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PF já contou mais R$ 33 milhões achados em imóvel usado por Geddel

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A Polícia Federal já contabilizou mais de R$ 33 milhões no montante encontrado em um apartamento em Salvador supostamente ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima. A contagem do dinheiro ainda não terminou.

O dinheiro foi encontrado na manhã de terça (5), durante a Operação Tesouro Perdido – 3ª fase da Operação Cui Bono – em um apartamento no bairro da Graça, área nobre da capital baiana.

Segundo a Justiça Federal, o local era utilizado por Geddel para armazenar dinheiro obtido em crimes relacionados à manipulação de créditos e recursos na Caixa Econômica Federal. Oficialmente, o imóvel pertence a Silvio Silveira, que o teria emprestado a Geddel para guardar, supostamente, pertences do pai do ex-ministro, morto em janeiro do ano passado.

Geddel Vieira Lima cumpre, atualmente, prisão domiciliar no apartamento da família na Barra, outro bairro nobre de Salvador. Como o estado da Bahia não dispõe de tornozeleira eletrônica, o ex-ministro cumpre a pena sem o equipamento de monitoramento. A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia informou à Agência Brasil que o contrato com a empresa fornecedora das tornozeleiras prevê a entrega do equipamento até o próximo dia 20.

Fachin vai decidir sobre sigilo de gravação que pode anular delação da JBS

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin vai decidir sobre a retirada do sigilo da gravação da JBS que motivou a abertura do processo de revisão do acordo de colaboração de Joesley Batista, Ricardo Saud e Francisco e Assis e Silva, delatores ligados à JBS. O áudio já está no gabinete de Fachin.

No início da noite desta segunda-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, explicou que um áudio entregue pelos advogados da JBS narra supostos crimes que teriam sido cometidos por pessoas ligadas à PGR e ao Supremo. Segundo a PGR, a gravação foi entregue, por descuido dos advogados, como uma nova etapa do acordo.

“A Procuradoria-Geral da República identificou que o seu conteúdo sugere a prática de possível conduta criminosa por parte do ex-procurador da República Marcelo Miller, que teria atuado como em favor dos colaboradores Joesley Batista e Ricardo Saud, antes de se exonerar da sua função de membro do Ministério Público Federal. Entretanto, esse fato não foi trazido por quaisquer dos colaboradores por ocasião da assinatura do acordo em 03/05/2017”, argumenta a procuradoria.

Ao comunicar a abertura do processo de revisão das delações, Janot disse que mesmo se os benefícios dos delatores forem cancelados, as provas contra as pessoas citadas devem ser mantidas. No entanto, a decisão final cabe ao Supremo.

Temer: recebi com serenidade notícia de que acordo de delação pode ser anulado

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O presidente Michel Temer disse por volta das 9h15 desta terça-feira (22h15 de segunda-feira,4, no horário de Brasilía), em seu último dia de viagem à China, que recebeu “com serenidade” a notícia de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS. Caso comprovada a omissão, os benefícios concedidos aos delatores poderão ser anulados, disse o procurador.

“Recebi com a serenidade de sempre. Não houve uma alteração sequer. Aliás, desde o início. Se eu não tivesse essa serenidade desde o início, creio que ninguém suportaria o que aconteceu”, disse na saída do hotel antes de seguir para o último dia de reuniões na 9ª Cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na cidade chinesa de Xiamen.

Temer reiterou que é seu advogado quem está cuidando do caso. “Eu tenho que ter a maior serenidade como sempre tive. Respeito todas as decisões que forem tomadas pela Justiça, pela Câmara dos Deputados, pela Procuradoria-Geral. Eu tenho que respeitá-las, mas não devo falar uma palavra sobre isso”, acrescentou.

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, defensor do presidente Michel Temer, disse que todas as declarações e provas obtidas pela Procuradoria-Geral da República por meio da delação de executivos da JBS estão “viciadas” e “cheias de problemas” e que o pedido de investigação para avaliar a omissão de informações por parte dos delatores torna as informações repassadas por eles sem “valor nenhum”.

Viagem à China

Temer embarca no início da terça-feira (madrugada de terça no horário de Brasília) de volta ao Brasil após viagem de seis dias à China. Ele fez visita de Estado ao país asiático onde foi recebido por líderes chineses como o presidente Xi Jinping, além de ter tido encontros com empresários chineses. A autoridades e investidores, Temer e sua comitiva de ministros apresentaram os projetos de investimentos, principalmente o pacote de concessões e privatizações de aeroportos, portos, rodovias e linhas de transmissão recém-lançado pelo governo.

“Fomos muito bem recebidos na visita de Estado. Aqui na China, o embaixador [Marcos Caramuru] me comunicou que as conversações estão gerando mais de US$ 10 bilhões em negociações”, disse Temer. “A viagem foi bem-sucedida seja na visita de Estado a Pequim seja reunião do Brics [bloco formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul]. Foram bilhões de dólares que poderão ir para o nosso país em face da abertura que fizemos para o mercado nacional e para o mercado estrangeiro”, disse Temer.

O presidente comentou que na reunião bilateral que teve ontem (3) com o primeiro-ministro da Índia Narenda Modi, paralelamente à cúpula do Brics, o indiano informou que seu país tem a intenção de investir mais no Brasil após o anúncio das novas concessões do Programa de Parcerias de Investimento.

Em seu último compromisso na China, Temer participa do Diálogo de Economias Emergentes e Países em Desenvolvimento do Brics.

Rollemberg volta a defender reestruturação da previdência do DF

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Criação de um sistema complementar para novos servidores foi classificada pelo governador de Brasília como “uma questão de justiça”

Na inauguração do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime), nesta segunda (4), o governador Rodrigo Rollemberg voltou a falar da expectativa de que a Câmara Legislativa aprove o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 122, de 2017. O texto sugere reformular o sistema previdenciário do Distrito Federal.

O governador classificou a matéria como “uma questão de justiça”. Segundo ele, o projeto vai permitir que o governo pague os salários dos servidores ativos e dos aposentados em dia.

“Teremos condições de pagar o adiantamento de férias dos professores na primeira semana de janeiro. Vai melhorar o ambiente para todo mundo, especialmente para o servidor”, disse Rollemberg.

“Teremos condições de pagar o adiantamento de férias dos professores na primeira semana de janeiro”Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília

A proposta do Executivo é criar uma previdência complementar para novos servidores públicos, além de reunir em um só fundo de pagamento de aposentadorias todos os funcionários do governo de Brasília.

Atualmente, existem dois fundos. No financeiro, estão pessoas que entraram nos quadros do governo de Brasília até 31 de dezembro de 2006. Com 58 mil aposentados e 52 mil servidores da ativa contribuintes, ele fechou 2016 com um rombo de R$ 2,1 bilhões.

Já o capitalizado tem 34 mil funcionários da ativa contribuintes que custeiam a aposentadoria de apenas 152 pessoas. Todos eles ingressaram no serviço público após 31 de dezembro de 2006.

Com a possibilidade de usar os recursos dos dois fundos para pagar a todos os aposentados, o Executivo deixaria de tirar R$ 170 milhões mensalmente do caixa do Tesouro para cobrir os gastos com a previdência.

Tal recurso será revertido em obras de infraestrutura e melhorias no sistema de saúde, entre outros benefícios para a população do DF.

Buriti fica iluminado de verde, amarelo e azul na Semana da Pátria

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Até sexta-feira (8), a sede do governo de Brasília ganha as cores da bandeira do Brasil em homenagem ao Dia da Independência, comemorado em 7 de setembro

Na Semana da Pátria, o Palácio do Buriti ganha as cores da bandeira do Brasil em homenagem ao Dia da Independência do País – celebrado em 7 de setembro.

A iluminação, em verde, amarelo e azul, ficará na fachada da sede do governo local até sexta-feira (8), após as festividades da data.

As atividades cívicas, que marcam o dia histórico do Grito do Ipiranga, quando Dom Pedro I declarou a independência do Brasil em relação a Portugal, ocorrerão nesta quinta-feira (7), na Esplanada dos Ministérios.

Alguns serviços públicos não funcionarão no feriado e outros terão o horário alterado. Confira o que abre e o que fecha e o que muda de horário em 7 de setembro.

Q Cultural agita feriadão em ritmo de forró no Setor Comercial Sul

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Projeto vai colocar a galera do Setor Comercial Sul para dançar

Que tal celebrar o feriado de 7 de setembro com um ritmo bem nacional? O projeto Q Cultural vai colocar a galera para dançar nesta quinta-feira, agitando o estacionamento 6 do Setor Comercial Sul. A partir das 17h30, o forró vai tomar conta do lugar, um bom programa para este feriado e com entrada gratuita.

Quem comanda a noite é a galera do Forró de Vitrola, projeto brasiliense de DJs que leva bailes de forró pé de serra, com um rico acervo de vinil, a bordo de uma estilosa Kombi 1973 a diversas localidades da cidade. No repertório, clássicos da música regional, com um som perfeito para o arrasta pé. A proposta do coordenador do projeto, Cacai Nunes, violeiro e pesquisador da música brasileira, é promover uma rica seleção, desde os clássicos do rei o baião.

O sucesso do Forró de Vitrola é tanto que já circulou pelo país e também pelo exterior, se apresentando em países como Portugal, França e Espanha. Por onde passa, conquista o público que não consegue ficar parado. É um arraial itinerante!

Para completar a noite, o DJ residente Nagô também se apresenta para agitar a galera. E, para recuperar as energias, o público dispõe de diversas opções gastronômicas com os food truck presentes.

 

Serviço

Q Cultural recebe Forró de Vitrola

Quando: 7/9

Local: SCS Qd. 6 – estacionamento em frente ao Pátio Brasil

Horário: A partir das 17h30

Entrada: Gratuita

Classificação Livre

Facebook.com/QCultural

 

Lei de Liliane Roriz impede governo de negativar nome de cidadão

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Inadimplentes da Fazenda Pública estão fora dos cadastros de proteção ao crédito. Para parlamentar, contribuintes podem ter nomes na dívida ativa, não no Serasa

Já é lei no Distrito Federal: o governo não pode protestar nem incluir o nome dos inadimplentes com a Fazenda Pública em cadastros de entidades que prestam serviços de proteção ao crédito. A autora da proposta é a deputada distrital Liliane Roriz (PTB) que usou como justificativa o fato de o GDF ter outros meios de cobrar o cidadão, sem ter que incluir o nome dos inadimplentes no Serasa ou SPC, por exemplo.

Para Liliane, a estratégia de “negativar” o nome do cidadão era equivocada. “Um governo inteligente mira em programas de incentivo ao bom pagador, estimulando a adimplência, e não penalizando o inadimplente”, argumentou. Ela é autora da lei que concede desconto no IPTU ao contribuinte que estiver com as contas em dia com o Fisco e que queira pagar à vista o imposto. Segundo a distrital, deixar o contribuinte devedor com nome sujo na praça dificultará ainda mais o recolhimento desses recursos. “Muitos pais precisam escolher entre botar comida em casa ou pagar o IPTU”, exemplifica.

O projeto de lei complementar foi vetado pelo governador Rodrigo Rollemberg porque a medida é um instrumento para cobrança da dívida ativa. A distrital alegou na proposta que a restrição ao crédito empurra as famílias para o mercado de agiotas e prejudica a economia. A Câmara Legislativa derrubou o veto e a lei entrou em vigor desde a semana passada.

“Vale deixar bem claro que eu defendo, sim, que o governo cobre de quem deve. Porém, com políticas de incentivo ao pagamento, como propostas de parcelamento das dívidas e não com penalidades que prejudicam ainda mais quem já convive com tantas dificuldades”, ressalta Liliane Roriz.

Wimóveis: Imóveis para venda em Brasília têm redução em julho

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Estudo identifica, ainda, que os valores de locação na cidade chegam a ser quase o dobro das cidades próximas

 Com base nos anúncios de julho de 2017, o Wimoveis, maior portal de imóveis do Distrito Federal, apresenta relatório sobre os preços de venda, locação e rentabilidade dos apartamentos usados, de dois dormitórios, 65 m² e com uma vaga de garagem na cidade. 

Segundo o estudo, os preços médios de venda de imóveis na capital federal tiveram queda de 0,8% no último mês e o metro quadrado chegou a R$ 7.755,00. Com R$ 6.814,00 o m², a cidade de Cruzeiro, que ocupa o segundo lugar, ficou em torno de 10% abaixo da capital. Já dentro de Brasília, a região Noroeste se destacou por ser a localização com o metro quadrado mais caro (R$ 9.600,00). No outro extremo, com valores do metro quadrado mais econômico da região está a cidade Santa Maria (R$ 2.845,00), há 26 km de Brasília.

Para quem está procurando imóvel para alugar, o ranking identificou também que o aluguel mensal de Brasília (R$ 2.280,00), chega a ser quase o dobro do valor das cidades próximas como Águas Claras, a menos de 20 km da capital. Enquanto, Santa Maria, apresenta o aluguel mais econômico, R$ 812,00.

Para aqueles desejam investir em imóveis no Distrito Federal, o relatório verificou, ainda, que a cidade de Sobradinho, possui a maior rentabilidade média anual, 7,4%. Em segundo lugar, aparece Vicente Pires, com 5,9% e, na sequência, Brasília com 5,5%, igual o mês anterior e acima de importantes cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Já Guará e Santa Maria, apresentam as rentabilidades mais baixas entre as cidades com 4,2% e 4,1%, respectivamente.

“Apesar da redução dos preços de venda, Brasília possui, ainda, um alto valor para locação de imóveis em relação as outras cidades do Distrito Federal. Porém, com a boa rentabilidade a capital federal é uma excelente oportunidade para quem deseja investir no mercado imobiliário”, destaca Mateo Cuadras, CEO do Wimoveis.

Temer defende Fórum de Inteligência do Brics para combate ao terrorismo

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Ao discursar hoje (4) na abertura da 9ª cúpula dos chefes de Estado e de Governo do Brics, bloco formado pelo Brasil, a Rússia, Índia, China e África do Sul, na cidade chinesa de Xiamen, o presidente Michel Temer voltou a defender a proposta brasileira de criação do Fórum de Inteligência do Brics para combate ao terrorismo.

“Não podemos nos acomodar diante da persistente ameaça do terrorismo, à qual nenhum de nossos países está imune. Esse é tema que exige de todos a ação crescentemente coordenada. Permito-me, aqui, retomar proposta brasileira de criação do Fórum de Inteligência do Brics. Seria contribuição adicional para nossos esforços concentrados de prevenção de atos terroristas”, disse.

Temer também destacou a necessidade de criação de um mecanismo de troca de informações entre as agências de inteligência dos cinco membros do grupo. “Em um mundo cada vez mais interconectado, é fundamental unir esforços para enfrentar desafios que transcendem fronteiras”, acrescentou.

O presidente brasileiro manifestou preocupação com os recentes testes nucleares norte-coreanos. Ontem (3), a Coreia do Norte anunciou que fez um teste bem-sucedido com uma bomba de hidrogênio.

“Os episódios dos últimos dias dão concretude a temores que parecem ter ficado nos livros de história. Hoje, [é importante] encontrar saída diplomática para a situação tão grave. Em perspectiva mais abrangente e de mais longo prazo, o desarmamento nuclear é a garantia mais eficaz contra a proliferação. O Brasil esteve na origem do Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares, adotado em julho. Assinaremos o instrumento ainda este mês, em Nova York. Trata-se de mais uma conquista real do multilateralismo”, afirmou.

Em seu discurso, Temer ainda citou a preocupação com a situação venezuelana. “Acompanhamos de perto o quadro político, econômico e social da Venezuela. A escassez de comida, remédios e outros itens básicos provoca drásticas consequências. A situação é de instabilidade e de crise humanitária. É crescente o fluxo de migrantes e refugiados que chegam ao Brasil e a outros países vizinhos. Confiamos em uma solução pacífica para a crise, com pleno respeito à soberania venezuelana”, completou.

O que está em jogo com a nova Taxa de Longo Prazo (TLP)?, por Saulo Batista

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Ofuscada pelos debates envolvendo a votação das propostas de “reforma política” e também pelos movimentos decorrentes da expectativa em torno de uma nova denúncia a ser apresentada contra o presidente Michel Temer, a aprovação, na Câmara dos Deputados, da medida provisória que estabelece a Taxa de Longo Prazo (TLP) como futuro indexador para os financiamentos concedidos pelo BNDES se deu sem que a ela fosse dispensada uma atenção proporcional aos seus impactos para o futuro de nossa economia.

Não se discute que a urgência em corrigir as distorções inerentes aos assim chamados subsídios implícitos – quando o custo da captação dos recursos pelo Tesouro Nacional excede à remuneração paga pelos agentes financeiros a quem são repassados – por si só justifica a adoção de medidas que visem conter o crescimento em nível exponencial deste custo fical que saltou de R$ 17,7 milhões em 2008 para R$ 29,1 bilhões em 2016. Somente estas operações já contratadas ainda custarão aos cofres públicos um montante superior a R$ 109 bilhões, o que contribuirá para o um déficit que, invariavelmente, vem recaindo sobre o conjunto da sociedade por meio de ainda mais impostos.

A equiparação dos encargos de empréstimos concedidos pelo Tesouro Nacional ao BNDES com o rendimento dos títulos da dívida pública com prazo de maturidade igual à média dos empréstimos e financiamentos hoje concedidos com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) – no caso, as Notas do Tesouro Nacional de série “B” (NTN-B) com prazo de cinco anos – se mostra bastante apropriada para, na medida do possível, reduzir os subsídios concedidos pela União aos explícitos, àqueles de natureza financeira, seja por meio de equalizações de preços ou de juros, que forem dimensionados e aprovados pelo Congresso em conjunto com as leis orçamentárias.

Por outro lado, há flagrante equívoco em contabilizar os recursos transferidos pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) e pelo Fundo de Participação PIS-PASEP para a concretização dos programas governamentais de fomento ao setor produtivo nacional e à geração de emprego e renda, aos quais estão vinculados, como se fossem subsídios implícitos.

O argumento que alega a existência de subsídios implícitos levando em consideração o custo de oportunidade da eventual aplicação dos recursos do FAT e do FMM em títulos federais, na comparação com o financiamento de investimentos voltados para o desenvolvimento econômico e a indústria naval, com remuneração pela TJLP, se baseia na falsa premissa de que os mandamentos constitucionais e legais, que vinculam a utilização dos Fundos, poderiam ser ignorados em favor do seu direcionamento para aplicações na dívida pública mobiliária.

Fixar a remuneração do montante transferido pelos Fundos às instituições financeiras oficiais, enquanto não aplicados, ao nível da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), é pertinente porque desestimula a manutenção destes valores em tesouraria e o seu emprego para constituição de reservas. Entretanto, a equiparação de juros dos financiamentos com base nestes recursos com os valores praticados no mercado de títulos públicos de longro prazo – ainda mais elevados do que a já altíssima taxa SELIC -, fulminaria seus objetivos de assegurar competitividade internacional para o setor produtivo brasileiro.

A concepção da TJLP é justamente a de buscar alguma equalização entre as taxas de juros de longo prazo internas e externas. Por isso mesmo, seu cálculo leva em consideração a meta de inflação para o período, os juros externos livres de risco e uma componente de risco país.

O que torna possível esta oferta de crédito a juros mais baixos do que seria possível através dos mecanismos de mercado é a existência de uma poupança forçada constituída pelas receitas de contribuições como as do Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). São subsídios explícitos, de matiz constitucional, visto que a própria definição de contribuições, enquanto espécie de tributo, implica a vinculação do produto de sua arrecadação.

A transparência que se reivindica para o fim dos subsídios implícitos, de natureza creditícia, que afetam o estoque da dívida pública, sem, no entanto, figurar no balanço de receitas e despesas públicas, precisa ser empregada também para reconhecer tratamento diferenciado aos subsídios explícitos, de natureza financeira, concedidos exclusivamente com base na receita e patrimônio próprio dos Fundos constituídos para esta finalidade, sem impacto para o Tesouro. Mesmo os mecionados repasses ao FAT para custeio do Abono Salarial e do Seguro Desemprego – uma política social, que não guarda nenhuma relação com a política creditícia aqui discutida -, precisam ser analisados tendo em conta a apropiação pelo Tesouro Nacional de 30% da receita anual do FAT que vem sendo promovida através da Desvinculação de Receitas da União (DRU).

Não restam dúvidas dos benefícios da aplicação da nova TLP aos empréstimos com funding do Tesouro Nacional, promovidos ao custo para o contribuinte de emissão de títulos da dívida pública. Essa realidade, onde quase 70% do estoque global de crédito das empresas brasileiras correspondem a operações com o BNDES a juros subsidiados, precisa ser repensada, inclusive sob a perspectiva da construção de um ambiente para o desenvolvimento de um mercado de crédito privado de longo prazo no Brasil. Além do impacto positivo para as contas públicas, certamente esse caminho irá conferir maior eficiência à nossa economia, na medida em que – através da dinâmica do mercado – a remuneração dos recursos investidos se aproxima de seu custo de oportunidade, privilegiando as alternativas de aplicação mais eficientes e, assim, aumentando a produtividade agregada.

Em relação aos recursos dos Fundos, arrecadados da sociedade sob a forma de contribuições, importa sempre lembrar que é o texto constitucional – com suas diretrizes, objetivos e princípios – que subordina as escolhas da política econômica do governo, e não o contrário. Aqui, os desafios dizem respeito à diminuição da regressividade – quando os subsídios promovem a transferência de renda da sociedade para os grandes grupos econômicos – e da concentração de crédito como fator de reprodução das desigualdades regionais.

A importância de uma política industrial na qual o Estado impulsione setores específicos – em função de seu potencial de inovação ou pelos ganhos que geram para os demais setores da economia – é tal que não se pode negar. Nesse sentido, considerando os efeitos fiscaus do perfil do endívidamento brasileiro – onde a taxa básica da economia é artificialmente elevada para atender a demanda dos agentes financiadores da dívida -, a garantia de crédito disponível a juros inferiores a estes de curto prazo é primordial para financiar os investimentos estratégicos, uma das mais importantes variáveis macroeconômicas para o desenvolvimento.

Especialista em orçamento e políticas públicas, diretor de relações governamentais da Associação Nacional do Transportador e dos Usuários de Estradas, Rodovias e Ferrovias (ANTUERF) e secretário-executivo da União Geral dos Trabalhadores (UGT).