Por Ricardo Callado
O ano que se encerra não pode ser esquecido. Deve deixar, ao menos, duas lições e nenhum legado. Primeira, a herança irresponsável de um governo irresponsável. Pela primeira vez se conseguiu quebrar o cofre do GDF. Até petistas mais conscientes concordam.
A segunda lição vem do atual governo. Como não se deve administrar na base da exclusão e do improviso. Se Agnelo ficou na história como o governante pior avaliado do Distrito Federal, Rollemberg deve acender a luz de alerta. O primeiro ano de governo foi pior que o do petista. Em 2011 havia mais esperança do que em 2015. E não tinha crise, nem exclusão. Nem divisões dentro do GDF.
Isso não quer dizer que o governo de Rodrigo Rollemberg será pior que o de Agnelo Queiroz. Mas serve de alerta. #ficaadica. Os erros cometidos pelo Palácio do Buriti no primeiro semestre deste ano não podem se repetir no ano seguinte.
Se 2015 serviu de aprendizado e para deixar o couro do governador mais grosso, 2016 será a consolidação de um projeto. Seja ele vitorioso ou não. Dependendo do que decidir Rollemberg no início do ano que se inicia, pode ser determinante para o seu sucesso. Ou o seu fracasso.
Rollemberg tem duas opções. O primeiro semestre de 2015 o levou a derrotas e lhe deu índices negativos de avaliação de governo que até hoje não conseguiu recuperar. O segundo semestre mostrou que o governo pode ser diferente. Que existe vida pensante e inteligente fora dos manuais.
Erros em sequencia levaram o governador ter uma das piores avaliações nacionais. Errou na escolha de alguns nomes do primeiro escalão. Errou em não fazer política. Errou em terceirizar a comunicação do governo. Errou em ser levado a se afastar do Legislativo, como se o Executivo fosse o poder purismo, e a Câmara a casa dos pecados originais. Quem não respeita o legislativo, não respeita a democracia. Simples assim.
O primeiro semestre de 2016 vai mostrar que postura Rollemberg terá. E se o governo dará certo. Até agora a missão foi apenas arrumar a casa. Consertar o estrago que recebeu. Mas se nada mudar até março, mais turbulento ficará o governo. E se for para mudar, que não cometam velhos e nem novos erros.
2016 será uma travessia. Digamos que o Buriti consiga sair do outro lado com as contas menos desequilibradas, sem longos embates com sindicatos, com menos perseguições e com acordos políticos cumpridos. Tendo aprendido a se comunicar com a sociedade. E enxergar que a guerra da comunicação é perdida todos os dias. E que tudo isso se constrói com diálogo franco e aberto, sem revanchismo ou discórdia.
Se alguns desses fatores forem construídos, podemos acreditar que 2017 será um ano de recuperação. O País e o Distrito Federal deverão estar saindo de uma grave crise econômica. A esperança pode voltar ao brasiliense.
Acredito que 2017 será um bom ano. Mas o governo vai chegar desgastado. E só existe algo a fazer para se manter vivo políticamente em 2018. Incutir no inconsciente da sociedade que foi Rollemberg que conseguiu superar a mais grave crise já vivida no DF. Que o governador merece créditos por isso. E que se fez transformações num governo falido, pode se fazer muito mais com as contas equilibradas.
E ai entra a estratégia da comunicação. Não é uma missão fácil. Mas também não é impossível. Para que Rollemberg chegue em 2018 vivo, só depende dele mesmo. E o primeiro passo é deixar de ser teimoso. E aprender a se comunicar. A fazer a própria defesa de seu governo. A falar pelo seu próprio governo. Não com entrevistas acertadas. Mas todos os dias. O dia todo. E de forma inteligente. Que 2016 seja um ano melhor para Rollemberg. É o que desejo ao governador e a sua comunicação, que terão uma tarefa árdua. E, principalmente, para o brasiliense que torce por um governo que dê certo. E que 2017 e 2018 a esperança renasça.






