Por Ricardo Callado
Não se enganem. Foram quatro manifestações grandes no país neste domingo. Menores que outras, mas com público considerável. Nem é todo mundo que vai nas ruas, mas a maioria desaprova Dilma.
Se pudesse servir de comparação, tinha mais gente ontem na Esplanada dos Ministérios do que na posse de Dilma Rousseff em 1 de janeiro deste ano. Não pode ser desprezado esse contingente.
Se os manifestantes deste domingo forem desqualificados antidemocraticamente, o país caminhará ainda mais rápido para uma tóxica polarizarão. Polarização na política, não na sociedade.
Se por falta de tempo para organizá-las ou por que o povo preferiu ficar em casa, não importa. As manifestações foram menores. É significativo botar gente na rua em pouco tempo. Mas o peso político dos protestos será pequeno no curto prazo. Sem dúvida, mobilização em poucos dias é algo difícil.
Um ponto importante é que as pessoas protestaram pacificamente. O mesmo deve valer para possíveis manifestações contrárias ao impeachment.
Neste domingo, os protestos foram modestos. Mas não se deve ignorar a força das ruas nos próximos meses. Elas ainda podem ser decisivas no impeachment.
Contra fatos não há argumentos. Fato: as manifestações pelo impeachment não foram gigantes como as mais recentes. Fato: 65% dos brasileiros querem o impeachment. O resto é questão de gosto.
Outro fato: Se Dilma não cair pelo impeachment, 51% dos brasileiros querem que ela renuncie. Quem diz é a mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no final de novembro. Sem outra pesquisa, é essa que vale.
Outro fato que o governo teme: segundo Datafolha, 68% dos brasileiros não veem melhoras após 13 anos de PT.
Ora, se o governo não teme o povo ou acha que ele está do seu lado por que a pressa em votar o impeachment?
O governo queria votar logo o Impeachment antes que o povo fosse para as ruas. Recuou depois da carta do vice-presidente Michel Temer. Hoje, voltou a querer.
A presidente Dilma é acusada de ter desrespeitado a lei ao fazer despesas sem autorização do Congresso. O que ela diz? Que é golpe do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).
Eduardo Cunha não era golpista enquanto o governo negociava com ele. Passou a ser quando desistiu de negociar.
Quando tentou derrubar Itamar Franco e depois Fernando Henrique, o PT não chamava impeachment de golpe. Hoje, chama.
Quanto mais Dilma trabalhar com a tática do confronto, e não da conciliação, mais frágil ficará no Congresso – e mais próxima do impeachment
O comportamento do Supremo na quarta será decisivo. Se o governo obtiver o que espera, sabe-se lá como, Dilma perderá de vez a Câmara.







