.

O ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, Alexandrino Alencar, descreveu como foi feito o acerto para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT). Ele disse que combinou com o então coordenador financeiro da campanha, Edinho Silva, o repasse de R$ 35 milhões a serem distribuídos igualmente a cinco partidos para que apoiassem o PT. O objetivo era o “aumento do tempo de horário eleitoral na televisão” que, conforme Alexandrino, teve incremento de um terço após os pagamentos feitos ao PROS, PRB, PCdoB, PDT e PP.

Do valor acertado, os delatores indicam que R$ 24 milhões foram de fato repassados. O ex-diretor da Odebrecht em Salvador, Hilberto Mascarenhas Silva, conta ter recebido, em julho de 2014, um e-mail de Marcelo Odebrecht autorizando o pagamento, a ser “debitado na conta pós-Itália”, que era uma espécie de crédito que o governo federal e o PT tinham com a construtora, e que ia sendo abatido conforme os pedidos. Documentos fornecidos pelos delatores ao Ministério Público Federal (MPF) indicam que R$ 5 milhões foram repassados ao PROS, R$ 2 milhões ao PDT, R$ 5 milhões ao PRB e R$ 7 milhões ao PCdoB, além de R$ 5 milhões ao marqueteiro da campanha do PT, João Santana, que está preso.

De modo mais genérico, os delatores indicam que outros pagamentos foram feitos a João Santana no exterior, mas não são detalhados os valores nem os períodos. Em um dos depoimentos, Marcelo Odebrecht detalha também os repasses feitos de forma oficial. “Para a campanha de 2014, teve a doação oficial, se não me engano de R$ 5 milhões no primeiro turno e de R$ 2 milhões no segundo turno, que saiu dessa conta. Teve uma doação que a gente fez de R$ 5 milhões para o Comitê do PT, que depois foi para a campanha dela, já combinado com o Edinho. Houve também doações para João Santana, os pagamentos por fora”, disse o ex-presidente da companhia.

Os repasses para campanha de Aécio Neves à Presidência também envolveram valores direcionados a outros partidos, além do PSDB. Os delatores afirmaram que Marcelo Odebrecht havia combinado com o tucano uma doação de R$ 15 milhões, que acabou não ocorrendo porque, de acordo com ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, “eles não queriam receber o pagamento lá fora”. O ex-executivo da empresa descreve que R$ 3 milhões foram pagos em várias parcelas de R$ 250 mil, entre maio e setembro de 2014; e que outros R$ 3 milhões, em três parcelas de R$ 1 milhão, também no mês de setembro.

Então vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, disse que outro R$ 1 milhão foi repassado ao DEM, partido que apoiou o PSDB nas eleições de 2014. De acordo com Marcelo Odebrecht, outros valores chegaram a ser repassados ainda na época da pré-campanha.

“A partir daí, dentro da nossa lógica empresarial, de que campanha presidencial era comigo, eu comecei a definir os valores de pagamento. Eram R$ 500 mil por mês por dez meses pré-campanha e que foram operacionalizados antes da abertura do comitê dele. Esse foi o valor que eu acertei com o Aécio. Depois fizemos uma doação oficial, de R$ 5 milhões, mais ou menos o mesmo valor que a gente deu para a Dilma”, disse Marcelo Odebrecht aos investigadores.

Já a campanha de Pastor Everaldo (PSC) teve R$ 6 milhões em caixa 2, conforme os delatores. Nesse caso, o valor combinado era menor, de R$ 1 milhão, mas o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, conta que mais repasses foram solicitados pelo candidato.

Segundo o delator, o acerto envolvia também um pedido para que o candidato do PSC escolhesse Aécio Neves para fazer perguntas durante os debates presidenciais veiculados pela TV. “O procedimento insistente ocorreu várias vezes e terminamos pagando em torno de R$ 6 milhões em entregas no período eleitoral de 2014, tendo como propósito levar para os debates presidenciais a discussão da privatização. De fato, pude notar que o Pastor defendeu com veemência o discurso pró-privado, chegando a dizer que iria privatizar tudo o que fosse possível”, disse Reis em um de seus depoimentos.

Respostas

A assessoria de Dilma Rousseff disse que a então candidata “nunca autorizou” arrecadação de recursos por meio de caixa 2 para suas campanhas presidenciais. Em nota à imprensa no qual comenta supostos recebimentos de recursos por João Santana, Dilma afirma que as “únicas pessoas” aptas a captar dinheiro foram os tesoureiros das campanhas de 2010 e 2014, “em conformidade com a legislação eleitoral”.

“Nas duas eleições, a orientação de Dilma Rousseff sempre foi clara e direta para que fosse respeitada a legislação eleitoral em todos os atos de campanha. Ela nunca teve conhecimento de que suas ordens tenham sido desrespeitadas. Todos que participaram nas instâncias de coordenação das duas campanhas sempre tiveram total ciência dessa determinação”, informou. Ainda segundo a assessoria, Dilma “nunca manteve relação de amizade ou de proximidade” com Marcelo Odebrecht.

Então coordenador financeiro da campanha de Dilma, Edinho Silva voltou a afirmar que a arrecadação foi feita de maneira legal e que todas as doações foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. “É bom lembrar que a grande maioria dos partidos que apoiaram a campanha de Dilma em 2014 já participavam do governo (2010/2014), governavam ministérios, portanto, era natural que apoiassem a reeleição de Dilma/Temer”, afirmou o atual prefeito de Araraquara, também por meio de nota.

De acordo com a assessoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), o então candidato pediu apoio para as campanhas de “diversos candidatos”, na condição de dirigente partidário, “sempre na forma da lei”. Segundo o tucano, o próprio Marcelo Odebrecht afirmou na delação que as doações direcionadas a Aécio “nunca envolveram nenhum tipo de contrapartida”.

“O senador Aécio Neves foi um dos principais defensores do fim do sigilo sobre as delações e do aprofundamento das investigações, que considera fundamentais para comprovação das falsas acusações feitas a ele e para demonstração cabal da correção dos seus atos”, informou a assessoria.

Já Pastor Everaldo declarou que não recebeu recursos ilícitos e não autorizou que ninguém falasse em seu nome. Em mensagens na rede social Twitter, o então candidato disse que as afirmações de que ele teria sido pautado no debate presidencial são “sem pé nem cabeça”. “A campanha de 2014 custou menos de R$ 2 milhões. É um absurdo alguém dizer que recebi R$ 6 milhões”, disse.

Segundo Everaldo, em vídeo postado na internet, quem o acusou de receber a quantia “vai ter que apresentar alguma prova”. “O PSC faz campanhas modestas, com recursos legais. Essa é uma tentativa de calar a voz dos evangélicos na política. Não conseguirão”, afirmou.

Também em comunicado à imprensa, o PCdoB disse reafirmar sua “total confiança nos quadros” do partido, citados pelos delatores da Odebrecht. “Confiamos, ainda, em uma condução do processo que preserve as garantias individuais e o Estado de Direito, de modo que temos a mais completa convicção de que os processos serão arquivados”, afirmam na nota a presidenta nacional do partido, deputada Luciana Santos, e a líder do PCdoB na Câmara, Alice Portugal.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, negou que a inclusão do partido na chapa Dilma-Temer tenha envolvido repasse de recursos. De acordo com ele, a garantia da aliança se deu meses antes do período em que, segundo o delator, os pagamentos teriam sido feitos. “O PDT foi o primeiro partido político que declarou oficialmente apoio à chapa de Dilma Rousseff. Foi no dia 10 de junho de 2014, quando a então candidata Dilma Rousseff foi ao partido em ato público amplamente divulgado pela imprensa. Isso já comprova, diante das datas apresentadas pelo delator, que o anúncio aconteceu meses antes do suposto pagamento”, informou Lupi, acrescentando que iria tomar as medidas judiciais cabíveis para que o delator “comprove o que afirmou”.

O PRB, cujo presidente nacional, Marcos Pereira, é atualmente ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, também se manifestou sobre o conteúdo das delações. O partido afirma que não recebeu dinheiro proveniente de caixa 2 e que os pedidos de doações à Odebrecht foram feitos de acordo com as regras eleitorais, quando ainda era permitido arrecadação de recursos empresariais.

“No entanto, nenhum valor foi destinado ao partido. Vale lembrar que, à época, o PRB tinha apenas 8 deputados federais e o menor tempo de televisão entre os partidos que apoiaram a candidata do PT. A convenção que definiu o apoio ao PT aconteceu nas últimas horas do último dia possível, porque Marcos Pereira tentou até o fim levar o PRB para outro projeto, o que acabou não acontecendo por questões conjunturais”, informou a legenda.

De acordo com o PROS, todas as doações recebidas pela legenda foram “devidamente declaradas” à Justiça Eleitoral. “A direção nacional do partido desconhece as afirmações citadas e ratifica que suas movimentações financeiras estão dentro dos parâmetros estabelecidos pela justiça eleitoral”, informou a legenda.

Presidente Michel Temer parabeniza Brasília e exalta ousadia de JK

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O presidente Michel Temer parabenizou a cidade de Brasília, que fez 57 anos nesta sexta-feira 21). A declaração foi feita na conta do presidente no Twitter. Temer lembrou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, idealizador de uma nova capital no Planalto Central do país, e fez referência à ousadia deste em promover mudanças.

“Brasília nasceu de um ato de ousadia de JK. Celebrar o aniversário da cidade é celebrar a capacidade do brasileiro de reformar seu destino”, disse Temer.

Aniversário de Brasília

As atividades em comemoração ao aniversário da cidade começam ontem e ocorrem durante todo o fim de semana. A programação  também celebra os 30 anos de Brasília como Patrimônio Mundial e os dez anos do Museu Nacional.

A programação inclui nove artistas da cidade e três atrações nacionais, além da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. Os eventos têm entrada franca, classificação livre e custaram R$ 1,8 milhão ao governo local.

Cerca de 70% dos inquéritos abertos por Fachin envolvem caixa 2

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Dos 81 inquéritos abertos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, 71%, ou 58 inquéritos, tratam de acusações de pagamento de caixa 2, recursos não contabilizados pela Justiça e pagos a partidos e políticos a pretexto de campanhas eleitorais.

Já os 29% restantes (23 inquéritos) envolvem acusações de pagamento de propina para facilitar contratos e licitações da empreiteira Odebrecht com o Poder Público ou para aprovar medidas em tramitação no Congresso Nacional que beneficiariam a construtura.

Em parte dos inquéritos que tratam de caixa 2, os delatores especificam que os recursos estavam de alguma forma ligados a uma contrapartida, como futuros contratos com o Poder Público. Na maioria dos casos, a empreiteira esperava conseguir obras de saneamento básico.

O ex-diretor da empreiteira Alexandrino de Alencar afirmou, em delação, que o objetivo com os pagamentos de caixa 2 e também com doações oficiais era o crescimento do grupo Odebrecht.

“Na minha atividade o relacionamento político era fundamental para o desenvolvimento desse trabalho que visava o crescimento das empresas do grupo bem como trazer benefícios. E meu público-alvo nisso eram partidos políticos, políticos, agentes públicos. Sempre alinhado com a sistemática de contribuições financeiras e eleitorais”, explicou o ex-executivo.

Também em delação, o ex-presidente do grupo e herdeiro da empresa, Marcelo Odebrecht, explicou que muitas vezes o caixa 2 tinha como objetivo esconder de outros políticos o repasse de recursos para determinados candidatos.

“Eu estimo que ¾ das campanhas do Brasil eram [financiadas por] caixa 2. Às vezes você gostaria, para facilitar, de doar mais oficial, daria menos problema. Mas e a referência que você cria? Imagine a gente doar 2 milhões de reais para uma candidatura ao governo do Acre. Imagine quanto é que criaria de expectativa para um candidato a governador de São Paulo. Então, a questão do caixa dois virou um ciclo vicioso”, explicou o ex-presidente da Empreiteira, hoje preso pela Lava Jato.

Além das investigações sobre caixa 2, os inquéritos investigam também o pagamento de propinas para manter ou conseguir contratos com o Poder Público. Em 18 inquéritos, os pagamentos não eram associados às campanhas, mas eram ligados diretamente a licitações, como as obras de hidrelétricas no Rio Madeira, na região amazônica.

Há ainda cinco inquéritos que investigam o suposto pagamento de propina para editar medidas e projetos que beneficiariam a Odebrecht e aprová-los no Congresso Nacional. Como exemplo, a Medida Provisória 613, de 2013, que reduziu o pagamento de impostos do setor químico e da produção de etanol, trazendo ganhos ao grupo empresarial.

Os inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal investigam 108 pessoas, entre elas, oito ministros do governo, 24 senadores, 39 deputados federais e três governadores.

Festa dos 57 anos de Brasília é marcada pela mistura de ritmos

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Elba Ramalho fechou a primeira noite de shows em comemoração aos 57 anos de Brasília. Foto: Gabriel Jabur

Forró, maracatu, rock e reggae reuniram 4 mil pessoas na noite desta sexta (21) para comemorar o aniversário da capital federal. A cantora Elba Ramalho fechou a sequência de quatro shows

A celebração do aniversário de Brasília foi agitada na noite desta sexta-feira (21). O palco da Torre de TV recebeu quatro apresentações para homenagear os 57 anos da capital do País. Com apenas 4 minutos de atraso, às 18h04, a forrozeira Dona Gracinha da Sanfona abriu a sequência de shows. Em seguida, a banda Ciclone na Muringa trouxe a mistura de ritmos populares, como maracatu, coco e baião a sonoridades do rock e do reggae.

Às 20h10, a banda convidada Dê um Rolê, de São Paulo, fez um tributo aos Novos Baianos. Para fechar a noite, a cantora Elba Ramalho subiu ao palco às 22h01 com o show O Carnaval do Brasil. Atração principal do dia, ela disse que tem uma relação muito positiva com o público brasiliense. “Sempre que venho aqui, os teatros lotam”, brincou.

Elba Ramalho lembrou de quando participou da festa do Maior São João do Cerrado em Ceilândia no ano passado e disse se sentir honrada em cantar no aniversário da capital. “Sei que aqui tem uma comunidade nordestina muito grande e quero agradar quem gosta de forró.”

Os intervalos das atrações de hoje — haverá outras quatro no sábado — foram animados com o som do DJ Nagô.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, 4 mil pessoas aproveitaram a festa. Para garantir a segurança, a corporação mobilizou o efetivo de 129 PMs.

Durante toda a noite, houve registro de quatro ocorrências de porte e uso de entorpecente. Os infratores foram encaminhados à 5ª Delegacia de Polícia e liberados. Também houve um furto de veículo, e um motorista autuado por embriaguez no estacionamento da Torre foi liberado após pagar fiança.

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, destacou a diversidade de tendências na escolha dos músicos. “Tivemos o cuidado de pensar em uma festa com várias misturas, com os novos baianos, o pagode de São Paulo, as músicas do Raça Negra [que se apresenta neste sábado], o mais ‘interiorzão’ do Renato Teixeira [que toca na Praça dos Três Poderes no domingo] e a Elba, com um estilo que é único”, enumerou.

“Tudo isso é para fazer uma festa que seja a cara de Brasília, com estilos diferentes que representam as pessoas que compõem o sotaque desta cidade.”

A banda Dê um Rolê fez tributo aos novos baianos.
A banda Dê um Rolê fez tributo aos Novos Baianos. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Turistas e moradores da idade prestigiaram a festa

O bancário Geraldo Meneses, de 53 anos, mora em Brasília há 18 anos e conta que participa das festividades desde então. Este ano para ele foi ainda mais especial. O filho Rômulo Bagano, médico de 28 anos, que reside em Salvador (BA), aproveitou o feriado nacional de Tiradentes para estar com a família e trouxe a esposa, a médica Patrícia Fontes, de 29 anos. “Queríamos passar pela Torre, ver a vista do mirante, que ela não conhecia.”

Em Brasília há 40 anos, o casal de aposentados Iracema e Augusto Guedes, ambos de 64 anos, também subiu no mezanino para apreciar de cima as primeiras apresentações. Eles disseram que costumam ir a eventos nos espaços públicos da cidade.

Moradoras da capital há apenas um ano, as amigas Lizely Borges, de 34 anos, e Deborah Ribeiro Nogueira, de 27 anos, comemoram o aniversário de Brasília pela primeira vez e estavam empolgadas com a festa. “São shows que evocam uma memória do brasileiro. Tem uma música que a Elba canta que marcou muito um momento da minha vida, o meu casamento”, contou a jornalista Lizely.

Para a engenheira Deborah, o grande momento da celebração no fim de semana será neste sábado (22), com os pagodeiros do paulistano Raça Negra. As duas planejam participar dos três dias das festividades.

Comemoração vai até domingo

A festa de aniversário de Brasília continua no fim de semana. Às 18h20 deste sábado (22), as atrações começam com grupo Boi de Seu Teodoro, patrimônio cultural do DF. Depois, é a vez do Trio Siridó, com zabumba, triângulo e sanfona para o show de forró.

Ainda amanhã, a sambista Cris Pereira canta às 20h40, e os pagodeiros do Raça Negra fecham a noite às 22 horas. Nos intervalos entre as apresentações, o DJ Barata mantém a animação.

No domingo (23), a programação fica a cargo da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, que inicia às 17h30 o concerto especial para os 57 anos de Brasília. Os músicos estarão acompanhados de jovens de projetos musicais socioeducativos.

Artistas escolhidos por meio de chamamento público

Os artistas que se apresentam hoje e amanhã na Torre de TV foram escolhidos por meio de chamamento público. A seleção definiu atividades que vão até 29 de abril.

De acordo com a Secretaria de Cultura, foram destinados R$ 263 mil no chamamento público para as 28 atividades propostas na programação e mais R$ 10 mil na contratação do grupo Boi de Seu Teodoro.

O custo total para a contratação dos artistas nacionais será de R$ 327 mil. Ainda segundo a pasta, o valor total do evento, considerando gastos com infraestrutura, cachês, passagens aéreas e exposições, ficou em aproximadamente R$ 1,8 milhão.

PPP ou PQP?: A cada delação, casos picantes são relatados em minúcias

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Por Ruth de Aquino, da revista Época- A megaconspiração entre empreiteiros e políticos no Brasil conseguiu desmoralizar a Parceria Público-­Privada. A PPP seria excelente instrumento para melhorar a vida de centenas de milhões de pessoas. Em infraestrutura, transporte, metrôs, estradas, portos, aeroportos, moradia, saneamento, escolas, hospitais, urbanização de favelas. Que desperdício. Tudo contaminado pela ganância e pela falta de caráter de “serial-robbers” no Poder.

Graças à Operação Lava Jato – que a classe política tenta torpedear com o projeto “contra abuso de autoridade” –, temos acesso às entranhas desse polvo em que se transformou a PPP. As propinas eram distribuídas em motéis e flats e mesmo na casa da mãe idosa, ou pagos no exterior ou em mesadas em espécie. Diante disso, pensamos: PQP! Emergem detalhes constrangedores e montantes estapafúrdios guardados até em meia-calça feminina por baixo do terno. “A gente entregou um ‘recurso’, a pessoa baixou a calça e botou dentro da meia”, revelou o delator Carlos Cunha, em processo que apura corrupção na reforma do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

A cada delação, casos picantes são relatados em minúcias. Assim ficamos sabendo que somente a Odebrecht teria pago 36 parcelas de mesadas de R$ 547 mil ao ex-deputado Eduardo Cunha, por sua “ajuda política” para o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. A ajuda de Cunha era cobiçada por sua influência na Caixa Econômica Federal, que contribuiu para a obra com R$ 3,5 bilhões do FGTS. No total, Cunha teria recebido R$ 52 milhões por essa PPP, prevista para durar 15 anos. Apelidado de Caranguejo na planilha, ele diz que a delação é “falsa, fluida e desprovida de provas”. Fluida?

Impressiona que as delações dos executivos da Ode­brecht – um roteiro de endereços, valores, métodos de distribuição, nomes de intermediários, descrições de acobertamento – sejam todas tachadas de “falsas” pelos acusados. Se assim fosse, Emílio e Marcelo mereceriam um Oscar de ficção. E os figurantes também. Cada dia a propina era paga num endereço diferente. Para proteger os executivos de…assalto! Um dos delatores comprou um cofre “desses de caminhão” e instalou na sala de seu apartamento.

Ficamos sabendo que Sérgio Cabral, agora réu pela sétima vez, distribuía obras entre as empreiteiras antes mesmo das licitações e que teria recebido mais de R$ 700 milhões de propina pelas obras do Maracanã e pelo PAC das favelas. Imagine um governador roubar dos favelados, desviar milhões do teleférico do Complexo do Alemão. É preciso diagnosticar o transtorno que acometeu Cabral. Muitas negociações aconteciam no Palácio mesmo. Ele falará?

São Paulo também contribuiu ativamente para desmoralizar as PPPs. As obras da Linha 6 do metrô de São Paulo, que teriam 15 estações, estão paradas. Dá para entender. Do contrato de R$ 9 bilhões assinado pela Odebrecht, saíram, segundo delações, propinas vultosas para a campanha do governador Geraldo Alckmin. Também saiu dos custos do metrô um “programa de ajuda” de R$ 14 milhões para o ex-prefeito Gilberto Kassab. Como ministro das Cidades de Dilma Rousseff, Kassab teria tentado retribuir com benefício fiscal para a Odebrecht.

Contra Lula, o cerco aperta. No caso do ex-presidente, não são as somas que mais impressionam, por enquanto. Mas, ainda segundo as delações, a atração pelos favores pessoais, como a obra de R$ 700 mil no sítio de Atibaia, pedida por ele ao amigo Odebrecht, coordenada por Dona Marisa e disfarçada por um contrato fictício em valor mais baixo e em nome de Fernando Bittar, o sócio do filho. Quem negaria um favor a Lula? Ou ao “assessor para assuntos pessoais do presidente”, Rogério Aurélio Pimentel? Afinal, como disse o delator, a obra custaria algo, “digamos, dentro do nada, nenhum valor absurdo”.

Lula também pediu à Odebrecht, em troca de favores, ajuda a regimes autoritários. Alguns empreendimentos no exterior eram comandados por seu sobrinho Taiguara dos Santos. E assim Lula ajudou a Cuba dos irmãos Castro, a Venezuela de Chávez e Maduro e a Angola de José Eduardo dos Santos. Este último governa Angola desde 1979 e também é comandante em chefe das Forças Armadas. Um dos países mais corruptos que visitei, na época da guerra com a África do Sul.

São 267 acusados de crimes contra nosso dinheiro. São mais de 900 horas de gravações. Guarde o nojo, o cansaço com as repetições dos episódios, o descrédito alimentado pelo sigilo e pela impunidade ao longo de décadas. Podemos estar testemunhando o expurgo da bandidagem, o confisco de bens e a volta de bilhões para os cofres públicos. O desfecho da série pode ser escrito também por nós. Vamos limar o projeto oportunista contra abuso de autoridade e ajudar a acabar com o foro privilegiado.

OPINIÃO | Mais amor a Brasília, por favor!!!, por Ricardo Callado

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Por Ricardo Callado

Brasília merece ser bem cuidada. Ser respeitada. Brasília é a nossa casa. Quando falamos em casa, logo imaginamos o lugar onde moramos com a nossa família. Mas a cidade em que vivemos também é nossa casa, e por isso temos a obrigação de cuidar dela.

Ao completar 57 anos, a capital dos brasileiros passa por problemas. E nossos representantes não conseguem resolve-los, seja por negligência ou incompetência. Ou por ambos. Buracos, insegurança, trânsito caótico e serviços públicos que deixam a desejar fazem parte do dia-a-dia do brasiliense.

A Brasília que queremos e merecemos não é essa. Ela já existiu. Mas precisa passar por constante transformação. Como qualquer outra cidade que cresce. O patrimônio cultural e o tombamento precisam ser respeitados. Mas sem engessamento.

Não pode paralisar a capital como se fosse uma múmia. Nós precisamos de metrô, mais ciclovias, passagens de pedestres, duplicação de vias. Mais escolas e hospitais. De áreas residenciais e comerciais legalizadas e sem especulação.

Precisamos de políticos que sejam comprometidos com a cidade. Brasília não é mais a mesma de 50 anos. A cidade cresceu. Esse não é o problema. O que pega é a falta de ação dos governantes que não conseguiram preparar Brasília ao seu crescimento.

A culpa também é nossa. Somos nós que escolhemos os representantes. Não adianta xingar governador, vice, senadores e deputados enquanto continuamos colocando sempre os mesmos lá. Ou trocando uns pelo outros, que no final sempre acaba no mais do mesmo.

Também não temos culpa pelos políticos que os outros estados mandam para cá. Lá eles também não sabem votar. Não é um exclusividade do brasiliense. Aí quando acontece um mal feito no Congresso Nacional ou no Palácio do Planalto a culpa é de Brasília. É injusto, mas é real.

Brasília é talvez a melhor cidade brasileira para se morar. Tem um povo honesto e trabalhador que enfrenta congestionamentos todos os dias para ganhar o pão. Corrupto tem em todo canto.

O que precisa são as coisas simples. Cuidar das ruas, das praças, do povo. Planejar as cidades. Brasília quer um prefeito. Alguém que ame a cidade, que cuide. Não vejo dificuldades em tapar buracos, por exemplo. Entretanto, o que mais se vê são crateras. Um privilégio espalhado do Lago Sul ao Sol Nascente. Unindo as classes sociais nas críticas.

Os governantes que tivemos nos últimos anos levaram a cidade ao estado falimentar que se encontra hoje e luta para sair. Não temos mais o direito a errar. O passado bate a porta para nos lembrar.

Devemos fazer a nossa parte como cidadãos. Não apenas nas escolhas dos políticos. Também cuidando de nossa cidade com exemplos de cidadania, como manter a cidade limpa. Certas atitudes deixam o dia a dia mais leve.

Aplique o amor em doses diárias, compartilhe respeito, solidariedade, generosidade, gestos de gentileza, carinho, sorria.

O céu de Brasília é nosso. O desgaste político também é. Não adianta ter um céu lindo, enquanto aqui em baixo tudo vai mal. Precisamos aprender a votar. E fazer a nossa parte. Por amor a Brasília, por favor.

Missa na Catedral abre as comemorações do aniversário de Brasília

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As comemorações do aniversário de 57 anos de Brasília se iniciaram na manhã desta sexta-feira (21) com uma missa de Ação de Graças na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, na Esplanada dos Ministérios.

O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, participou da celebração religiosa ao lado da esposa, Márcia Rollemberg, e da mãe, Teresa Rollemberg.

“Brasília é a maior demonstração da capacidade de realização do povo brasileiro. Quando nos unimos, conseguimos produzir maravilhas, como a capital do País, reconhecida mundialmente pela sua singularidade e criatividade”, disse Rollemberg.

A celebração foi conduzida por dom Marcony Ferreira, bispo auxiliar de Brasília. Em meio às palavras religiosas, ele destacou a obra da construção de Brasília. “A consciência de construir uma cidade não é apenas elevar prédios, mas de construir cultura, construir vida”, afirmou.

Programação

A festa para comemorar o aniversário de Brasília continua ao longo do mês. A programação completa vai até o dia 29, com atrações gratuitas. Nesta sexta, a partir das 18 horas, artistas locais se apresentam em um palco montado na Torre de TV. A paraibana Elba Ramalho encerrará o primeiro dia de comemoração.

Palocci diz a Moro que se coloca à disposição para apresentar ‘fatos com nomes’ de interesse da Lava Jato

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Ex-ministro foi interrogado nesta quinta-feira (20), em Curitiba. Preso na 35ª fase da Lava Jato, ele é acusado de agir para beneficiar o Grupo Odebrecht
Do G1- Antonio Palocci disse que se coloca à disposição do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, para apresentar “fatos com nomes, endereços e operações realizadas” que, de acordo com o ex-ministro, devem render mais um ano de trabalho.

Palocci foi interrogado por Moro, nesta quinta-feira (20), na ação em que é acusado de agir no governo federal em favor da Odebrecht entre 2006 e o final de 2013. A oitiva durou mais de duas horas.

Segundo o ex-ministro, ele optou por não falar durante o interrogatório “por sensibilidade da informação”.

“O dia que o senhor quiser, se o senhor tiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o senhor determinar, eu imediatamente, apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser, certamente, do interesse da Lava Jato, que realiza uma investigação de importância. Acredito que posso dar um caminho, talvez, que vá lhe dar mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”.

Antonio Palocci foi alvo da 35ª fase da Lava Jato, deflagrada em setembro de 2016. Atualmente, ele está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

BNDES

O ex-ministro Antonio Palocci negou que tivesse negociado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliação de linhas de crédito para a Angola que favorecesse a Odebrecht.

“(…) Eu sempre disse isso, não só para ele [Marcelo Odebrecht], mas para todas as empresas, que eu jamais iria discutir com o BNDES qualquer crédito. Não era meu papel, nem como deputado, nem como ministro discutir crédito do BNDES”.

De acordo com Palocci, Marcelo Odebrecht provavelmente tocou nesse assunto como ele. Entretanto, o ex-ministro negou que tivesse negociado em prol da empresa. A negativa veio após Moro mencionar que Marcelo Odebrecht disse, salvo engano de interpretação do juiz, que havia negociado com Palocci a ampliação de crédito.

Palocci afirmou que discutiu créditos com o BNDES em casos de empresas de grande porte que iriam entrar em falência. “(…) cuja falência poderia significar uma fila de falências de muita repercussão”, afirmou Palocci.

O ex-assessor de Palocci, Branislav Kontic, também foi interrogado e falou por cerca de 30 minutos nesta quinta-feira. Kontic foi preso no mesmo dia que Palocci, mas deixou a cadeia em 15 de dezembro de 2016, depois de uma decisão da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que trocou a prisão preventiva por medidas cautelares alternativas.

Além dos dois, que são acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ainda são réus neste processo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o ex-presidente da Odebrecht S.A. Marcelo Odebrecht.

O advogado que representa Palocci, José Roberto Batochio, não quis comentar o depoimento.

Reunião na Presidência

Moro questionou Palocci sobre uma reunião na Presidência da República, em maio de 2011, na qual, estariam a então presidente Dilma Rousseff, Marcelo Odebrecht, Luciano Coutinho, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e “Itália”, que seria o ex-ministro, segundo a acusação.

Palocci respondeu que não se lembra dessa reunião e que, inclusive, procurou informações sobre a reunião na agenda. “Não me lembro de reuniões com o Marcelo e a presidente juntos”, explicou.

Em seguida, Palocci mencionou uma troca de-mails entre Marcelo Odebrecht e Alexandrino de Alencar, ex-executivo da empreiteira. Marcelo pergunta se Alexandrino falou com Palocci, ao que o ex-executivo responde: “Sim, falei com Palocci e ele disse que GM (que acho que é Guido Mantega) e Itália estiveram ontem com o presidente”, disse Palocci, reproduzindo conteúdo do processo.

Palocci voltou a alegar que não lembra da reunião e que não sabe quem é “Itália”. “Italiano lá naquele congresso, como no Brasil inteiro, tem milhares. Então não sei de quem se trata aqui, não me lembro dessa reunião”, afirmou.

Palocci ainda explicou que ninguém da Odebrecht nunca o chamou de “Italiano”. “Italiano pode ser eu como 40 milhões de brasileiros”, afirmou.

Relacionamento com a Odebrecht

Durante o interrogatório, Palocci falou sobre o relacionamento com a Odebrecht. “Meu relacionamento com a empresa é antigo, desde o fim da década de 90, principalmente com Emílio Odebrecht e Pedro Novis”, relatou.

O ex-ministro disse também que costumava conversar com eles. “Eram conversas sobre o Brasil. Eles tinham interesse em conhecer o PT, a relação que o PT poderia ter com o governo. Queriam conhecer experiências concretas do PT”, afirmou.

Para Palocci, quando Marcelo Odebrecht assumiu, houve uma grande mudança de estilo, na gestão da empresa, especialmente com relação ao detalhamento de suas agendas, à flexibilidade ou não das posições. “Mudou bastante. Marcelo era um guerrilheiro das causas da empresa. Era muito ativo em relação às metas”, afirmou.

Contribuição para campanha

Palocci confirmou a Moro que tratou de contribuições eleitorais para a campanha presidencial com o Grupo Odebrecht. “Acredito que a última vez que eu tratei esse assunto com o senhor Marcelo, ou com o grupo, foi na passagem de 2009 para 2010. Onde estavam começando os preparativos da campanha da presidente Dilma. Eu estive com ele por outro motivo e ele foi ativo, assim, na questão e falou: pode dizer à presidente que nós vamos ter uma participação importante na campanha dela”, contou.

No entanto, Palocci negou de ter tratado de contribuições não contabilizadas. “Eu nunca operei contribuições, até porque não era minha função”, afirmou. Ele disse, ainda, que pedia recursos para as empresas acreditando que elas iam tratar isso da melhor maneira possível.

O ex-ministro negou ter solicitado, interferido ou defendido interesses da Odebrecht ou da Sete Brasil na questão das sondas. “Absolutamente não”, garantiu Palocci.

Ele também disse que não interferiu, negociou ou administrou qualquer pagamento a fornecedores de campanhas eleitorais de 2010 no exterior. “ [A negativa] Se aplica a João Santana, a Mônica Moura ou qualquer fornecedor de qualquer campanha”.

Palocci voltou a dizer que não pediu pagamento de caixa 2 e citou o depoimento de Marcelo Odebrecht.
“Ele falou a verdade, eu nunca pedi caixa 2. Ele disse que eu sabia, eu ouvi falar mesmo de caixa 2, isso eu não vou negar. Em todo lado e toda campanha. Mas, que eu não pedi, eu nunca pedi. Pagamento no exterior, jamais”.

Sobre a questão do caixa 2, Palocci disse também que não se sente à vontade para negar a existência da prática. “Que nada existiu, tudo foi aprovado nos tribunais, não. Todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas”.
Elogios

Ao fim do depoimento, o juiz Sérgio Moro deu alguns minutos para que Antonio Palocci pudesse falar. O ex-ministro falou por aproximadamente 15 minutos e começou sua declaração elogiando o juiz federal e a atuação dele na Lava Jato.

“Eu sei que você é um juiz extremamente rígido, mas é um juiz justo e eu queria muito ter meu julgamento com bases na lei e com base em critérios absolutamente justos e eu sei que o senhor faz isso com maestria, o senhor tem dado uma contribuição ao país na medida em que acelera processos, decide com celeridade e acho que isso é digno de nota”, disse Palocci.

Suspeitas

O processo apura se Palocci recebeu propina para atuar em favor do Grupo Odebrecht, entre 2006 e o final de 2013, interferindo em decisões tomadas pelo governo federal. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro também teria participado de conversas sobre a compra de um terreno para a sede do Instituto Lula, que foi feita pela Odebrecht, conforme as denúncias.

A denúncia trata de pagamentos feitos para beneficiar a empresa SeteBrasil, que fechou contratos com a Petrobras para a construção de 21 sondas de perfuração no pré-sal. O caso foi delatado pelo ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco.

As investigações mostram que o valor pago pela Odebrecht a título de propina pela intermediação do negócio chegou a R$ 252.586.466,55. Esse valor foi dividido entre as pessoas que aparecem na denúncia. Em troca disso, a empresa firmou contratos que, somados, chegaram a R$ 28 bilhões.