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OPINIÃO // A política não está só no que se diz, mas como diz

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Por Ricardo Callado

Os políticos se destacam na forma de falar. De se expressar. A arte da política não está só no que se diz. Mas como diz. O político não deixa de ser um ator. Um ator que representa as ideias que realmente acredita.

É preciso ficar atento nas diferenças. O político demagogo, por exemplo, é um ator representando ideias que não acredita, mas imagina que seja o que querem os eleitores.

Existe uma questão básica e preliminar em um governo. É a confiança que o governador impregna na sociedade. Os temas prioritários que se destacam, não são prioridades estatísticas ou acadêmicas. São aqueles que a representação do governo esteja diretamente vinculada ao perfil do governo.

Um governo que é percebido pelas pessoas e enfatizado pelo noticiário cotidiano, como tendo fracassado em saúde e educação, será perdedor. É contraditório, mas a oposição, se cair na tentação de usá-los pelo desgaste do governo, como seu tema prioritário, não chegará a vitória.

Deverão fazer parte de seu livro de propostas. Mas como lastro. O desenho da comunicação do candidato vitorioso, deve destacar os temas que acredita, e que são vinculáveis a seu perfil. E assim é possível elevar o patamar da confiança dos eleitores nele.

Pesquisas sobre as opiniões mostram que uma sensação e percepção negativas, produzem um multiplicador sobre a opinião dos demais. E essa opinião é muito, muito maior, que uma sensação ou percepção positiva.

No caso de uma eleição com reeleição, há dois temas que levam a derrota, e que não são superáveis nem com publicidade, nem com dinheiro, nem máquina. São Educação e Saúde.

A razão básica é que os profissionais destas duas áreas, tem contato direito com o usuário. Com isso a percepção do usuário coincide com a dos profissionais e a sinergia é explosiva.

Parece estranho, mas se esses temas alavancados por candidatos de oposição, por mais que por eles sejam destacados, não são decisivos para o voto do eleitor. As experiências dos eleitores com tantas promessas relativas e frustrações, levam a desconfiança. Educação e Saúde são temas legitimadores dos bons propósitos, mas não condutores terminativos do voto.

O eleitor cansou. Cansou de políticos em que a imagem com que se apresentou não era a que estava na memória das pessoas. E que depois ainda surgiu com uma terceira imagem mais decepcionante ainda.

A verdade é que, a pouco e pouco, o hábito vai fazendo o monge – e o “governante” e “individuo” confundem-se, a ponto de ninguém distinguir um do outro.

Com Rollemberg aconteceu o contrário. Em vez de se meter na pele do governador, tentou que o governador se metesse na sua pele. Tenta continuar a ter o comportamento que tinha antes, a fazer as mesmas coisas, a manter os mesmos hábitos, a encarar a vida do mesmo modo. Isso só tem chance de dar certo se o governo der muito certo. Em momento de atribulações, a pele de governador é mais apropriada.

Só que, de todos os cargos da política, o de governador é o mais exigente. Depois de presidente da República, é claro. Ao querer adaptá-lo à sua forma, Rollemberg traça o seu próprio destino. Este é um processo que necessita de uma adaptação mútua entre o governador e a mensagem que se pretende transmitir. É um casamento que tem de ser perfeito. Do contrário, o governo passa e a imagem fica distorcida.

Rollemberg precisa de imediato cuidar da sua imagem e da imagem de seu governo. É isso que vai ficar quando o poder acabar. Será a sua herança. O seu espólio. Uma comunicação de laboratório, sem nexo e na base da discórdia tem o seu preço.

É preciso se comunicar com os eleitores. E o trato que deve ter com eles. Não o que dizer, mas como dizer.

Em todos os níveis, portanto desde a comunicação factual, publicitária, até os contatos com os grupos representativos do seu eleitorado e os próprios eleitores, passando pela cobertura da imprensa, reuniões, coletivas, encontros, entrevistas, etc., a imagem do governador deve obedecer a parâmetros uniformes, valorizando a credibilidade em seus planos de ação, em seu programa de governo. Um político em ação política.

Construir a imagem de um político é impossível. Pode ir conseguindo convencer as pessoas um dia, outro dia, mas chega a altura em que o olhar trai, alguma coisa não convence, soa falso. E ai o estrago já foi feito. E quando se trabalha ou se deixa trabalhar com exclusões, o isolamento é inevitável.

Rollemberg tem que ser ele a própria mensagem. O trabalho da comunicação a fazer é a de valorizar essa mensagem deixando-o assumir uma postura natural e preparar apenas a argumentação que Rollemberg precisa utilizar em seu governo.

O próprio Rollemberg tem que ter confiança em todos os passos. Confiança em si próprio e confiança na sua equipe. Só assim conseguirá ter um norte e resistir à má-língua, à intriga, a conselhos, dicas de leigos ou muito experts, por mais próximos que lhe sejam.

É vital ser um bom comunicador. Mas não é tudo. A exposição pública é de tal forma grande que, se falhar uma das partes, falha tudo. E nem os bons resultados em Saúde e Educação adiantarão.

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