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Pesquisa Exata OP/JBr: Sete em cada dez brasilienses rejeitam a Câmara Legislativa

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Rejeição popular é alimentada pelos sucessivos escândalos envolvendo os nomes dos deputados distritais

Por Francisco Dutra, do Jornal de Brasilia – Sete em cada dez brasilienses desaprovam a Câmara Legislativa, conforme mostra pesquisa do Instituto Exata de Opinião Pública (Exata OP). A rejeição popular é alimentada pelos sucessivos escândalos envolvendo os nomes dos deputados distritais, seja em casos graves de suspeita de corrupção, seja na cegueira e lentidão da dita Casa do Povo diante dos problemas do Distrito Federal. E a bronca da população tende a aumentar.

Em março de 2016, o desempenho da Câmara era negativo para 57% da população. Agora, mais de um ano depois, em maio de 2017, 67% estão descontentes com a Câmara. Hoje apenas 23% da população julga regular o trabalho dos distritais, enquanto somente 7% dos brasilienses avaliam positivamente as decisões do Legislativo. Isso significa que estatisticamente, em uma conversa com 10 pessoas não haverá uma voz satisfeita com os trabalhos da Casa e dos parlamentares.

De acordo com a pesquisa, 46,9% dos brasilienses classificam o desempenho da Casa como péssimo, enquanto 19,6% considera a performance legislativa como ruim. Para traçar em números a percepção popular, o estudo colheu 2135 depoimentos entre os dias 18 e 21 de abril deste ano. As perguntas foram feitas em 25 localidades do DF. Os dados foram comparados com levantamentos anteriores. O intervalo de confiança é de 95%, tendo margem de erro de 2,5% positivos ou negativos.

“A Câmara continua sendo a Casa dos Horrores. O problema de um deputado contamina a percepção e a imagem de todos os outros. E a pauta negativa de escândalos sobre a Casa é muito forte”, resume o diretor do Exata OP, Marcus Caldas. Na visão do pesquisador, apesar de alarmante, o cenário não aponta o fim do legislativo brasiliense. “A Câmara é importante. O problema não é a instituição. O problema são as atitudes de parte dos deputados”, argumenta.

Segundo o cientista político e professor da Faciplac Valdir Pucci, a Câmara adota uma postura alheia aos anseios da sociedade, buscando atender aos interesses de eleitores pontuais. A decadência do Legislativo está diretamente entrelaçada com a dependência com o Executivo. Para Pucci, a relação entre os poderes hoje é promiscua. Para o especialista, ao invés de se preocuparem com o “toma lá dá cá” de cargos e espaços, os deputados deveriam centrar esforços em fiscalizar o Governo do DF, especialmente nas áreas críticas da Saúde, Educação e Segurança.

“A Câmara só mudará com atos. A Mesa Diretora (responsável pela gestão do Legislativo) não pode mais ser inerte diante dos escândalos. Isso passa a mensagem de favorecimento e enriquecimento indevido. Tudo vai mudar quando os deputados passarem a agir como a sociedade espera que eles ajam. E o cidadão também deve cobrar mais e principalmente votar melhor”, alerta o cientista político.

Presidente cobra ação preventiva

Agir preventivamente, fechando as brechas para novos casos de corrupção. Esta é a prioridade para o presidente da Câmara, deputado distrital Joe Valle (PDT). Nos primeiros meses de gestão, Valle reformulou as regras para gastos com verba indenizatória e de correspondência. Em parceria com hackers do DF, o parlamentar trabalha para abertura dos sistemas de fiscalização do Legislativo à população.

“Estamos trabalhando para ressignificar a Câmara. Ministério Público e a Polícia Civil estão investigando os escândalos que já existem. O trabalho deles é na cura da doença. E eles estão certos. Eu quero agir na causa, quero evitar a doença. Temos um plano para isso, existe um planejamento em curso, metas claras”, garante Valle. Apesar dos desgastes, o deputado acredita que é possível reverter a rejeição da Câmara a médio prazo.

“Todos os legislativos pelo Brasil estão mal avaliados. Os problemas são reais, está aí a operação Lava Jato que não deixa ninguém negar. Mas não tem ninguém aqui nomeado. Todos foram eleitos e representam diversos segmentos da população. Por baixo de todos os escândalos, pulsa uma Câmara que gera bons resultados realmente positivos para o DF. A maioria da população desconhece. E como ainda não inventaram nada melhor do que a Democracia, vamos ressignificar a Câmara e mostrar este lado”, comenta.

Saiba mais

  • Até março de 2016, a Câmara vinha conseguindo recuperar credibilidade junto à população.
  • No entanto, quando a Operação Drácon foi deflagrada no segundo semestre do ano, tudo ruiu. A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil apura denúncias de um suposto esquema de corrupção envolvendo a gestão passada da Mesa Diretora, atingindo cinco distritais.
  • A onda de escândalos atinge outros parlamentares, a exemplo da deputada Sandra Faraj (SD). A parlamentar é alvo da operação Heméra, para investigar suspeitas de irregularidades, inclusive a cobrança de um terço dos salários dos servidores comissionados indicados pela parlamentar na Câmara, na Secretaria de Justiça e na Administração de Taguatinga.
  • Todos os parlamentares citados negam qualquer irregularidade ou crime.

Em rede social, Rollemberg promete quitar dívidas do DF sem Miséria até dia 12

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Parcelas de março e abril estão pendentes, diz texto; pagamento de maio não é mencionado. GDF gasta até R$ 10 milhões mensais, de verba própria, para honrar benefício

Do G1 DF – O governador Rodrigo Rollemberg anunciou em rede social nesta segunda-feira (1º) que pretende quitar as parcelas atrasadas do programa DF Sem Miséria até o próximo dia 12. Segundo ele, os atrasos se devem a “dificuldades financeiras” enfrentadas pela gestão. O benefício garante uma renda mínima de R$ 100 por habitante.

Até esta segunda, as parcelas de março e abril ainda não tinham sido depositadas, segundo o próprio governador. Na postagem, Rollemberg diz que, “aos poucos, voltaremos a investir para que os trabalhadores do DF e suas famílias tenham cada vez mais qualidade de vida”.

A postagem não fala em valores, e também não cita o pagamento da parcela de maio, que deveria ocorrer já nesta semana. No início de abril, reportagem do G1 mostrou que o GDF desembolsa de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões mensais para honrar o benefício. À época, havia três parcelas atrasadas.

Em meio à crise

A negligência com as datas de pagamento do DF sem Miséria atinge justamente as famílias que mais sofrem com a crise econômica. Nos últimos meses, a capital federal atingiu desemprego recorde de 20% – o maior do país, segundo o Dieese –, e viu índices de inflação negativos motivados pelo baixo consumo.

Segundo a Secretaria de Trabalho, o dinheiro para pagar o DF sem Miséria precisa ser gerado pela própria arrecadação do DF – o programa não está ligado à verba do Bolsa Família ou a algum repasse federal.

Apesar dos problemas, o governo do DF nega que haja qualquer discussão no sentido de alterar, suspender ou cancelar a existência do benefício. O DF sem Miséria foi lançado em junho de 2011, na esteira do Brasil sem Miséria. As duas iniciativas tentavam garantir renda mínima e colocar os beneficiários acima da “linha de pobreza”.

Em julho do ano passado, o DF também chegou a acumular três parcelas pendentes do benefício. À época, ainda não tinham sido depositados os valores de fevereiro, março e junho. Em dezembro, o repasse atrasou mais uma vez.

Em novembro de 2015, reportagem da TV Globo mostrou que havia duas parcelas em atraso. Os valores foram repassados mas, dois meses depois, em janeiro de 2016, o cenário se repetiu. Em todas as ocasiões, o governo repetiu a mesma resposta atual – só faz o pagamento “quando houver dinheiro”, sem prazos definidos.

Confira a íntegra do post de Rollemberg:

“Sei que há muita gente preocupada – e, com toda razão – com o atraso no pagamento do DF Sem Miséria. Até o dia 12 de maio nós vamos colocar os pagamentos de março e abril em dia. E vamos trabalhar muito para que não haja mais atrasos no pagamento do benefício. Com esta notícia, quero desejar a todos um feliz Dia do Trabalho. Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pelo DF, estamos avançando e, aos poucos, voltaremos a investir para que os trabalhadores do DF e suas famílias tenham cada vez mais qualidade de vida.”

Comissão vai debater e votar nesta semana relatório sobre regularização fundiária

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A Comissão Mista que analisa a Medida Provisória 759/2016, que pretende regularizar terras da União no Brasil, agendou para esta terça-feira (2) o debate do relatório do senador Romero Jucá, que apresentou parecer com 261 páginas, no qual foram acatadas 122 emendas das 732 apresentadas por senadores e deputados, além de sugestões acolhidas nas audiências públicas realizadas pela comissão.

Segundo o deputado federal Izalci Lucas (PSDB) , presidente da Comissão, o texto que foi apresentado é fruto de muitas negociações e debates. “Não tenho nenhuma dúvida de que o senador Jucá e toda comissão estarão à disposição dos parlamentares para debater e, se necessário, alterá-lo”

Existe um número elevado de áreas que necessitam de regularização no Brasil, que traz insegurança jurídica, tanto para o sistema registral quanto para os ocupantes das áreas.

A MP 759/2016, publicada no dia 23 de dezembro de 2016, veio para desburocratizar os procedimentos de aprovação e registro, a criação do direito de laje, aprimorar os mecanismos de alienação de imóveis da União, a implantação do sistema de registro de imóveis eletrônicos, entre outras novidades. “Estima-se que mais de 50% dos domicílios urbanos brasileiros possuam alguma espécie de irregularidade. No Distrito Federal, mais de 1 milhão de pessoas moram em áreas irregulares. A MP vai ajudar a simplificar e agilizar a legalização, bem como aumentar a segurança jurídica e viabilizar a correção de distorções “, disse o Izalci Lucas.

O direito à moradia, conforme art. 6 da Constituição Federal, será alçado a um direito constitucional de natureza social. É certo que regularização das moradias é uma medida condutora da dignidade das pessoas, tanto no meio urbano como rural.

O texto do relator será debatido nesta terça-feira (2), às 14h30, no Plenário 2, ala Nilo Coelho, no Senado Federal. A votação está marcada para o dia seguinte, 3 de maio.

Por que Medida Provisória?

A Medida Provisória (MP) é um instrumento com força de lei, adotado pelo Presidente da República em casos de relevância e urgência. Quando adotada produz efeitos imediatos, mas depende de aprovação do Congresso Nacional para ser transformada em lei. Seu prazo de vigência é de 60 dias, prorrogáveis por uma única vez por mais 60 dias. Se não for aprovada no prazo de 45 dias, a MP tranca a pauta de votações na Câmara Federal e no Senado.

Entenda um pouco mais sobre a MP 759

Titularização de terras urbanas

Uma nova forma de registrar a propriedade foi criada. O processo tradicional de regularização título a título será substituído por um reconhecimento de aquisição originária de propriedade, a partir de cadastro aprovado pelo poder público. Haverá dois tipos de enquadramento para a regularização: interesse social e interesse específico.

No primeiro, serão incluídas as ocupações por pessoas de baixa renda, com finalidade residencial, que receberão gratuitamente o registro do imóvel e toda a infraestrutura básica por conta do poder público. No segundo caso, o particular deverá custear toda a infraestrutura a ser definida no projeto de regularização da região.

Titularização de terras rurais

No meio rural, o principal objetivo da medida é aumentar a velocidade da titularização de terras. Atualmente, mais de 1 milhão de famílias vivem em 9.332 assentamentos espalhados pelo Brasil, sendo que 85% ainda não têm o título da terra. Dessa forma, esses trabalhadores rurais não podem acessar políticas públicas do setor, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

Segundo o secretário especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, José Ricardo Roseno, a MP dá mais transparência a todo processo de seleção, regularização e titularização. As modificações também atendem às exigências do Tribunal de Contas da União (TCU) que, por meio de auditoria, identificou cerca de 680 mil irregularidades, desde cadastros desatualizados, pessoas falecidas, entre outras situações vedadas por lei. Entre as atualizações propostas na medida provisória estão a desburocratização dos instrumentos na obtenção de terras, a compra direta sem função social para desapropriação e a seleção dos beneficiários da reforma agrária por meio de edital público.

A MP também traz a possibilidade de regularização dos ocupantes que estão em assentamento sem a autorização do Incra e transfere para as prefeituras a responsabilidade de conduzir a indicação dos assentados em seus municípios.

Direito de laje

A novidade da MP é o direito de laje. “Permitiremos que mais de uma unidade habitacional seja construída numa mesma área. Assim, se o proprietário ceder o terreno, cada morador de unidade terá uma escritura individual: quem mora no primeiro piso terá um documento, e quem mora no segundo, outro”, ressalta Bruno Araújo.

O texto deixa claro que o “direito de laje” envolve o espaço aéreo ou o subsolo de terrenos públicos ou privados tomados em projeção vertical, com unidade imobiliária autônoma. Para o deputado Izalci, que preside o colegiado, os governos e prefeituras terão agora um instrumento para regularizar terras e imóveis de proprietários que moram e produzem em suas terras há muitos anos e nunca tiveram o seu direito garantido. “Em Brasília temos milhares de pessoas morando em locais há muitos anos e não conseguem regularizar suas casas. Agricultores que produzem e moram aqui há mais de sessenta anos sequer tem a titularização de suas terras o que os impedem de buscar crédito junto os bancos para incrementar a produção”, explicou o tucano.

Com a aprovação da Medida, Izalci acredita que os governos estaduais e as prefeituras poderão regularizar as moradias de muitos que vivem irregularmente, bem como aumentar a arrecadação e investir em serviços públicos de qualidade para todos, além de aumentar postos de trabalho, impedindo que mais brasileiros fiquem fora do mercado de trabalho.

Albergue em Ceilândia será transformado em escola para alunos de 3 a 8 anos

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Um albergue que iria abrigar uma unidade de acolhimento na Área Especial A da QNR 2 de Ceilândia será transformado em escola. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (1º) pelo governador Rodrigo Rollemberg, durante reunião com lideranças locais.

Nos turnos matutino e vespertino, serão atendidos 1,2 mil estudantes de 3 a 8 anos (do maternal 2 ao terceiro ano do ensino fundamental). À noite, haverá aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e de cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

“Ouvimos a população para saber qual era a prioridade. Nada mais justo que atender à reivindicação e transformar aquilo que seria um albergue numa escola”, disse o governador.

A Secretaria de Educação fará as adequações necessárias no local, que deverá funcionar a partir do segundo semestre deste ano, de acordo com o secretário de Educação, Júlio Gregório Filho.

“Essa notícia é uma vitória para a comunidade”, comemorou o prefeito comunitário da QNR, João Gomes.

Durante o encontro, o governador Rollemberg citou outras melhorias na região, como a abertura do Restaurante Comunitário do Sol Nascente, na QNR 1, e a entrega do terminal de ônibus.

Aquelas pessoas que seriam acolhidas pelo albergue serão atendidas em unidades nas diversas regiões administrativas de Brasília e em casas que poderão ser alugadas pelo governo.

“Nós fizemos um debate com a Secretaria de Educação e concluímos que a escola é uma necessidade real daqui. Vamos atender essa população [em situação de rua] de forma descentralizada”, explicou Gutemberg Gomes, secretário do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Centrais vão ao Congresso negociar reformas e estudam nova greve, diz Paulinho

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O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse hoje (1º) que representantes das centrais sindicais irão amanhã (2) ao Senado Federal para negociação possíveis mudanças na reformas trabalhista e da Previdência Social. A declaração ocorreu no ato da central sindical pelo 1º de Maio, em comemoração ao Dia do Trabalho, na Praça Campo de Bagatelle, zona norte da capital paulista, onde uma multidão se reuniu em frente ao palco.

“Não aceitamos a reforma trabalhista como está. E vamos para a Câmara. E vamos para o governo. Se o governo Temer quiser negociar a partir de amanhã, nós estamos dispostos a negociar. Agora, se o governo não abrir negociação, se o governo não discutir com centrais, se o governo não mudar essa proposta, nós vamos parar o Brasil novamente”, disse Paulinho da Força, como é mais conhecido, referindo-se à greve geral da última sexta-feira (28), convocada pelas centrais sindicais. A Força Sindical estima que 40 milhões pararam.

Paulinho da Força, que é deputado federal pelo Solidariedade de São Paulo, disse que fará um apelo ao presidente Michel Temer para que seja “o cara que pacifica o país. E para isso tem que mudar a reforma da Previdência, tem que mudar a reforma trabalhista”.

Nesta semana, as centrais sindicais terão reuniões para definir um calendário de atos contra as reformas e há a possibilidade de uma nova greve geral caso não haja negociação com o governo, segundo Paulinho da Força. “Quem sabe a gente consiga fazer com que Brasília ouça as vozes das ruas”, disse.

A comemoração do Dia do Trabalho, que começou por volta das 9h, deve seguir até as 15h com shows de artistas. O ato político ocorreu das 11h40 às 12h30, quando discursaram representantes sindicais e os deputados Orlando Silva (PCdoB-SP), Roberto Lucena (PV-SP) e Major Olímpio (SD-SP). Trabalhadores de diversas categorias participam da comemoração, como metalúrgicos, frentistas, construção civil, de condomínio e edifícios, têxteis, químicos, do setor de alimentação, técnicos em segurança, costureiras e aposentados.

Em discursos, os representantes das categorias criticaram o atual momento político e criticaram as reformas trabalhista e da Previdência. Do sindicato dos frentistas de São Paulo, Luiz Arraes, pediu que as pessoas estejam atentas ao Congresso Nacional, que, segundo ele, está retirando direitos dos trabalhadores. Ele defendeu que o trabalhador não vote, em 2018, em parlamentares que votarem em medidas contra o trabalhador. “Ano que vem tem eleição. Não vamos esquecer o rosto de quem está retirando nossos direitos”, disse.

Do sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, disse que as reformas estão tirando direitos que “foram conquistados com muita luta, com suor e até com morte. “[A população] não foi à greve para brincar, foi à greve para mostrar que não vai aceitar reformas que tiram direitos, reformas que diminuem os trabalhadores. Por isso tem que ficar atentos também em Brasília, temos que ficar de olho nos deputados e senadores, temos também alguns deputados que estão conosco. Mas nós temos que começar a buscar aqueles que votaram contra nós”.

Em mensagem pelo Dia do Trabalho, divulgada por meio das redes sociais, o presidente Michel Temer disse que a reforma das leis trabalhistas que tramita no Congresso Nacional faz do 1º de Maio deste ano um “momento histórico”. Temer afirmou que a “modernização das leis trabalhistas” criará emprego para os jovens e concederá direitos a trabalhadores que antes não tinham, como os temporários.

“Não é lógico julgar, depois da eleição, se o vencedor podia disputar o cargo”

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Por Marcelo Galli (Do Consultor Jurpidico) – As várias leis que tratam de Direito Eleitoral precisam ser agrupados em um código para acabar com incoerências e dar mais lógica ao sistema normativo. A opinião é do advogado Henrique Neves, que acaba de deixar uma cadeira de ministro do Tribunal Superior Eleitoral. Ele lembra que a Constituição de 1988 determinou a edição de lei complementar para regular a competência da Justiça Eleitoral, mas que até hoje ainda não foi feita. “Por isso é mais do que urgente codificar e reunir todas as leis sobre o assunto, porque muitas não conversam entre si”, disse, em entrevista à ConJur.

Falando sobre a reforma política que está sendo discutida no Congresso, Neves diz ser favorável à existência de muitos partidos. Mas defende que nem todos recebam dinheiro do fundo partidário. Para ganhar a verba, diz, o partido deve provar que tem representação na sociedade, lançar sempre candidatos e conseguir desempenho mínimo nas eleições. “Tem partido político no Brasil com dois mil e poucos filiados. Alguns clubes aqui do Distrito Federal têm mais sócios do que essa agremiação.”

Neves encerrou o mandato de ministro do TSE no dia 16 de abril. Membro de uma família com veia eleitoral — irmão e pai fizeram parte da corte —, deixou legado na jurisprudência no tribunal. Permaneceu lá por dois biênios, mas não conseguiu participar do encerramento do julgamento que talvez seja o mais importante do tribunal desde a redemocratização: a cassação ou não da chapa Dilma/Temer por abuso de poder econômico nas eleições de 2014.

A última sessão em que ele participou foi no início de abril, quando o TSE deu mais prazo para as alegações finais e deferiu pedido para que mais testemunhas fossem ouvidas. Na entrevista, Neves preferiu não comentar o caso. Porém, sem fazer relação a casos concretos, disse que a Constituição é clara quando prevê as consequências no caso de mandato impugnado em casos comprovados de corrupção, fraude ou abuso.

Leia a entrevista:

ConJur — A falta de definição exata na legislação dizendo o que é propaganda eleitoral estimula o subjetivismo judicial?
Henrique Neves — 
A legislação eleitoral passou, desde a redemocratização, por diversas alterações, geralmente aprovadas nos últimos dias do mês de setembro, pouco antes do prazo de um ano da data da eleição. A conclusão do processo legislativo de forma rápida e iminente, em razão da data certa para mudar as leis, faz com que algumas vezes o texto saia com uma redação que permite uma interpretação mais subjetiva. Obviamente, nenhuma lei pode ser aplicada sempre de forma automática. A atividade do juiz, para interpretar os fatos e aplicar o direito, é sempre necessária. Mas quando se trata de aplicar sanções, não é recomendável que haja espaço para maior subjetivismo a partir da utilização de termos genéricos, como ocorre no caso da propaganda eleitoral. Em determinado momento recente da, a Justiça Eleitoral passou a considerar a possibilidade de existência de propaganda antecipada subliminar. Porém, perceber o que seria uma intenção velada na fala de determinada pessoa depende da compreensão e da capacidade cognitiva do destinatário do discurso. A partir de pré-conhecimento da matéria e de inferências subjetivas, não se pode considerar que o que não foi dito de forma expressa seria uma infração as regras da propaganda eleitoral. O Congresso Nacional, na reforma que promoveu em 2015 (Lei 13.165/2015), fez regras mais claras para propaganda antecipada, mas que ainda podem ser aperfeiçoadas. Em minha opinião, propaganda eleitoral é o ato ostensivo, com custo, em que se promove de forma clara e com pedido de voto determinada candidatura. Não é o debate democrático, a discussão de ideias, muito menos a participação da imprensa com críticas ou elogios a determinado comportamento do gestor público. Tudo isso faz parte da democracia, que pressupõe liberdade e acesso aos meios de comunicação, com amplidão do debate de ideias, para que todos possam ter o maior número de fontes de informação.

ConJur — Qual é a sua analise sobre o Direito Eleitoral brasileiro? É preciso sistematizar um novo código eleitoral ou fazer uma espécie de consolidação das leis eleitorais, como a CLT, por exemplo?
Henrique Neves — 
A Constituição de 1988 determinou a edição de lei complementar para regular a competência da Justiça Eleitoral, mas até hoje ainda não foi feita. Adota-se para esse fim o Código Eleitoral de 1965. Por isso é mais do que urgente codificar e reunir todas as leis eleitorais em um único diploma, porque muitas normas não conversam entre si. Por exemplo, a Lei Complementar 64/90 trata sobre inelegibilidade nos artigos 1º e 2º, e a partir do 3º do processo de impugnação do registro de candidatura. A Lei 9.504/97, conhecida como Lei das Eleições, diz qual é o prazo do registro de candidatura e que todos os processos judiciais com questionamentos devem estar julgados vinte dias antes da eleição. Levando em conta os prazos que estão em uma lei, com as datas previstas em outra, é impossível apreciar todos os processos de registro, em todas as instâncias eleitorais, no tempo previsto. A simples soma dos prazos de defesa extrapola completamente o período eleitoral, mesmo que o juiz seja rápido e não utilize nenhum prazo, ou seja, se o processo chegar ao gabinete e imediatamente for emitida uma decisão e se o impugnante, interessado na celeridade, praticar todos os atos processuais no primeiro dia, os prazos para defesa, contrarrazões e os recursos existentes fazem com que a decisão final do processo seja postergada para depois das eleições. Além disso, devemos lembrar que estamos falando em uma legislação complexa, restritiva. Então há que se ter cuidado, pois qualquer modificação pode refletir em outro ponto do sistema, é necessário que haja coerência na norma. Por isso, acredito que uma lei única, um Código atualizado, poderia contribuir para evitar eventuais contradições.

ConJur — O que é que o senhor acha da reforma política que está sendo discutida no Congresso?
Henrique Neves — 
O modelo atual é trágico, porque provoca distorções. Veja o que acontece na eleição para deputados federais e estaduais. O principal adversário do candidato é o seu colega de partido ou de coligação. Mas é adversário sui generis, porque não se pode derrotá-lo completamente. Ou seja, o candidato precisa ter mais votos que o colega, mas necessita dos votos dele para atingir o quociente eleitoral, sem o qual a coligação não elege nenhum deputado. Algo precisa ser feito para mudar esse quadro. Outro ponto: não vejo como problema a existência de um grande número de partidos políticos, mas discordo que todos recebam dinheiro público e acesso aos meios de comunicação social. Para que se possa qualificar para receber recursos públicos, o partido deve ser efetivamente um partido e possuir uma representatividade mínima. Porque partido é parte, representa alguém da sociedade, e é preciso verificar se existe um número mínimo de cidadãos representados. Temos partido político no Brasil com dois mil e poucos filiados e pouquíssimos votos e eleições, isso, quando lançam candidatos. Alguns clubes aqui do Distrito Federal têm mais sócios do que esse tipo de agremiação. Para o partido ser criado hoje é necessário ter 0,5% de apoio do eleitorado, mas, depois de criado, não se exige que ele tenha um número mínimo de filiados, lance candidatos a cada pleito ou obtenha determinado número de votos nas eleições e, mesmo sem qualquer forma de verificação da representatividade, o partido continua a receber dinheiro do fundo partidário. Isso tem que mudar.

ConJur — O senhor é a favor da criação da cláusula de barreira?Henrique Neves — Fui ver as eleições na Rússia certa vez, existe lá um modelo muito interessante. O país segue um sistema parecido com o alemão, híbrido, em que metade das cadeiras são preenchida nos distritos, pelo sistema majoritário, e metade é preenchida pelo sistema proporcional, com lista partidária pré-ordenada. Existe a cláusula de barreira para a metade proporcional. No distrital não existe, quem tiver mais votos é eleito. Mas, o partido que não obtém 5% dos votos da eleição proporcional fica excluído dessa parte da eleição. Só que, além dessa, existe outra cláusula de barreira para o financiamento. O partido pode não ter conseguido chegar aos 5% e conseguir eleger um deputado, mas passa a receber dinheiro público se chegar a 3%. Achei interessante a diferenciação, porque uma coisa é ter representação na Câmara, a outra é conseguir o dinheiro. Acho que é algo que pode ser explorado. Por exemplo, se numa eleição sem dinheiro público, o partido consegue 3%, ele atinge um patamar de representatividade que permite receber o apoio estatal, até para que na próxima o resultado melhore e ele possa ter êxito. Ou, outra opção, em um critério ainda mais justo, seria somar o número de filiados mais o número de votos obtidos numa eleição. Porque a forma de apoiar o partido não é simplesmente se filiando a ele, mas também votando na agremiação. Quem tiver mais de 500 mil votos, ou quem tiver menos do que isso, mas com um número de filiados que ultrapasse esse patamar, pode ser efetivamente considerado um partido político.

ConJur — Haveria algum tipo de “reset” antes que regras desse tipo começassem a valer ?
Henrique Neves — 
Antes disso, permita-se que todos disputem a eleição e lancem as candidaturas, mas sem dinheiro público ou acesso ao rádio e televisão, a não ser aquele destinado as candidaturas, porque aí é outro princípio. Estou falando da exclusão da propaganda partidária fora das eleições e do dinheiro que os partidos recebem todos os anos. No momento da eleição, a questão é diferente. Todos os candidatos devem ter sua candidatura divulgada e é necessário achar uma solução para o financiamento das eleições.

ConJur — O senhor é a favor do fim do voto obrigatório?
Henrique Neves — 
Vou devolver a pergunta: o voto é obrigatório realmente? Obrigatório é o comparecimento à sessão no dia da eleição, mas lá você pode votar em branco, anular ou simplesmente exercer qualquer opção. É lenda a história do voto nulo como protesto, porque a Constituição diz que os votos brancos e os nulos não são computados para efeito da aferição do resultado. Na realidade, o que acontece é que a quantidade de votos nulos gera a diminuição no número absoluto de votos necessários para vencer a eleição. Além disso, caso o eleitor não compareça no dia da votação, é possível justificar a ausência no dia do pleito em qualquer mesa de justificativa ou depois perante o juiz eleitoral. Se o eleitor não fizer absolutamente nada disso, é multado em menos de R$ 3 e as consequências são mais presentes no exercício de determinados direitos, como tirar passaporte, tomar posse em cargo público, sem se submeter a um rápido processo de regularização da sua situação. Em suma, a Constituição diz que o voto é obrigatório, mas as implicações de não votar podem ser sanadas de forma relativamente fácil.

ConJur — O senhor é a favor de testes, por exemplo, de voto pela internet para estimular mais a participação dos eleitores?
Henrique Neves —
 O voto na internet é interessante, mas a dificuldade em realizá-lo tem a ver com a segurança e a individualidade do eleitor no momento da votação. A cabine é a garantia de que ninguém sabe em quem o eleitor está votando e que não existe pressão exterior na hora do voto. Um dos itens de segurança da urna eletrônica brasileira é que ela não está ligada à internet, o que impede o acesso externo.  A web sofre com ataque de hackers porque eles conseguem superar as barreiras e seguranças dos sites que estão interligados na rede. Se não há o acesso, não há barreiras que possam ser derrubadas, a segurança não é apenas virtual, ela é física e impede interferências.

ConJur — O TSE tem recebido críticas pelas mudanças frequentes de jurisprudência. O senhor concorda com essas avaliações?
Henrique Neves —
 Realmente existe flutuação, mas é necessário também verificar que o que muda na realidade são duas coisas: a lei e as pessoas que estão interpretando os fatos. É natural que a mudança dos membros do tribunal altere a interpretação sobre determinada situação. Mas isso não é tão trágico quanto a alteração da legislação. Muitos que bradam ausência de segurança jurídica não percebem que citam jurisprudência com base numa lei anterior, já alterada. A modificação constante da legislação faz com que a jurisprudência seja também frequentemente alterada. Até 2009, por exemplo, as prestações de contas eram procedimentos administrativos. A partir daquele ano houve mudança na lei transformando a prestação de contas  em processo judicial, o que atrai a incidência de regras de preclusão, necessidade de advogado, contraditório etc. Não se pode citar o entendimento firmando com base em um modelo anterior e aplicá-lo em uma nova realidade que, muitas vezes, veio como resposta legislativa a jurisprudência que existia. Isso aconteceu também com a aplicação da [Lei da] Ficha Limpa, que alterou completamente as situações de inelegibilidade inicialmente contempladas na LC 64/90.

ConJur — É justo que o voto de sete ministros valham mais do que o de milhares ou milhões de eleitores?
Henrique Neves —
 É o modelo constitucional que temos, mas acho que muitas matérias deveriam ser examinadas antes da eleição. Até já escrevi e propus a alguns congressistas que seja antecipada a análise das condições de quem quer ser candidato para definir se a pessoa pode ou não concorrer antes mesmo da escolha em convenção partidária. Não é lógico que depois da eleição se decida se o candidato que foi reconhecido como o eleito pela própria Justiça Eleitoral podia ou não disputar o pleito. Essa análise deveria ser transferida para antes das eleições, da própria propaganda eleitoral e até das convenções, para que os partidos também pudessem saber se determinada pessoa tem algum impedimento que impeça a sua candidatura. Situação diferente é aquela em que há fraude no curso da campanha, e muitas vezes, até no próprio dia da eleição. São exemplos disso a corrupção eleitoral, a compra de votos, que geralmente se concentram nos dias que antecedem a eleição. Nesses casos, o controle será obviamente posterior e deve ser rígido se os fatos forem comprovados de forma firme, com a observância do contraditório e do direito de defesa. Nesses casos, quem determina que o candidato deve perder o mandato em tais situações é a Constituição e a lei eleitoral. Por isso não se trata de sete ministros substituírem milhares de eleitores, mas garantir que a vontade de milhões que convergiram para promulgação da Constituição e das leis seja respeitada. Se o texto constitucional diz que todo mandato pode ser impugnado por corrupção, fraude ou abuso, não existe margem para escapar do que a Constituição determina caso seja caracterizada uma dessas situações.

ConJur — A Justiça Eleitoral tutela muito a vontade do eleitor?
Henrique Neves — 
Acho que o objeto de tutela não deve ser o eleitor, senão para garantir que ele tenha total liberdade e o maior número de informações. O mais importante é que o eleitor saiba o que o candidato tem a dizer e quais são as propostas. O direito de fazer propaganda deve ser visto não apenas pelo ângulo da fala dos candidatos, mas pelo inalienável direito dos eleitores ouvirem o que está sendo dito. Nesse sentido, o que deve ser tutelado é o comportamento do candidato, não no conteúdo das suas ideias ou da liberdade de expô-las, mas no sentido de assegurar que ele está conduzindo  sua campanha e agindo de acordo com a regra do jogo. Em relação à propaganda, acho que quanto maior a liberdade, melhor será a democracia. O problema é que existem muito mais proibições do que permissões na lei eleitoral. O ideal seria limitar os casos de exceção e, ao invés de punir com pequenas multas quem viola tais regras, criar meios de equilibrar a igualdade entre as candidaturas. Não é o caso de simplesmente reprimir a conduta, mas usá-la para diminuir a desigualdades entre os concorrentes. Veja o exemplo dos Estados Unidos. Todos assistiram às convenções para a escolha dos candidatos. Teve discurso da Hillary Clinton e do Donald Trump transmitidos ao vivo para o mundo inteiro. Se fosse no Brasil, o candidato estaria cassado por uso indevido de meio de comunicação social e multado por propaganda partidária realizada além dos limites do partido político. O foco da Justiça Eleitoral não deve ser controlar pequenos deslizes em propaganda eleitoral, que se resolvem em multa, o que deve haver é o combate do abuso e da corrupção que, é verdade, pode estar em uma dita inocente propaganda antecipada. Se isso ocorrer, dependendo do caso, não se deve pensar apenas na aplicação de uma multa.

ConJur — Falta democracia interna nos partidos políticos?
Henrique Neves — 
Sim. O filiado deve ter voz e a sua voz deve ter o poder de definir as decisões do partido. Não basta ter voz, é necessário que ela possa ter influência. Alguns partidos, não me refiro aos maiores, são agremiações quase familiares. A cúpula determina tudo o que o partido faz, e os filiado, que são poucos, não são ouvidos sou não tem nenhuma expressão de vontade. Aí acontece uma situação engraçada, estranha até, porque a cúpula nomeia comissões provisórias estaduais, que nomeiam comissões provisórias municipais, para que depois, em algum processo dito democrático, aqueles nomeados elejam os dirigentes do partido. Ou seja, o candidato nomeia o seu eleitor. E se o nomeado não se comportar bem, a cúpula intervém, dissolve a comissão e nomeia outras pessoas. Segundo a Sociologia, toda agremiação tende a formar oligarquias. O remédio para combater isso é a realização de eleições regulares, que possam servir como válvula democrática e permitir que novas ideias ou correntes ascendam à direção partidária. Uma das críticas que se tem contra as listas fechadas é justamente no sentido de que a cúpula partidária escolheria quem fica no topo da lista. Mas sejamos sinceros. Hoje são os líderes do partido que dizem qual candidatura terá preferência, receberá mais recursos ou vai ter tempo de televisão. A lista fechada pressupõe que exista uma forte democracia interna dos partidos políticos.

ConJur — O senhor capitaneou forças de trabalho do TSE em diversos temas. Qual questão é mais urgente?
Henrique Neves — 
O procedimento para prestação de contas dos partidos é preocupante. A lei diz que a prestação é um processo quase administrativo, mas com características jurisdicionais. O procedimento deve ser simplificado para ser feito de forma rápida. E, se for identificada alguma irregularidade, que ela seja apurada em processo isolado. Julguei processo de prestação de contas em que foram juntados no último mês de prazo mais de trinta volumes. O processo, no total, tinha mais de 80 volumes.  Desdobrei-me para tentar ver tudo, mas não me parece uma coisa contemporânea. O futuro é a prestação de contas online, que começou a ser utilizada no pleito municipal com a divulgação dos dados das doações recebidas dos eleitores em tempo quase real, mas precisa ser aperfeiçoada para mostrar também os gastos do candidato. É  importante já na campainha saber se o político tem a mínima noção de responsabilidade fiscal ou extrapola o seu orçamento.

ConJur — Quais são os principais gargalos do processo eleitoral brasileiro?
Henrique Neves — 
O pouco tempo para julgar os registros de candidaturas, ainda mais com as novas regras que já valeram para as eleições de 2016. Antes, o prazo para o registro de candidaturas terminava no dia 5 de julho. Agora, deve ocorrer até 15 de agosto do ano da eleição, cerca de quarenta e cinco dias antes do dia da eleição. Então, estamos falando de 500 mil pedidos de registro de candidatura a serem examinados em três instâncias, no prazo de 25 dias. Com o prazo era anterior, a Justiça Eleitoral já não conseguia julgar todos os processos de um pleito municipal até o dia da eleição. Com a modificação, tornou-se impossível e a postergação desses processos, acaba comprometendo aqueles que surgem no curso das campanhas. Como já disse, não vejo sentido em permitir que alguém faça campanha se não se sabe nem se a pessoas pode ser candidata. Essa definição tem que ser previa, ainda que se resguarde a incidência de fatos supervenientes.

PM afasta capitão após agressão de estudante durante protesto em Goiânia

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Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, sofreu traumatismo craniano, múltiplas fraturas e permanece internado em UTI com quadro grave. Ele passa por hemodiálise.

Por Paula Resende, G1 GO – A Polícia Militar de Goiás afastou das ruas o capitão Augusto Sampaio, subcomandante da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar, pela agressão ao estudante Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, durante um protesto em Goiânia. O manifestante está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI ) de um hospital da capital e passa por hemodiálise.

“Ele foi afastado em decorrência do Inquérito Policial Militar instaurado em virtude da agressão que teria sido praticada por ele contra o Mateus”, disse ao G1, o comandante geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Divino Alves de Oliveira.

O comandante ponderou que ele foi afastado das atividades operacionais, porém segue trabalhando administrativamente. “Ele pode auxiliar em qualquer sessão”, explicou o coronel.

Logo após a agressão, na última sexta-feira (28), o comandante da PM informou, em nota, que determinou abertura de inquérito pela Corregedoria da Polícia Militar “diante das imagens que circulam em redes sociais, quando da intervenção policial militar, que mostram a clara agressão sofrida” pelo estudante.

Ainda de acordo com a nota divulgada pela PM na ocasião, a investigação tem o “objetivo de individualizar condutas e apurar responsabilidades”. O coronel explicou que o inquérito tem um prazo de 30 dias para ser concluído.

Sequência de fotos mostra que cassetete de PM estragou ao atingir Mateus (Foto: Arquivo pessoal/Luiz da Luz)
Sequência de fotos mostra que cassetete de PM estragou ao atingir Mateus (Foto: Arquivo pessoal/Luiz da Luz)

Em nota, o comando da PM já havia destacado que “condena veementemente todo e qualquer tipo agressão praticada por policias militares no exercício de sua função, não compactuando com atos que possam afrontar os princípios da ética, moral e legalidade”.

Durante o ato, quatro policiais militares foram feridos e foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para serem submetidos a exames de corpo de delito.

Estado grave

Desde o dia da agressão, Mateus está internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Ele sofreu traumatismo cranioencefálico (TCE) e múltiplas fraturas.

Conforme o último boletim médico divulgado, o estudante está sedado e intubado e vai passar por hemodiálise. No sábado (29), ele passou por uma cirurgia que durou quatro horas para reparação dos ossos do rosto.

A família do estudante, que mora em São Paulo, viajou a Goiânia para acompanhá-lo. O pai dele, Salatiel Ferreira da Silva Filho, informou à TV Anhanguera que os rins de Mateus não estão funcionando e que os médicos encontraram uma mancha no pulmão dele, que ainda será avaliada para saber se ele sofre de pneumonia ou se há acumulo de sangue no local.

Veja imagens de manifestante sendo agredido durante protesto em Goiânia
Veja imagens de manifestante sendo agredido durante protesto em Goiânia

Mãe de Mateus, Suzethe Alves afirmou ao G1 que acredita que o filho irá melhorar em breve: “Vai se recuperar”.

Amigos de Mateus estão fazendo uma campanha para arrecadar doações em dinheiro para os familiares dele se manterem em Goiânia. A ação está sendo divulgada em redes sociais.

“Eles vão precisar de dinheiro para alimentação, hospedagem, para se manterem em Goiânia durante todo esse período de recuperação, que não sabemos quanto tempo vai levar”, disse a amiga de Mateus, Mariana Falone.

Agressão

Mateus foi agredido durante um protesto na Praça do Bandeirante, no centro de Goiânia, na última sexta-feira (28). Na ocasião, mascarados entraram em confronto com policiais militares, momento em que o estudante foi atingido e ficou caído no chão. O capitão saiu correndo. Já o rapaz recebeu os primeiros socorros de outros manifestantes.

Uma sequência de imagens mostra o momento exato em que ele é atingido no rosto por um cassetete, que estragou. A situação também foi registrada em vídeo.

Amigos do Mateus, que preferiram não se identificar, disseram à TV Anhanguera que ele estava sem máscaras e não participou de nenhum ato de vandalismo durante o protesto. Porém, antes da agressão, é possível ver que o estudante estava sem camisa perto dos policiais. Momentos depois, ele aparece com um capuz e parte do rosto encoberto, junto a um grupo de manifestantes mascarados.

A mãe de Mateus repreendeu a conduta do policial. “Ele [Mateus] não é bandido e, mesmo que fosse, a polícia não tem o direito de bater em ninguém, é um ser humano, gente, é um ser humano”, disse em entrevista à TV Anhanguera.

Após ser atingido por cassetete, Mateus fica caído no chão (Foto: Vitor Santana/G1)
Após ser atingido por cassetete, Mateus fica caído no chão (Foto: Vitor Santana/G1)

Repúdio

O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Orlando Amaral, também esteve no hospital nesta manhã em busca de informações sobre o estado de saúde do estudante. Mais cedo, a UFG, onde Mateus cursa o 3º período de ciências sociais, já tinha divulgado uma nota repudiando a agressão.

No hospital, o reitor voltou a criticar a postura da PM. “Ele estava lá junto com dezenas, centenas, milhares de outros estudantes, professores, a comunidade, a população em geral, e não se justifica uma atitude como essa, uma violência tão desproporcional, em uma situação que obviamente demandava uma postura diferente da polícia, que é o que nós esperamos”, disse o reitor.

A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) informou que condena as agressões sofridas por Mateus e que atos como este “ferem a ética da corporação e das demais forças que compõem a Segurança Pública, cuja missão é proteger vidas e jamais atentar contra qualquer cidadão”.

O comunicado destaca ainda que a “exigência de imobilização de eventuais manifestantes nunca justificará a transgressão de limites”. Por fim, pontua que, se confirmado autoria, a SSPAP será “rigorosa na punição administrativa e no encaminhamento para a esfera judiciária”.

Protesto

O protesto em Goiânia começou às 8h de sexta-feira, em frente a Assembleia Legislativa de Goiás, no Setor Oeste. Às 10h10, os manifestantes começaram a caminhar em direção à Praça Cívica. De lá, seguiram para a Praça do Bandeirante, também no Centro. Segundo os organizadores, 15 mil pessoas participaram. Já a Polícia Militar não divulgou o número de manifestantes.

Participaram da manifestanção entidades como a Central Única de Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde de Goiás (Sindsaúde), Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol), Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), entre outras.

De acordo com o presidente da CUT em Goiás, Mauro Rubem, diversos serviços públicos foram afetados durante a paralisação. “Bancos e escolas, inclusive particulares, estão fechados. Vários órgãos públicos também aderiram ao movimento, como o Ministério Público Estadual, Ministério da Saúde, Ministério do trabalho”, afirmou ao G1.

Durante o confronto, algumas agências bancárias que ficam no cruzamento da Avenida Goiás com a Anhanguera tiveram vidros quebrados por pessoas mascaradas. Além disso, comerciantes da região fecharam suas portas, por volta do meio-dia, com medo de invasões e depredações, e só reabriram após o fim do protesto.

Delegacia Eletrônica do DF é aperfeiçoada para facilitar navegação

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A nova plataforma da Delegacia Eletrônica, que já está no ar, vai facilitar o atendimento à população na busca pelos serviços da Polícia Civil. O leiaute proposto pela corporação permite identificar rapidamente o registro desejado, por meio de ícones com imagens na página principal.

De acordo com a Polícia Civil, a inovação tecnológica possibilita uma maior interação com a sociedade. Além disso, aperfeiçoa o uso por dispositivos móveis.

A novidade faz parte das comemorações do aniversário de Brasília, celebrado em 21 de abril.

Outras quatro novas naturezas criminais estão disponíveis para registro:

  • Evasão do local do acidente de trânsito (se não houver vítima)
  • Furto mediante fraude (quando a pessoa se passa por outra para obter o objeto em questão. Por exemplo: um indivíduo que se passa por agente de trânsito para furtar um carro)
  • Injúria real (quando um insulto não ofende apenas a dignidade ou o decoro, mas chega às vias de fato ou com agressão física)
  • Maus-tratos a animais

A diretora da Delegacia Eletrônica, Ana Carolina Litran Andrade, explica que esses delitos foram incluídos na plataforma digital devido a uma maior procura por eles nas delegacias. Com eles, sobe para 17 o número de opções de comunicados.

52.530Número de ocorrências registradas na Delegacia Eletrônica, de 1º de janeiro a 26 de abril

Para Ana Carolina, a alteração no site vai resultar no aumento de ocorrências registradas on-line. De 1º de janeiro a 26 de abril, foram 52.350.

A maior incidência ficou com furtos diversos: 4,7 mil (58% do total). Furto em interior de veículo, com 1.090 registros, segue com 13%, a mesma porcentagem de crime de estelionato (1.063).

Além dos citados, a Delegacia Eletrônica possibilita denúncia de:

  • Acidente de trânsito sem vítima
  • Ameaça
  • Apropriação indébita
  • Calúnia
  • Difamação
  • Injúria
  • Extravio
  • Injúria racial
  • Perturbação da tranquilidade
  • Perturbação do trabalho ou sossego alheios

O boletim de ocorrência (comumente chamado de B.O.) fica disponível 24 horas após o registro e é encaminhado para o e-mail informado pelo usuário.

Sugestões ou reclamações sobre o serviço podem ser enviadas à Polícia Civil pelo Fale Conosco – Ouvidoria, no site da corporação.

Casos que não podem ser registrados virtualmente

Outros crimes, como furto e roubo de veículos, homicídio e todos que se enquadrem na Lei da Maria da Penha, não podem ser registrados on-line. Também devem ser comunicados presencialmente, em uma delegacia de polícia, acidentes de trânsito com pessoas feridas, com motorista com sinais de embriaguez ou quando um dos envolvidos tenha fugido do local.

Companhias não têm data para iniciar cobrança por despacho de bagagem

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Após decisão que liberou, desde a sexta-feira (28) a cobrança extra no despacho de bagagem, ainda não há definição das companhias aéreas de quando as novas regras serão colocadas em prática. Na sexta, o juiz Alcides Saldanha Lima, da 10ª Vara Federal, no Ceará, derrubou a liminar que suspendia a cobrança, autorizando as companhias aéreas a vender passagens com a cobrança extra pela pela bagagem.

As companhias informaram que ainda estão avaliando a situação e que não há definição de quando a medida será posta em prática. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão que regulamenta o setor, informou que para passagens compradas anteriormente valem as regras do contrato, especialmente a de franquia de bagagem, mesmo que o voo ocorra após essa data.

A assessoria de imprensa da Gol disse à Agência Brasil que, por enquanto, “nada muda”. A empresa informou que vai “reavaliar internamente” a situação. “Assim que houver uma decisão comunicará os seus clientes. As regras de despacho de bagagem por enquanto continuam as mesmas.”

A assessoria da Latam informou que a companhia “segue a legislação do setor” e que não há ainda informação de quando colocará em prática a cobrança pelo despacho extra.

A Avianca informou à Agência Brasil que a companhia segue a mesma decisão desde quando a nova regra passaria a vigorar, em 14 de março: de não cobrar por despacho de bagagens. A empresa disse que vai “estudar essa questão mais profundamente durante os próximos meses, a fim de criar produtos tarifários customizados para melhor atender às necessidades dos diferentes perfis de clientes.”

A empresa considera ainda que a resolução da Anac que liberou a cobrança extra por bagagem beneficia “os passageiros, pois aproximam as práticas do setor aos padrões internacionais e estimularão o acesso de cada vez mais pessoas ao transporte aéreo.”

A Azul informou que segue o posicionamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e que ainda não há definição de quando iniciará a cobrança por bagagem extra. Em nota divulgada ontem (29) a associação disse que a cassação da liminar “é um avanço que vai beneficiar os consumidores e alinhar o Brasil a práticas internacionais há muito tempo consolidadas”.

De acordo com a entidade, a liminar proibia as empresas aéreas brasileiras de criarem classes tarifarias diferenciadas para os passageiros que transportam ou não bagagens e que o custo pelo transporte de bagagem acabava sendo diluído nos preços dos bilhetes de todos os passageiros, independente se ele viaja apenas com bagagem de mão ou se despacha mais de uma mala.

“Com a aplicação da norma estabelecida pela Anac, e assim como ocorre em todos os mercados importantes do mundo, as empresas nacionais poderão oferecer aos seus passageiros a possibilidade de adquirir bilhetes com preço equivalentes ao tipo de bagagem que transporta. Assim, o passageiros que viaja sem bagagem pagará menos e o passageiro que despacha bagagens pagará apenas por aquilo que transporta”, diz a nota da Abear.

As novas regras estava previstas para começar a valer em 14 de março, mas uma liminar da Justiça Federal de São Paulo concedida no dia 13 do mesmo mês suspendeu a cobrança. Pelas regras as empresas aéreas estão autorizadas a cobrar taxas adicionais pelas bagagens despachadas em voos nacionais e internacionais. O limite de peso da bagagem de mão também aumentou, passando de cinco para 10 quilos.

Em nota divulgada no sábado, a Anac disse que com a queda da liminar as empresas aéreas poderão praticar a venda de passagens com diferentes franquias de bagagem despachada ou até mesmo sem a franquia para passageiros que optarem por não utilizar o serviço: “a Anac entende que isso trará mais transparência, competitividade e benefício ao usuário do transporte aéreo.”

Para a agência reguladora, a oferta de passagens “com diferentes perfis torna o mercado ainda mais competitivo e, consequentemente, traz a possibilidade de passagens mais atraentes e adequadas aos interesses dos consumidores.”

Cantor e compositor Belchior morre aos 70 anos no Rio Grande do Sul

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(Do jornal O Povo) O cantor e compositor Belchior morreu na noite deste sábado, 29, em Santa Cruz do Rio Grande do Sul, aos 70 anos. Familiares confirmaram o falecimento, entretanto, não informaram a causa da morte. O corpo deve ser trazido para o Ceará ainda hoje. O sepultamento deve ocorrer em Sobral.

Em nota, o governador Camilo Santana decretou luto oficial de três dias no Estado e reconheceu a importância de Belchior para a música brasileira. Confira a nota na íntegra:

“Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior. Nascido em Sobral, foi um ícone da Música Popular Brasileira e um dos primeiros cantores nordestinos de MPB a se destacar no País, com mais de 20 discos gravados. O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará. Que Deus conforte a família, amigos e fãs de Belchior. O Governo do Estado decretou luto oficial de três dias.

Camilo Santana

Governador do Ceará”

 

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio também divulgou nota de pesar.

“A cultura musical cearense e de todo o País, assim como outras expressões das nossas artes, perde uma das suas mais marcantes personalidades. Não há como aferir o tamanho dessa perda que, infelizmente, encerra um longo e grave período de ausência de Belchior entre nós. É hora de nos solidarizarmos com os parentes, amigos e fãs, dentre os quais me incluo, alem de manifestarmos a nossa eterna gratidão por este cearense ter trazido ao mundo uma poesia transcendente em todos os seus aspectos.

Roberto Claudio Rodrigues Bezerra

Prefeito de Fortaleza”

A Associação Cearense de Imprensa também se manifestou em nota.

“A Associação Cearense de Imprensa (ACI) expressa seu pesar pelo falecimento do cantor e compositor cearense Belchior. Suas canções constituem um legado representativo para a Música Popular Brasileira”.

Relembre especial sobre os 70 anos do Belchior comemorado em 2016