OPINIÃO Buriti precisa restabelecer os laços com as forças de segurança

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Por Ricardo Callado

O clima entre o governo do DF e as forças de segurança pública azedou de vez. A morte do cabo Renato Fernandes, da Polícia Militar foi uma tragédia anunciada. Podia ter acontecido com qualquer um. Por isso a revolta de integrantes da PM, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, do Detran e do DER.

As más condições de trabalho são públicas há algum tempo. O que não faltam são matérias em blogs, portais, tevês, rádios e jornais sobre o tema. O cabo Renato foi vítima do descaso. Morreu cumprindo seu dever de policial, mesmo sabendo que as viaturas da PM não possuem condições para participar de perseguição a bandidos.

Renato arriscou sua vida, como muitos outros policiais fazem todos os dias nas sucatas da PM. E não foi o primeiro acidente, só que desta vez com vítima fatal.

O veículo usado foi um Pajero Dakar. Após os sucessivos capotamentos de viaturas durante perseguições a criminosos, a orientação do comando da PM é “cuidado”. Não pelas ameaças dos bandidos, mas pela condição de uso de viaturas sem manutenção.

A frota de 318 viaturas do referido modelo que deveria ser retirada de uso em março do ano passado continua nas ruas por não ter como substituí-las. A viatura de prefixo 2844, que capotou matando o cabo Renato, e ferindo mais dois policiais estava sem manutenção mecânica.

Quando as 318 viaturas da Mitsubish foram compradas pela PMDF em 2012, a justificativa era de que os veículos eram ágeis, robustos e confortáveis para o bom desempenho da Segurança Pública. Porém, de lá para cá, os sucessivos problemas apresentados pelo uso da frota já tirou vidas de alguns policiais e produziu graves sequelas em outros, além de pecar em vários aspectos conforme analise técnicos.

A ida ao velório pelo governador foi um erro de avaliação. Os grupos de WhatsApp das forças de segurança alertavam para Rollemberg e qualquer outro político não aparecer no cemitério de Taguatinga. Os ânimos estavam exaltados. A revolta era geral. Faltou assessor para falar a verdade ao governador. Ou foi pura teimosia. A missão deveria ficar exclusiva ao comando da PM e da Casa Militar.

No ar, para homenagear Renato, quatro helicópteros da PMDF, PCDF, Detran e PRF sobrevoaram o cemitério atirando pétalas de rosas. No solo, centenas de viaturas acionavam suas sirenes e dispositivos luminosos simbolizando o carinho pelo militar tombado em serviço. A revolta foi a causa da hostilidade. Mais do que previsível.

O momento é de restabelecer os laços. A insatisfação é geral. E as questões são pontuais. Os carros precisam de manutenção. Uma renovação da frota também é benvinda.

Os coletes a prova de bala usados pela corporação estão vencidos. Ou seja, os policiais estão expostos. Não se deve esperar mais uma vítima. A ação tem que ser imediata. As forças de segurança pública cansaram de conversa e de tragédias.

Outra medida que deve ser tomada é com relação a promoção na Polícia Militar. O governador Rollemberg precisa avaliar e buscar solução. Não existe zona de conforto com essa situação. Porque uma hora ou outra o problema vai bater as portas dos gabinetes do Buriti. E em forma de uma nova tragédia. Mudanças constantes no comando das forças policias também trazem instabilidade. É preciso evita-las

O governo precisa olhar com carinho para o plano de saúde dos militares e de suas famílias. Um policial sai muito seguro de casa, quando sabe que sua mulher e filhos estão protegidos.

Governador, valorizar nossos policias é preciso! Para o bem da nossa cidade. De todos nós. Um militar não defende uma sociedade que não os valoriza. É assim que funciona. E é para isso que serve o governo.

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