A Lei Complementar 985/2021 vai permitir que capelas como a São João Paulo II, no Park Sul, tenha a infraestrutura reformada, adequando o espaço físico para melhor acolher os fiéis | Foto: Paulo H Carvalho / Agência Brasília
Governador Ibaneis amplia em 300% a oferta do documento, trabalho que vai ser ainda maior com sanção de nova lei
A Paróquia Divino Espírito Santo/Nossa Senhora do Santo Cinto, no Riacho Fundo I, é responsável por um belo e importante trabalho social na região, ainda mais em época de pandemia. Por meio de doações, atende cerca de 100 famílias em vulnerabilidade social com a entrega de cesta básica mensais e de kits escolares para crianças em idade escolar. Também faz parcerias com empresas locais para oferecer produtos a preços populares às pessoas carentes da comunidade. Mas uma coisa tirava o sono do padre que comanda a paróquia, Flávio Moreira: a falta de um documento que comprovasse a propriedade.
“Ficava preocupado com a possibilidade da fiscalização bater aqui e fechar a igreja, interrompendo nosso trabalho”, afirma. A insegurança jurídica acabou na tarde desta sexta-feira (9) quando a instituição, e outras 13 entidades religiosas, receberam a escritura do terreno público que ocupam. A entrega foi feita em uma solenidade promovida virtualmente pela Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) e os documentos serão enviados pelos Correios.
“Já temos, neste momento, outras 62 minutas de escritura de que estão na fase final de lavratura em cartório. Corremos bastante nesses primeiros 100 dias do ano. A previsão é que façamos entregas mensais”Leonardo Mundim, diretor de Regularização Social e Desenvolvimento Econômico da Terracap
Desde 2019, a regularização dos templos e das entidades assistenciais do DF é prioridade para o GDF, por meio do programa Igreja Legal, criado pelo governador Ibaneis Rocha. Até o último dia 31 de março, os procedimentos eram baseados na Lei Complementar 806, de 12 de julho de 2009, que, entre outros critérios, previa a compra e a venda dos lotes em condições especiais. Era cobrado o valor da terra nua e o pagamento podia ser parcelado em até 240 meses.
Segundo Leonardo Mundim, diretor de Regularização Social e Desenvolvimento Econômico da Terracap, entre 2009 e 2018, foram regularizadas apenas 190 templos, uma média de 21 por ano. Em 2019 e 2020, foram emitidas 120 escrituras públicas, 60 por ano. São cerca de 300% a mais e a expectativa de aumentar ainda mais os números com a sanção da Lei Complementar Nº 985/2021, que ampliou a possibilidade de regularização dessas entidades.
“Essa é mais uma entrega dentro de centenas que virão. Estamos prontos para incrementar ainda mais esse ritmo”, diz. “Já temos, neste momento, outras 62 minutas de escritura de que estão na fase final de lavratura em cartório. Corremos bastante nesses primeiros 100 dias do ano. A previsão é que façamos entregas mensais”, ressalta.
Nova lei
A nova lei aumenta em dez anos o marco temporal das igrejas, templos e associações que podem ser regularizadas. Antes, apenas entidades religiosas ou de assistência social instaladas em imóveis públicos até 31 de dezembro de 2006 podiam ser regularizadas. Agora, esse prazo passou para 22 de dezembro de 2016, desde que as atividades estejam em funcionamento.
“A lei ataca os gargalos para dar uma resposta efetiva, uma solução definitiva para regularização desses parceiros importantes na sociedade”Kildare Meira, chefe da Unidade de Assuntos Religiosos do DF
Outra novidade é a redução do índice de correção monetária para o pagamento das parcelas de venda ou concessão dos templos e entidades. Ele passa a ser o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ao invés do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Em 2020, o IGP-M ficou em 23,14%, enquanto o IPCA fechou o ano em 4,51%. A atualização monetária atualmente ocorre em 1º de janeiro de cada ano vigente e muda para a data de aniversário da escritura pública ou do contrato de concessão da entidade beneficiada. A nova lei ainda traz a possibilidade de incorporação de dívidas anteriores no parcelamento.
Também na esteira econômica, a lei alterou o prazo de parcelamento dos terrenos, de 240 para 360 meses, sem incidência de juros. E, as entidades que optarem pela Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) – modalidade mais barata de regularização – passam a ter o prazo de vigência prorrogável sem limitação temporal. Anteriormente, ele era delimitado a até 60 anos.
As entidades que receberam a escritura na tarde desta sexta-feira (9) poderão pedir a mudança do índice de correção e a ampliação do prazo de pagamento.
“A edição desta lei demonstra que o GDF não está paralisado pela pandemia. Tem enfrentado com prioridade esse desafio da covid-19, mas não esquece dos demais que a cidade tem encarado, entre eles a regularização fundiária de igrejas e organizações sociais. A lei ataca os gargalos para dar uma resposta efetiva, uma solução definitiva para regularização desses parceiros importantes na sociedade”, aponta Kildare Meira, chefe da Unidade de Assuntos Religiosos do DF.
Mais cinco mil beneficiários
O padre Jorge Andrade, que considera a lei uma “questão de justiça”
A Lei Complementar 985/2021 vai permitir que mais cinco mil igrejas edificadas em terrenos públicos de propriedade da Terracap ou do DF sejam regularizadas. Como a Capela São João Paulo II, localizada no Park Sul, no Guará, que pode ter sua infraestrutura melhorada. Atualmente, o espaço funciona em tendas e contêineres que, no futuro, poderão dar lugar a um espaço físico mais adequado para acolher os fiéis. Responsável pela paróquia, o padre Jorge Andrade comemora a possibilidade de regularização.
“A sanção desta lei é uma reparação, uma questão de justiça. Estamos tratando de comprar um terreno que não vai gerar lucro. Pelo contrário, ele vem para ajudar na questão social, ampliar o nosso trabalho diário nesse sentido”, argumenta o padre. Ele lembra também a importância da fé para as pessoas. “A atividade religiosa é tão essencial quanto uma atividade médica. O homem não adoece só fisicamente e psicologicamente, ele também adoece espiritualmente. O ser humano é complexo e precisa de toda essa assistência”, aponta. A capela funciona desde 2014 em um espaço improvisado e espera, nos próximos anos, adquirir um terreno de cinco mil m².
Entre sexta-feira e sábado, foram feitas mais de 13 mil aplicações D1 e D2; vacinação neste domingo (11) será exclusivamente no Parque da Cidade
O Distrito Federal vacinou, nesta sexta-feira (09/4) e sábado (10/4), 8.232 pessoas com a vacina em primeira dose (D1) e 4.838 pessoas em segunda dose (D2). Os dados foram divulgados pelo Vacinômetro, distribuído para a imprensa e postado no site da Secretaria de Saúde – www.saude.df.gov.br. A vacinação de D1, no momento, está contemplando os idosos de 66 anos ou mais.
13.070pessoas foram vacinadas com as doses D1 e D2 entre a sexta-feira e o sábado
Na sexta-feira, 10.946 pessoas foram vacinadas no DF, sendo que 7.282 receberam a D1 e 3.664 receberam a D2. Já neste sábado, foram vacinados 2.124, dos quais 950 receberam a primeira dose do imunizante e 1.174 receberam a segunda dose.
O processo de vacinação continuará neste domingo (11), exclusivamente no drive-thru do estacionamento 13 do Parque da Cidade, das 9h às 17h, para vacinação Covid-19. A aplicação da vacina será preferencialmente para D2, mas, havendo demanda para D1, será atendida.
Com a chegada de um novo lote de vacinas no DF, mais pessoas puderam ser vacinadas contra a covid-19. Na última quinta-feira (8), foram recebidas 40,5 mil doses da vacina Covishield (Oxford/AstraZeneca) e outras 27,4 mil doses da CoronaVac produzidas pelo Instituto Butantan.
Agendamento
A vacinação para os idosos acima de 66 anos havia sido iniciada no dia 3 de abril, mas as doses disponibilizadas eram insuficientes para atender todo o público desse grupo. O prosseguimento da campanha no DF estava dependendo do recebimento de mais doses, que chegaram na manhã desta quinta-feira (8). A estimativa é de que haja mais de 18 mil idosos no DF nessa faixa etária.
Profissionais de saúde de consultórios, clínicas, laboratórios, farmácias, funerárias e do Instituto Médico Legal (IML) poderão realizar agendamento para receber a primeira dose da vacina a partir desta segunda-feira (12). A marcação estará disponível no site vacina.saude.df.gov.br , a partir das 10 horas.
Fazem parte do grupo prioritário desta fase os profissionais associados aos conselhos de medicina, enfermagem, técnicos em radiologia, biologia e serviço social. Também estarão contemplados agentes funerários, profissionais do IML, acadêmicos da saúde, trabalhadores de laboratórios e fiscais sanitários.
Hospital de Base adota técnica simples que transmite sessão de calor humano e faz com que os doentes, isolados na UTI, se sintam amparados
Solidão, incerteza e medo são alguns sentimentos de quem passa dias ou meses internado com covid-19. Quem acompanha toda essa dor são os profissionais de saúde. São eles que se esforçam para oferecer, além de cuidados médicos, conforto físico e mental aos acometidos pela doença. Foi buscando aprimorar esse atendimento que profissionais da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid-19 do Hospital de Base adotaram uma técnica que ajuda os internos a enfrentarem a doença.
“Enchemos duas luvas com água morna. Colocamos uma das mãos da pessoa entre as duas luvas. Ele passa a ter a sensação de que alguém está segurando sua mão. Isso produz conforto psicológico, ajudando a acalmar a pessoa”Thaís Ribeiro, gerente de enfermagem do HB
A técnica consiste em usar luvas cirúrgicas cheias de água morna para transmitir a sensação de calor humano. Thaís Ribeiro, gerente de Enfermagem, explica como funciona: “Enchemos duas luvas com água morna. Colocamos uma das mãos da pessoa entre as duas luvas. Ele passa a ter a sessão de que alguém está segurando sua mão. Essa sensação produz conforto psicológico, ajudando a acalmar pessoa”.
Thaís descobriu a técnica ao pesquisar na internet métodos simples que, porém, produzem grandes benefícios à saúde mental e física dos pacientes. “Vi que outros hospitais públicos brasileiros estavam usando essa técnica em internos com coronavírus”, revelou. “Então, decidi adotá-la também no Hospital de Base. O resultado tem sido positivo”.
Pacientes reagem bem
A técnica também foi aprovada pela enfermeira-chefe da UTI Covid-19 do Hospital de Base, Josilene Cardoso Pereira. Ela percebeu que os submetidos ao relaxamento com as luvas mornas ficaram bem mais tranquilos. “Observamos que os internos da UTI, que se sentem sozinho, ficaram mais tranquilos”, relata. “Essa reação foi ainda melhor nos que começam a retomar, aos poucos, a consciência”.
Além do bem-estar, o método facilita averiguar o quadro clínico dos pacientes. Isso porque, as luvas ajudam a esquecer as mãos dos enfermos para que se possa medir o grau de saturação de oxigênio, conforme avaliação da enfermeira-chefe.
Josilene Pereira explica que o uso de drogas evasivas, usadas para ajudar na circulação do sangue, faz a temperatura do paciente baixar, dificultando a aferição, que é feita por meio de contato com os dedos do doente. Já as luvas aquecem as mãos, elevando a temperatura corporal e facilitando medir a saturação de oxigênio. Antes, eles usavam luvas de pano e algodão ortopédico ara fazer esse trabalho.
O conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse neste sábado (10) que a China quer trabalhar com o Brasil para promover sua parceria estratégica abrangente a fim de continuar fazendo novo progresso.
Wang fez o comentário em uma conversa por telefone com Carlos Alberto Franco França, ministro das Relações Exteriores do Brasil.
Ao parabenizar França por sua nomeação como ministro das Relações Exteriores, Wang disse que como grandes países em desenvolvimento, representantes das economias emergentes e parceiros no Brics, a China e o Brasil são forças importantes impulsionando a multipolarização do mundo e compartilhando interesses comuns extensivos e estreitos.
A China, segundo Wang, sempre valoriza e desenvolve as relações com o Brasil de uma perspectiva estratégica de longo prazo, colocando o Brasil em uma das direções de prioridade para seus laços estrangeiros.
Após o surto da pandemia da covid-19, a China e o Brasil têm combatido a pandemia com solidariedade e superado as dificuldades juntamente. Apesar da tendência adversa, a cooperação pragmática tem crescido, com progresso estável em muitos projetos grandes, o que reflete completamente a forte resiliência da cooperação dos dois países, disse Wang.
Ao indicar que o vírus é o inimigo comum da humanidade, Wang disse que atualmente a pandemia no Brasil e outros países na América Latina está ainda muito severa.
A China se compadece com o Brasil e apoia firmemente os esforços do governo brasileiro para conter a pandemia e restaurar sua economia, disse Wang, acrescentando que a China, dentro de sua capacidade, quer continuar com a cooperação de vacina com o Brasil para satisfazer sua necessidade urgente.
Ele disse que as economias da China e do Brasil têm vantagens complementares óbvias e grande potencial de crescimento, e que a cooperação é de interesse fundamental dos dois países e povos.
Os dois lados devem promover o crescimento estável do comércio bilateral e expandir ativamente a cooperação em 5G, economia digital, inteligência artificial e outras áreas. Acredita-se que o Brasil fornecerá um ambiente de negócio justo e aberto para as empresas chinesas operando no país, disse Wang.
Ao destacar que a China e o Brasil buscam políticas estrangeiras independentes e respeitam a soberania e integridade territorial um do outro, Wang pediu que os dois países continuem a se entender e a se apoiar nos assuntos relacionados com seus interesses fundamentais respectivos.
Mirando a nenhum terceiro lado, a cooperação China-América Latina se foca no desenvolvimento comum e cooperação pragmática, o que satisfaz as necessidades dos dois lados, disse Wang, indicando que o Brasil desempenhará um papel importante e ativo nesse respeito.
Por sua parte, França, que agradeceu a Wang os parabéns, assinalou que as relações Brasil-China são de grande significado estratégico e que os dois países têm feito cooperação saudável em várias áreas.
O chanceler brasileiro acredita que a conversa telefônica injetará ímpeto na cooperação bilateral.
O Brasil espera desenvolver ainda mais as relações harmoniosas com a China e realizar a cooperação a longo prazo, disse Franca, sugerindo que os dois países façam uso completo e melhorem os existentes canais de comunicação e mecanismos de cooperação bilateral, fortalecem seu diálogo estratégico e continuem a aprofundar suas relações.
Ao agradecer à China sua ajuda generosa ao Brasil desde o surto da pandemia, França lembrou que a China é um produtor importante de matérias-primas farmacêuticas no mundo.
Indicando que o Brasil está em necessidade urgente de vacinas e suprimentos médicos na luta contra a pandemia, França disse que seu país espera contínuo suporte forte da China.
A cooperação científica e tecnológica é de grande significado aos dois países, e o Brasil quer fortalecer a cooperação com a China nas áreas como a economia digital e 5G, e manter a comunicação estreita com a China na promoção da cooperação China-América Latina, acrescentou França.
As peças, que estavam na Residência Oficial de Águas Claras (Roac), vão passar por avaliação e restauração, caso seja necessário | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília
Começam a chegar primeiras esculturas do acervo de mais de mil obras. Espaço cultural passou por reforma e será reaberto após 14 anos
Após 14 anos fechado, o Museu de Arte de Brasília (MAB) está prestes a ser reinaugurado. Para compor o acervo de mais de mil obras – assinadas por grandes nomes da produção nacional, como Tarsila do Amaral – , as doze primeiras esculturas do catálogo chegaram nesta sexta-feira (9) ao espaço cultural. Dessas, onze são de artistas brasilienses e juntas custam mais de R$ 1,5 milhão.
“O MAB está começando a criar vida, tomar forma. Se o Distrito Federal é uma obra de arte, aqui é onde a arte se encontra. O GDF não mediu esforços para recuperar este espaço que estava abandonado há anos. Será um grande presente para o aniversário de Brasília”Bartolomeu Rodrigues, secretário de Cultura e Economia Criativa
As obras de arte, que estavam na Residência Oficial de Águas Claras (Roac), vão passar por avaliação e restauração, caso seja necessário. “O MAB está começando a criar vida, tomar forma. Se o Distrito Federal é uma obra de arte, aqui é onde a arte se encontra. O GDF não mediu esforços para recuperar este espaço que estava abandonado há anos. Será um grande presente para o aniversário de Brasília”, ressalta o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.
O gerente do espaço, Marcelo Gonczarowska, explica que as esculturas serão distribuídas pelo jardim, hall e pilotis do prédio. “Entendemos que o papel do MAB é contar a história da arte da capital e fazer a difusão dela. Muitos não conhecem os artistas daqui, então é uma forma de valorizar o trabalho deles”, comenta.
Reforma do MAB
O MAB irá obedecer às necessidades de segurança e acessibilidade, com dois elevadores para cadeirantes. Com isso, as pessoas com deficiência poderão ter acesso ao pavimento superior do prédio. No que diz respeito ao espaço e ao acervo, a novidade será a disponibilidade de uma reserva técnica com quase 600 metros quadrados, que não tinha, e laboratório de restauro e conservação novos, além de sala de triagem para receber e avaliar as obras.
Um dos principais destaques da obra são os sistemas de climatização – fundamental para o funcionamento de um museu – , e de energia solar. Toda a cobertura da construção irá captar a chuva para jogá-la nos tubos que vão até os reservatórios de águas pluviais no subsolo.
Haverá ainda uma passagem subterrânea que fará a ligação direta com a reserva técnica do museu e novas paredes de cobogós na parte inferior do prédio que se somam ao projeto original da fachada superior. Circundando o museu, terão gramas e árvores destacadas por luzes que vão fazer a integração entre a natureza e o concreto que tanto marca a arquitetura moderna de Brasília.
História
Às margens do Lago Paranoá, no Setor de Hotéis e Turismo Norte, o Museu de Arte de Brasília (MAB) nasceu praticamente junto com a cidade. Inaugurado em 1961, um dos espaços culturais mais charmosos da capital federal, serviu de anexo para o Brasília Palace Hotel, para o clube das Forças Armadas e, veja só, até para um casarão do samba.
Só em 1985 virou galeria de um acervo invejável de obras raras. O projeto estrutural foi assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e por Joaquim Cardozo. E o projeto arquitetônico foi de um jovem alagoano chamado Abel Carnauba Accioly, na época funcionário da Novacap como desenhista técnico. A importância do MAB para cidade é inegável e se resume tanto pelo seu peso histórico, quanto pela riqueza do acervo composto por mais de 1.300 peças.
Alguns médicos observam que o uso do medicamento tem surtido efeito no tratamento de seus pacientes, mas autoridades de saúde afirmam que estudos não são suficientes para comprovar eficácia
Na busca pelo tratamento precoce de pacientes com Covid-19, diversas prefeituras estão indicando Ivermectina para suas populações. O medicamento não tem indicação da Organização Mundial da Saúde (OMS), nem da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para combater a doença.
Em Uberlândia (MG), a Secretaria Municipal de Saúde elaborou um fluxograma para atendimento dos pacientes, no qual indica o vermífugo para casos suspeitos e leves da Covid-19.
A autônoma Karita Lopes é moradora da cidade do Triângulo Mineiro, e afirma que, assim como sua família, vai tomar o medicamento para se proteger do coronavírus.
“É difícil termos certeza de algo, mas as minhas tias tomaram, eu tenho primos que fazem uso contínuo desse remédio e ainda não pegaram. Conheço também algumas pessoas que já tomaram, pegaram o vírus e foi brando. Eu vou tomar”, afirma.
A empresária e influencer digital curitibana, Patricia Ziebart, conta que seguiu a recomendação do marido de uma prima, que é médico, e de seu ginecologista, para tomar Ivermectina no início dos sintomas da Covid-19.
“Ela [prima] me alertou: se você pegar Covid-19, me avisa que o Alexandre vai passar os medicamentos para você. Tem que ser no início da doença. Em outubro, senti os sintomas, entrei em contato com meu ginecologista – que eu sabia que era favor do tratamento precoce – ele me passou a receita, que era praticamente a mesma que meu primo me passou”, conta.
Em Macapá (AP), a prefeitura criou o Programa +Proteção, que distribui um complexo de vitaminas C e D, além de Zinco e Ivermectina, aos pacientes com Covid-19, para impedir a evolução da doença.
Chapecó (SC) também incluiu o tratamento medicamentoso com Ivermectina no plano de combate à pandemia, que também determina o funcionamento de todas as unidades de saúde e aplicação de testes rápidos. O prefeito João Rodrigues afirma que a gestão municipal optou pelo que fosse melhor para a população.
“Aqui nós não discriminamos a ciência e não desrespeitamos o dito popular, que muitos médicos e especialistas indicaram. Como prefeito da cidade, nós lideramos o processo, unimos o povo e adotamos todo e qualquer tratamento que possa dar resultado, cientificamente aprovado ou por médicos que já testaram e deu certo”, esclarece.
O que dizem as autoridades de Saúde
Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que, até o momento, o único medicamento aprovado no Brasil, com indicação aprovada em bula, para o tratamento da Covid-19 é o Rendesivir. Ainda assim, o Rendesivir tem uma indicação específica para determinados grupos de pacientes e sua prescrição deve ser feita por um médico.
Cabe ainda aos órgãos de vigilância locais a fiscalização de venda e dispensação de todos os medicamentos sujeitos à prescrição.
Também em nota, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) comunica que monitora periodicamente as evidências sobre possíveis intervenções terapêuticas para o manejo de pessoas com Covid-19. O relatório está disponível no link.
Embora 25 estudos clínicos randomizados tenham avaliado a Ivermectina em pacientes com Covid-19, apenas alguns deles relataram resultados clinicamente importantes. Os resultados combinados desses estudos sugerem redução da mortalidade com a Ivermectina. Porém, a certeza das evidências foi muito baixa devido às limitações metodológicas e ao pequeno número de eventos.
Segundo a OPAS, são necessárias mais informações a partir de estudos, com um desenho adequado, para confirmar ou descartar essas conclusões.
A organização continuará examinando os resultados dos ensaios clínicos publicados e sintetizando as evidências, para apoiar a formulação de recomendações.
Em seu portal, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que “as autonomias do médico e do paciente na escolha do tratamento devem ser respeitadas, conforme previsto na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos do Homem, permitindo-lhes definir em comum acordo e de forma esclarecida suas escolhas terapêuticas no enfrentamento da Covid-19, conforme previsto no Parecer CFM nº 4/2020”. O texto alerta, no entanto, que a autonomia não isenta o profissional de suas responsabilidades, conforme prevê o Código de Ética Médica.
Estudos Científicos
Uma pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (UFS) pretende determinar a eficácia da Ivermectina na prevenção ao agravamento dos sintomas de pacientes infectados pelo coronavírus. O estudo foi aprovado pelo Edital n° 11/2020 do Programa de Combate a Epidemias da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação.
No entanto, segundo o diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UFS e responsável pela pesquisa, Adriano Araújo, o estudo ainda está em fase inicial e em sigilo.
A médica da Atenção a Urgência e Emergência em leitos de contingência de semi-intensivo de Uberlândia, Carolina de Oliveira, afirma que a prática da medicina deve se basear em estudos científicos de qualidade.
“Um estudo observacional geralmente é um estudo de baixa confiança e um estudo clínico randomizado possui uma evidência maior. Então, para além da justificativa do uso de determinada intervenção, é necessária uma criticidade científica para analisar a qualidade da evidência”, afirma.
Ela cita um estudo, publicado em 2020 na Science Direct, feito com cultura de células in vitro. O resultado mostra uma redução de 99% da carga viral, com uma concentração de cerca de 5 microgramas de Ivermectina. No entanto, a dosagem era muito acima do recomendado.
“Levantou uma esperança muito grande. Porém quando foi publicado, levantou também preocupações consideráveis, porque na prática clínica superaria a dose aprovada na bula de 27 até 63 vezes. Nós nunca usamos uma dose dessa dimensão em clínica até hoje, desse tipo de medicação”. A doutora ressalta ainda que o estudo in vitro, ou seja, em laboratório possui variáveis muito diferentes do organismo humano.
A doutora Carolina de Oliveira também cita um estudo publicado na Journal of the American Medical Association (JAMA), no dia 4 de março de 2021, com o método randomizado duplo-cego, realizado com 476 pacientes com sintomas leves de Covid-19. Segundo a médica, as conclusões mostram não haver diferença entre o grupo que tomou placebo e o que tomou a Ivermectina.
Posicionamentos dos médicos
Para a doutora Carolina de Oliveira, a Ivermectina é um medicamento considerado promissor, mas os estudos ainda não são suficientes para comprovar sua eficácia.
“Não podemos falar que é uma medicação eficaz. E frente a essas informações é necessário muita cautela e orientação de seu uso, porque ela pode ter complicações. Não é conveniente fazer o abuso, a automedicação, o uso indiscriminado, sem ser prescrito”, recomenda.
Segundo a doutora Carolina de Oliveira, os médicos brasileiros recebem orientações das grandes sociedades e conselhos, além do próprio Ministério da Saúde, mas cada médico individualmente possui uma certa autonomia para prescrever e recomendar os cuidados para pacientes infectados pelo coronavírus.
“Inclusive, no guideline do Ministério da Saúde, até o momento, não há um medicamento específico para o tratamento do novo coronavírus”, ressalta a médica.
Para o médico neurocirurgião e especialista no enfrentamento de crises em Saúde, Paulo Porto, o médico deve ter autonomia para prescrever o que achar necessário para o tratamento do paciente, desde que tenha se capacitado para isso e esteja convencido da eficácia e da segurança dos fármacos que pretende indicar.
“O paciente tem o direito de ser tratado imediatamente quando a suspeita clínica é feita. É assim quando a gente suspeita de pneumonia; é assim quando a gente suspeita de câncer. A gente não pode perder tempo com doença nenhuma. Com a Covid-19 é a mesma coisa”, afirma.
Confira a entrevista completa sobre tratamento precoce da Covid-19 com o neurocirurgião Paulo Porto, no Entrevistado da Semana do portal Brasil61.com.
Inspirado na tradicional banheira do Japão, método ajuda no tratamento de recém-nascido internados na UTI
O “banho de balde”, uma técnica desenvolvida em 1997 na Holanda, está sendo utilizada com sucesso no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) para ajudar na recuperação de bebês submetidos a cirurgias ou procedimentos médicos mais agressivos. Recomendada pelo Ministério da Saúde, a técnica vem sendo adotada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do HRSM há três anos. Os pediatras do HB agora vêm atuando para que hospitais públicos de outros estados também adotem essa método, inspirada numa tradicional banheira de origem japonesa: o ofurô.
O “banho de balde” é o que o próprio nome diz: o bebê é banhado num balde com água morna. A idéia é simular os estímulos e as sensações que o recém-nascido sentia quando ainda estava no útero da mãe. Alguns minutos na água morna proporcionam relaxamento, tranqüilidade e segurança. A terapia permitiu que o bebê Miguel Silva, de três meses, estivesse naturalmente tranquilo para ser operado.
Miguel nasceu com insuficiência respiratória. Teve que ser intubado. Ao ser extubado, passou a ter crises de choro, irritação e falta de sono. Foram 20 dias nessa agonia até que o bebê fosse operado para corrigir o volume do diafragma, que comprimia os pulmões.
Na véspera da cirurgia, para acalmá-lo, os pediatras recorreram ao “banho de balde”. “Só foi entrar no banho que ele já melhorou, ficou mais calmo e disposto”, conta Janiffer Silva, 23 anos, mãe de Miguel. Logo depois, ao sair do banho, o bebê caiu no sono. “Ele conseguiu dormir por três horas seguidas”, relembra.
Com o bebê mais tranquilo, a cirurgia pôde ser feita. “Foi um sucesso total”, comemorou Janiffer. “Agora só estou aguardando o restabelecimento completo dele para irmos pra casa”. E ela garante: vai comprar um balde para Miguel tomar banho.
Como funciona a técnica
O método é simples: basta um balde (de metal ou de plástico) em formato oval e cheio de água morna, com temperatura entre 36°C e 374°C. O espaço e o conforto térmico fazem com que o bebê se sinta na barriga da mãe.
O recém-nascido deve ficar imerso até o ombro por no máximo 10 minutos (depois disso, a água começa a esfriar). Durante o banho, pode-se fazer leve massagem de relaxamento no bebê.
“Essa técnica é indicada para bebês com até seis meses de idade, mais de 1,2 quilos e pode ser feita várias vezes em um mesmo dia”, esclarece a fisioterapeuta Thais Ferraz, uma das responsáveis pela aplicação do banho na UTI Pediátrica do HB. Ela ressalta que não precisa usar sabonete nem xampu. “Se for usá-los, basta uma única vez ao dia”, ensina.
No Hospital Regional de Santa Maria, a técnica é aplicada somente por profissionais habilitados. “Normalmente o método é desenvolvido por um fisioterapeuta com a ajuda de um técnico de enfermagem”, explica Thais. O banho ocorre na presença dos pais, para que eles aprendam e repitam em casa.
Benefícios
Os benefícios do “banho de balde” são diversos. “Além de acalmar, ajuda no aumento do fluxo sanguíneo, na redução de espasmos musculares e no alívio de dores e cólicas intestinais”, enumera a fisioterapeuta.
Ela acrescenta que o método interfere diretamente no crescimento e desenvolvimento cognitivo dos bebês, além de melhorar a qualidade de sono e a resposta imunológica.
O público-alvo de 2021 representará 1.117.656 pessoas do DF. A meta é vacinar pelo menos 90% dos grupos elegíveis | Foto: Breno Esaki/Agência Saúde
Público-alvo será dividido em etapas e contará com 100 salas de vacina
Começa na próxima segunda-feira (12) a 23ª Campanha Nacional de Vacinação contra a influenza, que garantirá proteção contra a influenza A (H1N1), influenza A (H3N2) e influenza B. Este ano a vacinação será dividida em etapas e o primeiro público-alvo a ser contemplado será de crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias), gestantes, puérperas, povos indígenas e trabalhadores da saúde.
A vacinação, que vai até o dia 9 de julho, estará disponível em 100 unidades básicas de saúde e a maior parte será em pontos em que não há aplicação da vacina contra a covid-19, conforme explica o coordenador da Atenção Primária do DF, Fernando Erick. “Como a campanha contra a influenza ocorrerá ao mesmo tempo da campanha contra a covid-19, no DF será adotada a estratégia de separar os públicos dessas vacinações em unidades básicas distintas e, para aquelas poucas cidades em que não houve a possibilidade da divisão, as estruturas para o recebimento dos pacientes será diferenciada e bem sinalizada, principalmente com o uso de tendas. Assim evitaremos que haja confusão entre a aplicação dessas vacinas”.
“É importante que seja priorizada a administração da vacina de covid-19 caso a sua primeira ou segunda dose já esteja marcada para os próximos dias, devendo respeitar o intervalo de 14 dias para que assim possa tomar a vacina contra a influenza”Fernanda Ledes, enfermeira da SES
A enfermeira da área técnica de imunização da SES, Fernanda Ledes, alerta que “a população que pertence neste momento aos grupos prioritários para as vacinações de influenza e covid-19 deve ficar alerta para o prazo de aplicação entre uma vacina e outra. É importante que seja priorizada a administração da vacina de covid-19 caso a sua primeira ou segunda dose já esteja marcada para os próximos dias, devendo respeitar o intervalo de 14 dias para que assim possa tomar a vacina contra a influenza. É importante a população ficar atenta a todas as anotações em sua caderneta de vacina”.
A orientação quanto ao intervalo entre as vacinas parte do Ministério da Saúde, que orienta ainda que, caso o indivíduo tenha tomado primeiramente a vacina contra a influenza, é necessário aguardar o mesmo prazo de 14 dias para que ele possa receber a dose contra a covid-19. É importante que o indivíduo leve o seu cartão de vacinação para a avaliação da equipe da unidade de saúde.
Público-alvo
O público-alvo de 2021 representará 1.117.656 pessoas do DF. A meta é vacinar pelo menos 90% dos grupos elegíveis. A segunda fase da vacinação contemplará professores das escolas públicas e privadas e idosos com 60 anos e mais. Já na terceira fase estarão as pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas com deficiência permanente, forças de segurança e salvamento, forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, trabalhadores portuários, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade.
Crianças menores de nove anos de idade que nunca foram vacinadas contra influenza precisam receber duas doses da vacina, com intervalo de 30 dias entre elas. Para os demais imunizados, a vacina é realizada em dose única.
O Distrito Federal recebeu essa semana 113.600 doses para iniciar a primeira fase, o que corresponde a 29% do total dos grupos da 1° etapa. O quantitativo restante será enviado pelo Ministério da Saúde ao longo da campanha, de forma semanal.
Contraindicações
A vacina é contraindicada para crianças menores de 6 meses de idade e pessoas com história de anafilaxia a doses anteriores apresentam contraindicação a doses subsequentes. Contudo, na maioria dos casos, as vacinas contra influenza têm um perfil de segurança excelente e são bem toleradas.
Coronel Vasconcelos, que está há quase três décadas na Polícia Militar, explica que o critério adotado para vacinação contra a covid-19 foi a idade do servidor independentemente do posto ou da graduação | Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília
Novo comandante da PMDF fala sobre o processo de vacinação da tropa e adianta planos para melhorar atuação da corporação
Márcio Cavalcante de Vasconcelos é o novo comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A nomeação dele foi publicada em edição extra do Diário Oficial do DF há uma semana. O coronel e ex-subsecretário de Operações Integradas (Sopi) assume o posto com a missão de comandar mais de 10,6 mil militares – maior corporação das forças de segurança.
Em entrevista à Agência Brasília, o comandante fala sobre a vacinação preventiva da covid-19, lamenta baixas na corporação em função da doença e reforça o compromisso de atuar para fortalecer a saúde do batalhão. Segundo ele, o governo está trabalhando junto ao Ministério da Saúde para agilizar o envio de doses suficientes para todo o pelotão.
Coronel Vasconcelos prevê novas convocações para a PMDF e enumera os êxitos do trabalho integrado com outras forças de segurança. “Quando pegamos janeiro, fevereiro e março deste ano e do ano passado somados, a diminuição da criminalidade também é muito grande. Então, estamos no caminho certo, temos feito o nosso trabalho e vamos continuar nessa missão diária de servir e proteger”, anuncia.
Confira a íntegra da entrevista:
O senhor tem 28 anos de serviços prestados na PMDF. Já trabalhou no governo federal e na Secretaria de Segurança Pública. De que forma sua experiência vai contribuir para comandar a maior corporação das forças de segurança?
Vai contribuir muito porque hoje tenho uma visão global. O Distrito Federal tem um vínculo muito forte com o governo federal, porque aqui estão as sedes dos poderes constituídos e as organizações internacionais. Temos uma responsabilidade diferenciada. Além de fazer tudo o que uma força policial faz, temos uma responsabilidade enorme, com as sedes dos Três Poderes: congresso nacional, STF (Supremo Tribunal Federal) e a presidência da República. São palcos históricos de manifestações. Essa experiência fora da corporação enriquece, não somente no currículo, mas a vivência que eu acredito que o comandante precisa, a de ter uma visão mais global, mais ampla, conseguindo olhar algumas questões de fora da PMDF.
Há alguma medida administrativa que o senhor pretende implementar? Uma marca de gestão?
Quando você é convidado para uma missão como essa, você tem diversas ideias, mas que ninguém executa sozinho. Então, antes de fazer qualquer coisa eu precisei nomear a minha equipe de alto comando. Nesta quinta (8), foi a minha primeira reunião onde eu procurei tratar exatamente dos eixos principais, que eu considero serem os eixos do comando. Podemos destacar primeiro a questão da saúde. Estamos vivendo uma crise mundial, uma pandemia. Essa crise trouxe impactos que são muito fortes, muito significativos, em todas as áreas. Ela também impactou a polícia. Temos lamentado muito a perda de vidas.
Como gestores de uma instituição do tamanho da Polícia Militar, que tem mais de 10 mil homens, nos ressentimos, mais ainda, quando recebemos a notícia de um óbito de um policial, de um pai de família, um ente das forças de segurança e que está sob o nosso comando. O meu compromisso é uma atenção muito especial com a saúde do policial.
Como está a vacinação dos policiais militares?
Graças a um esforço conjunto que envolveu o governador Ibaneis, parlamentares, o secretário de Segurança Pública e o Ministério da Justiça, conseguimos junto ao Ministério da Saúde, que começasse a vacinação de nossos policiais. Ela começou na segunda-feira (5), no meu primeiro dia após a posse no comando. Tenho que enaltecer o trabalho feito pelo coronel Pontes, que fez essa gestão muito bem feita com esses entes. Dentro do último lote de vacinas do Ministério da Saúde, conseguimos uma quantidade que já veio carimbada para a Secretaria de Segurança Pública – em torno de 2.300 doses -, e para isso, ela foi dividida proporcionalmente, percentualmente, entre os entes da segurança; e a Polícia Militar iniciou essa vacinação nessa parceria.
E como está a vacinação do efetivo?
Na segunda-feira (5), iniciamos a vacinação de um plano de vacinação da Polícia Militar, que já estava pronto – já havia um regramento para vacinarem os nossos policiais e fomos agraciados com cerca de 770 doses. A vacinação aconteceu na segunda (5) e terça-feira (6), na Unidade Básica de Saúde do Núcleo Bandeirante. Tivemos um pouco mais de policiais vacinados, por causa da questão das doses remanescentes, o que já vinha acontecendo há mais de uma semana.
“No mês de março (passado), tivemos 12 homicídios no DF. Quando comparamos esse número com o de março de 2020, verificamos que tivemos menos 30 homicídios. É muito difícil associar isso somente com a pandemia. Eu acho que foi feito muito trabalho”
Qual é o critério para a vacinação dos policiais?
Estabelecemos o critério da idade, levando em consideração o grupo de risco, que é a própria recomendação do Ministério da Saúde. Começamos a vacinar do policial mais velho ao policial mais novo, indistintamente de posto ou graduação. Usamos o critério da idade pelo fato de o risco ser maior nesses grupos. Esperamos que nas próximas remessas do Ministério da Saúde, sejamos contemplados também com a chancela desse carimbo de doses específicas. À medida que o Brasil começar a produzir as nossas doses – como já foi anunciado tanto pela Fiocruz como pela Butantan -, a gente possa ter o incremento do número total atingindo todo efetivo de policiais e servidores da segurança pública.
Não existe uma prioridade na vacinação dos policiais? Os policiais que estão nas ruas não deveriam ser vacinados primeiro?
Nós não temos uma diferenciação entre policial da rua e policial da administração. Os policiais da administração, na verdade, tiram o serviço nas ruas, concorrem à escala do batalhão virtual e ao serviço voluntário gratificado. O que nós temos é o quadro de policiais combatentes. Só que temos policiais combatentes que desempenham as funções administrativas, porque precisamos fazer a máquina administrativa funcionar, mas eles concorrem igualmente fazendo serviços nas ruas. Então, não podemos fazer essa distinção. Em um estudo recente, encomendado pelo comando, percebemos que o grau de contaminação dos policiais que estão no serviço administrativo, comparado aos policiais que estão na rua, é praticamente o mesmo. Isto prova que não podemos fazer essa distinção, até porque ela não existe mesmo.
Qual o efetivo atual da corporação? Há previsão de novas convocações?
O efetivo está em torno de 10,6 mil homens, contando com servidores na ativa e aqueles militares que são reconvocados da reserva. Temos em andamento um curso de formação de Praças. Eu entendo que o decreto do governador foi muito pertinente, de não interromper a nossa formação, mesmo com a pandemia. E o curso está sendo realizado com muita responsabilidade e com as precauções devidas. Há previsão de um novo chamamento, mas ainda precisamos da confirmação da rubrica orçamentária. Por causa da covid, precisamos ter cautela, porque essa rubrica do orçamento, apesar de ser nossa, também tem uma questão da execução orçamentária vinculada à Secretaria de Economia.
Eu espero poder ingressar com novos cursos de formação – precisamos recompor os quadros. Esse déficit de pessoal não é apenas um déficit da PMDF, outros órgãos da segurança pública também vivem a mesma realidade. Precisamos nos adequar, buscar alternativas para podermos fazer a nossa missão, investir na capacitação, equipamentos e tecnologias, mudar as estratégias. E isso tem sido uma realidade. Temos acompanhado a redução do número de crimes, o aumento de apreensão de armas e de drogas – e quando se compara o efetivo da polícia de 40 anos atrás com o efetivo que temos hoje e o tamanho da população de Brasília, é incrível. Na década de 80, nós tínhamos cerca de 1,3 milhão de pessoas em Brasília. Hoje, em 2021, temos quase 3 milhões e 400 mil pessoas, com um efetivo que já girou até 17 mil e, hoje, gira em torno de 10 mil. Se o problema fosse somente o efetivo, teríamos um índice de criminalidade altíssimo. Mas, na verdade, não temos.
É importantíssimo a recomposição do efetivo da polícia e vamos estar sempre trabalhando nesse sentido, em parceria com o governador, com a Secretaria de Economia para fazermos a recomposição, mas também temos que usar inteligência estratégica para cumprirmos a nossa missão e é exatamente o que estamos fazendo.
Com relação à formação e qualificação da tropa, há algo que o senhor acredita que precisa ser melhorado?
Dentro da grade curricular de formação do nosso curso de formação já tem toda uma análise técnica para que o currículo seja voltado para aquilo que é a necessidade de formação do policial. O fato de ser exigido o curso superior para a entrada do policial aumenta a expertise e a qualidade técnica do nosso policial. Além da grade curricular, ainda temos um Centro de Treinamento e Especialização (CTEsp), que funciona dentro do nosso departamento de Ensino e Cultura. O centro tem como prioridade a missão de ser responsável pela especialização e pelo aperfeiçoamento da questão técnica do nosso policial, com cursos voltados à área operacional e que fazem com que nossos policiais tenham, sim, melhoras com relação à formação e à capacidade técnica – e isso é uma das prioridades. O nosso investimento tem que ser no homem, na visão geral do homem – psicológica, física e profissional. Por trás da farda, tem um ser humano, tem um homem. Temos que investir nele, porque é ele que faz a máquina rodar e o serviço acontecer.
“Eu entendo que a integração, além de fazer com que as forças trabalhem juntas, essa maneira de atuar conjuntamente suplanta alguma pequena dificuldade que possamos ter, aproveitando justamente a expertise de outra força, do outro órgão”
A PMDF assume diversas funções na sociedade: do patrulhamento ostensivo nas ruas às ações solidárias com aulas de artes marciais para crianças em vulnerabilidade social. Agora, a PMDF está dando um suporte e tanto para o cumprimento das medidas restritivas do covid-19. Como o senhor definiria o papel da corporação?
Em primeiro lugar, temos que primar sobre o que é o nosso dever, que está na legislação. No artigo 144 da Constituição Federal, onde está definida a missão da Polícia Militar: manutenção da ordem pública, a segurança como prioridade. A atividade-fim da PMDF é essa e, aliada a isso, desenvolvemos outras ações. Quando falamos de atividade-fim, estamos falando de policiamento ostensivo, segurança pública, ordem pública – as questões que envolvem a nossa missão constitucional, mas fazemos também o apoio…
Hoje, com a covid-19, temos ações diárias de apoio à fiscalização de toda legislação e restrições, que os decretos do governador nos impõem. Na verdade, até saímos um pouco da atividade-fim para fazer o apoio aos órgãos, como o DF Legal, fiscalizações de maneira geral. Com relação às ações sociais, temos projetos dentro do nosso Centro de Políticas Públicas da Polícia Militar, como o Provid, que é um programa com 100% de aproveitamento, ou seja, das vítimas de violência acompanhadas por nossos policiais – desde que o programa foi instituído – nenhuma delas morreu.
Temos o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) que já é consolidado. Um programa de educação e repressão às drogas, que é desenvolvido pelo comando do Policiamento Escolar, pelo coronel Júlio César. Também temos inúmeros projetos vinculados à Secretaria de Segurança, que nós contribuímos de maneira muito significativa, como esse que foi criado agora, o DF Mais Seguro, a Mulher mais Segura – que monitora a vítima de violência e faz o monitoramento casado do autor da agressão.
Qual é o crime mais comum hoje no DF? Como a PMDF trabalha para reprimir ou prevenir esse crime?
Vou usar a experiência na Secretaria de Segurança para falar mais sobre os crimes que monitoramos. São dois grupos de crimes bem específicos: o CVLIs, os crimes violentos letais intencionais, que são todos aqueles cujos resultados finais é a morte. Ou seja, homicídio, feminicídio e latrocínio – que é um crime contra o patrimônio, mas que tem o resultado morte. Esse é um grupo de crimes que é acompanhado com um monitoramento muito de perto, diariamente, porque é importante para sabermos como está a evolução.
O outro grupo é os CCPs que são os crimes contra o patrimônio e englobam furto, roubos – a coletivos, a residências e a veículos. É outro grupo que monitoramos mais de perto.
No monitoramento desses dois grupos, temos alcançado um sucesso muito grande. No mês de março (passado), tivemos 12 homicídios no DF. Quando comparamos esse número com o de março de 2020, verificamos que tivemos menos 30 homicídios. É muito difícil associar isso somente com a pandemia. Eu acho que foi feito muito trabalho. Ações foram feitas, programas foram estabelecidos. Perto do meio do ano passado começamos a operação Vita Salud. Incrementamos as ações que passaram a acontecer de maneira muito forte em parceria com os outros órgãos – a Polícia Militar atuando em todas as regiões administrativas do DF. Trinta homicídios a menos são 30 vidas que foram salvas, quando comparamos com o ano anterior.
Quando vamos para o número absoluto, o número ainda é maior. Quando pegamos janeiro, fevereiro e março deste ano e do ano passado somados, a diminuição da criminalidade também é muito grande. Então, estamos no caminho certo, temos feito o nosso trabalho e vamos continuar nessa missão diária de servir e proteger.
Como o senhor avalia o trabalho integrado com as outras forças de segurança?
Eu vim da Subsecretaria de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública. Posso dizer, sem nenhum medo de errar, que não há um caminho melhor para as forças de segurança pública e para a sociedade – como o nosso cliente final – do que a integração.
Eu entendo que a integração, além de fazer com que as forças trabalhem juntas, essa maneira de atuar conjuntamente suplanta alguma pequena dificuldade que possamos ter, aproveitando justamente a expertise de outra força, do outro órgão. Isso aumenta nossas potencialidades e, a gente pode prestar um serviço de mais qualidade, entregando mais segurança pública ao cidadão, serviços mais qualificados, mais elaborados. Não temos que ter protagonismo, temos que trabalhar unidos – ganha as forças individualmente e a sociedade do Distrito Federal como um todo. O que precisamos é de forças de segurança unidas, fortes e prestando um serviço de qualidade para o cidadão.
A polícia na rua dá a sensação de segurança para a população – seja de carro, bicicleta, a pé ou a cavalo. O senhor planeja fortalecer isso na sua gestão?
Temos desenvolvido muitas ações e sabemos que esse é um anseio natural da população. Muita gente associa a sensação de segurança pública em somente ver um policial por perto. Se perguntarmos o desejo do cidadão, ele quer um policial para ele, mas sabemos que não é assim que funciona. Temos que trabalhar com inteligência estratégica. Quando temos um efetivo maior, conseguimos distribuir o efetivo de uma forma mais dinâmica em mais localidades, nas mais diversas modalidades de policiamento que temos – seja a pé, motorizado, a cavalo.
A estratégia de policiamento na Estrutural, por exemplo, pode ser diferente da estratégia de policiamento utilizada no Guará, por causa da configuração do terreno, do tipo mais comum de crime que acontece, das ocorrências que são recebidas. Características de cada ambiente vão imprimir àquele gestor da área que atua – o comandante do batalhão ou do policiamento do comando regional – se adequar a necessidade e a demanda que ele tem. Sejam os tipos de crime da área, seja da geografia da cidade, para o comandante o emprego do policiamento é de acordo com a necessidade que o local tem. As estratégias são mutáveis. A análise dos crimes, de tudo o que está acontecendo, é praticamente diária. Vamos modificando o planejamento e fazendo com que esse planejamento se adéque à finalidade, que é necessária para cada área, de cada setor.
O senhor tomou posse uma semana depois do novo secretário de segurança, Júlio Danilo. O senhor já esteve com ele? Alguma novidade para a corporação?
Nossa primeira reunião formal foi nesta quinta (8). Coloquei novamente a Polícia Militar à disposição e ouvi dele os desejos, as estratégias que ele espera da nossa gestão. Acredito que vamos fazer uma gestão de muito apoio – do secretário Júlio, do governador Ibaneis -, e isso nos dá uma tranquilidade para que possamos fazer um trabalho que está começando ainda. Precisa ajustar, alinhar e ter uma noção mais ampla de como a corporação está.
Não vai ser feita nenhuma mudança brusca. Somos uma instituição organizada, temos planos diretores e planejamento estratégico. A ideia é seguir aquilo que a corporação, por sua vocação e por sua natureza, já vem fazendo. Se tiver que ser feito algum ajuste com relação ao foco da gestão, isso é feito com um ou outro ajuste pessoal, sempre pautado pelo norte que a corporação já tem.
Verba veio do setor da construção civil – 25 empresas associadas ao Sinduscon e à Ademi se mobilizaram para arrecadar R$ 668 mil
O BRB, por meio do Instituto BRB, entidade sem fins lucrativos do banco, recebeu nesta sexta-feira (9) mais uma doação para a ampliação do Hospital Regional de Samambaia (HRSam). O Sindicato da Indústria e Construção Civil do DF (Sinduscon-DF) e a Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF) doaram R$ 668 mil. A ação mobilizou 25 empresas, entre incorporadoras, construtoras, imobiliárias, escritórios de arquitetura e outras entidades do setor de construção civil.
“Essa quantia expressiva recebida vai ajudar a transformar a realidade de muitas pessoas. O hospital acoplado de Samambaia será uma estrutura permanente, que auxiliará muito neste momento de combate à covid-19, e que depois ficará à disposição da população, transformando o sistema de saúde pública local”Paulo Henrique Costa, presidente do BRB
Os recursos recebidos somam-se a outras participações, de diferentes setores da sociedade civil e do próprio Instituto BRB, que já doou R$ 3 milhões, e fazem parte da campanha Todos Contra o Covid. O objetivo é a construção de hospitais acoplados para o Distrito Federal, aumentando, assim, a capacidade de atendimento da rede de saúde local.
O primeiro hospital acoplado é o de Samambaia, cujas obras já tiveram início, e que terá 100 leitos com suporte respiratório. O BRB é o responsável pela contratação da execução da obra.
“Essa quantia expressiva recebida vai ajudar a transformar a realidade de muitas pessoas. O hospital acoplado de Samambaia será uma estrutura permanente, que auxiliará muito neste momento de combate à covid-19, e que depois ficará à disposição da população, transformando o sistema de saúde pública local”, afirmou o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Legado
“Estamos muito orgulhosos de ter encabeçado, em parceria com a Ademi-DF, essa doação do setor de construção civil, que vai servir como importante legado para a população de Samambaia e arredores. Em meio a tantas mazelas causadas pela pandemia, esse hospital, que terá 100 leitos, é um dos melhores frutos”, comentou Dionyzio Klavdianos, presidente do Sinduscon-DF.
Eduardo Aroeira, presidente da Ademi-DF, reforçou a importância da reunião de esforços em prol da população do Distrito Federal. “Nossas empresas estão redobrando os cuidados dos seus trabalhadores, mas também tiveram a oportunidade de dar um retorno para a sociedade, por meio dessa contribuição. Será um importante legado para todo o DF”, afirmou.
Serviço:
Para participar da campanha, o Instituto BRB disponibiliza os dados abaixo:
Instituto BRB de Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Socioambiental