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Sem bilheteria e sem calor humano: pandemia desafia artistas de circo

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Circo Teatro Saltimbanco / Divulgação

Artistas têm procurado se reinventar para manter renda

Hoje não tem marmelada e o picadeiro está vazio. Celebrado anualmente no dia 27 de março, o Dia Nacional do Circo não poderá ser festejado como queriam os palhaços: gerando risadas de plateias aglomeradas e recebendo intensos aplausos como retribuição. A pandemia de covid-19 mudou completamente o cotidiano de quase 10 mil brasileiros que se sustentavam dos rendimentos obtidos a partir de suas apresentações debaixo da lona.

“Já vivi outros momentos complicados, pois tenho uma carreira de mais de 30 anos. Mas esse é mais desafiador porque está cercado de muita incerteza. Há uma insegurança, pois precisamos nos reinventar e não sabemos se vamos acertar”, diz Jonathan Cericola, que dá vida ao palhaço Pão de Ló, personagem criado originalmente por seu bisavô.

Cericola começou na atividade aos 7 anos de idade e representa a quinta geração de artistas circenses da família responsável pelo Circo Teatro Saltimbanco, que possui uma lona fixa em Itaguaí (RJ) e outra itinerante que costumava rodar por municípios do estado do Rio de Janeiro.

A pandemia chegou no Brasil em março do ano passado. Jonathan Cericola conta que os desdobramentos da rápida propagação da doença deixou a todos espantados e sem saber o que fazer no primeiro momento. A partir do segundo mês de paralisação das atividades, a necessidade de se reinventar foi ficando clara para aqueles que dependem do circo. Um desafio para muitas pessoas que não se viam, de uma hora pra outra, abandonando suas atividades como palhaços, malabaristas, acrobatas, contorcionistas, equilibristas, ilusionistas e outros artistas.

Alguns se aventuraram em novos negócios, como a venda de alimentos e o transporte de passageiros. Outras apostaram em levar o picadeiro para a internet, como Jonathan. Fechado desde março do ano passado, o Circo Teatro Saltimbanco chegou a retomar apresentações com público reduzido no início do ano. Não durou muito: um novo agravamento da curva de contágio forçou novamente a interrupção. Para lidar com a situação, o intérprete do Palhaço Pão de Ló tem adaptado apresentações para as redes sociais, usando canais no YouTube e no Instagram. Embora avalie que as ferramentas virtuais ofereçam algumas possibilidades interessantes, lamenta a falta de calor humano.

“No nosso trabalho, nós interpretamos o público. Antes do espetáculo, eu não sei exatamente qual esquete eu vou apresentar. Isso depende do comportamento da plateia. A gente observa alguns sinais para selecionar a melhor esquete dentro do nosso repertório”, diz.

 

Circo Teatro Saltimbanco / Divulgação

Pandemia deixou a todos espantados e sem saber o que fazer no primeiro momento – Circo Teatro Saltimbanco / Divulgação

“A troca é fundamental para nos orientar e também para nos dar um retorno. Através dela, sabemos se o público está gostando ou se precisamos mudar a apresentação de rumo. E, na internet, não tem isso. Não tem o riso, o aplauso, aquela senhora que aperta sua mão e te agradece no fim do espetáculo. Recebemos curtidas, comentários, mas o calor humano faz falta”, acrescenta Jonathan.

O setor cultural foi um dos primeiros a sentir o impacto da pandemia. Cinemas, teatros, casas de shows, circos e outros espaços voltados para a arte ficaram impossibilitados de reunirem público. Um auxílio emergencial para garantir uma renda mínima a artistas foi aprovado no Congresso Nacional em março do ano passado. Ele foi pago pelo governo federal em nove parcelas entre abril e dezembro de 2020: nos primeiros cinco meses, o valor era de R$ 600 e, nos outros quatro, caiu para R$ 300.

Os repasses foram feitos a maiores de 18 anos sem emprego formal e com renda inferior a maio salário mínimo, que não estivessem recebendo benefício previdenciário ou assistencial e que tenha tido, no ano anterior, rendimento tributáveis abaixo de R$ 28,5 mil. Muitos artistas circenses se enquadravam nessas condições. Na semana passada, o governo federal instituiu por medida provisória um novo auxílio de quatro parcelas, com valores mais baixos, entre R$ 150 e R$ 375, e com pré-requisitos novos que reduziram o número de beneficiários.

Uma ação emergencial específica para o setor cultural também saiu do papel em junho do ano passado. Trata-se da Lei 14.070/2020, que ficou conhecida como Lei Aldir Blanc em homenagem ao compositor que faleceu devido a complicações da covid-19 logo no início da pandemia. Articulada no Congresso Nacional, ela foi aprovada com apoio de parlamentares da base do governo e da oposição.

Através dela, a União ficou responsável por repassar aos estados e municípios R$ 3 bilhões, que poderiam ser empregados de diferentes formas: renda emergencial aos artistas, subsídios para manutenção de espaços, empresas e instituições culturais, editais para realização de eventos ou para produção cultural, entre outros.

Jonathan teve acesso a recursos públicos do auxílio emergencial e também da Lei Aldir Blanc. Segundo ele, os repasses são bem inferiores aos rendimentos que o circo daria se estivesse funcionando, mas dão um desafogo. Porém, manifesta preocupação com a situação a longo prazo, sobretudo, pelas exigências do Poder Público.

“A subvenção nos coloca numa situação complexa, pois temos que oferecer uma contrapartida e temos que prestar contas. Então, os mesmos governos que te exigem a contrapartida são também os que não dão autorização para o funcionamento. Imagine um circo pobre onde está faltando comida. A família quer usar o dinheiro pra se alimentar. Mas não pode, tem que usar esse dinheiro pra comprar uma lona nova para o circo. Isso ajuda em que? Não adianta ter dinheiro na conta e não ter comida na mesa. É emergencial. Se a situação se prolongar e não for possível reabrir o circo, em algum momento, o circense vai precisar desse dinheiro para sobreviver”, avalia.

Mapeamento dos circos

O Instituto Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chegou a divulgar estudo onde estimava que 700 mil pessoas poderiam ser beneficiadas pela Lei Aldir Blanc. No meio circense, no entanto, o acesso ao recurso foi restrito. E, entre quem teve acesso, relatos como o de Jonathan são comuns.

A Associação Brasileira de Artes, Cultura e Diversões Itinerantes (ABACDI), entidade que reúne artistas e produtores culturais que atuam em defesa de políticas públicas para a cultura, avalia que há um excesso de normas impostas pelos governos estaduais e municipais, que tinham autonomia na distribuição dos recursos e usaram a lei como se fosse uma iniciativa de fomento e não de auxílio emergencial.

“Vejo muita burocracia na prestação de contas, muita exigência absurda. Se era para ajudar, deveria ser uma doação aos artistas, nos moldes do auxílio emergencial. Mas não tem sido assim”, diz Ana Lamenha, presidente da ABACDI.

“Tem dono de circo que quando pega esse dinheiro já está endividado, com comida faltando na sua mesa e sem condições de pagar salário para sua equipe. Como que ele pega esse dinheiro e não pode resolver esses problemas imediatos? Vai ter que investir só em material para o circo? Prioridade é alimentação e o circense é gente como qualquer um”, completa.

Em meio à pandemia, associações e sindicatos de todo o país criaram um fórum permanente em prol de políticas públicas. A aliança, da qual a ABACDI faz parte, conseguiu tirar do papel uma demanda antiga dos circenses: um censo do circo.

mapeamento foi publicado em julho do ano passado no site da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que é vinculada ao Ministério da Cidadania. Ele lista 651 circos em todo o Brasil, responsável por garantir sustento para 9.579 pessoas. Quase 80% estão concentrados nas regiões Nordeste (271) e Sudeste (248). Foram mapeados ainda 31 circos no Norte, 31 no Centro-Oeste e 70 no Sul.

“Não são tantos circos assim. Se houver boa vontade, é possível ajudá-los”, diz Ana Lamenha.

A realidade, porém, não tem sido fácil para boa parte deles. Enquanto alguns estão enfrentando dificuldades para prestar contas de recursos da Lei Aldir Blanc, a maioria não conseguiu sequer ser incluído como beneficiário, por motivos variados. Os que conseguiram recursos, terão  prazo para prestação de recursos ampliado para 31 de dezembro, segundo garantiu o secretário de Cultura, Mário Frias. O decreto deve sair na semana que vem,

“Há uma parcela significativa de trabalhadores do circo analfabetos ou semianalfabetos. E para essas pessoas, o acesso ao recurso é um desafio. A lei exige um projeto que deve ser apresentado online. E tem estados que pedem uma porção de documentos. A pessoa nem sabe ler, como ela vai fazer isso tudo?”, questiona Ana Lamenha.

Esse, entretanto, não foi o único problema que causou a restrição do número de beneficiários.”Teve município onde o prefeito simplesmente não quis pegar recursos da Lei Aldir Blanc, porque não queria ter trabalho com a prestação de contas. Outras cidades que receberam a verba não incluíram os trabalhadores do circo entre os beneficiários. É complicado porque a maioria dos circos é itinerante. Muitos estavam em cidades pequenas e pobres do interior quando a pandemia chegou. E nem sempre foram reconhecidos como cidadãos pela secretaria de assistência social desses municípios. O apoio recebido variou muito, dependendo de cada prefeitura”, acrescenta.

Circo Teatro Saltimbanco / Divulgação

O uso de apresentações circenses como parte de um espetáculo que visa o entretenimento é uma prática que remete à Antiguidade – Circo Teatro Saltimbanco / Divulgação

Atividade familiar

O uso de apresentações circenses como parte de um espetáculo que visa o entretenimento é uma prática que remete à Antiguidade. Na sociedade grega, exibições de contorcionismo. No Egito e na Índia, existem registros históricos de pinturas de malabaristas. O Império Romano foi responsável por erguer arenas onde milhares de pessoas eram recebidas para assistir corridas de cavalos, caçada de animais, lutas de gladiadores, etc.

Mas o circo moderno, da forma como conhecemos, tem origem na Inglaterra do século 18. Ele foi trazido para o Brasil por imigrantes europeus em meados do século 19 e foi pouco a pouco se popularizando.

O Dia Nacional do Circo foi instituído em 1972 e a data remete ao aniversário de Abelardo Pinto, responsável por dar vida ao palhaço Piolin, que fez muito sucesso na década de 1920 e foi homenageado pelos modernistas na Semana de Arte Moderna.

Como em boa parte do mundo, a atividade no Brasil ganhou uma dimensão familiar. O ofício de palhaço, malabarista, acrobata é ensinado de pai para filho. O circo vai assim atravessando gerações, que dele extraem o sustento para toda a família, incluindo idosos e crianças. A pandemia colocou um desafio inédito para toda essa comunidade.

“A vida de circo, muitas vezes, já é uma vida sofrida. Então os artistas não se deixam abater por pouco”, diz Ana Lamenha.

Ela avalia que o circense é, geralmente, um empreendedor formado pela própria vida. Mais do que se apresentar no picadeiro, ele aprende a administrar o comércio de pipoca e de cachorro-quente e a organizar a bilheteria. Assim, além da criatividade inerente à sua atividade artística, ele desenvolve uma versatilidade que tem sido importante durante a pandemia.

Um documentário financiado através de edital da Funarte e lançado no ano passado pela ABACDI mostra como alguns artistas estão se virando: uns vendendo brinquedos infantis e alimentos na beira do asfalto, outros trabalhando na construção civil ou como cuidador de idosos.

“Faço transporte de passageiros de uma cidade para outra de manhã e, à tarde, vendo ovos”, conta Edson Oliveira da Conceição, o palhaço Pessebe do Circo Fênix, em Jaguaribe (BA).

Mas não é fácil criar, de uma hora para outra, novos caminhos para obter renda. Sensível a esse cenário, em determinados locais, a população das próprias comunidades onde eles estão inseridos colaboraram doando cesta básicas. Algumas regiões também contam com a presença da Pastoral dos Nômades, serviço da Igreja Católica organizado para prestar assistência a ciganos e a trabalhadores de circos e parques itinerantes. Sua ação tem garantido apoio em situações consideradas mais críticas.

Coletivo artístico

Um grupo de artistas que há anos aposta no poder da organização coletiva encontrou caminhos para ajudar o maior número possível de circenses. O Circo no Beco é uma ocupação artística que ocorre há 18 anos no Beco do Aprendiz, no bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Realizando eventos que mobilizam a população, colocam em pauta discussões sobre a diversidade cultural e sobre os efeitos positivos da ocupação artística dos espaços públicos. Não se trata, portanto, de um circo tradicional com lona e picadeiro, mas de uma articulação de mais 150 artistas que encontraram na união uma fonte de renda.

Entre esses artistas está Lúcio Maia, ator que iniciou sua trajetória no teatro em 1989. Em 2007, quando se mudou para São Paulo, se sentiu abraçado pelo universo do circo. Hoje, atua como ator, diretor, palhaço, arte-educador e produtor. Ele conta que, quando a pandemia chegou ao Brasil, o coletivo estava no meio de um festival, realizado anualmente para celebrar o aniversário do Circo no Beco, que coincide com o Dia Nacional do Circo.

“Na sexta-feira, dia 13 de março, o evento lotou. Foi uma noite linda. No dia seguinte, notamos uma forte redução do público. Parecia mais um ensaio que um festival. E aí a gente foi se atentar para as notícias da pandemia. Notamos que muitos eventos estavam sendo cancelados e resolvemos seguir o fluxo. A gente não tinha ainda a completa noção do que estava acontecendo. Interrompemos o festival no dia 15. Mas tínhamos trabalhado meses para organizá-lo e ficamos muito frustrados. E aí surgiu a ideia do online”.

Do Circo no Beco, surgiu o Circo na Nuvem, que se desdobrou em novos projetos inscritos em editais públicos de fomento, incluindo a Lei Aldir Blanc. O mais recente se encerrou nessa semana: a Convenção na Nuvem. O evento, todo online, incluiu espetáculos, oficinas, workshops e rodas de conversa sobre os mais variados temas como metodologias pedagógicas do malabarismo e o potencial de transformação social do circo.

“O projeto inicial incluía compra de alguns equipamentos. Mas vimos que tinham muitos artistas passando dificuldade. Então abrimos mão dos equipamentos para contratar e envolver mais artistas. Eram 32 atrações no projeto original e, no fim, ficou com quase 50 atrações. É hora de investir em material humano”, avalia Lúcio.

Essa perspectiva também foi adotada pelos eventos já consolidados. O Festival Internacional de Circo de São Paulo (FIC) realizou sua última edição em dezembro de 2020, com um modelo híbrido, mesclando apresentações presenciais e online. “Nossa primeira preocupação foi a de, minimamente, contribuir e abraçar os profissionais e representantes da produção em circo estabelecidos, em especial, na cidade de São Paulo, sem restringir a participação de representantes de outras regiões. Como tal, aumentamos significativamente o número de atividades e de profissionais beneficiados”, informa a organização.

Segundo o site do FIC, mais de 850 artistas foram contemplados. As apresentações selecionadas, bem como os debates realizados, ainda estão acessíveis ao público. Elas ficarão disponíveis até junho num esforço para gerar reconhecimento e abrir oportunidades aos profissionais envolvidos.

Formação presencial

Tenda da Escola Nacional do Circo é desmontanda, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.

Tenda da Escola Nacional do Circo é desmontada, na Praça da Bandeira. – Tomaz Silva/Arquivo Agência Brasil

Se os eventos online podem oferecer novos caminhos para a capacitação, a crise da pandemia afeta iniciativas tradicionais voltadas para a formação. A Escola Nacional de Circo, vinculada à Funarte e sediada no Rio de Janeiro, está fechada desde o início da pandemia. Em dezembro do ano passado, a lona de circo foi retirada do espaço. Recentemente, a Funarte informou que as aulas dos alunos voltariam em um novo espaço, ainda não divulgado.

No início do mês, 38 artistas lançaram um abaixo-assinado online pedindo que as instalações da Escola Nacional de Circo sejam destinadas à sua função original e que as bolsas pagas aos estudantes sejam mantidas. Mais de 15 mil pessoas já assinaram. “Dita medida, que pega de surpresa toda a comunidade escolar e a classe circense, soma-se a um contexto já complexo e delicado. A falta de planejamento pedagógico e de definição de protocolos de enfrentamento à pandemia para o restabelecimento das aulas, algo que foi obrigatório em todas as instituições de ensino, revela o total desconhecimento do papel da Escola como instituição de ensino”, diz o texto.

Segundo a Funarte, a lona foi comprometida pelos ventos e chuvas em 2020, razão pela qual será trocada em meio a outras medidas de revitalização. Há tratativas em curso com circos da cidade do Rio de Janeiro para a realização de algumas das aulas práticas já nesse primeiro semestre.

“Isso ocorrerá apenas até que a nova lona da Escola Nacional de Circo seja instalada, quando então as atividades retornarão integralmente à sede da instituição. Estamos trabalhando para o retorno gradual e responsável, respeitando a grade curricular e todos os protocolos de segurança”, informou, em nota, a Funarte. A fundação também afirma que vem quitando as pendências com os bolsistas e espera colocar em breve os pagamentos em dia.

Fachada da Escola Nacional do Circo, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.

Escola Nacional do Circo, no Rio de Janeiro

Criada em 1982, a Escola Nacional do Circo recebe jovens de todo o país, tendo formado mais de 2,5 mil profissionais e se consolidado como um espaço de excelência internacional voltado para formação circense.

Desde 2015, o Curso Técnico em Arte Circense é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC). A formação, que inclui quatro semestres letivos e soma um total de 2.798 horas/aula, tem sido responsável por formar novos talentos todos os anos, alguns dos quais se destacam hoje no exterior.

No documentário Dossiê Escola Nacional de Circo, produzido na marca dos 25 anos da instituição, sua importância como vetor de valorização do circense em todo o Brasil é destacada por um de seus fundadores, o produtor cultural Orlando Miranda. Ele lembra o impacto imediato que a novidade anunciada pelo Ministério da Educação criou no país.

“Qualquer circo que estivesse viajando no Brasil começou a ser visto de outra maneira. Até então, era considerado uma arte menor, que ainda não tinha tido destaque como o teatro, a dança e a ópera”, observou.

Em meio à pandemia, o tamanho do circo é novamente questionado. Mas o artista luta porque sabe que, quando tudo passar, a resposta estará na risada da criança. Ela não pode ser medida.

Ajuda emergencial de oxigênio do DF direito para o Entorno

O consumo médio dos pacientes hospitalizados no DF já chegou em 300 mil m³. Na primeira quinzena de março, com o aumento das internações, o consumo passou para 250 mil metros cúbicos| Foto: Breno Esaki / Agência saúde

GDF socorre hospitais de Águas Lindas (GO) com o gás para evitar mortes por coronavírus

O GDF ajuda o Entorno do DF a atender pacientes hospitalizados com covid-19. Desde terça-feira (23), a Secretaria de Saúde do DF já enviou 80 metros cúbicos de oxigênio para suprir o estoque de um dos hospitais de Águas Lindas (GO), ameaçado de entrar em colapso devido à falta do gás. O socorro foi feito graças ao fato de o governo da capital ter abastecimento suficiente de oxigênio para os próximos meses.

 

“Quando recebemos o pedido, a primeira coisa que fazemos é dimensionar se o envio do insumo vai nos desabastecer. No DF, no momento, não temos risco de desabastecimento”Bruno Tempesta, secretário-adjunto de Gestão em Saúde

“Quando recebemos o pedido, a primeira coisa que fazemos é dimensionar se o envio do insumo vai nos desabastecer. No DF, no momento, não temos risco de desabastecimento”, garante Bruno Tempesta, secretário-adjunto de Gestão em Saúde.

O prefeito de Águas Lindas, Lucas de Carvalho Antonietti, entrou em contato com o DF pela primeira vez na manhã de terça-feira (23) pedindo ajuda apenas para aquele dia, pois havia previsão do hospital ser abastecido às 17h. O GDF, então, enviou 40 metros cúbicos, divididos em 10 cilindros com capacidade de 2 m³ cada um e dois cilindros grandes com 10 m³ cada.

Mas o prefeito retomou o contato na manhã de quarta-feira (24) dizendo que o oxigênio que o município tinha adquirido só chegaria naquela tarde e que havia 40 pacientes correndo risco de morrer se não recebessem o gás. O GDF, então, na mesma manhã, mandou mais dois cilindros com capacidade de 20 m³ para socorrer o município.

Até a manhã desta quinta-feira (25), o fluxo de oxigênio ainda não havia sido restabelecido em Águas Lindas e mais um pedido de ajuda emergencial foi feito. A Secretaria de Saúde, então, entregou mais 20 m³. “Levamos dois cilindros cheios e trouxemos dois vazios”, conta Bruno Tempesta. A cidade goiana de Santo Antônio do Descoberto também pediu ajuda na última terça-feira (23), mas antes de a Secretaria de Saúde enviar o suprimento, o município restabeleceu o fluxo.

A ajuda, garante o secretário-adjunto, não compromete os estoques de oxigênio do DF, mesmo com o aumento do consumo registrado este mês. “Temos dois contratos: o do oxigênio líquido, que abastece os leitos de UTI e enfermaria, e o de oxigênio gasoso, que é o de cilindro. O número de pacientes internados e a criação de leitos, aumentou o consumo, mas esse aumento está dentro da cobertura contratual”, afirma Tempesta.

 

O contrato de oxigênio líquido é, em torno, de 5 milhões de metros cúbicos por ano, o que dá uma média de consumo estimado para o mês de 400 mil m³. O consumo médio dos pacientes hospitalizados no DF já chegou em 300 mil m³

Segundo o subsecretário, o contrato de oxigênio líquido é, em torno, de 5 milhões de metros cúbicos por ano, o que dá uma média de consumo estimado para o mês de 400 mil m³. O consumo médio dos pacientes hospitalizados no DF já chegou em 300 mil m³. Na primeira quinzena de março, com o aumento das internações, o consumo passou para 250 mil metros cúbicos.

No caso dos cilindros, o contrato da Secretaria de Saúde é de cerca de 250 mil m³ por ano, o que dá um consumo estimado de 20 mil m³ por mês. “O nosso consumo médio mensal é da ordem de 2 mil m³/mês. Também houve um aumento de consumo em março, foi para cerca de 1,5 mil m³ nas duas primeiras semanas, porém temos cobertura contratual suficiente para atender a demanda”, afirma.

Os contratos, respectivamente, vencem em dezembro e outubro e a Secretaria de Saúde já está elaborando um novo o edital de licitação para contratar uma nova empresa para fornecer oxigênio com o novo dimensionamento de uso. “O volume contratado será maior do que o contrato anterior”, ressalta. Os contratos são sob demanda, ou seja, só é pago o que foi consumido.

Para secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, o esforço para atender os pedidos de socorro do Entorno do DF vem de uma determinação do governador Ibaneis Rocha. “Ele não quer que pacientes venham a óbito por falta de oxigênio. E pessoas não atendidas no Entorno virão para o DF”, diz. “Só foi possível fazer isso (a ajuda emergencial) porque nossos estoques são suficientes para atender a população do DF e fazer esse suporte emergencial.

Bolsonaro publica decreto que cria comitê nacional de combate à pandemia

Comitê que terá duração de 90 dias, podendo ser prorrogado

Foi publicado hoje (26) no Diário Oficial da União o decreto que institui o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19, que terá duração de 90 dias, podendo ser prorrogado. A medida foi assinada na tarde de ontem (25) pelo presidente Jair Bolsonaro.

O comitê é uma instância de discussão entre os poderes da República e os estados para articulação de medidas de combate à pandemia no âmbito nacional, bem como no enfrentamento dos problemas econômicos, fiscais, sociais e de saúde decorrentes dela. Um ano após o início da crise sanitária, a criação do órgão foi decidida durante uma reunião ampliada com diversas autoridades federais e locais e representantes de instituições, ocorrida na quarta-feira (24), no Palácio da Alvorada.

De acordo com o decreto, o comitê é composto pelo presidente da República, que o coordenará; pelos presidentes do Senado Federal; da Câmara dos Deputados; e, na condição de observador, por uma autoridade designada pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux. Autoridades representantes de órgãos e entidades, públicos e privados, e especialistas de notório conhecimento poderão ser convidados a participar das reuniões.

O comitê também poderá criar grupos de trabalho para estudar e articular soluções para assuntos específicos relacionados à pandemia. Os integrantes do comitê e dos grupos de trabalho se reunirão, a critério de cada membro, presencialmente ou por videoconferência. O cronograma de reuniões ordinárias ainda será definido e poderão acontecer encontros extraordinários, sempre que solicitado por qualquer de seus membros. A secretaria executiva do colegiado será exercida pelo Ministério da Saúde.

Ações

Após a reunião da última quarta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, explicou que fará a coordenação com os governadores dos estados e do Distrito Federal, recebendo as demandas e encaminhando ao comitê. De acordo com Pacheco, o comitê será um grupo permanente de trabalho e sem delegação por parte dos presidentes do Executivo e do Legislativo, com o objetivo de definir políticas nacionais uniformes.

O Judiciário terá um representante observador pois não pode, por força de lei, participar de comitês dessa natureza. Ainda assim deverá atuar para que haja um controle prévio da constitucionalidade das medidas que serão adotadas, evitando a judicialização das decisões.

Também deverá ser criado, no âmbito do Ministério da Saúde, uma assessoria científica para discussão das melhores práticas de assistência à saúde. Além disso, a pasta trabalhará em protocolos para tratamento de pacientes.

Devem haver ainda ações no campo diplomático, com o objetivo de buscar parcerias com outros países e com empresas e instituições de pesquisa científica.

Professores da rede pública de ensino do DF são os próximos a vacinar

Secretarias de Educação e Saúde elaboram plano para imunizar 50 mil profissionais

A Secretaria de Educação do Distrito Federal está elaborando em conjunto com a pasta da Saúde o plano de vacinação dos profissionais da rede pública de ensino contra a covid-19. O contingente a ser atendido é formado por pelo menos 50 mil pessoas — 25.979 professores efetivos, 10.500 professores temporários e 8.813 da carreira da assistência, além de aproximadamente 5 mil merendeiras, copeiras, do pessoal da limpeza e da vigilância.

O pessoal da educação está entre os públicos prioritários, conforme o Plano de Operacionalização da Vacinação da Secretaria de Saúde, e receberá as doses na medida em que o Ministério da Saúde abastecer o DF. Atualmente, o plano distrital está na fase de vacinação por idade e de algumas categorias profissionais.

O próprio governador Ibaneis Rocha avisou que os professores serão contemplados na próxima fase da vacinação. “Em breve – nós já estamos trabalhando isso com o secretário de Educação –, teremos, sim, o retorno às aulas, porque nós vamos vacinar todos os professores e todos os educadores do Distrito Federal”, afirmou na manhã da quinta-feira, 25, durante cerimônia de entrega do Centro de Ensino Fundamental 01, da Vila Planalto.

Ibaneis disse que o GDF está cumprindo etapas, vacinando primeiro o pessoal da saúde, porque estão na linha de frente do combate à pandemia.  Na sequência, virão os professores e demais profissionais da educação. “As crianças também já não aguentam mais ficar em casa. Por maior esforço que se faça com as aulas pelo sistema que vem sendo adotado pela educação, mas nós precisamos cuidar também da saúde mental dessas crianças”, destacou.

O secretário de Educação, Leandro Cruz, agradeceu o empenho do governador. “Está claro que a educação é uma das prioridades de vacinação no Distrito Federal, atrás apenas do pessoal da Saúde, obviamente aqueles que estão deixando as suas famílias, os seus lares, na linha de frente de enfrentamento à covid-19”, frisou.

Estudo faz análise do consumo de água do brasiliense pós-crise hídrica

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Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2019 apontam que o consumo de água vem aumentando cerca de 1% ao ano em função, entre outras coisas, do crescimento da população | Foto: Vinícius de Melo / Agência Brasília

De acordo com a ANA, entre 2013 e 2018, 48,8% dos municípios decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo menos 1 vez

Como se comportou a população do Distrito Federal após a falta d’água e o racionamento adotado pelo governo em 2018? A redução do consumo estimulada naquele período continuou a ser aplicada? Respostas a essas e outras perguntas foram buscadas no Consumo de Água tratada no Distrito Federal: um retrato pós-crise hídrica estudo promovido pelo Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan).

A pesquisa teve o intuito de analisar o consumo de água tratada em Brasília desde a regularização do abastecimento, verificando o comportamento da população após o fim das medidas de racionamento implementadas na fase de escassez.

O período entre 2016 e 2017 foi marcado pela queda do consumo atrelada à crise hídrica. No período seguinte (2017-2018) a maior parte das regiões administrativas (RAs) apresentaram variações positivas no consumo, sendo que as mais expressivas foram registradas na Fercal (23,1%) e Varjão (13,0%).

O consumo total para o ano de 2019 em relação a 2018 apresentou variação positiva para todas as RAs, ressaltando que foi o primeiro desde a crise hídrica, sem interferências na distribuição de água. As regiões que registraram as maiores taxas de consumo foram Jardim Botânico (22,3%), Vicente Pires (11,9%), Estrutural (11,2%), Fercal (10,8%), Samambaia (10,5%) e Varjão (10,2%).

 

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2019 apontam que o consumo de água vem aumentando cerca de 1% ao ano em função, entre outras coisas, do crescimento da população, e da mudança nos padrões de consumo e desenvolvimento econômicos

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2019 apontam que o consumo de água vem aumentando cerca de 1% ao ano em função, entre outras coisas, do crescimento da população, e da mudança nos padrões de consumo e desenvolvimento econômicos.

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o acréscimo na demanda por água será maior. Além do mais, as mudanças climáticas no território brasileiro, em relação à crise hídrica, trarão consequências mais extremas. Isso faz com que regiões úmidas sejam mais úmidas e secas ainda mais secas.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), entre 2013 e 2018, 48,8% dos municípios brasileiros decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública pelo menos uma vez. Isso aconteceu por causa das chuvas intensas e cheias dos rios. Já em relação à seca, no mesmo período, foram cerca de 51% cidades.

Assim como em outros estados, o Distrito Federal, entre 2016 e 2018, enfrentou uma grave crise hídrica. Naquele período, os principais reservatórios utilizados para o abastecimento da população estavam abaixo do volume útil e medidas como racionamento tiveram que ser adotadas.

Para ajudar a definir a segurança hídrica, como a disponibilidade de água em qualidade suficiente para atender as necessidades humanas, foi criado, em conformidade com a ONU, a elaboração do Plano Nacional de Segurança Hídrica.

Diminui tempo de espera por vaga em UTI na rede pública do Distrito Federal

Graças aos novos leitos, a lista de pacientes à espera de uma UTI, que já foi de 324 pessoas, diminuiu para 288 | Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

Em uma semana, GDF aumenta em 257 o número de leitos na rede pública de saúde para atender pacientes graves com covid-19

O GDF abriu 160 leitos na rede pública de saúde para atender pacientes com covid-19 no Distrito Federal desde o último domingo (21). Esse número vai chegar a 257 até o próximo sábado (27). A novidade nas ações de combate à covid-19 foi anunciada em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (25), no Palácio do Buriti.

Confira o vídeo:

“À luz dessas informações, o governador Ibaneis Rocha pretende fazer uma abertura gradual das atividades econômicas a partir da próxima segunda-feira. Mas hoje ainda é quinta-feira. Se houver uma mudança brusca no cenário, o governador pode tomar outra medida”Gustavo Rocha, secretário da Casa Civil

Graças aos novos leitos, a lista de pacientes à espera de uma UTI, que já foi de 324 pessoas, diminuiu para 288. E tende a diminuir ainda mais, graças à queda da taxa de transmissão que, depois de bater 1,38 na primeira semana de março, se mantém estável desde a semana passada em 0,95, com tendência de queda.

“Ainda estamos sofrendo as consequências da falta de atenção da população principalmente no carnaval”, disse o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha. “A taxa era de 0,83 antes da fase mais aguda e estamos trabalhando para baixar mais esse índice. Ficar abaixo de 1 é importante, mas está longe do ideal”, ressalta.

Segundo o secretário, a queda na taxa é reflexo das ações tomadas pelo GDF e outros índices também caíram nos últimos dias, como os casos diários, a média semanal e o número de casos ativos, ou seja, pessoas que podem transmitir covid-19. “À luz dessas informações, o governador Ibaneis Rocha pretende fazer uma abertura gradual das atividades econômicas a partir da próxima segunda-feira. Mas hoje ainda é quinta-feira. Se houver uma mudança brusca no cenário, o governador pode tomar outra medida”, disse.

Ao lado do secretário de Saúde, Osnei Okumoto, Rocha também falou do sucesso da vacinação. Segundo ele, 122% das pessoas com mais de 80 anos tomaram a primeira dose da vacina, percentual que chega a 106% no grupo de idosos que estejam em abrigos. “Tem mais de 100% por causa dos moradores do Entorno”, justifica.

Entre o público-alvo de 75 a 79 anos, o percentual é de 98% de imunizados e cai para 89% entre as pessoas de 70 a 74 anos e para 87% entre as pessoas com 69 anos. “As pessoas estão vendo que a vacinação é a saída para essa crise, mas ainda temos 9.227 pessoas para serem vacinadas no grupo prioritário”, alerta.

Osnei Okumoto afirmou que a variante do Reino Unido do Sars-CoV-2 foi identificada pelo Laboratório Central de Saúde (Lacen) em um caso autóctone, ou seja, transmitida dentro do DF. Segundo ele, essa é uma das novas variantes do vírus que têm alta transmissibilidade, principalmente entre os jovens, o que aumentou os óbitos na faixa etária de 30 a 39 anos.

“Fizemos um levantamento da comparação dos óbitos registrados ano passado e em março deste ano por faixa etária. Entre pessoas com mais de 80 anos, 27,7% morreram em 2020. Quando a gente migra para março de 2021 tivemos uma redução de 32,5% de óbitos nessa faixa etária. Também tivemos uma redução de mortes entre pessoas de 70 a 79 anos enquanto os óbitos cresceram 243,4% entre pessoas de 30 a 39 anos”, afirmou o secretário.

Entrevista | “Carne bovina deve ter redução do preço em abril”, afirma Ricardo Nissen, assessor técnico da CNA

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De acordo com o especialista, os altos preços desse tipo de carne se devem pela baixa no valor da arroba desde 2016, o que causou queda na criação do animal

Desde o ano passado o preço da carne bovina tem subido no Brasil, chegando a um aumento de 18% em 2020. Isso tornou o alimento uma espécie de vilão na mesa dos brasileiros. Em fevereiro, a carne subiu 1,72% na comparação com janeiro, segundo o IPCA publicado pelo IBGE no mês passado.

Para explicar o porquê desse aumento, o portal Brasil 61.com conversou com o assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Nissen, que abordou o principal motivo.

Segundo ele, diferente das outras culturas de produção animal, a pecuária de corte tem um ciclo médio de 30 à 50 meses, ou seja, pode levar de dois anos e meio até cinco anos. “E é justamente por causa desse longo período que estamos enfrentando agora um momento da falta de animais. Quando voltamos na história, por volta dos anos de 2016 e 2018, tivemos um momento em que a arroba estava desvalorizada, o produtor abateu diversas fêmeas e, assim, reduziu a produção de bezerros. Justamente para equilibrar as contas”, afirmou.

De acordo com Ricardo, o preço aumentou porque temos menos animais para o abate, mas isso não quer dizer que pode faltar carne bovina na mesa do brasileiro porque o país é “autossuficiente na produção do alimento. Acabamos importando pouca carne quando falamos em carne gourmet, no caso da super premium que segue para as churrascarias e steakhouse. Mas o Brasil é autossuficiente. Somos o segundo maior produtor do mundo e o maior exportador”, esclareceu.

O assessor técnico explicou que mesmo com a baixa quantidade de animais para consumo, não deve faltar carne bovina, o valor do alimento tem uma diferença de impacto na mesa das pessoas que moram nas grandes e pequenas cidades. Quando se fala do interior “falamos de cidades em que a demanda e a oferta são ajustáveis. Na cidade grande temos uma demanda mais volátil, justamente por conta da quantidade de pessoas. Possivelmente o consumidor da cidade grande sinta mais os impactos, enquanto nas cidades pequenas temos uma distribuição mais rápida e direta por estar próxima dos centros produtores”, destacou Ricardo.

Uma vez que os moradores das grandes cidades sentem os impactos dos altos valores nas compras, a população com menor renda também é a mais afetada pelo preço da carne. Segundo o especialista, isso pode justificar as pessoas preferirem outros tipos do alimento na hora de fazer o mercado. “Observamos que uma parcela da população carente prefere outras proteínas como o próprio frango, que tem uma produção industrial alta e é uma das carnes que vem sendo mais consumidas por esta classe”, avaliou.

A partir de agora com a mudança no cenário da produção do gado é possível que o brasileiro possa retomar o consumo da carne bovina com um preço mais acessível. Pelo menos é no que acredita o Ricardo Nissen. “Por causa das chuvas, no final do ano passado, começamos a ter mais produção nas pastagens. Temos uma grande quantidade de animais que serão abatidos nesse primeiro semestre. Devemos ter uma manutenção do preço da carne bovina no próximo mês e, depois, lá para o final de maio observaremos uma queda nos preços”, explicou.

Fonte: Brasil 61

Ibaneis anuncia que em vinte dias será construído três hospitais de campanha

Cada hospital terá 100 leitos de UTI, totalizando 300 unidades intensivas| Foto: Renato Alves/Agência Brasília

Governador Ibaneis Rocha assinou, nesta quinta (25), ordem de serviço para o início da montagem das estruturas no Plano Piloto, Ceilândia e Gama

O governador Ibaneis Rocha assinou, nesta quinta-feira (25), a ordem de serviço para a construção de três hospitais de campanha que vão reforçar o combate ao coronavírus no Distrito Federal. Agora, as empresas contratadas têm até 20 dias úteis para entregar as estruturas montadas nos endereços escolhidos no Plano Piloto, Gama e Ceilândia.

Cada um dos hospitais vai dispor de 100 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), totalizando 300 leitos a mais para acolher e tratar as vítimas da doença. Atualmente, o DF dispõe de 584 leitos para o tratamento da doença, segundo dados da Secretaria de Saúde (SES) atualizados às 6h desta quinta-feira (25).

Os três hospitais de campanha serão administrados pela SES. As unidades vão contar com leitos de suporte ventilatório pulmonar e também outros equipamentos hospitalares, além de profissionais de saúde necessários para o seu pleno funcionamento. A contratação prevê custos com locação, montagem, manutenção e desmontagem das estruturas, bem como a execução das instalações prediais dos hospitais

“Temos que exaltar o trabalho da Novacap, que conduziu esse processo dentro da maior lisura e transparência; conseguimos preços competitivos, e as empresas vencedoras têm experiência na montagem de hospitais de campanha”Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal

Tanto a unidade do Plano Piloto, que será erguida no Autódromo Internacional Nelson Piquet, quanto a de Ceilândia, a ser montada na Escola Parque Anísio Teixeira, estão a cargo da empresa DMDL Montagens de Stands Ltda, que apresentou valor de R$ 6.597.500 por cada um dos lotes.

Já unidade do Gama, que vai ocupar o centro olímpico daquela cidade, será construída pela Paleta Engenharia e Construções Ltda, propôs o custo de R$ 6.875.000 no pregão eletrônico promovido pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).

“Temos que exaltar o trabalho da Novacap, que conduziu esse processo dentro da maior lisura e transparência; conseguimos preços competitivos, e as empresas vencedoras têm experiência na montagem de hospitais de campanha, já fizeram em São Paulo, em Belém”, destacou o governador Ibaneis Rocha. “Temos convicção de que os hospitais serão entregues em um prazo de 20 dias, e a gente espera com isso ajudar no combate à covid-19 e desafogar um pouco a rede hospitalar do DF, que está sobrecarregada em virtude da disseminação do vírus.”

2,7 bilhõesjá foram investidos pelo GDF no combate à pandemia, desde março do ano passado

O presidente da Novacap, Fernando Leite, destacou o poneirismo da ação do GDF. “São 300 leitos de UTIs, é realmente algo inédito no Brasil. Hoje, o que vemos são hospitais da campanha com leitos de enfermaria e alguns de UTI”, detalhou. “Por isso, nosso modelo exigiu um trabalho muito detalhado da equipe técnica, inclusive utilizamos, na elaboração dos projetos básicos, arquitetos que tocaram o projeto do Hospital Oncológico”.

A construção dos três hospitais de campanha vem somar os esforços do GDF para combater a covid-19. Desde que a pandemia se instalou no país, em março de 2020, o governo local investiu mais de R$ 2,7 bilhões em obras, equipamentos, equipes médicas e medicamentos. Outras medidas recentes que podem ser destacadas é o processo seletivo para contratação de profissionais de saúde aposentados para reforçar o atendimento na rede e também a ampliação da carga horária de servidores ativos.

Além do governador Ibaneis Rocha, participaram da cerimônia os secretários de Saúde, Osnei Okumoto; da Casa Civil, Gustavo Rocha; de Governo, José Humberto Pires; de Economia, André Clemente; de Comunicação, Weligton Moraes; e ainda o presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Fernando Leite; o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e os representantes das empresas vencedoras do pregão eletrônico – Ronaldo Azevedo, da Paleta Engenharia, e Frederico Freitas, da DMDL Montagens de Stands.

Artigo | É preciso discutir sobre o autismo

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Dr. Clay Brites*

Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o dia 02 de abril é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Apesar de não ter cura, é possível conviver com o transtorno e superar os desafios do Autismo durante a vida. Para isso, é fundamental discutir sobre o tema e mostrar para as famílias a importância do diagnóstico precoce e do tratamento correto.

Afinal, o que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)? O autismo é uma condição entendida como uma síndrome comportamental que leva a inabilidade, incapacidade ou desinteresse de interação social, problemas para comunicar-se com os outros e comportamentos repetitivos e interesses fora de contexto, todos resultantes de fatores genéticos e ambientais. Ele acontece em diferentes graus: leve, moderado e severo.

Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento com características que podem ser observadas nos primeiros meses de vida até os dois anos pelos pais ou cuidadores e confirmada por meio de uma consulta a um especialista a fim de permitir um diagnóstico precoce.

A intensidade é definida a partir do grau de autonomia, dos atrasos de problemas de linguagem e da incapacidade de se integrar e conduzir atividades sociais no dia a dia. Geralmente, apresentam problemas na interação, na comunicação e no comportamento em todos os ambientes que frequentam. Entretanto, mesmo diante de todas as dificuldades, é possível ajudar o filho a superar os desafios do TEA e conviver com o transtorno em família, com amigos e na escola.

Para isso, é essencial descobrir o autismo o mais cedo possível!  Isso permite que intervenções sistematizadas e intensas sejam realizadas logo nos primeiros meses ou anos. Nesse período, o cérebro está mais permeável e aberto para ser modificado. Dessa forma, é possível reduzir os sintomas, diminuir os atrasos de desenvolvimento e corrigir os desvios de linguagem e de comportamento.

Um dos indícios do autismo em bebês são ausência ou pequeno contato visual, pouca resposta ao chamado da mãe, preferência por querer permanecer no berço com pouco ou nenhum interesse social, ausência de balbucia até os seis meses de vida, hiperfoco nas mãos das pessoas ou em objetos, irritabilidade e choro frequentes.

Na infância ou na juventude, o autista tem uma dificuldade de percepção das formas regulares e naturais do rosto, gerando um incômodo muito grande, uma dificuldade de compreensão e percepção a partir de gestos faciais e corporais. Ocorre que as áreas do cérebro responsáveis pela empatia voltada para o contato visual também são deficitárias. Muitas vezes, esse paciente não sente necessidade de olhar nos olhos.

Na vida adulta mais de 85% dos autistas tem algum problema psiquiátrico associado e/ou outras comorbidades. Tanto a genética quanto a biologia feminina são fatores de proteção para o desenvolvimento do autismo e, muitas vezes, é mais fácil de ser mascarado, pois se misturam ao perfil mais afetuoso das meninas.

O tratamento é multidisciplinar. Muitas vezes, é necessário o acompanhamento pelo neurologista infantil, psicólogo, fonoaudiólogo, entre outros profissionais. As terapias são muito importantes para que, ao longo dos anos, a sociabilização e a comunicação aconteçam da melhor forma possível.

É essencial que profissionais das áreas da saúde e da educação busquem mais conhecimento e compreendam melhor todo o transtorno para tentar amenizar as dificuldades provocadas pelo TEA. Assim, conseguiremos tratar essa condição de maneira mais adequada e responsável. Quanto mais informações sobre a condição as pessoas tiverem, menor será o preconceito e mais fácil sua identificação.

 

(*) Dr. Clay Brites é pediatra, neurologista infantil e um dos fundadores do Instituto NeuroSaber. 

 

Comissão da Câmara aprova contratação avulsa de serviços de telecomunicações

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (24) projeto de lei do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) que garante ao consumidor a liberdade de escolher os serviços oferecidos por empresas de telefonia e de TV por assinatura de forma individualizada, sem a obrigatoriedade de contratar pacotes fechados (os combos).

O projeto (PL 7263/17) recebeu parecer favorável da relatora, deputada Celina Leão (PP-DF). Ela optou por recomendar a aprovação da versão da Comissão de Defesa do Consumidor, que analisou a proposta em 2017.

Na ocasião, o colegiado aprovou um substitutivo elaborado pelo deputado Moses Rodrigues (MDB-CE). A diferença entre os dois textos (o original e o substitutivo) é que o primeiro proíbe os combos, enquanto o segundo possibilita ao usuário escolher por serviços individuais ou por pacotes.

O substitutivo inclui a regra na Lei Geral de Telecomunicações (LGT).

Relação

Para a deputada Celina Leão, o substitutivo equilibra melhor a relação entre consumidores e empresas. Ela criticou os combos, mas reconheceu que a prática é decorrente da própria estrutura da indústria de telecomunicações, marcada por custos fixos elevados.

Para ela, o substitutivo do deputado Moses Rodrigues “prima por uma conjunção entre livre iniciativa, prestação de informações corretas aos usuários e liberdade de escolha para os consumidores dos serviços de telecomunicações.”

Conforme a versão aprovada, os serviços de telecomunicação devem ser oferecidos de forma individualizada com a mesma qualidade dos ofertados em conjunto (combo), sem a incidência de taxas de adesão ou outras cobranças que alterem artificialmente a composição dos preços dos serviços contratados.

O usuário terá direito à informação adequada sobre as condições de prestação dos serviços, suas tarifas e preços individualizados, inclusive nos casos de oferta conjunta de serviços.

O descumprimento dessas regras sujeita a empresa a penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor.