Três perguntas para Sandro Avelar
Por Celson Bianchi, do Alô Brasília
Todos estamos acompanhando a queda-de-braço entre o GDF e a Polícia Civil, com paralisações, entregas de cargos e chefias. É justo o pleito dos policiais civis?
Justíssimo! A polícia do DF está há muitos anos sem reajuste algum. Eu mesmo acompanhei, enquanto secretário de Segurança, as ponderações do governo local acerca da impossibilidade de reajustar os salários dos policiais daqui enquanto não houvesse solução para a questão salarial da Polícia Federal. Ora, se o governo federal, finalmente, reconheceu a imensa defasagem salarial dos policiais federais em relação a outras carreiras que tiveram reajustes significativos ao longo dos últimos anos, e se comprometeu a diminuir essa diferença a partir de janeiro de 2017, é justo e dar-se o mesmo tratamento aos policiais do DF.
A população não é a maior prejudicada com a radicalização do movimento na PC?
Sem dúvida, mas as lideranças classistas, nessa hora, vivem um impasse. Tenho certeza que o intuito não é trazer prejuízos à população, mas chamar a atenção para um problema real que vem desestabilizando a categoria. Salários dignos e um relativo equilíbrio entre os órgãos responsáveis pela persecução penal – polícia, ministério público e magistratura – são necessários para se manter relação saudável entre as instituições, em benefício da população. Infelizmente, o abismo que se criou entre essas categorias tende a desprestigiar os policiais frente aos demais. Negar a necessidade desse equilíbrio representa um preconceito aristocrático e desagregador.
O aumento dos números na criminalidade tem relação com os movimentos reivindicatórios da polícia?
Pode ter alguma relação, mas não é o fator principal. A falta de iluminação tem reflexos nos números da segurança, menores jogados nas ruas sem escola, desemprego, a falta de pavimentação e até a falta de poda em árvores onde os índices são tradicionalmente altos; tudo o que acontece ou deixa de acontecer em sociedade tem reflexo nos números da criminalidade. Imputar à polícia toda a responsabilidade em conter a violência é de uma estupidez sem limites.



