O Direito não está imune às transformações digitais. A experiência atual mostra que a inovação não substitui a advocacia, ela a complementa. Cada vez mais, decisões judiciais e entendimentos institucionais reconhecem que a tecnologia pode conviver com a ética profissional, abrindo caminho para que a OAB deixe de enxergar ameaça e passe a atuar como parceira nesse processo.
Thomas Friedman, no livro O Mundo é Plano, descreve a globalização em três fases: a 1.0 (1492–1800), liderada por Estados; a 2.0 (1800–2000), dominada por multinacionais; e a 3.0 (2000 em diante), impulsionada por indivíduos e pequenos grupos com apoio das tecnologias digitais e da internet, a globalização digital. É nesse cenário que as legaltechs florescem, trazendo ao universo jurídico a lógica da conectividade e do acesso imediato.
Muitas atuam como marketplaces jurídicos, criando sistemas de relacionamento que organizam documentos, conectam advogados a clientes e aproximam cidadãos do Judiciário. Elas não substituem a advocacia, mas a fortalecem ao oferecer ambientes seguros, acessíveis e intuitivos. Trata-se de verdadeira democratização do acesso à Justiça, em sintonia com a Constituição de 1988, que assegura livre iniciativa, concorrência e defesa do consumidor.
A Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) já reúne mais de 300 empresas do setor. O Judiciário também começa a reconhecer sua relevância.
Em decisão recente, a Justiça Federal confirmou que a atuação da startup Resolvvi não configura exercício ilegal da advocacia, mas inovação legítima. O ministro Luís Roberto Barroso foi ainda mais incisivo, deixando claro que, tentar impedir esse avanço seria como “barrar os teares no início da Revolução Industrial.”
Marco simbólico veio nessa primavera, por intermédio do próprio Tribunal de Ética da OAB/RJ, ao julgar improcedente denúncia contra o escritório de advocacia Gouvêa Advogados Associados, que havia celebrado convênio com a startup JUSTIFY no período pós pandemia.
O julgado esclareceu que a startup não é escritório de advocacia, portanto não está sujeita às sanções da OAB, e que na relação legaltech , escritório/advogados inexistem provas de infração ético-disciplinar.
Esse posicionamento sinaliza que a OAB pode ser parceira da inovação. Afinal, as legaltechs não ameaçam a profissão, mas reduzem barreiras, criam oportunidades e aproximam a Justiça de quem dela precisa.
LUCIANA GOUVÊA – ADVOGADA -Especialista em Proteção Legal Patrimonial e Proteção Ética e Legal Empresarial, informação e entrega de direitos. Especialista na área de inovação e tecnologias
Mais de R$ 120 milhões serão investidos em 20 anos; em pouco mais de dois meses, intervenções focaram na melhora de serviços de limpeza, tecnologia e no atendimento aos passageiros
Com a concessão da Rodoviária do Plano Piloto à iniciativa privada pelos próximos 20 anos, a população do Distrito Federal começa a perceber os primeiros resultados do trabalho de gestão do complexo feito pela Catedral, empresa vencedora do processo licitatório conduzido pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
Em pouco mais de dois meses desde a parceria, já foram feitos serviços na acessibilidade, na segurança e na limpeza do espaço, um dos locais mais emblemáticos da capital e que recebe mais de 700 mil pessoas todos os dias.
O contrato prevê investimento de R$ 120 milhões na recuperação, modernização e conservação do espaço. Logo nos primeiros dias de operação, algumas mudanças começaram a chamar atenção de quem passa por lá.
Para a vendedora Letícia Borges, 23 anos, a principal mudança foi na limpeza. “Antigamente era papel no chão, faltava lixeira e às vezes não tinha papel higiênico nos banheiros. Hoje você entra lá e tem duas pessoas fixas na limpeza, até cheirinho colocaram. A segurança também melhorou, com policiais e fiscais circulando. Me sinto mais tranquila, está ficando melhor a cada dia”, contou.
A limpeza do local está entre as entregas elogiadas pela população | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Melhorias
Entre as principais entregas estão a reativação das 12 escadas rolantes, que agora passam por manutenção preventiva constante, a modernização dos elevadores — três já reformados —, a instalação de 62 câmeras de monitoramento com reconhecimento facial, além de 50 telas digitais que exibem horários dos ônibus em tempo real. Também foi inaugurada a primeira sala multissensorial da história do terminal, voltada a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além do espaço “Cantinho do Desabafo”, que oferece acolhimento psicológico gratuito.
Para quem depende da acessibilidade, a diferença é significativa, como é o caso do cadeirante Carlos Henrique Silva, 33. Para ele, as melhorias fazem com que consiga se locomover sem dificuldades. “Ficou mais fácil, mais acessível, melhorou bastante. Agora consigo chegar rápido até o ônibus, com elevadores funcionando e rampas disponíveis”, relatou o servidor público.
Carlos Henrique Silva elogia as melhorias. “Ficou mais fácil, mais acessível, melhorou bastante. Agora consigo chegar rápido até o ônibus, com elevadores funcionando e rampas disponíveis”
O reforço na segurança do espaço é outro ponto elogiado. Com apoio da Polícia Militar do Distrito Federal e da Secretaria de Segurança Pública, o novo Centro de Controle Operacional (CCO) tem garantido monitoramento em período integral. “Atualmente a segurança está bem tranquila. Tem muitos policiais fazendo as rondas e tem os fiscais também nas plataformas fazendo esse serviço. Hoje tá bem melhor”, defendeu a vendedora Letícia Borges, 23.
De acordo com o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, o trabalho de concessão trará mais benefícios para a população. “A rodoviária pulsa, é o coração de Brasília. Por aqui circulam 700 mil pessoas diariamente. Hoje temos trânsito livre, sem a ocupação irregular de ambulantes, que foram realocados sem prejuízo. Os comerciantes ganharam, os usuários também. Nosso papel é acompanhar a execução da concessão e garantir que os investimentos sejam realizados, incluindo a nova estação do BRT ao lado e toda a recuperação estrutural do espaço”, afirmou.
“A rodoviária pulsa, é o coração de Brasília. Por aqui circulam 700 mil pessoas diariamente. Hoje temos trânsito livre, sem a ocupação irregular de ambulantes, que foram realocados sem prejuízo. Os comerciantes ganharam, os usuários também
Zeno Gonçalves, secretário de Transporte e Mobilidade
O superintendente do Consórcio Catedral, Leonardo Moreira, reforça que os serviços prezam pelo conforto dos usuários. “Encontramos uma rodoviária insegura, precisando de cuidados. Hoje, com o apoio das forças de segurança e mais de 150 funcionários entre limpeza, segurança e administração, conseguimos garantir banheiros limpos 24 horas, escadas rolantes funcionando, além de uma circulação mais organizada. O objetivo é que cada pessoa que desembarque aqui tenha conforto, acessibilidade e tranquilidade”, detalhou.
Para o vendedor Marcos André Moreira, 29 anos, os avanços são claros: “Elevador não funcionava, escada rolante também não. Agora tudo funciona. Os banheiros melhoraram muito. Hoje está bem melhor, mais organizado”.
Já os ambulantes que vendiam itens no interior da Rodoviária foram deslocados para outros pontos. “Eles entenderam que é importante. O governo manteve o compromisso e todos eles foram realocados. Buscamos áreas alternativas sem prejuízo ao trabalho de geração de renda e foi pacificada a questão de uma forma exitosa para todos, tanto para os usuários de transportes, quanto para os comerciantes da rodoviária, que ganharam porque não têm mais aquela concorrência desleal, e para os próprios ambulantes que agora têm espaços seguros, alternativos e de acordo com a necessidade deles”, acrescentou o secretário Zeno Gonçalves.
As mudanças, que incluem também os estacionamentos, com ordenamento das vagas e ações de manutenção, fazem parte de um plano que deve se estender ao longo das próximas etapas da concessão.
As 12 escadas rolantes foram reativadas e agora passam por manutenção preventiva constante
De acordo com o cronograma, além dos serviços essenciais, nos primeiros dois anos deverão ser investidos R$ 7 milhões na implantação de infraestrutura dos estacionamentos e do sistema operacional da rodoviária. Enquanto isso, o prédio passará por reforma, com investimentos de R$ 57,7 milhões e a previsão é terminar esta fase em três anos. Já a recuperação geral da estrutura e modernização do complexo deverá estar pronta em quatro anos, com mais R$ 54,9 milhões em investimentos.
“Eu tô gostando de tudo. Eu perdi as contas de quantas vezes já subi essas escadas e agora só quero subir e descer de escada rolante. Eu percebi que houve uma mudança da água para o vinho. Está tudo ótimo”, defendeu a diarista Ladijane Maria, 59.
O complexo concedido inclui os estacionamentos superiores e inferiores próximos ao Conjunto Nacional e ao Conic, no Setor de Diversões, que serão modernizados e agora são rotativos. As três áreas somam 2.902 vagas, sendo 1.179 vagas no SDN, 1.015 vagas no SDS e 708 vagas na plataforma superior. A concessionária poderá explorar diretamente ou terceirizar a gestão dos espaços.
O espaço dispõe de um canal de comunicação direta com a população, que pode enviar sugestões, elogios ou críticas. Para isso, basta enviar um e-mail para a administradora (ouvidoria.rodoviaria@rzkconcessoes.com.br).
Desde 2019, o Governo do Distrito Federal tem adotado uma série de medidas voltadas ao fortalecimento das organizações religiosas
Neste domingo (28), o governador Ibaneis Rocha participou de missa na Paróquia São João Bosco, na Praça Padre Roque, no Núcleo Bandeirante. O chefe do Executivo destacou o papel das religiões no acolhimento às famílias e ressaltou o respeito e apreço por todas elas.
Desde 2019, o Governo do Distrito Federal (GDF) tem adotado uma série de medidas voltadas ao reconhecimento e fortalecimento das organizações religiosas, incluindo o trabalho de regularização de templos e igrejas. Por meio do Programa Igreja Legal, a Agência de Desenvolvimento (Terracap) já regularizou 554 imóveis.
Governador Ibaneis Rocha e primeira-dama Mayara Noronha Rocha participaram da missa | Fotos: Renato Alves/Agência Brasília
A Praça Padre Roque, que abriga a sede da administração regional e recebe os principais eventos da cidade, passou recentemente por reforma para ampliar a segurança e a acessibilidade dos pedestres e frequentadores.
Durante a celebração da missa, o padre Roberto Modesto agradeceu ao governador Ibaneis Rocha, pelas ações do GDF que possibilitaram a transformação e reforma da igreja. “Sem a ajuda de vocês, não seria possível realizar as melhorias já feitas e dar continuidade às que ainda são necessárias. A próxima grande empreitada será a reforma da torre, prevista para começar na próxima semana”, destacou.
Reforma
A Praça Padre Roque, no Núcleo Bandeirante, foi reinaugurada no dia 19 de setembro pelo governador Ibaneis Rocha, após passar por uma ampla reforma que incluiu troca do piso, instalação de mais pontos de iluminação pública e novo projeto de paisagismo. Foram investidos pelo GDF cerca de R$ 2,7 milhões na obra, que gerou cerca de 300 empregos diretos e indiretos.
Padre Roberto Modesto agradeceu ao governador Ibaneis Rocha: “Sem a ajuda de vocês, não seria possível realizar as melhorias já feitas e dar continuidade às que ainda são necessárias. A próxima grande empreitada será a reforma da torre, prevista para começar na próxima semana
A obra contou com a substituição do piso de pedra portuguesa por concreto semipolido armado em uma área de 5.089 m². Mais resistente e acessível, o novo pavimento, de 12 cm de espessura, foi projetado para suportar veículos de manutenção e estruturas de eventos. Os serviços incluíram as instalações de 1.078 metros de meio-fio, 41 postes de iluminação em LED, 40 bancos, 20 lixeiras, dois abrigos de ônibus e um parquinho.
O administrador regional, José de Assis, comentou sobre a reforma da praça e destacou a alegria da comunidade com as melhorias. Segundo ele, o espaço agora é amplamente utilizado por crianças, idosos e moradores em geral, bem diferente de antes, quando era ermo e sem iluminação. “Hoje temos uma iluminação de primeiro mundo, que trouxe mais segurança e permite que as pessoas frequentem a praça também à noite”, disse.
Governador Ibaneis garante vaga do PL na chapa de 2026 e anuncia redução de interstício para bombeiros, além de 40 a 50 escolas cívico-militares no DF. Evento com 3 mil bombeiros foi organizado elo deputado distrital Roosevelt (PL)
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), assegurou que o Partido Liberal (PL) terá vaga garantida na chapa majoritária para a disputa das duas cadeiras ao Senado em 2026.
O anúncio ocorreu no sábado (27), durante evento organizado pelo deputado distrital Roosevelt Vilela (PL), que reuniu mais de 3.000 bombeiros militares no Park Way.
No evento, o governador Ibaneis Rocha esteve acompanhado da vice-governadora Celina Leão (PP), da presidente do PL, deputada federal Bia Kicis, e do secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha (Republicanos), este já confirmado como vice de Celina Leão na chapa majoritária para as eleições de 2026.
Ibaneis, que concorrerá ao Senado por estar em seu segundo mandato como governador, destacou a importância da decisão do PL na composição da chapa.
A chapa será liderada por Celina Leão, que assumirá o governo do Distrito Federal a partir de abril de 2026, quando Ibaneis deixar o cargo para disputar o Senado.
O nome a ser indicado pelo PL para integrar a chapa ainda será definido pelo partido, que avaliará suas opções estratégicas para a eleição.
Embora Michele Bolsonaro seja cotada para o Senado, sua campanha nacional sugere pretensões presidenciais, o que pode abrir espaço para Bia Kicis na disputa senatorial.
No evento, Ibaneis anunciou medidas para valorizar os bombeiros e policiais militares, como a redução do interstício para promoções no final de 2025 e a implementação de 40 a 50 escolas cívico-militares na rede pública do DF.
Ele também destacou que o Buriti aguarda autorização do Governo Federal para recompor os salários das forças de segurança.
Roosevelt Vilela enfatizou a união da corporação e o apoio às famílias dos militares, declarando: “A Festa da Família Bombeiro Militar representa a força e a união que nos movem. Nosso compromisso é lutar por melhorias para a corporação e suas famílias, parte fundamental do CBMDF”.
*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF
Maior salário é de R$ 2,5 mil. Interessados devem cadastrar o currículo no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital ou ir a uma das 15 agências do trabalhador, das 8h às 17h, durante a semana
As agências do trabalhador do Distrito Federal estão com 600 oportunidades profissionais disponíveis nesta segunda-feira (29). O maior salário é encontrado em uma vaga para churrasqueiro no Guará e uma para cozinheiro geral em São Sebastião. A remuneração é de R$ 2,5 mil e as duas profissões exigem ensino médio completo. A área da gastronomia também busca por dez confeiteiros, dois chapistas de lanchonete, dois cumins, dois gerentes de restaurante e um pizzaiolo com oferta de até R$ 2.390,48 em diversas cidades.
Para pessoas com deficiência (PcD), são reservados 21 postos para auxiliar de limpeza, oito para atendente balconista, duas para ajudante de farmácia e uma para monitor de alunos em Vicente Pires, Sudoeste e sem ponto fixo de atuação. Os salários são de R$ 1.518 a R$ 1.743,69. Interessados em estágio podem se candidatar a uma oportunidade para engenheiro civil na Zona Industrial, com oferta de R$ 1 mil/quinzena. É necessário estar cursando ensino superior relacionado ao ramo.
Todas as oportunidades oferecem benefícios. Para participar dos processos seletivos, basta cadastrar o currículo no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS) ou ir a uma das 15 agências do trabalhador, das 8h às 17h, durante a semana. Mesmo que nenhuma seja atraente ao candidato, o cadastro vale para chances futuras, já que o sistema cruza dados dos concorrentes com o perfil que as empresas procuram.
Empregadores e empreendedores que desejem ofertar vagas ou utilizar o espaço das agências do trabalhador para as entrevistas podem se cadastrar pessoalmente nas unidades ou pelo e-mail gcv@sedet.df.gov.br. Pode ser utilizado, ainda, o Canal do Empregador, no site da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF).
Pais, alunos e professores relatam melhora acadêmica dos jovens, além do fortalecimento da saúde física e mental proporcionada pelo esporte
Em busca do desenvolvimento físico, mental e social dos alunos de escolas cívico-militares do DF, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) leva aulas de artes marciais como atividades extracurriculares, em parceria com a Secretaria de Educação do DF (SEEDF). No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 16 de Taguatinga, as práticas têm impactado positivamente na vida de jovens como a aluna Rebeca Cizele Assunção, de apenas 11 anos. De kimono rosa, a pequena já fala como a luta a transformou por completo, ajudando a diminuir a ansiedade.
Assim que viu que o jiu-jítsu estava sendo ensinado nas escolas, Rebeca conta que já se interessou e pediu para a mãe a inscrever. “No primeiro dia, eu já me apaixonei e vi que era para mim. É uma luta que encanta e você sente uma paz. Ajudou em várias coisas na minha vida, como ter mais foco e parar de ter crise de ansiedade. Se pegasse a Rebeca hoje e a Rebeca de antes, teria uma diferença imensa. Desenvolvi mais paciência, melhorei minhas notas, a convivência com meus amigos e família, minha autoestima e minha autodefesa também. É algo que você se apaixona muito”.
Rebeca também ressalta a importância do projeto ser gratuito nas escolas: “Incentiva as pessoas a conhecerem mais desse mundo e isso abre novas portas para a vida. Acho importante o carinho que eles têm com a gente no projeto, que é muito grande”.
As aulas de artes marciais começaram no CEF 16 Chaparral Taguatinga Norte este ano, mas o programa funciona desde 2023, duas vezes por semana, com modalidades de judô, jiu-jítsu e karatê. Mais três Colégios Cívico-Militares (CCM) recebem as atividades: CEF 1 Núcleo Bandeirante, CEF 12 QNG Taguatinga Norte e CEF 19 QNL Taguatinga Norte. Os bombeiros ainda atuam em 17 escolas da rede da SEEDF dentro do Sistema Cívico-Militar, com projetos extracurriculares que abrangem aulas de música e Atendimento Pré-Hospitalar (APH), que ensina primeiros socorros para os alunos e funcionários.
São cerca de 40 alunos por escola que participam das aulas de artes marciais, que já alcançam 320 alunos em 2025. Segundo o sensei Márcio Diogo Ferreira, bombeiro coordenador de Artes Marciais da iniciativa, a primeira turma de 2023 começou com 20 alunos. Em 2024, houve expansão para outro colégio e a demanda subiu para 160 estudantes — o que significa um aumento de 400% desde o início do programa até 2025. “Isso mostra que o projeto é um sucesso. Acredito que ele tem um poder de formação, buscamos os alunos mais indisciplinados, porque esses são os que mais precisam. Tenho alunos que começaram porque tinham problemas no colégio ou fora dele e se disciplinaram para continuar no projeto”, observa o instrutor.
Qualquer aluno pode participar das aulas, desde que mantenha boas notas e disciplina para se manter nos treinos. O professor reforça a importância da arte marcial na transformação social e na prevenção de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e pressão alta: “No esporte nós tiramos o menino da rua e trazemos ele para o tatame, que é o diferencial nas comunidades mais marginalizadas. A partir do momento que estão aqui, somos uma família. E o projeto esportivo é mais uma possibilidade para eles se manterem ativos, além da parte da defesa pessoal promover mais autoconfiança, especialmente para nossas alunas”.
Mais esporte, mais inclusão
Além da pequena Rebeca, outros jovens também vivenciaram transformações na maneira de se relacionar, como é o caso do Murilo Stroisner, de 13 anos. Diagnosticado com autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o estudante afirma que fazer jiu-jítsu é uma experiência boa que mudou muita coisa. “É muito legal participar de uma atividade, fazer parte de uma turma de lutadores em um esporte forte e aprender autodefesa. Agora tenho mais responsabilidade e prazer em fazer as coisas. A luta é importante e fiz muito mais amigos aqui”.
No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 16 de Taguatinga, as práticas têm impactado positivamente na vida de jovens como a aluna Rebeca Cizele Assunção, de apenas 11 anos. De kimono rosa, a pequena já fala como a luta a transformou por completo, ajudando a diminuir a ansiedade
Para a mãe do garoto, a farmacêutica Nayara Marra Pinho, 45, o sentimento é de orgulho. Ela explica que o filho era desorganizado e desinteressado, desde a escola até as interações sociais. Hoje ela descreve Murilo de outra maneira: “Ele está mais focado, interessado, disciplinado, organizado, calmo, centrado e até mais pontual. Aprendeu muito sobre autoridade, fala mais baixo e todas as reclamações que tive dele mudaram. Ele faz as tarefas, as notas melhoraram e todos os professores têm elogiado. O projeto ajudou muito na socialização, ele conversa e brinca mais, olha mais nos olhos, está mais atento às coisas. Ver que ele está avançando dentro de uma normalidade como qualquer outra criança é muito gratificante”, relata.
De acordo com o tenente-coronel Luciano Antunes Paz, coordenador geral do projeto de gestão compartilhada do CBMDF, a iniciativa abrange alunos típicos e atípicos por demanda. O militar afirma que o programa é ambicioso e visa formar atletas para o futuro, além de desenvolver a parte social que ajuda muitos alunos. “As escolas são escolhidas em locais de vulnerabilidade e, no momento que o aluno chega no tatame, ele aprende normas e tradições a serem seguidas. É onde muitos superam as dificuldades anteriores pela ausência de uma família estruturada. Eles entendem hierarquia, controle emocional, domínio do próprio corpo e o respeito ao próximo. Tudo isso reflete na vida deles e nosso objetivo e sonho é ter alunos que serão campeões olímpicos”.
A diretora do CEF 16 de Taguatinga, Rosane Bornelas Ribeiro, recorda que as aulas são ministradas no contraturno, o que não atrapalha as atividades dos estudantes e também complementa o trabalho realizado em sala de aula. “Reduz a ociosidade da criança, sendo uma forma de salvá-la de influências negativas. Já temos visto surtir efeito com os nossos alunos mais indisciplinados, os pais sentem que os filhos estão ficando mais calmos e pela reunião semanal com os professores já sentimos o reflexo positivo. O esporte é vida e tê-lo de uma forma gratuita ajuda muito, porque muitos alunos não têm a mínima condição para bancar uma atividade extra. Aqui estamos dentro do ambiente escolar, um local monitorado e seguro com um projeto que só tem a agregar”, completa.
Com câmeras térmicas e zoom de longo alcance, tecnologia promove mais assertividade e eficiência à atuação dos militares, que passam por capacitação antes de operar dispositivos
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) conta com 11 drones para auxiliar no combate a incêndios florestais, ações de busca e salvamento, monitoramento de áreas de risco e apoio à defesa civil. Os aparelhos são estratégicos para as operações, gerando assertividade e eficiência para a atuação das equipes. A gestão dos dispositivos, tecnicamente intitulados como aeronaves tripuladas remotamente, cabe ao 3º Esquadrão de Aviação Operacional (3º ESAV), instituído por decreto em 2024.
A tecnologia começou a ser empregada há dez anos, com a aquisição do primeiro equipamento do tipo Mavic 2, apelidado como Zangão 01. De lá pará cá, a aeronave passou a ser amplamente utilizada pela corporação, que investiu na capacitação de cerca de 300 militares e obteve, com recursos próprios e por doação, outros exemplares do dispositivo. Atualmente, estão disponíveis cinco drones do modelo Mavic 2, que se destaca pelo zoom de longo alcance, e seis do Mavic 3T, que conta com câmera termográfica e indicado para operações em campo.
“Com o Mavic 3T, conseguimos identificar obstáculos, vítimas em áreas de mata e até definir prioridades no combate às chamas. Já o Mavic 2, mesmo sendo mais antigo, continua sendo útil para investigações a longas distâncias”, explica o tenente Rony Junio Rodrigues da Costa, responsável pela coordenação do uso dos aparelhos.
Novos drones devem ser incorporados em breve. Está em andamento um processo para doação pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e a compra de outros exemplares com recursos da própria corporação. Recentemente, o CBMDF recebeu dispositivos da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e acessórios, como câmeras e cartões de memória, da Receita Federal.
Combate
Os dispositivos estão integrados a grupamentos especializados, como o de Busca e Salvamento (GBS), Proteção Ambiental (GPRAM), Proteção Civil (GPCIV) e Prevenção e Combate a Incêndio Urbano (GPCIU). Durante a Operação Verde Vivo, promovida anualmente entre abril e novembro, ao menos três aeronaves são empregadas nas missões. “Os equipamentos são muito úteis no combate a incêndios por permitirem a visualização completa da região afetada e a direção do fogo, trazendo mais eficiência ao trabalho”, salienta o tenente.
Com o reconhecimento da região atingida pelo fogo, o drone também contribui com a segurança dos bombeiros, reduzindo a exposição das tropas às chamas, e agiliza a resolução das situações de emergência. “O maior ganho é a questão do monitoramento em tempo real, já que é possível antecipar mudanças no comportamento do fogo, prever a direção que pode ser causada pelo vento, por exemplo, e assim ter uma resposta mais rápida e precisa no combate”, ressalta Costa.
“Com o Mavic 3T, conseguimos identificar obstáculos, vítimas em áreas de mata e até definir prioridades no combate às chamas. Já o Mavic 2, mesmo sendo mais antigo, continua sendo útil para investigações a longas distâncias”, explica o tenente Rony Junio Rodrigues da Costa
No ano passado, durante o período de vigência da Operação Verde Vivo, foram registradas 9.005 ocorrências de queimadas, com 22.250,40 hectares de área afetada. Setembro, agosto e julho foram os meses com maior número de chamados, representando, juntos, quase 73% do total de ocorrências. Neste ano, de abril a agosto, foram recebidos 4.848 casos de incêndios florestais, que afetaram área de 8.797,70 hectares. Os dados de setembro ainda estão em fase de apuração.
Capacitação
Para operar os dispositivos, os militares passam por treinamento que aborda desde os princípios básicos de navegação até legislação e normas de segurança. São oferecidos três cursos por ano, além de oficinas para órgãos externos. O curso tem duração de três semanas, sendo duas online e uma presencial.
O cabo Henrique Senna concluiu a formação no ano passado e atualmente está lotado no 3º ESAV. Para ele, o emprego da tecnologia durante incêndios florestais gera mais eficiência e assertividade ao combate, impactando diretamente a proteção da população e da natureza. “Quando chegamos por terra, não sabemos a dimensão do fogo nem a direção que está tomando, se tem casas no caminho ou não. Com o drone, podemos ter essa visão antes de partir para o combate, facilitando o controle dos focos e nos ajudando a proteger as pessoas”, salienta.
Outro militar capacitado para a operação dos dispositivos é o subtenente Ricardo Cruz. Ele destaca as demais atividades que podem ser monitoradas pelo aparelho, como é o caso de grandes eventos como shows e festivais. “Temos uma maior visão das vias de acesso, da localização das viaturas e, no caso de operações de busca e salvamento, podemos usar para encontrar pessoas, principalmente em matas”, conclui.
Evento busca proporcionar momentos de alívio e diversão, humanizando atendimento
“Ei, dor, eu não te escuto mais”. Esse foi o trecho de uma das músicas entoadas pelo paciente do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Marcelo Felipe dos Santos, 43, ao ouvir o som do cantor Alan Cruz e banda durante uma apresentação no Jardim Central da unidade. O vigilante está internado desde o dia 10 deste mês, após sofrer um choque de energia de alta tensão.
Junto à esposa Josimira e aos filhos Gabriel, 11, e Gustavo, 20, Marcelo celebrou as horas de descontração e reencontro. “Estou sendo muito bem atendido aqui. A equipe é excelente. E essa apresentação coincidiu com a visita maravilhosa da minha família. Significa muito pra mim, dá um ânimo a mais. Acho que até a imunidade da gente aumenta com momentos assim”, arriscou a dizer.
“Essa apresentação coincidiu com a visita maravilhosa da minha família. Significa muito pra mim, dá um ânimo a mais”, relata o paciente Marcelo Felipe dos Santos | Fotos: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF
A família presenciou o retorno do projeto voluntário “Música como Remédio”, que funcionou no Hran durante a pandemia. Com o auxílio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), a iniciativa busca amenizar o sofrimento e as internações por meio de canções. No repertório dessa sexta-feira (26), os pacientes ouviram composições de Alceu Valença, Lenine, Luiz Gonzaga, Djavan, Roberto Carlos e outros clássicos da Música Popular Brasileira (MPB).
Música para esquecer a dor
“Ao trazer a música para o contexto hospitalar, mudamos o foco do paciente, que está na dor e na internação. As canções são capazes de, ainda que por um instante, afastá-los da realidade no hospital ou transformá-la em algo mais agradável e leve”, destacou o cantor responsável pelo projeto, Alan Cruz. Além do jardim, o “Música como remédio” também sobe andares e visita alas, como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A percepção de Alan foi ilustrada pelos olhos de Eudalto Ribeiro, 61. Na cadeira de rodas e com uma bala de oxigênio, o pedreiro está internado há três dias com pneumonia e bronquite. “A gente distrai a cabeça e volta mais alegre. É muito bonito. Dou nota dez por esse momento de diversão e sensibilidade.”
Setembro Amarelo
A apresentação no Hran também buscou reforçar o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a depressão e de prevenção ao suicídio. A intenção, segundo o superintendente da Região de Saúde Central, Paulo Roberto da Silva Júnior, é que os shows ocorram toda última sexta-feira do mês.
“Temos presenciado muitos casos de transtornos mentais nas emergências e a música consegue trazer um certo alívio e alegria. São minutos para desacelerar, ouvir uma boa canção, acalmar o corpo e a cabeça, não só dos pacientes como também dos servidores. Ela permite uma descompressão no trabalho e acaba sendo um momento de terapia para todos”, avaliou o superintendente.
Técnica em saúde, Isabel Marques realmente aproveitou e dançou animada ao som de Gonzaguinha. “A mente melhora quando vemos alguém cantando, nos sentimos mais felizes. A alegria é contagiante. E tem paciente que às vezes, mesmo em coma, sem falar, pode estar ouvindo.”