
Por Ricardo Callado
Ao consultar ao Dicionário Aurélio, a verbete novela tem como sinônimos, pela ordem, romance curto, enredo, intriga, mentira e ficção. Então pode-se afirmar que a disputa pré-eleitoral ao Palácio do Buriti é uma novela. Todas as referências citadas pelo Aurélio são pontuais e verdadeiras.
O romance curto é notado nas rodas de cafés entre políticos, principalmente na oposição ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB). São eventos que servem mais para criar fatos políticos e gerar notinhas em colunas de jornais e citações em blogs.
Essas reuniões acontecem desde o final do ano passado. Não possuem serventia alguma. E também nada se decide. São romances curtos que esbarram em egos.
O enredo da oposição tem como personagens, por ordem alfabética, Alberto Fraga (DEM), Alírio Neto (PTB), Eliana Pedrosa (Podemos), Izalci Lucas (PSD), Joe Valle (PDT), Jofran Frejat (PR) e Tadeu Filippelli (MDB). Dessa lista, todos querem ser candidatos ao governo do DF. Ninguém se entende, por enquanto. Na hora certa, se a razão prevalecer, uma candidatura forte e competitiva deve sair.
Nesse enredo, um personagem também flerta um outro bloco, a ser construído. Joe Valle, presidente da Câmara Legislativa, vem empolgado para viabilizar seu nome. Ele se une a ex-aliados do governador Rollemberg, como o deputado Rogério Rosso (PSD), a deputada Celina Leão, o senador Cristovam Buarque e o atual vice-governador Renato Santana. O próprio Joe foi secretário de Rollemberg e é ex-integrante do PSB. Mas só empolgação não vence eleição.

Essa ala dissidente do governo acredita que pode construir o seu próprio enredo. E tirar o governador de sua cadeira. Joe teve uma baixa nos últimos dias. O PPS de Celina e Cristovam lançou o nome de Valmir Campelo na disputa ao GDF. Teve ainda o apoio do deputado Raimundo Ribeiro (PPS).
O atual presidente da Câmara Legislativa jogou alto e colocou muitas fichas em sua pré-candidatura. É um caminho arriscado. Pode beliscar uma vaga em alguma chapa como vice. Ou disputar o Senado. Voltar para a CLDF o deixaria menor e a disputa a Câmara Federal não é garantida de sucesso.
As intrigas são muitas. E são plantadas diariamente. Seja no bastidor ou na imprensa. É um jogo sujo recheadas de mentiras e ficção. Ou, como queiram, fake News. O termo está na moda, mas sempre existiu. A grande imprensa publica mentiras desde quando existe o jornalismo. E sempre para ajudar um grupo político. Isenção é utopia. A verba quase sempre pauta o verbo nas redações. A diferença é que agora o fake news da grande imprensa tem a concorrência da internet. A democratização da mentira. Uma campanha política tem mais ficção do que realidade. E cabe ao eleitor a difícil missão de filtrar.
A união da direita é a única saída para a sua sobrevivência. Enquanto isso não acontece, Rollemberg vem agindo para minar algumas candidaturas e aglutinar apoios. Um dos alvos é o PSDB de Izalci Lucas. No cenário local, os tucanos já racharam. Se Izalci é oposição, nomes como a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia ocupa cargos no primeiro escalão do GDF.
No cenário nacional, o acordo para o PSB apoiar a candidatura do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) ao Palácio do Planalto, pode rubricar a ida dos tucanos ao palanque de Rollemberg. Izalci teria que procurar um novo abrigo. E se enfraquece na disputa.
Outro alvo de Rollemberg é o PPS. O partido abriga alguns dos mais ferrenhos opositores do governador. A negociação, novamente, é feita n o cenário nacional. Quem já passou pelo PPS e conhece o seu presidente, Roberto Freire, sabe que isso não é difícil acontecer. Se bem negociado, o PPS cai no colo e no palanque de Rollemberg.
Se o governador vem tendo algum sucesso nas negociações, por outro lado precisa melhorar a sua imagem. As referências negativas à sua administração prevalecem ao noticiário positivo. Vencer a guerra de comunicação é importante para chegar competitivo às eleições.
Hoje seu maior adversário é o ex-deputado Jofran Frejat, segundo colocado nas eleições ao Buriti em 2014. Uma disputa à reeleição é sempre uma espécie de referendo onde o eleitor irá dizer se aprova ou não a administração. Com Frejat na disputa, pode representar mais do que isso. O brasiliense poderá comparar propostas diferentes e decidir se continua no atual modelo e dar uma guinada a 2014.
Bem colocado nas pesquisas, Frejat se manteve até agora de forma discreta. As pesquisas o ajudaram a não se expor tanto e evitar ser alvo de aliados e adversários. A partir de março o jogo é para valer. E Frejat, experiente que é, sabe disso e terá presença mais frequente no cenário político. Acabou o período de especulação e balão de ensaio.
Existem ainda outras candidaturas em gestação. Mas nenhuma relevante. O PT não terá nome competitivo. O PSol, que apareceu bem em 2010 e 2014, será uma mero figurante. O Novo vem com um empresário Alexandre Guerra, herdeiro da rede de fast food Giraffas, e será uma incógnita.
Essa novela pré-eleitoral está em seus últimos capítulos. Dará vez a disputa de fato. Não mais no bastidor e sim no corpo a corpo com o eleitor. Até lá, ainda veremos um enredo com muitas intrigas e mentiras.





Em janeiro, o vice-presidente do STJ, ministro Humberto Martins, que na ocasião era o responsável pelo plantão judicial, negou um pedido de liminar (decisão provisória) feito no mesmo recurso. Agora, o mérito final da apelação, um habeas corpus preventivo, será julgado pela Quinta Turma da Corte Superior, composta por cinco ministros.
“Isso aí tem sido tranquilamente levado adiante. Não há um movimento sequer com vistas à interrupção [da Lava jato]. Aliás, vamos registrar o fato: segurança pública é combater a criminalidade. Que tipo de criminalidade? Aquela digamos mais evidenciada como tráfico de drogas, bandidagem em geral, e, evidentemente, a corrupção. Essa é a função do Ministério Extraordinário da Segurança Pública”, disse Temer, após a posse de Raul Jungmann como ministro da nova pasta.


Outra alta taxa de juros é a do rotativo do cartão de crédito, que atingiu 241% ao ano em janeiro, com aumento de 7,1 pontos percentuais em relação a dezembro. Essa é a taxa para quem paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia.
