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Prévia da inflação oficial registra taxa de 0,39% em janeiro, diz IBGE

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A prévia de janeiro de 2018 da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), registrou taxa de 0,39%. A taxa é superior às verificadas nas prévias dezembro de 2017 (0,35%) e de janeiro de 2017 (0,31%).

Segundo dados divulgados hoje (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 acumula taxa de 3,02% em 12 meses.

A alta da taxa mensal do IPCA-15 foi influenciada principalmente pelos alimentos, que tiveram seu primeiro aumento de preços em sete meses. Na prévia de janeiro, o grupo de despesas alimentação e bebidas teve inflação de 0,76%.

Os alimentos consumidos em casa tiveram alta de preços de 0,97%, com destaque para o tomate (19,58%), a batata-inglesa (11,70%) e as frutas (4,39%). As carnes tiveram aumento de preços de 1,53%.

A maior alta de preços entre os grupos de despesa do IPCA-15 foi observada, no entanto, entre os transportes, que tiveram inflação de 0,86%. Os combustíveis subiram 2,54%, com os aumentos de 2,36% na gasolina e de 3,86% no etanol. Os ônibus urbanos tiveram alta de 0,43% e os intermunicipais, de 0,94%.

O grupo habitação foi o único que registrou deflação (queda de preços), de 0,41%, devido às contas de energia elétrica, que ficaram 3,97% mais baratas.

Julgamento de Lula: saiba os cenários com as possíveis decisões do TRF4

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Por João Paulo Machado – Condenado em primeira instância a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá seu processo julgado, em segunda instância, a partir desta quarta-feira (24). O caso em questão é o do apartamento triplex, na cidade de Guarujá, no litoral paulista. O imóvel atribuído a Lula, segundo o Ministério Público Federal (MPF), seria fruto de um esquema de corrupção entre o ex-presidente e a empreiteira OAS. Lula, de acordo com as investigações, teria recebido um total de R$ 3,7 milhões em vantagens indevidas.

A defesa do petista, que nega as acusações, recorreu da condenação imposta pelo juiz Sergio Moro, em julho do ano passado, e agora o caso será analisado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sediado em Porto Alegre.

O processo está nas mãos dos desembargadores da 8ª turma do TRF4, composta por três magistrados: o relator do caso, João Pedro Gebran Neto, o revisor Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus. O tribunal poderá confirmar a condenação do ex-presidente ou absolver o petista. No entanto, desde o início da Lava Jato, os três desembargadores absolveram apenas cinco de 77 condenados, em primeira instância, por Sergio Moro.

Confira os possíveis resultados do julgamento

Caso um dos três desembargadores da 8ª turma do TRF4 realize um pedido de vista, solicitando mais tempo para apreciar o processo, o julgamento pode ser adiado. Neste caso, Lula continuaria com os direitos políticos preservados até a decisão dos magistrados.

Caso o TRF4 entenda que Lula deve ser absolvido, a condenação sentenciada, em primeira instância por Sergio Moro, será derrubada. Dessa forma, o petista estará livre para se candidatar a qualquer cargo público. Isso acontece, pois mesmo que o Ministério Público, que acusa o ex-presidente, recorra ao mesmo Tribunal ou a Cortes superiores, não haverá tempo suficiente para qualquer decisão, antes das eleições, em outubro deste ano.

Em caso de condenação, a defesa do ex-presidente poderá recorrer da decisão do TRF4, independentemente do cenário. No entanto, os recursos disponíveis para Lula variam de acordo com o resultado.

Sentença unânime

Este é o pior desfecho para o petista. Caso os três desembargadores da 8ª do TRF4 entenderem pela condenação, Lula poderá entrar junto ao Tribunal, apenas, com embargos de declaração. Esse recurso consiste no pedido de esclarecimentos de imprecisões, contradições ou dúvidas em relação à sentença. Enquanto o pedido é analisado, os efeitos do julgamento ficam suspensos.

Condenação com divergências

Neste cenário, além dos embargos declaratórios, a defesa também poderá entrar com embargos infringentes. Esse recurso consiste na tentativa de prevalência do voto perdedor, sobre os votos vencedores. Dessa forma, a análise da sentença passa a ser feita por seis magistrados, incluindo os três que tomaram a primeira decisão. Portanto, esse recurso pode mudar o resultado do julgamento.

Inelegibilidade e Prisão

Esgotados todos os recursos no TRF4, confirmando-se a condenação, o ex-presidente poderá ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficando impedido de concorrer a qualquer cargo público. No entanto, a inelegibilidade precisa ser confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com o fim da análise dos recursos pelo TRF4, a prisão do ex-presidente pode ser decretada pelo Tribunal. Caso isso ocorra, Lula poderá solicitar um habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entenda o rito da sessão que definirá o futuro do ex-presidente Lula

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Por Hédio Júnior – Às 8h30 da manhã está marcada para começar a sessão que já mobiliza parte do país. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e outros cinco réus envolvidos no caso do Triplex do Guarujá, serão julgados pelos três desembargadores da 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Trata-se de um recurso, tanto da defesa quanto da acusação, da decisão proferida pelo juiz Sérgio Moro. A primeira pede a suspensão da pena. A segunda, a extensão dela.

O recurso envolve o favorecimento da Construtora OAS em contratos com a Petrobras. Lula é acusado de receber como propina um apartamento de três andares, de frente para o mar, no litoral paulista. Ele teria cometido os crimes de corrupções ativa e passiva e de lavagem de dinheiro.

Além de Lula, recorreram contra a sentença o ex-presidente da OAS, José Aldemario Pinheiro Filho, condenado em primeira instância a 10 anos e 8 meses; o ex-diretor da área internacional da OAS, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, condenado a 6 anos; e o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto, absolvido em primeira instância, mas que requer troca dos fundamentos da sentença.

O Ministério Público Federal recorreu contra a absolvição em primeira instância de três executivos da OAS: Paulo Roberto Valente Gordilho, Roberto Moreira Ferreira e Fábio Yonamine.

A sessão começa com a abertura do presidente da 8ª Turma, desembargador federal Leandro Paulsen. Em seguida, o relator, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, faz a leitura do seu parecer.

Após os dois magistrados, fala o representante do MPF que, por se tratar de diversos réus, terá 30 minutos para se manifestar. Logo depois, falam os advogados de defesa, com tempo máximo de 15 minutos cada réu. Ao todo será disponibilizada uma hora para o conjunto das sustentações orais da defesa.

A seguir, Gebran lê o seu voto. O revisor, desembargador Leandro Paulsen, faz o mesmo, seguido pelo desembargador federal Victor Luiz dos Santos Laus. O presidente da turma, então, proclama o resultado. Pode haver pedido de vista. Neste caso, o processo seria decidido em sessão futura, trazido em mesa pelo magistrado que fizer o pedido.

Caso confirmada a condenação, o TRF4 só pode determinar a execução da pena após o julgamento de todos os recursos do segundo grau. Os recursos possíveis são os embargos de declaração e os infringentes. Os de declaração ocorrem quando os votos não são unânimes, e a parte julgada pede esclarecimentos sobre a decisão. Já os embargos infringentes podem ser pedidos quando a decisão for por maioria e tenha prevalecido o voto que desfavoreça o réu. Por meio deste recurso, o réu pode pedir a prevalência do voto mais favorável.

Governo do Distrito Federal entrega mil escrituras em Samambaia

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O governador Rodrigo Rollemberg participou da cerimônia na manhã desta terça-feira (23), na Quadra QN 831. Desde 2015, foram distribuídos 45.127 documentos do tipo

Mil escrituras definitivas de doação lotes foram entregues nesta terça-feira (23), em Samambaia Norte. Com essas, somam-se 45.127 documentos desse tipo entregues desde 2015 — dessas, 10.577 apenas na região administrativa contemplada hoje.

A cerimônia desta terça ocorreu na Quadra QN 831, com a participação do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

“Ter a escritura dá segurança jurídica ao morador e contribui para valorizar o patrimônio das pessoas”, disse o chefe do Executivo local.

Waldemar Cardoso, de 71 anos, esperou 50 anos por isso. “Este documento é a minha dignidade conquistada”, disse o autônomo, que mora na região com a esposa.

Rollemberg comemorou o fato de ter conseguido entregar até agora mais escrituras do que outros governantes do DF. “O nosso objetivo é que até o fim deste ano sejam distribuídos 63 mil documentos”, disse.

A entrega dos documentos é feita pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab).

Habita Brasília

A regularização fundiária faz parte do Lote Legal, um dos eixos de atuação do programa Habita Brasília, que tem como objetivo proporcionar moradia digna aos cidadãos, e, dessa forma, garantir o planejamento das cidades e evitar a grilagem de terras.

As escrituras entregues hoje são do tipo reconhecimento de ocupação e concessão de uso, que devem ser registrados em cartório e, então, convertidos em escritura definitiva.

Pessoas com renda de até três salários mínimos têm isenção na lavratura do documento. É preciso pagar apenas a taxa de registro em cartório, que varia de R$ 300 a R$ 600.

Temer se reúne com ministro da Justiça e advogada-geral da União

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O presidente da República, Michel Temer, está reunido com os ministros da Advocacia-Geral da União (AGU), Grace Mendonça, e da Justiça, Torquato Jardim, e com o subsecretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha. O encontro é realizado no Palácio da Alvorada.

Segundo o Palácio do Planalto, a reunião foi convocada para discutir assuntos de natureza jurídica.

Ontem (19), a AGU recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para manter a deputada Cristiane Brasil como ministra do Trabalho. A apelação foi protocolada depois que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), segunda instância da Justiça Federal no Rio de Janeiro, negou três recursos apresentados pelo órgão.

Também na sexta-feira, a defesa do presidente Michel Temer enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação em que pede que o inquérito no qual ele é investigado seja logo enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), para que o órgão solicite o arquivamento das investigações por falta de provas.

No pedido, o advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz, apresentou diferentes pareceres de diversos órgãos do governo, entre eles da Secretaria dos Portos e do Ministério dos Transportes, atestando que a empresa Rodrimar não se beneficiou com a publicação do Decreto 9.048/2017, conhecido como Decreto dos Portos.

Dia histórico para Brasília: Lixão da Estrutural é definitivamente fechado

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Ato simbólico na manhã deste sábado (20) marcou o encerramento das atividades do depósito a céu aberto. Cerimônia contou com a presença do governador de Brasília

As portas do aterro controlado do Jóquei, conhecido como lixão da Estrutural, foram trancadas pelo governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, na manhã deste sábado (20). “Viramos essa página vergonhosa da história da nossa cidade.”

O ato simbólico, acompanhado pela diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Kátia Campos, marcou o encerramento das atividades do segundo maior depósito lixo a céu aberto do mundo.

Emocionado, Rollemberg definiu o momento como um salto civilizatório para Brasília e para o País e destacou que a medida, tomada de maneira correta, cumpre a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Com o fechamento do lixão, o Aterro Sanitário de Brasília entra em pleno funcionamento. “É uma etapa fundamental para que possamos receber resíduos de forma adequada, protegendo o meio ambiente e as pessoas”, ressaltou o governador.

A desativação do aterro controlado do Jóquei ocorre após quase 60 anos. Com 201 hectares, a área está próximo ao Parque Nacional de Brasília e a cerca de 20 quilômetros da Esplanada dos Ministérios.

Agora, o lugar ficará restrito para o descarte de resíduos da construção civil. Pelos próximos dias, esse tipo de material deve ser destinado aos distritos rodoviários do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF), para posteriormente seguirem à área do já extinto lixão.

Catadores de material reciclável trabalharão em galpões de triagem

Como parte da série de ações que integram o processo de fechamento, oito organizações de catadores de material reciclável foram selecionadas para trabalhar nos galpões de triagem alugados pelo governo de Brasília.

Os cinco galpões ficam nos Setores de Indústria e Abastecimento (SIA) e Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA), no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (Saan) e em Ceilândia.

Devido à redução da demanda de resíduos com a desativação do aterro controlado, os trabalhadores receberão uma compensação financeira temporária de R$ 360,75.

Além do que receberão pela venda do material reciclável, o governo pagará às cooperativas até R$ 350 por tonelada triada.

As remunerações serão de R$ 250 (para aproveitamento de até 40% dos resíduos separados); de R$ 300 (de 40% a 70%); e de R$ 350 (para mais de 70%).

“Por isso podemos hoje fechar o lixão em paz, com a valorização dessa profissão tão importante do ponto de vista ambiental, que é o catador de material reciclável”, avaliou o governador. “Daremos condições de trabalho digna para que essas pessoas possam desenvolver a atividade da melhor forma possível.”

A inclusão dos catadores também abrange a contratação de cooperativas para prestar serviços de coleta seletiva. Esse modelo é adotado desde maio de 2015, quando quatro grupos de catadores assumiram o trabalho em quatro regiões.

Na terça (16), mais sete cooperativas assinaram contratos para prestar serviços de coleta seletiva em dez regiões do DF.

“Vamos viver um novo tempo de produção e de cuidado com os resíduos”, defendeu Rollemberg, que reforçou a necessidade de a população estar atenta à coleta seletiva.

Além disso, 900 catadores de material reciclável também atuam como agentes de cidadania ambiental. Eles são multiplicadores de informações sobre gestão e educação ambiental e sustentável e têm direito a bolsa mensal de R$ 300. A medida tem como objetivo criar condições mais favoráveis à coleta seletiva no DF.

Mulher que atropelou casal no DF responderá por homicídio com dolo eventual

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A servidora da Câmara dos Deputados Luciana Pupe Vieira, de 46 anos, vai responder por homicídio com dolo eventual pelo atropelamento de um casal de idosos ontem (18), em Brasília. Os dois faziam uma caminhada na via principal do bairro Lago Norte quando foram atingidos pelo veículo, que vinha em alta velocidade.

As vítimas, o auditor fiscal Evaldo Augusto da Silva, de 76 anos, e a servidora aposentada da Câmara dos Deputados Dulcinéia da Silva, de 71 anos, morreram na hora. A motorista ficou em estado grave e foi encaminhada a um hospital com traumatismo craniano e fraturas expostas. Ela se encontra em coma induzido.

Em audiência de custódia, realizada sem a presença de Luciana, o juiz responsável decidiu que a autora vai responder o processo em liberdade devido ao seu estado de saúde.

A Polícia Civil do Distrito Federal decidiu autuar a motorista por dolo eventual por avaliar que ela não teve a intenção de matar, mas assumiu o risco ao dirigir em alta velocidade. A polícia tomou como base para essa conclusão relatos de testemunhas no local. O velocímetro do veículo estava travado em 120 quilômetros por hora (km/h), embora o limite da via fosse de 60 km/h.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Mônica Ferreira, uma das hipóteses em análise é a de que Luciana Pupe tem diabetes e teria sofrido uma crise em razão de queda do nível de açúcar no sangue. A encarregada das investigações ponderou que essa versão só poderá ser esclarecida após perícia, cujo resultado deve sair em 15 a 30 dias.

A delegada reforçou que é preciso avaliar os laudos para saber “se diante de uma doença como diabetes, a pessoa pode ter tido mal súbito”. Monica Ferreira indicou que o comportamento da motorista foi estranho uma vez que ela passou da entrada da sua casa e invadiu a ciclovia.

Também foi solicitado exame toxicológico para as equipes de saúde do hospital onde ela está internada para averiguar se houve consumo de alguma droga. Integrantes do Corpo de Bombeiros que estavam no local do acidente informaram não ter identificado sinal de embriaguez. A Polícia Civil vai concluir o inquérito e repassar o resultado ao Ministério Público.

Criação de superdelegacias tenta esconder a crise na PCDF, denuncia Sinpol-DF

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As mudanças na estrutura da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) oficializadas nesta sexta, 19, representam mais uma tentativa da Direção-Geral da instituição e do Governo do DF (GDF) em amenizar os prejuízos decorrentes do déficit no efetivo.

A medida também precariza ainda mais as condições de trabalho dos policiais civis, que já enfrentam um cenário de completo desrespeito e desvalorização, conforme alerta o Sindicato dos Policiais Civis do DF (Sinpol-DF).

“Há, hoje, mais de quatro mil cargos vagos na PCDF – 50% do que seria o mínimo ideal. As ‘superdelegacias’ vão apenas aglutinar os policiais civis das delegacias que foram extintas, ainda que elas já operassem com um efetivo muito abaixo do mínimo”, explica Paulo Roberto Sousa, vice-presidente do Sinpol-DF.

O dirigente conta ainda que os servidores, inclusive, vão trabalhar em um espaço provisório, pois o antigo prédio do Instituto de Identificação, onde a duas novas unidades serão instaladas, ainda está em reforma. As equipes serão alocadas onde funciona a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). Lá, porém, os policiais civis ficarão amontoados, diante da inadequação do espaço.

A mudança dos critérios para nomeação dos chefes de seção de investigação delegacias, outra novidade dessa “reestruturação”, acaba com qualquer reconhecimento ou mérito decorrente da experiência dos policiais civis.

Antes, o Decreto 35.290/14 preconizava que “o cargo o cargo de Chefe de Seção de Delegacia de Polícia ou equivalente somente poderá ser ocupado por policial civil das duas últimas classes da carreira, ou que tenha exercido por pelo menos dois anos cargo com símbolo igual ou superior”.

O novo decreto, contudo, estabelece que a chefia poderá ser atribuída a “policial civil de classe especial e de primeira classe, salvo, em casos excepcionais, em que poderá ser exercido por policial civil de segunda classe”. Entretanto, não há explicação para o que seriam os “casos excepcionais”.

Para o sindicato, isso abre uma brecha para nomeações de chefia por critérios meramente subjetivos – o que pode permitir que delegados se utilizem desse poder para exercer assédio moral sobre os agentes de polícia e escrivães.

“A prática ocorre sobretudo como punição aos policiais civis que já estão perto ou no topo da carreira, com oito anos ou mais de serviço – que naturalmente deveriam, por mérito, ter a experiência valorizada – e não costumam se submeter ao desvio de função que virou praxe na PCDF”, pondera Paulo Roberto.

Essa “reestruturação”, segundo o vice-presidente do Sinpol-DF, não vem para otimizar o serviço, mas, sim, para tentar amenizar a falta de efetivo nas delegacias. Um exemplo é que à época da criação das Centrais de Flagrantes a intenção era mesma, porém a realidade se mostrou outra: essas delegacias funcionam com apenas com quatro agente de polícia e algumas até com três agentes de polícia quando deveriam ter, no mínimo, seis.

“Não é isso que vai resolver a crise da Segurança Pública, para a qual o governo fechou os olhos, tampouco terá resultados práticos no combate à corrupção. A solução é ampliar o efetivo, melhorar gestão e proporcionar mais independência na investigação e com a valorização dos policiais civis. Caminhos que são divergentes da realidade atual”, finaliza.

Fim da vergonha: GDF anuncia desativação do maior lixão da America Latina

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Entenda o caminho percorrido pelo governo de Brasília para desativar o depósito de lixo a céu aberto na Estrutural. Com 40 milhões de toneladas de resíduos, ele é o segundo maior do mundo e tem quase seis décadas de existência

Por Samira Pádua

Depois de quase 60 anos em atividade, o lixão da Estrutural deixa de receber os resíduos produzidos pelos moradores do Distrito Federal.

Em uma área de 201 hectares — o equivalente a cerca de 280 campos de futebol —, o depósito a céu aberto é o segundo maior do mundo e fica a menos de 20 quilômetros da Praça dos Três Poderes e a 12 quilômetros do Palácio do Buriti, sede do governo de Brasília.Bem perto da enorme montanha de lixo, a norte e a leste, está o Parque Nacional de Brasília, unidade de conservação. A oeste, passa o Córrego Cabeceira do Valo. Nas proximidades do riacho, agricultores produzem hortifrutigranjeiros em pequena escala.

O principal acesso ao lixão é pela pista norte da Via Estrutural, como é conhecida a Estrada Parque Ceilândia (DF-095). Na Quadra 5 da região administrativa da Estrutural, encontra-se a entrada de pedestres e carros de passeio.

Pela Quadra 12, chegam os veículos carregados para descarte. Foi por ali que entraram, somente em 2016, último ano de pleno funcionamento do local, 830.055 toneladas de resíduos domiciliares — o equivalente a 3,3 mil vezes a capacidade total de carga do maior avião do mundo.

O montante faz parte, segundo estimativa do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), dos cerca de 40 milhões de toneladas de lixo aterradas naquela área desde a década de 1960, quando a região da Estrutural começou a ser utilizada para esse fim.

O ponto mais alto da montanha de resíduos tem 55 metros de altura — pouco menos que o mirante da Torre de TV, com 75 metros.

Transformada em lixão sem que o solo fosse impermeabilizado, a área representa, portanto, sérios riscos ao meio ambiente e à saúde dos catadores e de toda a população do DF.

Esta reportagem especial reúne medidas adotadas pelo governo de Brasília para a desativação do local em 20 de janeiro e detalha a nova rota do lixo na capital do País, com o Aterro Sanitário de Brasília, inaugurado em janeiro de 2017, como ponto central do processo.

Da invasão à cidade — o surgimento da 25ª região administrativa do DF

O lixão de Brasília fica no Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA) — Estrutural, cuja população urbana foi estimada em 39.015 habitantes pela Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) de 2015, da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

A cidade se origina de uma invasão, com pessoas atraídas para o depósito de lixo em busca de meios de sobrevivência. Ao longo das décadas, foram diversas as tentativas de retirada das ocupações ilegais, todas sem sucesso.

O lixão, embora seja um local que gera preconceito para a nossa cidade, não é nosso. Ele é do DF inteiro”Maria Abadia Teixeira, coordenadora do Ponto de Memória da Estrutural

No início dos anos 1990, o agrupamento de barracos foi intitulado de Invasão da Estrutural, em alusão à rodovia que margeia a área e liga a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) ao Pistão Norte, em Taguatinga. Posteriormente, já em maior amplitude, transformou-se na Vila Estrutural e passou a pertencer à região do Guará.

Em janeiro de 2004, tornou-se a sede urbana do SCIA, criado em 1989 e transformado na 25ª região administrativa do DF pela Lei Distrital nº 3.315, de 27 de janeiro de 2004.

História de luta, resistência e conquista

Uma casa no Conjunto 14 da Quadra 3 guarda parte da história da região. Um passado de “luta, resistência e conquista”, repete a coordenadora do Ponto de Memória da Estrutural, Maria Abadia Teixeira, de 54 anos, ao apontar para dois grandes banners na parede, com as três palavras escritas.

Maria Abadia, coordenadora do Ponto de Memória da Estrutural, gesticula em frente a um cartaz com diversas fotografias antigas da Estrutural. No cartaz, há também o título: Luta
Maria Abadia Teixeira, de 54 anos, mantém viva a história da região no Ponto de Memória da Estrutural. Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Abadia explica que a relação com a cidade começou após visitas à irmã dela. Com o tempo, também fixou residência e, atualmente, mora na Estrutural há 20 anos.

“Foram grandes enfrentamentos pra gente ficar; depois, para os que ficaram terem direito de os filhos estudarem. As crianças sofriam muito, porque, pela pista que vem do Jóquei para cá e dá no lixão, passavam em média 200 caminhões por dia, com lixo, com entulho, com tudo”, recorda, ao destacar o alto fluxo dos veículos, a quantidade de poeira e lixo e os adoecimentos.

No Ponto de Memória, diversas imagens mostram os momentos de empenho da comunidade em busca de melhorias.

No passado, uma das paredes da entrada era estampada de ponta a ponta por exemplares do Diário Oficial do DF de 10 de janeiro de 2008, que trouxe, em mais de 50 páginas, a relação dos lotes e respectivos ocupantes no Projeto Urbanístico de Regularização da Zona Especial de Interesse Social Vila Estrutural.

Movimento de Catadores no Lixão da Estrutural. Foto: Brito/Arquivo Público do Distrito Federal-12.4.1995
Movimento de Catadores no Lixão da Estrutural. Foto: Brito/Arquivo Público do Distrito Federal-12.4.1995
Movimento de Catadores no Lixão da Estrutural. Foto: Brito/Arquivo Público do Distrito Federal-12.4.1995
Placa de Condominio Irregular na Cidade Estrutural. Foto: Luiz Neto/Arquivo Público do Distrito Federal-12.12.1995

De acordo com Abadia, levantamentos populacionais foram feitos por diferentes governos. No entanto, a precariedade das casas não permitia que os moradores mantivessem os documentos por muito tempo.

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Exemplares do Diário Oficial, fotografias e recortes de jornais contam a história da Estrutural. Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Daí a importância do impresso oficial. “Tem barraco que queima, barraco que não tem uma chave para guardar, e as pessoas vão perdendo. Com o Diário Oficial, não estava só guardado nas nossas mãos, estava guardado oficialmente.”

Depois de ressaltar avanços, como a construção da primeira escola da região, ela emenda, ao apontar para imagens que representam as vitórias: “As conquistas dizem tudo de nós, porque, sem luta, nada disso nós teríamos”.

O Ponto de Memória existe desde 2011 e é mantido por integrantes do Movimento de Educação e Cultura, composto por moradores locais e outras pessoas interessadas, como professores e estudantes.

PERIGOS DO LIXÃO

Na história do lixão do DF, a falta de estrutura e as condições inadequadas de trabalho dos catadores de materiais recicláveis resultaram em acidentes diversos.

Segundo dados do SLU, de 2009 a 2017, foram registrados pelo menos 47 acidentes. Na lista estão desde queimadura e queda até casos mais graves, como os que envolvem tombamento de carreta, perda da ponta dos dedos, braço decepado, atropelamento e morte.

Catadores em meio lixo que está sendo despejado por um caminhão
Catadores convivem com condições de trabalho inadequadas. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Quanto aos danos ao meio ambiente, o lançamento de resíduos sólidos urbanos é uma atividade potencialmente poluidora, conforme a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a Política Nacional do Meio Ambiente. Se feito inadequadamente, esse descarte é considerado crime pela Lei de Crimes Ambientais, de 1998.

Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, proíbe a colocação de lixo em locais a céu aberto e define como adequada ambientalmente a disposição dos rejeitos em aterros.

“O fechamento tem um impacto positivo na recuperação do meio ambiente. O lixão fica ao lado do Parque Nacional de Brasília, uma unidade de conservação que abriga a Bacia Santa Maria-Torto, o segundo maior reservatório do DF”, ressalta o secretário do Meio Ambiente, Igor Tokarski.

LISTADO PELA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS COMO UM DOS 50 MAIORES LIXÕES DO MUNDO, O DA ESTRUTURAL OCUPA, DE ACORDO COM ANÁLISE DO SERVIÇO DE LIMPEZA URBANA DO DF, A VICE-LIDERANÇA DO RANKING, ATRÁS APENAS DO DE JACARTA, NA INDONÉSIA.

Engenheiro civil com pós-doutorado em resíduos sólidos na Universidade Politécnica da Catalunha, na Espanha, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Murrieta envolveu-se nos debates em torno da elaboração da Lei nº 12.305.

“A situação ainda é muito grave na questão de resíduos sólidos no Brasil. Brasília teve uma melhoria considerável em 2017 porque inaugurou o aterro sanitário, mas até então era, talvez, a pior situação das capitais do País. Um descalabro”, analisa Murrieta, que pesquisa temas como disposição de resíduos urbanos e contaminação do meio ambiente.

Professor Pedro Murrieta, com as aspas: Brasília teve uma melhoria considerável em 2017 porque inaugurou o Aterro Sanitário, mas até então era, talvez, a pior situação das capitais do país
O professor da UnB destaca um dos principais problemas de lixões: o gás metano, que surge da decomposição da matéria orgânica. “Devido à ação dos microrganismos, essa matéria é transformada principalmente em gás metano, dióxido de carbono e chorume”, enumera.

“O metano, quando se mistura com o oxigênio em uma determinada porcentagem, pode explodir, pode queimar.” A inalação do gás — que é incolor e sem cheiro — pode causar parada cardíaca, asfixia e até danos no sistema nervoso central.

Obras para conter vazamento de gás na Escola Classe 1 da Estrutural
Sistema de tratamento do gás metano permitiu a reabertura da Escola Classe 1 da Estrutural em janeiro de 2017. Foto: Tony Winston/Agência Brasília – 23.9.2016
Ao exemplificar o perigo da substância, Murrieta resgata o caso da Escola Classe 1 da Estruturalreaberta em 2017 depois de interditada por cinco anos, após o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil constatarem alta concentração de gás metano no local.

 

A unidade foi construída em 2004, em madeirite, sobre um lixão desativado. Dois anos depois, recebeu estrutura de alvenaria, mas, em seguida, vieram os problemas decorrentes dos resíduos subterrâneos.

A interdição, em 2012, foi feita por questões de segurança, e, nessa época, professores e alunos afirmaram ter passado mal após longos períodos de permanência na escola.

Para a reabertura, no início de 2017, a Secretaria de Educação instalou equipamento para filtragem do ar. Aferido ao menos três vezes por dia, o índice de concentração de metano não chega a 1% em relação ao ar. Antes, ultrapassava os 30%.

O COMEÇO DO FIM

Um diagnóstico sobre o lixão feito pelo SLU em janeiro de 2015 foi o início de um processo que, meses depois, levou o governo de Brasília a declarar situação de emergência e perigo na limpeza urbana.“Tinha muita criança, tráfico de drogas, alimentos vencidos, carro desovado queimado”, relembra a diretora-presidente da autarquia, Kátia Campos.Em abril daquele ano, por determinação do governador Rodrigo Rollemberg, um grupo de trabalho com diversos órgãos começou a elaborar um plano de intervenção para encerrar as atividades irregulares.

Caminhões no Lixão da Estrutural

Uma das primeiras ações foi proibir a entrada de alimentos vencidos ou próximo de vencer vindos de supermercados e shopping centers. Parte do lixão era utilizada durante anos para esse tipo de descarte. Entre os catadores havia crianças e adolescentes, e produtos impróprios para a saúde eram consumidos e comercializados.

Antes disso, uma instrução normativa já havia determinado que prestadoras de serviço e pessoas que não trabalhavam no SLU deveriam se identificar para ter acesso ao lixãoA entrada ficou restrita à portaria principal, e foi iniciado o registro de ingresso e saída.

Outras medidas adotadas foram a colocação de placas sinalizadoras, o asfaltamento de uma das entradas, a criação de uma área de convivência e a instalação de banheiros químicos.

“Desde 2015, o lixão da Estrutural foi transformado em aterro controlado. Drenamos e queimamos o gás; drenamos o chorume; cercamos todo o perímetro; fizemos um fosso para evitar a entrada de carros sem autorização; compramos uma balança; e colocamos pesagem totalmente automatizada nos caminhões”, lista Kátia Campos.

Participação da sociedade civil na gestão de resíduos

Em agosto de 2015, tomaram posse os integrantes do Conselho de Limpeza Urbana (Conlurb) — colegiado de natureza consultiva que zela pela correta aplicação das normas relacionadas à gestão distrital de resíduos sólidos.

Foi a primeira vez que se instituiu o grupo, previsto na Lei nº 660, de 27 de janeiro de 1994. São 44 conselheiros, entre titulares e suplentes, representantes da sociedade civil e do governo.

Já em 2016, foi contratada consultoria para ajudar nos estudos para a elaboração, pelo governo, do Plano Distrital de Saneamento Básico e do Plano Distrital de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Os documentos abordam soluções de curto, médio e longo prazos que deverão ser implementadas ao longo de 20 anos, com acompanhamentos periódicos.

Novas regras para grandes geradores de resíduos

Até julho de 2017, o SLU era o responsável por recolher e dar destinação tanto ao lixo domiciliar dos moradores do DF quanto aos resíduos dos grandes geradores não residenciais.

Mulher descarta saco lixo em caçamba de lixo
Grandes geradores de resíduos têm obrigação de dar a correta destinação ao lixo produzido. Foto: Andre Borges/Agência Brasília – 20.7.2017

A Lei nº 5.610, de 16 de fevereiro de 2016, transferiu aos grandes geradores a obrigação de cuidar dos resíduos produzidos por eles, por meio de equipe própria ou contratação de empresa cadastrada no SLU. A legislação não se aplica a residências.

Prazos escalonados para o cumprimento da norma passaram a ser cobrados a partir de agosto de 2017, e a retirada dos recicláveis secos é mantida pelo SLU para aqueles que desejarem. As normas contribuíram para reduzir a quantidade de resíduos do lixão.

GRANDES GERADORES SÃO ESTABELECIMENTOS QUE PRODUZEM DIARIAMENTE, EM MÉDIA, MAIS DE 120 LITROS DE LIXO NÃO RECICLÁVEL, COMO PAPEL HIGIÊNICO, FRALDA DESCARTÁVEL, ABSORVENTE ÍNTIMO E PEÇAS DE LOUÇA. EXEMPLOS SÃO TERMINAIS RODOVIÁRIOS, AEROPORTOS, EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E COMÉRCIOS, COMO SHOPPINGS, SUPERMERCADOS, RESTAURANTES E ATÉ PADARIAS.

A NOVA ROTA DO LIXO

Da sacolinha deixada na lixeira do prédio ou na porta de casa às centenas de sacos descartados por estabelecimentos comerciais. Dos restos de uma pequena reforma ao excedente da construção civil. Tudo teve o lixão como destino por muito tempo.Com o encerramento das atividades, as sobras da construção civil continuarão indo para a Estrutural, até a implementação de espaços para acomodá-las.O restante segue, após triagem, para o Aterro Sanitário de Brasília, cujas obras foram retomadas em 2015, em uma área entre Samambaia e Ceilândia. Projetada para comportar 8,13 milhões de toneladas de lixo, a construção é dividida em quatro etapas.O local recebe apenas rejeitos (materiais não reutilizáveis) — método que minimiza impactos ambientais e que está previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Imagem aérea de um caminhão no Aterro Sanitário de Brasília. Há muito lixo atrás do caminhão.
O Aterro Sanitário de Brasília recebeu 260 mil toneladas de rejeitos em 2017. Capacidade total é de 8,13 milhões de toneladas de lixo. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília – 1.11.2

São 760 mil metros quadrados de área, 320 mil deles para rejeitos. A primeira etapa tem 110 mil metros quadrados e é dividida em quatro células de aterramento.

Diferentemente do lixão da Estrutural, a disposição dos rejeitos no aterro é precedida por uma série de cuidados. Diversas camadas têm o papel de evitar a contaminação do lençol freático.

A mais profunda delas tem 1,25 metro de terra compactada. Por cima, há uma manta de polietileno de alta densidade. Essas duas partes impedem que o chorume chegue ao solo. A camada da superfície, de 50 centímetros de terra, é a que recebe os rejeitos e protege a manta de possíveis danos.

Abaixo de todas essas camadas há drenos de captação de águas subterrâneas, que evitam rupturas motivadas pela pressão desse líquido. Outra técnica é a compactação diária do lixo, o que reduz o volume e evita a proliferação de animais, como roedores e urubus.

Em 2017, o Aterro Sanitário de Brasília recebeu 260 mil toneladas de rejeitos.

ATERRO SANITÁRIO DE BRASÍLIA

Inclusão social dos catadores de materiais recicláveis

O novo aterro não conta com a presença de catadores, que atuam em galpões de triagem da coleta seletiva disponibilizados pelo governo — inicialmente alugados, até que as obras dos locais definitivos estejam concluídas.

Como forma de compensá-los pela redução da demanda de resíduos, os cadastrados das cooperativas que trabalham nessas áreas de triagem têm direito a receber mensalmente uma ajuda financeira temporária.

Ao grupo, além dos valores recebidos pela venda do material triado, o governo paga por tonelada comercializada.

Além disso, cooperativas e associações que têm local adequado de trabalho e foram selecionadas por chamamento trabalham como contratadas pelo governo para prestar os serviços de recuperação de resíduos sólidos — o que inclui recepção, triagem, prensagem, enfardamento, armazenamento e comercialização. Essas também têm direito a uma quantia por tonelada comercializada.

Catadores de material reciclável vão trabalhar em galpões de triagem alugados pelo governo de Brasília.
Governo alugou e equipou galpões de triagem para receber os catadores de materiais recicláveis. Foto: Tony Winston/Agência Brasília – 16.1.2018
A política para catadores envolve ainda a seleção para atuarem como agentes de cidadania ambiental. Eles recebem bolsa mensal e agem como multiplicadores de informações voltadas à gestão e à educação ambiental e sustentável.

Para a inserção dos filhos dos catadores, uma alternativa tem sido o Brasília + Jovem Candango — programa de aprendizagem que promove a integração ao mercado de trabalho em órgãos públicos do DF de jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Catadora de materiais recicláveis há 18 anos, Lucia Fernandes do Nascimento, de 42 anos, conta que saiu de Luziânia (GO) em busca de melhores condições de vida. Fez morada na Cidade Estrutural.

Trabalhando no depósito a céu aberto, conseguiu erguer a casa própria e adquirir outros bens. “O lixão, para os catadores, foi bom, mas lixão nenhum é digno de ser humano trabalhar. A gente trabalhou lá por necessidade”, avalia.

A Cooperativa de Reciclagem Ambiental da Cidade Estrutural (Coorace), presidida por Lucia, é uma das que ocupam galpões de triagem alugados pelo governo local. O que, para ela, é um desafio. “Está sendo uma experiência trabalhar em conjunto, tudo dividido entre todos.”

As mudanças ajudaram a cooperativa a crescer. Hoje, além do trabalho no galpão, o grupo está cadastrado no SLU para atuar na coleta, no transporte e na destinação final dos resíduos produzidos pelos grandes geradores. Além disso, uma associação formada boa parte por cooperados da Coorace foi uma das contratadas pelo SLU para prestar serviços de coleta seletiva.

Temer assina projeto de lei com regras para privatização da Eletrobras

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O governo vai enviar ao Congresso Nacional o projeto de lei (PL) que propõe a privatização da Eletrobras. O texto foi assinado nesta sexta (19) pelo presidente Michel Temer.

A operação se dará por meio de aumento do capital social da empresa, que o governo considera “democratização do capital da Eletrobras”. Pela proposta, nenhum acionista poderá ter mais de 10% de poder do voto. O objetivo, segundo o Planalto, é evitar que outra companhia tome o controle da estatal.

O projeto também prevê que a União terá ações especiais na Eletrobras após a privatização, chamadas de “golden share”, que dão a seu detentor direitos como garantia de indicação de um membro do Conselho de Administração.

Itaipu e Eletronuclear

O projeto exclui do processo de desestatização da Eletrobras a Eletronuclear, subsidiária da estatal, e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, controlada pelo Brasil em conjunto com o Paraguai. No caso da empresa responsável pelas usinas nucleares brasileiras, o motivo é uma questão de monopólio constitucional. No caso de Itaipu, a manutenção do controle da União atende a um Tratado Internacional firmado com o Paraguai.

Tarifas

Segundo o governo, a privatização da Eletrobras levará à redução das tarifas pagas pelo consumidor. O Planalto também argumenta que a abertura de capital da empresa fortalecerá o setor, com a expansão de investimentos e o aprimoramento da oferta de energia. No entanto, cálculos de simulação de impactos tarifários realizados em novembro pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam um aumento de 2,42% a 3,34% nos preços no pior cenário. Isso ocorreria, segundo a agência, porque os preços passariam a ser suscetíveis às variações do mercado, tal como ocorre hoje com os combustíveis, por exemplo.

Justiça

A privatização da Eletrobras, no entanto, também está na esfera judicial. A Medida Provisória (MP) 814, editada por Temer em 29 dezembro de 2017, retirava de uma das leis do setor elétrico a proibição de privatização da Eletrobras e de suas subsidiárias. Mas, no início de janeiro, o juiz Carlos Kitner, da Justiça Federal em Pernambuco, concedeu uma liminar para suspender o artigo envolvendo a Eletrobras.

A União recorreu da decisão, mas teve seu recurso negado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) em Pernambuco.

A Eletrobras é a maior holding do setor elétrico da América Latina e a 16ª maior empresa de energia do mundo, detendo 30,7% da capacidade de geração de energia do Brasil. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o valor patrimonial da Eletrobras é de R$ 46,2 bilhões, e o total de ativos da empresa soma R$ 170,5 bilhões.