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ENTREVISTA // “A saúde só muda se a educação mudar”, diz presidente da Rede Sarah

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Lucia Willadino Braga, diretora da Rede Sarah de Hospital: “Aqui ninguém é mais importante do que ninguém. O médico não é mais importante, como a gente vê por aí.” “Tive que provar para a comunidade científica, com dados estatísticos, que amor faz bem.” Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

Por Ana Dubeux, Ana Maria Campos e Carlos Alexandre, do Correio Braziliense

O reconhecimento internacional da Rede Sarah se deve, em boa medida, aos multitalentos de Lúcia Willadino Braga. Em uma trajetória marcada por caminhos improváveis e quase aleatórios, a gaúcha de Porto Alegre foi decisiva para tornar o centro de reabilitação inaugurado em 1960, por JK, uma referência mundial na medicina e na gestão pública. Neta de alemã e de índio, musicista autodidata e de uma curiosidade insaciável, ela deve a Brasília o espírito inovador que marca seus projetos em neurociência. Em meio àquela utopia que nascia no Planalto Central naqueles anos pioneiros, Lúcia aprendeu cedo que era possível fazer tudo a partir do nada. “Todo mundo tinha que criar, e acho que isso me abriu uma proposta de criação”, diz. Com forte inovação e uma gestão de alto nível, marcada pela participação de todos os colaboradores, Lucinha — como é conhecida — representa o expoente de um modelo exemplar, diametralmente oposto à calamidade frequentemente diagnosticada na saúde pública nacional — inclusive no Distrito Federal. Nesta entrevista ao Correio, Lúcia, presidente da Rede Sarah, avalia que a ausência de uma filosofia e de um projeto de longo prazo são graves lacunas que impedem avanços no atendimento à população. E acredita que a solução para os hospitais está nas escolas: “Com educação você já melhora muitíssimo o nível de saúde.”

A infância numa cidade em construção influenciou sua trajetória?

Foi determinante. Mostrou que qualquer um pode fazer alguma coisa, se quiser, se você se empenhar. Isso me influenciou e me influencia até hoje. Não consigo ver que uma coisa é impossível. Vejo que há obstáculos que a gente supera. E outra coisa que me influenciou muito foi o plano educacional.

Onde você estudou?

O Anísio Teixeira e o Darcy Ribeiro criaram uma proposta educacional completamente inovadora e fomos cobaias. Mas foi uma maravilha ter sido cobaia disso. Estudei num lugar chamado Escola de Aplicação, que era um barraco de madeira, do lado do Elefante Branco. Isso no ensino de primeira a quarta séries. Nas escolas, não tínhamos que decorar nada. A ideia era ensinar a pensar. Não decorei nem a tabuada. Até hoje não sei e nunca me fez falta nenhuma. A ideia era aprender a pensar. E isso me influenciou muito.

Depois veio a ditadura…

Tinha uma coisa nas escolas que era um tanto quanto subversiva. Os professores diziam: “Olha, você não pode falar isso, mas tem que pensar aquilo”. Isso estava arraigado nos professores. O professor vinha, por exemplo, com Construção, do Chico Buarque, para debater. Havia um processo de politização. E quando entrei na UnB, em 1976, muito jovem, a ditadura ainda não tinha conseguido sufocar a universidade. E aí você podia fazer matéria em qualquer departamento.

Que curso?

Fiz música, psicologia. Fiz matérias de vários departamentos. Acho que sou uma autodidata, porque, olhando hoje o conceito de neurociência, vejo que desde muito cedo, nos anos 1970, venho buscando essa diversidade. Pensava que seria música porque, com cinco anos, aprendi a ler partitura sozinha e curti. Aprendi “n” instrumentos.

Qual é o preferido?

Gostei de todos. Aprendi regência com o Cláudio Santoro, na UnB, toquei piano, oboé, violino, flauta… Pensava que faria isso da minha vida, mas, quando cheguei à UnB, vi que tinha uma matéria sobre o desenvolvimento do pensamento da criança. Pensei: “É isso que me interessa…” Aí tinha matéria sobre neurologia. Achei muito legal. Comecei, então, a pegar as disciplinas e montar ideias na minha cabeça.

Foram os primeiros projetos?

No meio do segundo semestre, tive a ideia de desenvolver um projeto, numa bolsa de iniciação científica do CNPq, que era trabalhar parâmetros do som com as crianças com lesão cerebral para desenvolver o pensamento. Foi em cima da ideia de trabalhar o pensamento cognitivo. Esse projeto foi aprovado, super bem cotado. Eu tinha 19 anos. E aí me disseram que, se conseguisse um lugar para implantar o projeto, poderia executar. Deixei o projeto no Hospital de Base e no Sarah. De repente, o Sarah falou que poderia vir. Cheguei aqui, não tinha local para mim e muito menos material. Aí arrumei, dentro daquela ideia de que se você não tem, faz. Eles me deixaram guardar o material dentro do ar-condicionado. E trabalhava do lado de fora.

Conheceu Campos da Paz nessa época?

Ele me viu aqui, na enfermaria, tocando flauta. Fazia esse trabalho com as crianças. Ele achou curioso o projeto e me convidou para apresentar numa sessão clínica. Quando me formei, fiz seleção para cá e entrei no Centro de Pesquisa. E aí, já trabalhando aqui, fui fazer mestrado e doutorado, sempre em estudos sobre o cérebro. Depois, fiz pós-doutorado em ciências. Campos tinha essa abertura para o novo. Ele não se assustava.

Como você, que não se enquadra e busca sempre o novo, tem esse lado executiva? Isso se encaixa? São duas Lucinhas ou uma só?

Encaixa-se muito. É uma Lucinha só. Da mesma forma que posso criar um novo método de tratamento, posso construir uma organização do trabalho, posso construir um hospital. Então, é uma coisa gostosa. Bem novinha, já tinha essa facilidade de organizar as coisas e as pessoas. Tanto que assumi a chefia da área de lesão cerebral com 22 anos. Assumi a coordenação porque a própria equipe pediu. Organizava bem. Você pode ser criativa na gestão. Combina bem. A gestão não precisa ser pesada, burocratizada. Então comecei no setor de lesão cerebral infantil. Depois, no setor de lesão cerebral como um todo, coordenei praticamente todos os programas do Sarah. No fim, nos anos 1980, era gerente de reabilitação. Tudo sobre reabilitação era comigo.

O fato de não ser médica prejudicou? Sofreu preconceito?

Nunca senti preconceito porque nunca tentei ocupar o espaço de ninguém. Muitas pessoas falam: “A dra. Lúcia não é médica”. É comum ouvir isso, mas não incomoda porque acho natural que as pessoas pensem que, para ser diretor de hospital, precisa ser médico. Então, por mais que diga que não sou, volta. É recorrente. Mas não me afeta porque nunca quis ser médica.

Teria feito o curso, se quisesse…

Passei no vestibular com uma das maiores notas da UnB. Meu sogro era médico e ele queria muito que fizesse medicina. Só fiz matérias que me interessavam, estudei anatomia e outras. Gosto de aprender e faz muito bem para o cérebro.

Por que é tão difícil adotar um modelo de sucesso como o do Sarah na saúde pública?

Tem muitos fatores. O Sarah tem alguns diferenciais. Por exemplo, a gente tem uma filosofia. Todo mundo vem para uma seleção pública, faz um treinamento para igualar princípios filosóficos. Trabalhamos com dedicação exclusiva. Então, um grupo pequeno de profissionais pode dar um atendimento de qualidade. Muitos hospitais nos procuraram querendo fazer igual. Mas muitos dizem que dedicação exclusiva não dá. Aí começa a não dar certo.

São bons salários para dedicação exclusiva?

São salários dignos. Para ter um bom profissional, não posso pagar uma miséria, porque ele não estará aqui. Mas o que a gente vê lá fora é que o trabalho de um é dividido por quatro pessoas, cada uma fazendo algumas horas. A organização do trabalho é muito importante. Há também um diferencial nosso em termos da gestão de materiais. Muitas unidades têm o tomógrafo, mas está quebrado; têm a agulha, mas falta a linha; têm o cirurgião, mas falta o anestesista. Em saúde, não pode faltar nada. Isso não é uma questão de custo. É uma questão de planejamento. Claro que se paga por tudo o que se utiliza, mas não deixamos as coisas perderem a validade, não deixamos as coisas no estoque e conseguimos planejar. Isso em saúde é fundamental.

Falta de medicamentos e má utilização de equipamentos são grandes problemas da saúde pública…

Sim, na falta de planejamento, a pessoa manda comprar um equipamento e não tem onde instalar. Como vou comprar uma ressonância sem ter onde instalar? Outra coisa fundamental é manutenção. Estamos num prédio de 1980 e aqui não tem nada quebrado. Não fica nada quebrado nenhum dia. Aqui trabalhamos também com o princípio da economicidade. Não somos donos do Sarah. O dono do Sarah é o povo brasileiro. Essas responsabilidades, essa consciência, esse cuidado com o bem público são muito fortes na nossa filosofia. Ninguém deixa uma luz ligada; a gente usa iluminação natural, ventilação…

Tem muito rigor?

Sim. Mas quem não se adapta vai embora. Não aguenta. Aqui ninguém é mais importante do que ninguém. O médico não é mais importante, como a gente vê por aí. A pessoa que limpa o chão faz uma seleção pública, recebe treinamento que passa por um olhar no microscópio. Passa por uma filosofia. Ele sabe que precisa limpar para retirar as bactérias. Com isso, temos a menor taxa de infecção do mundo. Esses profissionais de higiene são profissionais de saúde.

Usar organizações sociais na gestão de hospitais é uma saída?

Depende das instituições contratadas. Já houve uma experiência em Brasília que não deu certo. As organizações sociais surgiram como espelho do Sarah. Só que a gente tem essas peculiaridades que vão desde o treinamento de um auxiliar de higiene até os profissionais de saúde. A gente tem, por exemplo, um programa muito legal, que se chama Paciente por um dia. O pessoal novo se coloca como tetraplégico, paraplégico, afásico (não fala), e os outros colegas vão tratar dele. Alguém vai alimentar, vai ver o ritmo… Isso dá um outro olhar, mais humano. Temos uma perspectiva humanística. Quando se pergunta a um ortopedista: “O que você olha num paciente?” Olhe o olho.

Então, depende mais de uma filosofia de trabalho?

De uma filosofia e de um modelo de trabalho. Tem que ter o modelo, desde a gestão dos recursos humanos; precisa ter os profissionais trabalhando com prazer. Assim é também no tratamento, precisa ser prazeroso para os pacientes. Desenvolvemos um método que se chama neuroreabilitação ecológica. Se você não pode tirar uma pessoa do hospital para a vida, então tem de levar o hospital para a vida. Um exemplo: as pessoas remando no lago, no Sarah Lago Norte. Lutei muito para construir aquela unidade. Enfrentei muita oposição. Só faltavam me matar.

Por que um hospital na beira do lago?

Justamente pela possibilidade de fazer coisas mais lúdicas, de ter um visual mais legal, um espaço aberto. A pessoa fica paraplégica e precisa de braços muito fortes. Quando ela vai se transportar da cadeira para a cama, para o carro, usa todo o peso do corpo no braço. Se você botar a pessoa para carregar um peso, vai encher a paciência dela. Se você coloca para remar, é muito mais interessante. Para quem precisa trabalhar o equilíbrio, velejar é muito melhor. São coisas assim que temos feito.

Como foi o trabalho de envolver a família nos tratamentos?

Em 2005, escrevi um artigo em que comprovei que a participação da família propicia um tratamento muito melhor.

Hoje em dia, nos hospitais, quando alguém está em fase terminal, cada vez mais o médico comanda o destino daquele paciente longe da família. Acha correto?

Isso é muito prejudicial. Em paciente em estágio terminal, a gente tem que ter uma linha de cuidados paliativos de dar conforto, tranquilidade, amor. Tive que provar para a comunidade científica, com dados estatísticos, que amor faz bem. Parece surreal. Já diziam os Beatles: “All we need is love”.

Foi difícil provar essa tese?

A comunidade científica não aceitava. Quando comecei a trabalhar no Sarah, a família não entrava, ficava do lado de fora. Vinha o paciente para tratar, a mãe ficava do lado de fora. Dizia: “Isso não vai dar certo. A mãe passa 24 horas por dia em 365 dias por ano com o filho. Ela tem muita informação para dar.” Não tive dúvidas: peguei meu tapete e coloquei do lado de fora do hospital. Comecei a atender as famílias. Dava um resultado incrível. Mas, quando comecei a apresentar isso, tive que quebrar um tabu muito forte. Ouvia: “Eu sou a fisioterapeuta, como a mãe vai fazer os exercícios?”; “Eu sou a fonoaudiológa.”… Achava que tudo aquilo poderia ser ensinado para as famílias. Peguei um grupo tratado durante um ano com a participação da família, e um outro grupo sem a participação. Quem teve a família foi muito melhor. Provei que a variável mais importante para uma criança melhorar é a afetiva. É o amor.

A criança se sente mais segura?

Quem mais quer o bem dessa criança? Quem ensina uma criança a andar? Não é o fisioterapeuta. É a mãe, a família. Quis devolver à família o papel natural. Quando comecei a falar sobre isso fora do Brasil, também me deu muito problema. Hoje a família é muito bem-aceita. Publiquei um livro que ensinava tudo com desenho, a fazer estimulação motora, cognitiva, da linguagem…

Que imagem o Sarah tem lá fora?

Hoje, o Sarah é um dos modelos mais reconhecidos em reabilitação no mundo. Esse método da família é usado em muitos países. Fui convidada no ano passado até para inaugurar um hospital na Holanda, em Haia, que usa basicamente os métodos que desenvolvi. Hoje recebo visitantes para treinar aqui. Vem gente da Noruega, da Suécia, dos Estados Unidos, da Inglaterra, França, Dinamarca, África do Sul… Temos projetos de colaboração com vários centros do mundo.

Não é um reconhecimento fácil…

É uma coisa que se constrói no dia a dia. Nunca coloquei isso como meta, mas sempre quis mostrar que esses métodos eram importantes. Nos últimos 20 anos, sempre sou chamada para abrir congressos. Amigos meus, que começaram a trabalhar comigo, de outros países, brincam: “Pôxa, você, a menorzinha de nós, latino-americana, mulher, é a convidada especial”.

Nesse período, sentiu preconceito lá fora?

Teve momentos em que senti. Essa questão da família enfrentou muita resistência. Uma vez fui falar em Curitiba sobre a importância da família e as pessoas se levantaram no meio da fala, em protesto.

Existe muita arrogância na ciência?

Existe. Alguns franceses acharam legal meu projeto da família, alguns alemães também. Mas nem todos. Tinha um amigo alemão, que me tratava muito bem, mas nunca comentava as pesquisas com a família. Uns anos depois, ele me liga: “Meu filho sofreu um acidente de carro e teve uma lesão cerebral. Estou me sentindo excluído. Só agora entendi seu lance com a família. Quero levar meu filho para você tratar, e fazer parte do tratamento”.

E a vaidade no mundo científico?

Há uma vaidade intelectual. Mas tem um lado na ciência: tudo você precisa comprovar. Como provei, com todas as estatísticas, com amostra grande, vários estudos com ressonância magnética funcional em que se mostra dentro do cérebro da pessoa, então não há um questionamento. Aí você publica esse estudo na Science, a comunidade científica acolhe, segue e tenta dar um passo à frente. Então hoje tem menos esse embate.

Como está a saúde hoje no país?

É um momento muito difícil. O país é muito grande. Garantir qualificação, qualidade, a distância… Seria necessária a formação de gestores em saúde. Ser um bom médico não significa ser um bom gestor. Mas a gestão de materiais e a manutenção do sistema são complexas. E é isso que a gente vê muito nos escândalos: falta remédio, equipamento parado. A saúde só vai mudar se a educação mudar. Minha sensação é de que o país precisa investir em educação. Com educação, você já melhora muitíssimo o nível de saúde. Uma coisa que já discuti com alguns governos: por que não se coloca no fim do ensino médio disciplinas de enfermagem, de medicina? Com um ano de formação mínima, haveria muito menos procura de pronto-socorros. Haveria muito mais ações preventivas.

Para não sobrecarregar o sistema?

Isso. A pessoa vai saber quando a situação é grave e que precisa correr para o pronto-socorro ou se pode esperar. Essa noção básica se resolve com educação. Os países que fizeram as grandes mudanças pensam nos próximos 20 anos. Veja o que era a Suécia antes de investir em educação: a pobreza, a miséria, a prostituição, o alcoolismo… E o que é a Suécia hoje, e os países escandinavos.

Mas, aqui no DF, se resolve como? É educação, gestão?

É gestão. Uma coisa que tenho informação, que me foi dito pelo próprio Rollemberg, é que tem um número muito grande de médicos na administração. Não tem nenhum médico na gestão da rede Sarah toda. E ninguém faz só gestão. Faço gestão, faço pesquisa e atendimento de pacientes. O gestor que não for para a base não sabe o que está acontecendo. Se eu não for ao meu ambulatório, à minha enfermaria, vou ficar fazendo o que aqui? Ficar de rainha da Inglaterra? E o que faz esse tanto de gente, esse tanto de médico? Por que estão na administração e não na frente? Por que não se monta um sistema de compra de material que seja minimamente planejado? Por que quando se compra um equipamento não se contrata a manutenção? Não dá para ter uma visão imediatista. Essa ideia de pensar o país a longo prazo é o que falta. É como aqui no GDF.

Qual é a solução?

Deveria se pensar assim: vamos virar a mesa e partir do zero. Vamos construir uma coisa nova? O que sinto dos sucessivos governos são remendos para dar conta durante alguns mandatos.

Seria uma mudança estrutural?

Isso. Parar tudo e ver quem está fazendo o quê. Quem vai cuidar do quê… Eu, que já fiz tantos hospitais, acho tão simples. Olhar o problema de frente, encarar. Ter a participação das pessoas. Esse também é um problema. Você não pode fazer uma gestão que não seja participativa. Não posso dizer: agora sou a secretária de Saúde e vocês vão fazer assim. Ninguém vai fazer porque quero, mas porque acredita. Passaria por uma revisão geral. Vamos construir juntos. Uma coisa muito complicada é ficar se queixando, dizendo que não pode fazer porque não tem condições. Então, descola. Providencia. Briga por isso. Se houver uma boa intenção, você vai conseguir ajuda.

Já foi convidada para ser ministra?

Fui convidada por três diferentes presidentes. Fui convidada para ser secretária de Saúde do DF, mas a estrutura política do Brasil é muito difícil. Tem a coisa da divisão partidária. A vida toda trabalhei com profissionais concursados. Acho complicado esse universo criado pelos políticos de indicar determinado profissional porque tem ligação partidária, política. O cargo de ministro é político. Não é um cargo de gestor público e o meu cargo aqui é de gestor público, de responsabilidade enorme e com cuidado muito grande dos recursos públicos. Nunca tivemos nenhum questionamento do TCU nem da CGU. Se for tudo no preto e no branco, não tem questionamento.

Na hora de pedir recursos do orçamento, há dificuldades?

A gente tem sempre um apoio muito grande da bancada do DF, de todos os partidos. Os grandes aliados do Sarah são as pessoas que nele se tratam. Os parlamentares são eleitos pela população e a população está satisfeita. O nível de satisfação do paciente do Sarah, na última pesquisa, foi de 98,3%. Quando a gente pede uma emenda, não enfrenta dificuldades. E aqui a gente não faz nenhum tipo de diferença partidária ou religiosa.

O aparelhamento político atrapalha?

Atrapalha, mas em que ministério é diferente? Acontece em todo o sistema político.

Na saúde, o peso de indicações políticas não é maior?

Saúde e educação são áreas que não deveriam ter influência política. Se fosse ministra da Saúde, teria de brigar muito. Não iriam me querer em três meses. Logo me dariam alta. Temos que viver para a saúde e não sobreviver da doença.

Como é sua relação com os pacientes?

Sou contra distanciamento. Eu beijo, abraço, gosto. Defendo o envolvimento. Meus pacientes vão se tornando meus amigos. Você comemora cada vitória. É muito bom ver que a pessoa está melhorando e você melhora junto. A gente se “co-constrói”.

Com as derrotas, você acaba sofrendo também?

Não acredito em derrota. Tudo depende do objetivo a ser alcançado. Não posso querer que uma pessoa que comprometeu toda a medula volte a andar. Não posso considerar uma derrota não a fazer andar. Tenho que trabalhar com ela um objetivo que lhe dê qualidade de vida, e a gente vai comemorar muito, a gente vai curtir.

Muitos pacientes chegam com a esperança de cura. Como dizer a eles que nunca mais vão andar?

Acho natural que as pessoas venham com a expectativa acima da realidade. Acontece. Você não pode tirar a esperança de ninguém, mas também não pode alimentar expectativa falsa, porque reversão de expectativa é que causa sofrimento. Acontece assim: a pessoa vai conversar com outras que têm o mesmo problema. Aí, ela começa a digerir. Quando a pessoa está pronta para perguntar ao médico, ela pergunta. Não é preciso antecipar. Trabalho muito o seguinte: o que você tem, e não o que você não tem. Se você gosta de esportes, não pode ser um campeão de corrida, mas pode ser um campeão de remo. Existem “n” possibilidades. O caminhar é mais importante para as pessoas que não têm problema do que para as pessoas que têm. Se você não andar, mas souber contornar isso, será feliz, como a gente vê em milhares de paraplégicos, tetraplégicos, hemiplégicos.

Têm ocorrido muitos acidentes de trânsito por uso de celular?

Demais. É impressionante. Antes os problemas de trânsito eram causados por bebida alcoólica. Hoje são principalmente causados pelo celular. É aquela ideia de que você vai ganhar tempo. Na verdade, acaba perdendo um tempo enorme. Passar meses e anos se reabilitando. É um filme que não volta.

Vocês ainda têm programas de orientação para jovens?

Sim. Temos um programa de prevenção que é muito legal. A gente começou pensando em jovens do ensino médio próximos de tirar a carteira. Mas aí descobrimos o óbvio: adolescentes contestam os adultos. Então baixamos a faixa etária para um pessoal bem novinho, porque a criança chega em casa e fala: “Ah, pai, se não botar o cinto, não vou”.

Como fazer com que as pessoas tenham cuidado?

É interessante essa questão da prevenção: ninguém chega e fala: hoje vim me prevenir de um câncer ou de uma lesão na medula. Viável é convidar as escolas para uma visita. É o espaço da educação. Aí você vai trabalhar a formação das crianças. Seria muito legal que as crianças tivessem essa formação. A prevenção passa por aí.

Como enxerga a educação hoje no país?

É preciso investir mais na remuneração do professor. Acho impressionante que não se veja o valor desses profissionais. E investir no ensino fundamental. Um ensino fundamental de qualidade muda muito a realidade. O resto é consequência.

Há situações em que você não acreditaria que o paciente chegaria lá?

A gente nunca acha que a pessoa não vai chegar lá. A questão é construir dia a dia. Sempre se pode dar um passo a mais. Talvez seja um passo diferente, por outra via. O importante, em recuperação e reabilitação, é comemorar cada passo. Cada melhora é uma melhora.

E quanto à força de vontade do paciente?

É fundamental. Quando recebo algum paciente adulto, com uma lesão cerebral mais grave, falo: “Quer melhorar? O mais importante para melhorar é querer. Senão não vai ter como fazer nada, nem sua família, nem ninguém. A pessoa é responsável pela própria saúde.

Vocês atendem de celebridade e político a pessoa comum. O tratamento é padrão?

É absolutamente igual. Aqui não há infecção social. A família chega, toma um banho e veste um uniforme. Isso é para evitar infecção hospitalar e infecção social. A roupa que o acompanhante da celebridade vai usar é a mesma do acompanhante do paciente em uma situação econômica mais precária. Os pacientes usam o mesmo uniforme, o mesmo tratamento, a mesma enfermaria, comem no mesmo refeitório, a mesma comida. A pirâmide socioeconômica do Sarah é igual à do Brasil. Aumentou a classe C no Brasil, aumentou no Sarah. O acesso era todo por telefone, agora é pela internet. O que a gente tem, diferentemente de outros hospitais públicos, é muita busca de pessoas que poderiam pagar. Porque elas buscam a qualidade.

O índice de satisfação com o Sarah é alto. Mas há quem critique porque não consegue consulta. Por quê?

Aí depende. Muitos casos a gente não atende porque as pessoas não têm noção do trabalho do Sarah. Acham que aqui trata fratura. E aqui não trata fratura. O acesso é tranquilo. Entra no site, escolhe a unidade. Você vai ver, por exemplo, que não há ortopedia e neurocirurgia em Fortaleza. Foi definido assim. Tudo é dentro de uma única perspectiva, mas alguns têm especialidades que outros ainda não têm. Tudo isso passa pelo governo federal, porque todos os nossos recursos são públicos.

A arquitetura tem um peso fortíssimo em todos os Sarah. Tudo tem a mão do Athos e do Lelé. Você enxerga os dois?

Isso é uma coisa maravilhosa. Até outro dia comentava… Éramos quatro pessoas muito ligadas: eu, Campos da Paz, o Lelé e o Athos. Sempre fui a caçula da turma, hoje só fiquei eu. O arquiteto não faz um hospital se você não tem um bom programa. E um programa de reabilitação não funciona se não há uma boa arquitetura. Se tivéssemos cubículos, não conseguiríamos fazer um atendimento humanizado. Então adotamos alguns princípios: abertura com a natureza, ventilação natural, iluminação natural, espaços amplos e abertos, multidisciplinariedade. Isso tudo faz parte de um programa de reabilitação. A filosofia do Sarah também se sustenta na arquitetura. Ninguém tem o seu consultório, em nenhuma unidade da rede. A gente divide boxes.

Não foram projetados?

Exatamente. Não temos computadores pessoais. Achei estranhíssimo quando vim para a diretoria — não queria vir. Não tenho talento para ficar em gabinete. Gosto de trabalhar do lado de fora. Quando vim para essa sala e vi que podia abrir a porta e botar uma mesa do lado de fora, carreguei a mesa para a grama e comecei a trabalhar. A arquitetura foi toda pensada assim: os elementos do Athos sempre conversaram com a arquitetura do Lelé. Isso a gente ensina também na formação dos profissionais do Sarah. Ninguém cola um Mickey Mouse em cima de uma peça do Athos. Lelé e Athos tinham uma conversa muito gostosa para cada hospital. Os azulejos do Sarah de São Luís, Athos pensou de maneira diferente, porque é uma cidade com tradição de azulejos. No Sarah centro, o Athos começa com o painel marrom, o painel verde. Você chega ao Sarah Lago, ao Sarah Fortaleza, explode em cores. Um dia falei ao Athos: “Você começou fazendo o Teatro Nacional todo branco… de repente explodiu em cores. Como foi isso?” Ele respondeu: “Lucinha, fiquei velho, perdi a vergonha” (risos).

Que influência tiveram na sua vida?

Tive oportunidades e estou tendo ainda de conhecer pessoas interessantes. Estou sempre muito aberta a aprender, a ouvir o outro. Aprendi muito com Campos, com Lelé, com Athos… Tinha outras pessoas também. Jorge Amado, Zélia Gattai, Millôr Fernandes, pessoas de uma sabedoria.

Do que mais sente falta de Campos da Paz?

Do humor. Na vida diária, a gente tinha uma relação muito próxima. Teria idade para ser filha dele. E um dia ele me falou: “Engraçado, as pessoas pensam que você é tipo minha filha, mas você é tipo minha mãe” (Risos). E é verdade. Porque ele era muito impulsivo. E eu dizia: “Não, não pode, se comporte!” A gente tinha essa liberdade.

Ele disse uma vez sobre você: “O professor se realiza quando descobre que o aluno é melhor que ele”.

Ele botou isso no livro dele. Falei para ele: “Não bota isso não”. Sou do tipo low profile.

Trabalha quantas horas por dia?

Quantas horas for preciso. O envolvimento que a gente tem vem da paixão pelo trabalho. Deve ser muito triste uma pessoa trabalhar numa coisa de que não gosta. Morreria. A gestão me dá prazer. Acho muito gostoso organizar as coisas, ver o resultado e envolver as pessoas. É preciso pensar junto, porque a conquista é do grupo. Aqui todo mundo é muito preocupado em não rasgar o papel, de imprimir um papel que não precisa, de sair e deixar uma luz acesa.

Como cortar gastos e manter bons salários?

Há 15 anos, cortaram muito o nosso orçamento. E os preços subindo. O dinheiro estava limitado e o salário, uma porcaria. Falei: “O salário da gente está ruim, não está? Também acho, porque também sou funcionária. Se todo mundo diminuir o custeio, dá para aumentar o salário”. Imediatamente todo mundo fez uma economia enorme no custeio e reverteu em salário no mês seguinte. Mas a gente sabia que tinha de manter. E até hoje temos essa filosofia.

Como você enxerga a crise no país?

A gente não pode se deixar levar pelo baixo astral. Tem tanta gente batalhando por alguma coisa boa… Tudo passa se a gente resolver cooperar para que as coisas sejam superadas.

E o teatro do Sarah? Os pacientes frequentam?

Sempre achei legal trazer arte para dentro do hospital. Logo que vim para cá, trazia filmes, uns amigos da Escola de Música para tocar. A gente ia fazer um barulho lá fora. Quando resolvemos ampliar o auditório, fizemos um que serve também de teatro. É um espaço com acessibilidade. Os pacientes adoram. Tem gente que vem de maca, tomando quimioterapia. Já falo logo para os artistas: se alguém sair, não é nenhuma crítica (risos). E agora comecei a perceber que diminuiu muito o uso de analgésicos, porque você levanta o astral das pessoas.

Partido de Rollemberg se queixa da perda de espaço no GDF

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Entre os diversos espaços perdidos pelo PSB, o rebaixamento da Secretaria de Turismo é um dos pontos mais sensíveis

Por Francisco Dutra – A relação do governador Rodrigo Rollemberg com o PSB, seu próprio partido, está estremecida. A legenda não viu com bons olhos seus espaços no Executivo murcharem com a reforma administrativa proposta pelo Palácio do Buriti.

A reestruturação fez parte da engenharia política de Rollemberg para retirar Joe Valle (PDT) da Câmara Legislativa e levar um correligionário, Roosevelt Vilela. Mas, nem mesmo após a posse Vilela, na condição de suplente, os ânimos se pacificaram.

jbr

Buriti envia à CLDF mais dois projetos de lei para garantir pagamento de reajustes

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 Foto: Pedro Ventura
Foto: Pedro Ventura

Propostas integram conjunto de 11 medidas sugeridas pelo Executivo, que, se passar pelo crivo dos parlamentares, terá impacto fiscal de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres do governo

Por Gabriela Moll – A Câmara Legislativa recebeu nesta quinta-feira (29) os dois últimos projetos de lei que integram o conjunto de 11 medidas apresentadas pelo Executivo para viabilizar a proposta de cronograma de pagamento de reajustes a servidores, anunciada pelo governo de Brasília na sexta-feira (23). Se aprovadas pelos deputados distritais, as proposições vão aumentar a arrecadação do governo e garantir o compromisso assumido com 32 categorias. Os reajustes foram autorizados em 2013, pela gestão anterior, sem o devido planejamento orçamentário. Com base no calendário proposto, serão pagos pela atual administração, sem retroativos, a partir de 1º de outubro de 2016.

Uma das propostas protocoladas hoje (Projeto de Lei Complementar nº 35) estabelece cobrança pelo uso de áreas públicas e multa anual para casas que invadam áreas verdes, por exemplo. A outra, o Projeto de Lei nº 744, sugere reajustar o Imposto Sobre Serviço de Cartórios, passando a alíquota de 2% para 5%.

Entre os 11 projetos há aqueles que visam à arrecadação contínua — com o aumento de taxas e alíquotas — e ações pontuais do Estado para conseguir recursos, como a venda de imóveis. Algumas propostas não terão impacto fiscal direto, mas contribuirão para a desburocratização do sistema, com alterações na lei que regulamenta as autorizações sobre o direito de construir na cidade, por exemplo.

“Com o aval dos parlamentares, acreditamos que conseguiremos honrar os compromissos”, afirma o chefe da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais (fusão da Casa Civil com a Secretaria de Relações Institucionais e Sociais), Sérgio Sampaio. A expectativa do governo é que, somadas, as propostas resultem em um impacto fiscal de cerca de R$ 1 bilhão no orçamento do Distrito Federal.

Saiba mais sobre as 11 medidas:

1 — O Projeto de Lei Complementar nº 24 altera a poligonal do Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, criado pela Lei nº 1.826, de 13 de janeiro de 1998. A proposta consiste em vender uma área degradada e incorporar outra ao terreno do parque. Com a nova demarcação, estima-se que a venda arrecade em torno de R$ 300 milhões para os cofres públicos.

2 — O Projeto de Lei Complementar nº 28 determina que o montante que vai para o Fundo de Desenvolvimento do Distrito Federal seja aplicado até atingir o saldo de 0,5% da receita corrente líquida. O que ultrapassar deve ser usado para construção e manutenção da infraestrutura de transporte. “Com essa medida, deixamos de perder R$ 180 milhões”, afirma Sampaio.

3 — Com valor estimado de R$ 89,7 milhões para o Executivo, o Projeto de Lei nº 646 dispõe sobre o processo de venda de 13 imóveis da antiga Sociedade de Abastecimento de Brasília. As propriedades serão doadas ao Distrito Federal e posteriormente transferidas para a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap).

4 — O Projeto de Lei nº 668 estabelece elevação da Taxa de Limpeza Pública do DF para grandes geradores de resíduos sólidos — como centro comerciais, hospitais particulares e supermercados. Serão levados em conta o tamanho e o segmento comercial. Até o limite de 25 quilos ou 100 litros de material, o comerciante ou prestador de serviços ficam isentos. “O contribuinte regular não será afetado”, alerta o chefe da Casa Civil. Sampaio reforça a importância do projeto, que garantirá a continuidade da arrecadação. “Prevemos cerca de R$ 50 milhões anuais.”

5 — O Projeto de Lei nº 694 sugere alteração de 2% nas alíquotas dos produtos destinados ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, criado pela da Lei nº 4.220, de 9 de outubro de 2008. A proposta acresce embarcações de lazer, perfumes e cosméticos nacionais, cerveja sem álcool e aeronaves não propulsadas.

De acordo com Sampaio, o texto inicial incluía o aumento da alíquota de refrigerantes, mas, a pedido dos deputados distritais, o governo de Brasília retirou essas bebidas da lista. A expectativa é que, em um ano, arrecadem-se mais R$ 40 milhões.

6 — Protocolada em outubro, a alteração no texto das leis que regulamentam as outorgas onerosas desburocratizará o processo e facilitará o pagamento e, consequentemente, a aquisição do habite-se. “Vamos destravar dívidas e deixar o procedimento administrativo mais claro”, afirma o secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago de Andrade. O titular explica que a medida não terá impacto fiscal mas, sim, econômico.

O pagamento da outorga onerosa de alteração de uso é uma taxa cobrada quando a utilização inicialmente prevista para a unidade é alterada. O da outorga onerosa de direito de construir refere-se à valorização do imóvel.

O valor arrecadado com a outorga onerosa de alteração de uso vai para o Fundo de Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal, que capta e destina verba para viabilizar programas e projetos voltados ao desenvolvimento urbano e à preservação do patrimônio na área de tombamento de Brasília.

O Projeto de Lei Complementar nº 32 é resultado de uma avaliação feita por um grupo de trabalho criado em agosto, por meio do Decreto nº 36.723, em agosto.

7 — Entregue à Casa na terça-feira (27), com outras medidas que não integram o conjunto apresentado para garantir os reajustes, o Projeto de Lei nº 738 propõe a venda de 32 imóveis da Terracap, que poderá trazer a arrecadação de R$ 800 milhões aos caixas do governo. Somados, os terrenos ocupam área de 119.766,69 metros quadrados, distribuídos em 13 regiões administrativas.

O governador de Brasília, ao anunciar o cronograma de reajustes, declarou que a comercialização é de extrema importância para garantir o pagamento aos servidores. Serão vendas pontuais e passíveis de parcelamento. A previsão é que, no prazo de dois anos, todas as propriedades sejam vendidas.

8 — O Projeto de Lei Complementar nº 34, oficializado na quarta-feira (28), prevê o fortalecimento da Procuradoria-Geral do Distrito Federal na cobrança de créditos da dívida ativa. A ideia é desburocratizar o processo e evitar a necessidade de ações judiciais.

9 — Outro protocolado na quarta-feira (28), o Projeto de Lei nº 743 altera a Lei nº 3.932, de 2006, e determina o aumento na cobrança da taxa de licenciamento de veículos no Distrito Federal — de R$ 58 para R$ 81,20. O objetivo do Departamento de Trânsito com a medida é equiparar o valor praticado com outras unidades da Federação.

10 — O governo também pretende estabelecer a cobrança pelo uso de áreas públicas. Protocolado nesta quinta-feira (29), o Projeto de Lei Complementar nº 35, define que residências que invadem áreas verdes, por exemplo, como casas no Lago Sul, paguem multa anual.

A análise de cobrança seguirá critérios definidos pelo Plano de Ocupação de Áreas Públicas Contíguas às Unidades Imobiliárias Residenciais Unifamiliares, estudo criado pela Secretaria de Gestão do Território e Habitação.

O valor do aumento vai variar de acordo com o tamanho da área, calculado de acordo com a base do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos (ITBI). A estimativa é arrecadar R$ 60 milhões por ano.

11 — O Projeto de Lei nº 744, entregue hoje na Câmara, sugere o reajuste do Imposto Sobre Serviço de Cartórios. Com a aprovação, a alíquota passará de 2% para 5%, resultando em mais de R$ 60 milhões ao ano para o caixa do Executivo.

Cortes de comissionados em outubro trarão economia mensal de mais de R$ 3 milhões

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Nova estrutura de oito das 17 secretarias já foi publicada no Diário Oficial do DF

Na semana passada, o Diário Oficial do Distrito Federal trouxe as alterações de estrutura da Casa Civil (que absorveu a pasta de Relações Institucionais e Sociais e a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, antes vinculada à extinta Secretaria de Ciência e Tecnologia) e da Secretaria de Mobilidade. As mudanças são parte das medidas que têm de ser adotadas pelo Executivo para recuperar a saúde financeira e voltar aos limites toleráveis da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O número de secretarias de Estado caiu de 24 para 17. Ao assumir o governo, em janeiro, Rodrigo Rollemberg já havia cortado 14.

Das 17 secretarias, oito já tiveram a nova estrutura publicada. Na Casa Civil e na Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, foram cortados oito cargos que estavam ocupados. Outros 116, em aberto desde o início do ano, deixarão de ser preenchidos. De 504 cargos comissionados, ficaram 380. Por mês, deixarão de ser gastos R$ 857.466,83.

Na Secretaria de Mobilidade, por sua vez, foram cortados 23 cargos que estavam ocupados. Dezessete em aberto deixarão de ser preenchidos. Os cargos comissionados passarão de 139 para 99. Nesse caso, as mudanças representarão economia mensal de R$ 97.409,97. A estrutura da Casa Militar também foi definida nesta semana, mas os números ainda não estão consolidados pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão.

Outras secretarias

Também já foram publicadas no Diário Oficial do DF as reestruturações de outras secretarias de Estado. A junção de três pastas, que resultou na Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, representará, por mês, economia de R$ 1.027.068,34. Já as mudanças nas Secretarias de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo; de Educação, Esporte e Lazer; de Planejamento, Orçamento e Gestão; e de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude trarão economia mensal de R$ 1.682.872,11.

Chapa Pró-Advogado apresenta propostas para mulheres advogadas

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O candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Distrito Federal (OAB-DF), Délio Lins e Silva Júnior, da chapa Pró-Advogado 30, juntamente com a candidata a vice-presidente Célia Arruda, apresentou, neste fim de semana, propostas voltadas para as mulheres advogadas. O evento, realizado no Lago Sul, contou com aproximadamente 200 advogadas, fora as 41 que fazem parte da chapa, um recorde na história da OAB-DF.

Délio Júnior deixou claro que as mulheres não só terão intensa participação nos cargos de comando e nas comissões, como também vai incentivar a participação feminina nos demais espaços da Ordem, promovendo a integração política e social entre mulheres e homens. “Ao contrário de algumas chapas, as mulheres que fazem parte da nossa não foram inseridas com o objetivo de cumprir cota. São todas extremamente competentes, atuantes e vão abrir espaço para o público feminino na OAB-DF”, afirmou o candidato.

A chapa Pró-Advogado 30 defende o aumento do valor do auxílio-maternidade para as advogadas, a disponibilização de creches para atendimento aos filhos e a viabilização de espaços para amamentação e troca de fraldas nos Fóruns e Tribunais. Além disso, vai intensificar a parceria com o Conselho Federal a fim de implantar, no Distrito Federal, todos os pontos destacados no Plano Nacional de Valorização da Mulher Advogada.

Outra proposta é o engajamento constante da OAB-DF na luta pela ampliação e proteção do mercado de trabalho feminino, pelo combate a qualquer tipo de discriminação no que tange ao exercício profissional e à remuneração, propondo-se a facilitar e intermediar o acesso das advogadas à OAB-DF, incentivando a participação destas nos debates, eventos e atividades de formação promovidas pela entidade.

Célia Arruda destacou a importância da união entre as mulheres no mercado de trabalho. “A parceria entre mulheres diminui a intimidação que esse meio majoritariamente masculino gera e abre as portas para novas contratações”, destacou a advogada.

Délio Lins e Silva Júnior também explicou como vai funcionar a anuidade a R$ 50 para jovens advogados e advogadas. A proposta prevê anuidade de R$ 50 nos dois primeiros anos, R$ 150 no terceiro ano e R$ 250 no quarto e quinto anos de inscrição. Para os demais associados, não haverá aumento de anuidade, ou seja, será mantido os R$ 600,00. “Chegamos a essa solução a partir de um estudo detalhado que mostra ser viável. Os mais experientes não vão pagar pelo subsídio dos mais novos. Apenas vamos enxugar gastos”, ressaltou o candidato.

Reguffe e Chico Leite são os políticos em atividade mais admirados pelo brasiliense

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Chico Leite

Pesquisa Metrópoles/Dados revelou que 82,3% dos brasilienses não admiram nenhum político ou preferiram não revelar sua opinião sobre o assunto. Entre os que reúnem alguma aprovação popular, aparecem também Arruda e Roriz, dois ex-governadores enrolados na Justiça

Por Lilian Tahan – O brasiliense está flagrantemente carente de lideranças políticas. Foi o que apontou a pesquisa de opinião Metrópoles/Dados, realizada entre os dias 23 e 27 de outubro e que ouviu 1,2 mil pessoas nas principais regiões do Distrito Federal.

O levantamento pediu aos entrevistados que dissessem o nome de um político que admiram em Brasília. O objetivo era medir o índice de simpatia dos brasilienses pelos políticos que os representam.

Mas, ao responderem à pergunta “o senhor pode me dizer o nome de um político que admira em Brasília?”, oito em cada dez pessoas disseram “nenhum” ou não quiseram manifestar sua opinião, reunindo impressionantes 82,3% dos entrevistados.

Entre os 17,7% que citaram um político que admiram, o senador José Antônio Reguffe (PDT) foi o mais bem colocado, atingindo um índice de simpatia de 5,7% dos entrevistados.

Outros 35 políticos foram lembrados na pesquisa Metrópoles/Dados, mas apenas dois deles alcançaram mais de um ponto percentual na tímida escala de admiração revelada pelo levantamento.

Em segundo lugar, apareceu o ex-governador José Roberto Arruda (PR), com 2,2% da preferência popular, e, na terceira posição, veio o também ex-governador Joaquim Roriz, reunindo 1,9% da aprovação do brasiliense.

Lembranças dramáticas

Embora ainda figurem na memória afetiva do eleitor, tanto Arruda quanto Roriz se envolveram em escândalos rumorosos no DF, o que os jogou para o ostracismo político. Em 2010, Arruda protagonizou a Caixa de Pandora, operação policial que, em conjunto com o Ministério Público do DF e Territórios, revelou um esquema de corrupção envolvendo integrantes do Executivo, do Legislativo, além de empresários da cidade.

Em função dos desdobramentos da Pandora, Arruda passou dois meses preso e acabou perdendo o mandato de governador. Roriz também teve sua carreira política abreviada em 2007, quando se viu obrigado a renunciar para evitar a cassação política.

Na época, ele foi pivô do episódio da Bezerra de Ouro. Em outubro deste ano, Roriz foi condenado em segunda instância pela operação da partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões, envolvendo o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura e o empresário Nenê Constantino. Para a Justiça, houve improbidade administrativa.

Ranking metropoles

A baixa popularidade de Rollemberg

Enquanto políticos do passado enrolados na Justiça conquistaram posições de destaque no ranking de admiração aferido pela pesquisa, o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), exibiu uma retraída sexta colocação.

Enfrentando um desgaste em função da crise financeira e institucional que o DF atravessa, Rollemberg foi lembrado por 0,6% dos entrevistados, logo atrás do eoutado Chico Leite (Rede) e do conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Márcio Michel, ambos com 0,8% na escala.

A pesquisa Metrópoles/Dados também questionou aos entrevistados se eles votariam nas próximas eleições, caso o voto deixasse de ser obrigatório.

Praticamente 70% das pessoas ouvidas disseram que não iriam às urnas, contra 25% que manteriam a rotina de escolher seus representantes. Mais um sinal do grau de desilusão a que chegou o brasiliense com a classe que o representa.

Saúde: MPDFT e MPC/DF expedem recomendações aos gestores públicos

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O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e o Ministério Público de Contas (MPC/DF) expediram quatro recomendações ao GDF sobre a situação da saúde. A primeira pede prioridade para as despesas com a saúde pública, de forma a manter os estoques de medicamentos e insumos, bem como realizar consertos de equipamentos médico-hospitalares para garantir o atendimento da população, inclusive a realização de cirurgias, em especial, no Hospital de Base (HBDF). O governo também deve se abster de terceirizar os serviços públicos de saúde ou de repassá-los à iniciativa privada. “A saúde possui prioridade constitucional”, reforça o documento.

A segunda recomendação se dirige ao governador do DF, Rodrigo Rollemberg, e ao comandante do Corpo de Bombeiros Militar do DF, Hamilton Santos Esteves Júnior, para que adotem medidas urgentes a fim de garantir o imediato uso na rede pública do tomógrafo computadorizado que se encontra encaixotado nos corredores da corporação. O documento pede, ainda, que seja apurada a responsabilidade pela compra que, a princípio, fere a economicidade e a legitimidade da despesa pública, pois demanda local apropriado para sua instalação, que inexiste naquele órgão, razão pela qual o equipamento está ocioso.

A terceira recomendação se dirige aos gestores da Secretaria de Saúde (SES). Pede-se o imediato início do procedimento licitatório para os serviços de fornecimento de alimentação hospitalar, uma vez que existem recursos orçamentários e decisão judicial condenando o GDF a licitar tais serviços, com objeto parcelado. O MPDFT pede, ainda, que o edital a ser lançado inclua cláusula que obrigue as empresas a detalharem seus custos unitários.

A última recomendação determina que o GDF adote medidas para garantir o número mínimo de profissionais para a realização de cirurgias e atendimentos na rede pública de saúde, especialmente no HBDF, tendo em vista que a Justiça do DF declarou ilegal a greve dos profissionais de saúde. Os gestores também devem nomear os profissionais aprovados em concurso, nos termos da LRF, bem como rever a cessão dos inúmeros profissionais da SES à Faculdade de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), em detrimento do atendimento à população, prática que vem ocorrendo desde 2001.

O não atendimento às recomendações pode sujeitar governador do DF, secretários e os demais responsáveis às sanções cabíveis, dentre elas, ação de improbidade administrativa, como é exemplo a mais recente ajuizada pelo MPDFT em face da contratação do Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe) para gerir o Hospital da Criança.

Para o Ministério Público, a celebração desse contrato sem licitação violou o princípio da impessoalidade. Em agravo, não houve consistente justificativa de preços, conforme determina a Lei de Licitações. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), é necessário que se adote e faça publicar “estudo detalhado que contemple a fundamentação da conclusão de que a transferência do gerenciamento para organizações sociais mostra-se a melhor opção, avaliação precisa dos custos do serviço e dos ganhos de eficiência esperados, bem assim planilha detalhada com a estimativa de custos da execução dos contratos de gestão”.

Chapa Pró-Advogado e a ABBP debatem eleição da OAB-DF

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Representantes da ABBP e o advogado Délio Lins e Silva Júnior, na manhã de hoje
Representantes da ABBP e o advogado Délio Lins e Silva Júnior, na manhã de hoje

Associação Brasiliense dos Blogueiros de Brasília participou de um café da manhã com Délio Lins e Silva, candidato da presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no DF

A Associação Brasiliense dos Blogueiros de Política (ABBP) e o candidato a presidente da Ordem Dos Advogados do Brasil, seccional Distrito Federal (OAB-DF), Délio Lins e Silva Júnior, da chapa Pró-Advogado 30, participaram de um café da manhã, nesta sexta-feira (30). O motivo da reunião foi debater as eleições na OAB-DF. Os representantes da ABBP ouviram as propostas de Délio Lins para a entidade.

“A OAB-DF precisa se dedicar exclusivamente à causa do advogado, que hoje anda esquecida, sem o apoio devido pela OAB-DF. Nossas propostas estão amparadas na lealdade absoluta ao advogado, na austeridade contra gastos excessivos, como festas e mordomias, e na modernidade da OAB-DF”, afirmou Délio Lins e Silva Júnior durante o café da manhã.

A ABBP foi representada pelos blogueiros Toni Duarte, Fernanda Borges (que também é advogada), Sérgio Loros e Ricardo Callado. Também participou da reunião a jornalista Camila Cortez. Délio Lins e comprometeu publicamente a não assumir nenhuma causa que possa confrontar com os interesses dos advogados e criticou a omissão da Ordem com a greve no Judiciário.

“Nesta greve do Poder Judiciário, que já é a maior da história, os advogados do DF estão vivenciando um grande absurdo, que é a total omissão da OAB em função de o presidente ser advogado do Sindjus-DF (Sindicato dos Servidores da Justiça do DF). Isso é inadmissível, milhares de advogados estão com suas rendas severamente comprometidas, perdendo clientes e fechando escritórios. Além disso, a população que depende de alguma decisão da Justiça, está sofrendo muito”, lamenta Lins e Silva Júnior.

Ele lembrou, ainda, que a sua chapa é a que possui o maior números de mulheres da história de uma campanha para a OAB-DF. A começar pela a sua vice, Célia Arruda.

Quem é Délio Lins e Silva Júnior

O único brasiliense entre os candidatos, é graduado em Direito pelo Uniceub, possui pós-graduação em Direito Penal Econômico e pós-graduação em Ciências Jurídicas Criminais, ambos pela na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra – Portugal, mestrado em Ciências Jurídicas Criminais pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra – Portugal, onde é também doutorando. Autor de diversas obras em sua área, é também professor universitário e ex-presidente das Comissões de Honorários e de Apoio ao Advogado Iniciante da OAB/DF onde, inclusive, conseguiu implantar o piso salarial da categoria. É advogado militante com atuação destacada de delegacias ao STF, tendo atuado nos principais processos criminais do país, tais como operação Mensalão, Lava Jato, Furacão, Zelotes, Caixa de Pandora, entre outros.

Projeto promove a inteiração de advogados seniores para se tornarem mentores de advogados jovens

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Délio Lins e Silva Júnior, da chapa Pró-Advogado 30.
Délio Lins e Silva Júnior, da chapa Pró-Advogado 30.

 

Esta é uma das propostas do candidato a OAB-DF, Délio Lins e Silva, da chapa Pró-Advogado 30, para os advogados mais experientes

O candidato a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Distrito Federal (OAB-DF), Délio Lins e Silva Júnior, da chapa Pró-Advogado 30, apresentou as suas propostas para os advogados experientes. Entre elas, o desenvolvimento de iniciativas que valorizem o advogado experiente, por meio de realização de eventos, atividades de lazer, palestras e maior assistência à sua saúde através da caixa de assistência.

Délio também pretende fazer a Integração dos advogados experientes no Centro de Orientação de Carreiras, com a participação em palestras e encontros com advogados iniciantes para orientação.

Outra proposta é a implantação do projeto Advogado Mentor, que vai promover a inteiração de advogados seniores que tenham interesse em se tornarem mentores de advogados mais jovens.

A chapa Pró-Advogado 30, traz ainda como proposta, o promover engajamento das advogadas e dos advogados seniores em atividades de cunho social promovidas pela OAB-DF. E, ainda, a promoção de palestras para os advogados sobre aposentadoria, com temas relacionados à organização emocional e financeira necessárias para essa transição.

Senador Cristovam critica violência da polícia do DF contra professores

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cristovam Buarque

 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi à tribuna do Senado, nesta quinta-feira (29), para criticar e manifestar sua indignação com a ação repressiva da polícia do Distrito Federal para coibir a manifestação realizada pelos professores na tarde desta quarta-feira (28).

“Eu lamento estar aqui para manifestar minha profunda indignação com a maneira como o Governador do Distrito Federal – que foi nosso colega aqui –, como seu Governo, através da sua Polícia Militar, tenha espancado professor, prendido professor, tirado professor de dentro de carro e levado para a delegacia”.

Para Cristovam, bater em professor é bater no futuro do País. “O futuro de um país tem a mesma cara da sua escola hoje. Olhe para uma escola de um país, para o conjunto das escolas: se ela for feia, alquebrada, maltratada, assim vai ser o futuro do país. O futuro de um país tem a cara da escola desse país no presente”.

O senador acrescentou que é absolutamente perfeita a metáfora de que um país que bate em professor bate no seu futuro, até porque se dá um péssimo exemplo para as crianças, que tomam conhecimento de que aqueles que estão ali, sendo espancados, presos, levados em carros da polícia, ficando em delegacia, aqueles são seus professores.

“E depois reclamamos do mau comportamento das crianças. Depois reclamamos da violência dentro das escolas. Esse é o produto de governos que batem em professor, que prendem professor. Eu manifesto minha profunda indignação com esse fato”, discursou.

Para Cristovam, se explica perfeitamente quando o Governador Rodrigo Rollemberg diz que não tem dinheiro para pagar as reivindicações dos professores.

“Eu acho que se explica, porque quando a gente analisa as contas, de fato o governo anterior irresponsavelmente comprometeu gastos numa proporção que hoje não se tem. É explicável, mas não justifica a maneira como o professor é tratado na rua”.

O senador Cristovam disse se se explica, mas não justifica quando o Governador diz, numa nota, que as ruas e vias públicas têm que ser abertas, porque ali passam professores também, ali passam trabalhadores que vão ao trabalho, ali passam doentes que querem ir buscar um atendimento.

“As vias têm que estar abertas. Explica-se, mas não se justifica que para abrir uma via pública que manifestantes, professores tomaram por um momento, botaram a polícia”.

O senador criticou ainda o governador por evitar o diálogo com os senadores, os federais e os distritais: “O que o governador deveria ter feito era nos convocar, para ver até que ponto a explicação que ele tem da falta de dinheiro é uma justificação que permitiria usar a nós próprios para conseguirmos convencer os professores de que suas reivindicações são inviáveis de serem atendidas”.

Ex-governador do Distrito Federal, Cristovam disse que greve é normal. Segundo ele, quase todo governo enfrentou greves, de todas as categorias, mas especialmente de professores, mas poucos usaram a polícia contra os professores.

“Eu fico triste de ter dado meu apoio, de ter colaborado para eleger o Governador e me incomoda hoje que o meu Partido esteja dentro do Governo, que é responsável por espancamento a professores, por prisão de professores”, afirmou.

Por fim, ele disse que o governador Rodrigo Rollemberg deveria vir a público dar explicações e apontar responsáveis pela violência contra os professores: “O governador precisa vir de público dizer que não tem nada com isso, mas para isso ele tem que mostrar quem é o culpado e tem que punir quem fez”, disse.