Após a divulgação da lista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a cúpula do PT vai reforçar o monitoramento de aliados que estão presos – e são potenciais delatores – como Antonio Palocci e Vaccari Neto. A informação foi publicada com exclusividade pelo blog da jornalista Andréa Sadi, do G1. O partido teme que, com o avanço das investigações da Lava Jato, o ex-ministro e o ex-tesoureiro fechem uma delação premiada.
Entranhas do PT
Vaccari e Palocci estão presos. Segundo o blog de Andréa Sadi, como poucos petistas, conhecem o funcionamento interno do partido e também podem confirmar – e reforçar – os relatos dos delatores da Odebrecht sobre como funcionava o esquema financeiro do PT com empresas e também das campanhas dos ex-presidentes Lula e Dilma.
Situação “sob controle”
Segundo Sadi, petistas querem convencer o ex-tesoureiro do partido a não colaborar, argumentando que os partidos da base e da oposição trabalham no Congresso para aprovar um “acordão” para descriminalizar o caixa dois. Na semana passada, antes da lista de Fachin, um dirigente partidário visitou Dirceu e Vaccari e relatou à cúpula do partido que sentiu a situação “sob controle”.
Agnelo e Arruda
Citados nos pedidos de investigação enviados pelo STF à Justiça Federal do DF, os ex-governadores Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR) teriam recebido cifras milionárias de executivos da Odebrecht para financiar campanhas eleitorais. Agnelo recebeu R$ 1 milhão em 2010, e Arruda, outros R$ 996 mil em 2014.
Delações da Odebrecht
As petições enviadas pelo Supremo serão analisadas pela Justiça Federal do DF, que decidirá se abre ou não inquérito para apurar as suspeitas. O suposto repasse de R$ 1 milhão a Agnelo é citado nas delações dos ex-diretores da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira e Ricardo Roth Ferraz de Oliveira. Ambos relataram o pagamento da quantia em 2010 – ano em que Agnelo foi eleito para o Palácio do Buriti. Os R$ 996 mil supostamente pagos a Arruda são citados pelos mesmos dois delatores, em outro pedido que também será analisado pela Justiça Federal no DF. Segundo os depoimentos, o dinheiro foi para o caixa 2 da campanha de 2014 do ex-governador, que tentava voltar ao cargo.
Ato Público
Com o objetivo de intensificar as ações contra a PEC 287/16, a ANAFE, representada por seu vice-presidente, Rogério Filomeno, esteve presente no Ato Público realizado nesta quarta-feira (12), no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados.
Radar móvel
Durante o ato foi inaugurado um “radar móvel”, em formato eletrônico e com dados atualizados em tempo real, para apontar quais deputados são contrários ou favoráveis à reforma da Previdência, em fase avançada de discussão na Câmara.
ENQUANTO ISSO…
# O sub-relator da CPI da Saúde, deputado Wasny de Roure (PT), apresentou relatório parcial dos trabalhos da comissão na sessão desta quarta-feira (12). O texto tem 266 páginas. “Fizemos um relatório consistente e recomendamos a abertura de diversas investigações para sanar dúvidas sobre irregularidades na gestão da Secretaria de Saúde”, disse o distrital.
# No documento, constam informações sobre orçamento e investimentos na pasta, no período de 2011 a 2016. Para Wasny, foi a redução de investimentos na área pelo governo Rollemberg – em mais de R$ 590 milhões nos dois últimos anos – um dos agravantes da crise da saúde no DF.
# Entre as recomendações feitas no relatório está a abertura de processo administrativo contra o vice-governador Renato Santana e de apuração da conduta do secretário de Saúde Humberto Fonseca, que aparece relacionado ao descredenciamento de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), resultando na perda de recursos federais. “Pedimos a investigação do responsável pelo descredenciamento do SUS, cujos recursos afetam lá na ponta”, disse Wasny.
# O relatório parcial faz menção também aos deputados citados na Operação Dracon. O texto recomenda que eles “tenham a oportunidade de palavra no âmbito desta comissão antes de seu encerramento”, previsto para maio próximo.
# A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da Câmara Legislativa aprovou o projeto de lei nº 1.153/2016, de autoria do suplente Roosevelt Vilela (PSB), que proíbe o Legislativo de homenagear pessoas que tenham sido condenadas por atos de improbidade administrativa ou crime de corrupção.
# A proposta recebeu parecer favorável da deputada Luzia de Paula (PSB), com ressalvas. “A preocupação é meritória, mas é preciso ressaltar que a Casa já faz uma avaliação prévia de todos os homenageados”, afirmou Luzia.



