Por Ricardo Callado
A ruína política da presidente Dilma Rousseff (PT) só tende a aumentar. Será uma série de derrotas até o impeachment. A votação ocorrida nesta terça-feira (8) para compor a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment é apenas mais uma.
Não adianta convocar Ciro Gomes para encabeçar o movimento Golpe Nunca Mais. Tampouco reunir governadores em torno de uma tal Carta pela Legalidade. Ciro só traz mais querosene para a fogueira. Chamar o vice-presidente de capitão do golpe só tira sorriso de canto de boca de petista. Mas a estratégia da discórdia é burra. O momento é de unir o País. Só que o governo nunca quis união. Fez a opção pelo confronto. Pela divisão do País em nós contra eles. E Ciro encarna esse espírito.
Toda vez que o governo se vê acuado apela para os governadores. Eles se reúnem e se dizem solidários. De nada adianta. Os governadores não têm controle sobre as bancadas do Congresso. É lá o verdadeiro campo de batalha política. É onde a democracia irá prevalecer. Na Câmara e no Senado que o governo precisará de articulação para cabalar votos e evitar o impeachment.
A tática de constranger adversários não funciona. Não deu certo com a oposição nem com Eduardo Cunha. E não vai funcionar com Michel Temer. Essa política rasteira e arrogante cansou. Se o governo quiser se manter no poder, vai ter que mudar os métodos. E o linchamento através de portais governistas de nada contribuem.
A situação é a pior possível. Dilma não tem votos no Congresso. Não tem apoio popular. A economia está ruim com o País entrando em depressão. O que sobrou para Dilma foi o Supremo Tribunal Federal. O STF é a tábua de salvação do governo. O Palácio do Planalto espera que os ministros indicados por Dilma e pelo ex-presidente Lula retribuam.
O tapetão no Supremo é a única saída. E tem data marcada para acontecer. A ação em que o STF vai analisar cautelarmente a constitucionalidade da lei do impeachment foi incluída na pauta do dia 16. Quarta-feira da semana que vem.
O pedido é do PCdoB, eterno aliado do PT. Foi feito por meio de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental. A ação pede que o STF decida “o que, da Lei 1.079, passados mais de 65 anos de sua edição, remanesce compatível com a ordem constitucional”.
O relator da ADPF é o ministro Luiz Edson Fachin, indicado por Dilma e com fortes ligações com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST. O caso não foi pautado nesta semana porque alguns dos citados para prestar informações têm até sexta-feira para responder.
Nesta terça-feira (8), o PCdoB impetrou outra medida cautelar incidental para anular a votação secreta da comissão especial que irá analisar o pedido de impeachment contra Dilma. E questionou a formalização de chapa alternativa proposta por deputados que fazem oposição ao governo. Na mesma noite, Fachin deu a sua contribuição. Cabe ao plenário do STF manter ou derrubar a liminar.
Se a oposição manter a maioria na comissão, caberá a ela indicar o presidente e o relator da Comissão Especial do impeachment. Se o governo não conseguir uma vitória no tapetão do Supremo, a situação se complica. Michel Temer ficará cada vez mais próximo do Palácio do Planalto. Já Dilma, não tem mais condições de governar.







