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Emoção marca o retorno da encenação da Paixão de Cristo – Os bastidores da fé

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Suspensa por dois anos, devido à pandemia, a Via Sacra do Morro da Capelinha trouxe como novidade nesta edição a celebração da cruz presidida pelo arcebispo de Brasília, Dom Paulo César

Um espetáculo de união, arte e fé. Após dois longos anos de espera, finalmente milhares de cristãos puderam renovar votos de esperança, paz e amor com a volta da realização presencial da Via Sacra no Morro da Capelinha, nesta sexta-feira (15), em Planaltina. Sentimentos mais do que auspiciosos, depois de tempos difíceis enfrentados com a chegada inesperada da pandemia.

O momento agora era de reflexão e de celebração da vida, a exemplo de Cristo renascido. E, ninguém melhor para descrever a emoção de reviver essa história milenar de morte e ressurreição do que o próprio Jesus, interpretado por Marcelo Augusto Ramos.

“Foi tocante ver a participação do público, a emoção das pessoas e saber que teve efeito mágico após a pandemia que trouxe tristezas e dificuldades para tantas pessoas, inclusive, vários membros do grupo não participaram este ano porque partiram”, lamenta o ator Marcelo Augusto Ramos, que interpretou Jesus | Foto: Hugo Lira/Secec

“Eu como cristão, poder interpretar o ícone da nossa fé é maravilhoso, indescritível, e esse ano teve um gosto especial porque estávamos muito angustiados por conta desse período que não houve a Via Sacra. A volta foi emocionante”, revela. “Foi tocante ver a participação do público, a emoção das pessoas e saber que teve efeito mágico após a pandemia que trouxe tristezas e dificuldades para tantas pessoas, inclusive, vários membros do grupo não participaram este ano porque partiram”, lamenta o ator amador, de 34 anos.

Ao todo, mais de mil atores ajudaram na dramatização do evento, que é o maior do segmento religioso no DF e um dos mais emblemáticos do Centro-Oeste. Outros 400 participantes, caracterizados com figurinos de época, participaram da parte técnica do evento

Foram seis meses de preparação para a realização da encenação. Desses, 40 dias só de ensaio, como Jesus no deserto. Ao todo, mais de mil atores ajudaram na dramatização do evento, que é o maior do segmento religioso no DF e um dos mais emblemáticos do Centro-Oeste. Outros 400 participantes, caracterizados com figurinos de época, participaram da parte técnica do evento, que reuniu milhares de fiéis ao longo de todo o dia.

Gente como a professora Ingrid Paula Pereira da Silva, 26 anos, desde criança, figurante da festa que há quase 50 anos mobiliza e emociona público, cristãos e artistas. “Participo desde os seis anos e é uma tradição na nossa família”, conta a jovem, que viveu uma das várias leprosas pelo caminho de Jesus mutilado pela dor e sofrimento até o caminho da cruz. “É um evento muito bonito que marca todos os cristãos, não tem como não deixar se envolver, sensibiliza muita gente, com a fé que há dentro de cada um”, diz.

“Todo o governo abraça esse momento como algo de muita significância, de retorno das nossas vidas, das atividades e da esperança”Aquiles Brayner, subsecretário de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF

Presente na Via Sacra, o subsecretário de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, Aquiles Brayner, vê a reabertura de mais esse equipamento cultural da cidade não apenas como um símbolo de renovação da fé das pessoas, mas também, como dias melhores. “É a reinvenção do sujeito, do cidadão. Todo o governo abraça esse momento como algo de muita significância, de retorno das nossas vidas, das atividades e da esperança”, defende.

A fé move montanhas e o povo de Deus, que subiu o Morro da Capelinha em devoção compungida | Foto: Tony Oliveira | Agência Brasília

Fé que move montanhas

A fé move montanhas e o povo de Deus, que subiu o Morro da Capelinha em devoção compungida. Dezenas, milhares de pessoas em uma volumosa “procissão se arrastando pelo chão que nem cobra pelo chão, acreditando nas coisas lá do céu”, já cantava Gilberto Gil. Era como se fosse um corpo só.

“É uma grande renovação de fé nos corações dos fiéis. A Via Sacra mexe com o mais profundo do nosso ser. É a capacidade que a arte tem, que a encenação tem de tocar o coração das pessoas, de fazer com que elas se emocionem e revivam aquilo que aconteceu há 2 mil anos” Dom Paulo César, Arcebispo de Brasília

A emoção começou a tomar conta do lugar pouco depois das 16h, com o público se aglomerado no primeiro ato, vendo Cristo encarcerado tal um cordeiro prestes a seguir para o matadouro. Uma jovem registrou o momento do cárcere: “Tadinho, vão judiar dele demais!”, comenta em voz alta, sem esconder a aflição.

Apesar de ser um roteiro conhecido por todos há séculos, os fiéis não se cansam de ouvir a história. A mais bela da humanidade, passada de geração em geração e que reúne ingredientes como morte e ressurreição, dor e redenção, amor e paixão. “Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”, ensina a oração do Credo.

“É uma história que encanta pessoas há séculos, vai ser bom para enriquecer os conhecimentos dela e fazer crescer a fé”Lucas Ferreira de Lima, analista de sistemas, que levou a filha Ana Julia, 9 anos, para acompanhar a Via Sacra

Com a filha Ana Julia, de 9 anos, nos ombros, o analista de sistemas Lucas Ferreira de Lima, 40 anos, acompanhava cada um dos atos da Paixão de Cristo com devoção. Disse que fez questão de trazer a filha para o evento religioso por conta de dois aspectos: pela beleza milenar da história em si, que atravessa eras, dinastias e tempos infinitos, e também pela questão cultural. “Recentemente ela fez um trabalho na escola sobre os pontos turísticos da cidade e teve que pesquisar sobre a Pedra Fundamental e a Via Sacra”, revela o pai. “É uma história que encanta pessoas há séculos, vai ser bom para enriquecer os conhecimentos dela e fazer crescer a fé”, garante.

Uma senhora, tomada de emoção convulsiva, tal qual Moisés abrindo o Mar Vermelho, ia rasgando a multidão como um celular na mão e gritando. “Pelo amor de Jesus Cristo, me deixe tirar uma foto de Cristo!”, alardeava ela, que fez o registro e saiu com a alma lavada. Literalmente, porque logo uma chuva branda caiu no crepúsculo do dia, banhando a multidão.

“A Via Sacra é um momento bonito de união, de arte e de fé. Muito feliz de ver a fé do nosso povo, de ver o sentimento religioso do nosso povo que vem aqui para reviver todo o processo de Jesus Cristo com sua morte e ressurreição”, destacou o arcebispo de Brasília, Dom Paulo César, em visita ao local pela primeira vez. “É uma grande renovação de fé nos corações dos fiéis. A Via Sacra mexe com o mais profundo do nosso ser. É a capacidade que a arte tem, que a encenação tem de tocar o coração das pessoas, de fazer com que elas se emocionem e revivam aquilo que aconteceu há 2 mil anos”, resume.

DF tem 15 escolas cívico-militares, saiba como funciona o modelo

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De acordo com a Secretaria de Educação, mais dois centros de ensino estão em negociação para aderirem ao formato

    O CED 1 do Itapoã tem parceria com a Polícia Militar, que emprega 17 policiais na rotina de acompanhamento da recepção dos alunos, condução ao momento cívico – como de hasteamento da bandeira –, manutenção dos corredores, acompanhamento disciplinar e realização das atividades de contraturno | Fotos: Renato Araújo / Agência Brasília

    Mais de 15 mil alunos da rede pública de ensino estudam nas escolas cívico-militares do Distrito Federal. O modelo teve início em 2019 na capital federal com quatro unidades piloto. Atualmente, já são 15 escolas de gestão compartilhada e o número deve aumentar. De acordo com a Secretaria de Educação, mais dois centros de ensino estão em negociação para aderirem ao formato.

    A cidade conta com dois modelos. O primeiro é uma parceria entre as secretarias de Educação e  de Segurança Pública, em que a segunda pasta encaminha o efetivo da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para lidar com a área disciplinar. Ofertam-se atividades extracurriculares e ações disciplinares voltadas à formação cívica, moral e ética para o bem-estar social, como prevê a Portaria Conjunta nº 22, de 28 de outubro de 2020, que atualiza a anterior, de 12 de setembro de 2019. Já o outro formato é uma parceria entre o Ministério da Educação e as Forças Armadas. Das 15 escolas de gestão compartilhada, quatro seguem esse formato, em que os militares da reserva desenvolvem as atividades.

    “Eles tomam conta do pátio, da entrada e da saída, fazem um trabalho de assistência social e também de civismo, ensinando valores”Wagner Santana, ponto focal das escolas cívico-militares da Secretaria de Educação no DF

    A gestão compartilhada é oferecida para escolas nas áreas de vulnerabilidade mapeadas pela Secretaria de Segurança Pública. “A gente usa o Mapa da Violência, as ocorrências policiais e cruza com o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Onde estiver mais carente e vulnerável, vamos oferecer o modelo. É um sistema em que o Estado está mais presente. Não só com o braço da Educação, mas também da Segurança”, define o subsecretário das Escolas de Gestão Compartilhada, coronel Alexandre Ferro.

    Funcionamento

    O modelo é apresentado para as instituições pelas duas pastas. Caso haja interesse, toda a comunidade escolar participa do processo. Por meio de uma consulta pública, corpo docente, estudantes e pais votam democraticamente para a implantação do formato. O objetivo é o enfrentamento à violência no ambiente escolar, a promoção da cultura de paz e o pleno exercício da cidadania.

    “A gente tenta proporcionar um ambiente de maior tranquilidade para que os professores tenham um desempenho focado na sala de aula”, explica o diretor disciplinar, capitão Souza Matos

    Cabe aos servidores da Segurança Pública dar um suporte aos profissionais da Educação, conduzindo rotinas típicas de um colégio cívico-militar. “Eles tomam conta do pátio, da entrada e da saída, fazem um trabalho de assistência social e também de civismo, ensinando valores”, explica o ponto focal das escolas cívico-militares da Secretaria de Educação no DF, Wagner Santana.

    Além disso, eles são responsáveis pelas ações extracurriculares no contraturno que estimulam cultura, conhecimento e atividade física. O primeiro projeto é o da banda sinfônica, com 72 instrumentos musicais. O segundo promove o esporte distribuindo um kit com bolas e redes para a prática de handebol, futebol, voleibol, basquete, atletismo e xadrez, além da realização de uma olimpíada. O terceiro, ainda a ser implantado, levará a robótica para as salas de aula.

    Na prática

    No Centro Educacional 1 do Itapoã, a parceria é com a Polícia Militar. Dezessete policiais integram o efetivo da escola. A rotina do grupo tem o acompanhamento da recepção dos alunos, condução ao momento cívico – como de hasteamento da bandeira –, manutenção dos corredores, acompanhamento disciplinar e realização das atividades de contraturno. “A gente tenta proporcionar um ambiente de maior tranquilidade para que os professores tenham um desempenho focado na sala de aula”, explica o diretor disciplinar, capitão Souza Matos.

    “Logo no início, não senti firmeza. Eu pensava que não poderia ser eu mesmo. Com o passar do tempo, fui entendendo que dá para continuar sendo você. A relação com os policiais é muito boa. Estamos tendo uma proteção e diversos benefícios que não teríamos se não fossem eles”, avalia o estudante Vitor Cardoso Batista

    O formato também muda a rotina dos estudantes. Semanalmente, um aluno é escolhido como o chefe de turma e assume funções, como fazer a chamada e relatar quaisquer problemas dentro da sala de aula. A cada bimestre eles ainda são premiados de acordo com honra ao mérito. “Nossos colégios cultuam valores como respeito ao professor, ao civismo, ao patriotismo, à ética, à honestidade e à disciplina”, defende o coronel Alexandre Ferro.

    Integrante do grêmio estudantil da CED 1 do Itapoã, o jovem Vitor Cardoso Batista, 15 anos, conta que tem sido uma boa experiência estudar em uma escola com gestão compartilhada. “Logo no início, não senti firmeza. Eu pensava que não poderia ser eu mesmo. Com o passar do tempo, fui entendendo que dá para continuar sendo você. A relação com os policiais é muito boa. Estamos tendo uma proteção e diversos benefícios que não teríamos se não fossem eles”, avalia.

    Confira as escolas cívico-militares do DF

    Secretarias de Educação e de Segurança Pública

    – Centro Educacional 3 de Sobradinho
    – Centro Educacional 308 do Recanto das Emas
    – Centro Educacional 1 da Estrutural
    – Centro Educacional 7 da Ceilândia
    – Centro Educacional Condomínio Estância III de Planaltina
    – Centro Educacional 1 do Itapoã
    – Centro de Ensino Fundamental 19 de Taguatinga
    – Centro de Ensino Fundamental 1 do Núcleo Bandeirante
    – Centro de Ensino Fundamental 407 de Samambaia
    – Centro de Ensino Fundamental 1 do Riacho Fundo II
    – Centro de Ensino Fundamental 1 do Paranoá

    Ministério da Educação e Forças Armadas

    – Centro Educacional 416 de Santa Maria
    – Centro de Ensino Fundamental 5 do Gama
    – Centro de Ensino Fundamental 4 de Planaltina
    – Centro de Ensino Fundamental 507 de Samambaia

     

    Zero violência nas escolas cívico-militares

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    De acordo com as secretarias de Educação e de Segurança Pública, a gestão compartilhada tem sido efetiva na prevenção de casos de agressão no ambiente escolar

    As drogas e a violência eram situações corriqueiras na realidade do Centro Educacional 1 do Itapoã, que atende 2.414 alunos do 6º ano ao ensino médio. No entanto, isso mudou em 2019, quando a comunidade escolar aprovou a inserção no projeto Escolas de Gestão Compartilhada (EGCs). O CED 1 do Itapoã está entre as 15 escolas do Distrito Federal que integram o programa. Desde o início do ano letivo em 2022, nenhuma das unidades registrou qualquer situação de violência.

    O Centro Educacional 1 do Itapoã passou a integrar o projeto Escolas de Gestão Compartilhada (EGCs) em 2019 | Fotos: Renato Araújo/Agência Brasília

    “Como existem nas escolas os profissionais da segurança pública, eles sabem identificar os sinais das crianças que estão passando por dificuldades. E, se tiver alguma situação de violência, saberão dar o encaminhamento”– Coronel Alexandre Ferro, subsecretário das Escolas de Gestão Compartilhadas

    As EGCs são uma parceria entre as secretarias de Educação e de Segurança Pública, em que as pastas dividem as atribuições: a parte pedagógica fica a cargo dos profissionais da educação e a área disciplinar, da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros. Das 15 escolas, 11 são geridas pela Secretaria de Educação em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública e as demais – quatro ao todo – são de uma parceria do Ministério da Educação com as Forças Armadas.

    “Era um desejo meu [fazer parte da gestão compartilhada], tendo em vista a nossa dificuldade, principalmente, com as drogas e a violência na escola. Para nós fez grande diferença, mudou completamente o nosso cenário. Não temos mais problemas com drogas e traficantes e a violência também diminuiu”, conta a diretora do CED 1 do Itapoã, Liesi Beatriz Maciel de Sousa.

    “Nossa presença aqui fez com que houvesse mais controle, uma calma, um sentimento de segurança”, avalia o capitão Souza Matos

    Além disso, o formato de gestão dá mais autonomia para que os profissionais se dediquem à parte educacional. “Eu não tinha tempo para me preocupar com a parte pedagógica. Agora tenho um diretor disciplinar, com isso tenho mais tempo para me debruçar. É um grande ganho”, completa.

    Para o subsecretário das Escolas de Gestão Compartilhada, coronel Alexandre Ferro, essa diferença de realidade se deve à presença da segurança na escola. “Como existem nas escolas os profissionais da segurança pública, eles sabem identificar os sinais das crianças que estão passando por dificuldades. E se tiver alguma situação de violência, saberão dar o encaminhamento”, explica. O encaminhamento pode ser tanto no sentido disciplinar, dentro da própria escola, como na condução até a Delegacia da Criança e do Adolescente.

    Meire Cristina da Silva, mãe do aluno João Pedro Paz, diz que a segurança foi determinante para a decisão de matricular o filho na escola

    “Há um trabalho preventivo. Os militares se aproximam das crianças, fazem parte de um ciclo de amizade e, quando existe uma propensão, as próprias crianças informam”, explica o ponto focal das escolas cívico-militares da Secretaria de Educação no DF, Wagner Santana.

    É o que confirma a adolescente Raquel Alves, 13 anos, do 8º ano do CED 1 do Itapoã: “Eu me sinto mais segura. Podemos contar com eles [os policiais]. A gente se sente mais à vontade para contar coisas desse tipo [violência e bullying], porque vamos ter uma defesa maior”. Por conta da segurança, Raquel diz que a mãe está tentando uma vaga também para a irmã dela. “Meus pais gostam muito. Estão tentando trazer minha irmã mais nova para cá também”, acrescenta.

    O subsecretário das Escolas de Gestão Compartilhada, coronel Alexandre Ferro, e a diretora do CED 1 do Itapoã, Liesi Beatriz Maciel de Sousa: programa investe em ações culturais, como a banda sinfônica

    Mãe de João Pedro Paz, de 14 anos, Meire Cristina da Silva, diz que a segurança foi um dos fatores essenciais para colocar o filho na escola. “Optei por trazer ele para cá e ele está adorando. É bem-organizado e ele se sente mais seguro aqui, até em relação a pegar o ônibus. A parada é próxima e os policiais sempre ficam olhando eles irem embora. Acho mais seguro, fico mais tranquila”, revela.

    Policiais levaram para a escola mais atividades físicas

    Esporte como escape

    O diretor disciplinar do CED 1, capitão Souza Matos, diz que a equipe identificou que os alunos voltaram com uma carga excessiva de energia, o que pode ter relação com o maior número de casos de violência no ambiente escolar em todo o país. “Nesse sentido, temos observado que eles estão mais energéticos. Mas a nossa presença aqui fez com que houvesse mais controle, uma calma, um sentimento de segurança”, afirma.

    Para enfrentar este momento, os policiais levaram para a escola mais atividades físicas, a exemplo do pilates e de algumas artes marciais. Também faz parte do programa investir em ações culturais, como a banda sinfônica, e esportivas, a exemplo da iniciativa Escola de Campeões, que oferece futebol, handebol, atletismo, voleibol, basquete e xadrez.

    “São atividades oferecidas no contraturno para que essa criança possa sair do ambiente de vulnerabilidade e de violência, ficando protegida na escola. É um modelo que já trouxe muitos ganhos na parte pedagógica que podem ser conferidos nos indicadores da educação básica e na diminuição dos índices de reprovação e evasão escolar”, defende o coronel Ferro, também citando que o formato ajuda a combater ainda o ambiente de violência vivenciado pelos alunos fora da escola.

    Combate à violência

    Com a onda de casos de violência nas escolas, o governo lançou o Plano de Urgência pela Paz nas Unidades Escolares do Distrito Federal. O pacote de iniciativas integra 126 escolas nas quais foi detectado o maior número de casos de brigas e agressões entre os alunos. Além das secretarias de Educação, que coordena a comissão, e de Segurança Pública, o grupo tem participação das pastas da Saúde, Esportes, Juventude e Justiça. Também foi divulgado o Caderno de Convivência Escolar e Cultura de Paz.

    Coluna do Fluminense | Jogo ruim, vitória boa

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    POR RAIMUNDO RIBEIRO

    Fluminense visitou o Cuiabá e Abel fez várias mudanças.

    Abriu mão da linha de 3 zagueiros adotando um 4-3-3.

    Poupou(?) Cris Silva, entrando com Pineida, André substituído por Wellington (?), Nonato na vaga de Yago Felipe e Fred (?) no lugar de Cano.

    Foi um primeiro tempo que tivemos domínio territorial mas não conseguíamos penetrar na área adversária.

    Apesar de ter acertado na mudança do esquema de jogo, não adotando a linha de 3 zagueiros, inexplicável a entrada de Wellington e a escalação de Fred desde o início.

    No segundo tempo, Abel fez o que qualquer torcedor faria, tirando Fred para entrada de Cano, Luiz Henrique e Arias, substituídos por Caio Paulista e Bigode e trocando Ganso por Yago.

    As substituições foram acertadas, tanto assim que o gol saiu de um lançamento de Yago para Cano que cruzou para Caio Paulista e o zagueiro se precipitou decretando nossa primeira vitória no brasileiro.

    Foi uma boa vitória mas sem esconder erros cometidos:

    Fred nunca mais pode ser escalado de início, pois não consegue mais ter velocidade, além de cometer erros de passe imperdoável para um atacante.

    Se tiver que entrar por algum motivo, deve ocorrer nos últimos 15 minutos quando o adversário já estiver cansado.

    Wellington não consegue jogar de modo satisfatório, errando muitos passes numa região perigosa que é nossa intermediária defensiva, além de não consegui imprimir velocidade na saída de jogo.

    Arias sempre teve bom desempenho quando entrou no segundo tempo, e Luiz Henrique parece que esqueceu de jogar bola desde que foi “doado”.

    Alguém precisa dizer a ele que quando entra em campo, mesmo com data marcada para ir embora, precisa se esforçar para jogar o máximo que sabe.

    Na próxima terça-feira, receberemos o Vila Nova começando a caminhada pela copa do Brasil.

    Bora Fluzão 🇭🇺🇭🇺🇭🇺🇭🇺

    Raimundo Ribeiro
    Apaixonado por futebol e, naturalmente Tricolor

    Aplicação de multas de trânsito por videomonitoramento já está valendo em todo o país

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    A regulamentação do Contran foi publicada no Diário Oficial no final de março. Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito, o objetivo é tornar o arcabouço legal mais racional e menos burocrático para a sociedade

    Desde o dia 1º de abril, as multas de infrações flagradas por câmeras de monitoramento podem ser enviadas ao motorista. Isso porque uma decisão do Conselho Nacional de Trânsito publicada no Diário Oficial da União no dia 28 de março regularizou a matéria.

    Segundo o texto, a autoridade ou o agente de trânsito que estiver fiscalizando o trânsito por meio de sistemas de videomonitoramento “poderão autuar condutores e veículos, cujas infrações por descumprimento das normas gerais de circulação e conduta tenham sido detectadas “online” por esses sistemas.”

    Por meio de nota, a Secretaria Nacional de Trânsito afirmou que as resoluções 471, de 18 de dezembro de 2013; e 532, de 17 de junho de 2015, foram revogadas e consolidadas na Resolução 909, de 28 de março de 2022. Não houve qualquer alteração de conteúdo, apenas a elaboração de um único texto para regulamentar o artigo 280 do Código de Trânsito Brasileiro.  “O objetivo é tornar o arcabouço legal mais racional e menos burocrático para toda a sociedade”, completou.

    O auto de infração deverá informar o campo de “observação” a forma com que foi constatado a irregularidade, ou seja, por meio de vídeo.

    De acordo com o diretor científico da Associação Brasileira de Medicina da Tráfico de Minas Gerais, Alysson Coimbra, não há uma definição do tipo de transgressão que poderá ser autuada pelos agentes. Toda e qualquer desobediência, como dirigir usando o celular ou com uma mão para fora do volante, dirigir falando no celular, que seja que seja flagrada e que tenha ocorrido em uma via sinalizada pode gerar multa.

    “Tudo isso depende da resolução da câmera utilizada  para isso, pois a imagem que vai ser enviada junto com a notificação, tem que ter uma uma boa resolução, que é o que ainda algumas centrais nas cidades não têm, visto que as câmeras são simplesmente genéricas, sem a capacidade de aproximação e de zoom para que essas infrações que exigem uma melhor resolução sejam aplicadas”, explica Coimbra

    Outro ponto importante é que a nova regra só poderá ser aplicada em vias que estejam sinalizadas sobre o uso de videomonitoramento, ou seja, o motorista precisa saber que está sendo monitorado, assim como acontece com radares e câmeras que registram o avanço do semáforo.

    Esse monitoramento, que já existe em muitas ruas, avenidas e rodovias brasileiras, é feito por agentes de trânsito municipais, pelo DER, Polícia Rodoviária e Polícia Militar. “Não é qualquer pessoa que pode aplicar uma multa. Essa fiscalização por videomonitoramento será feita por agentes qualificados e autorizados por legislação para isso e eles têm que especificar na autuação a forma com que a multa foi aplicada, lembrando que só valerão autuações aplicadas em tempo real da sua ocorrência”, explica Alysson Coimbra.

     

    Radares x Câmera de monitoramentos

    Em Minas Gerais, por exemplo, os 465 radares fixos em operação nas rodovias que cortam o estado atuam na verificação do respeito aos limites de velocidade estipulados naquele ponto e com o propósito de dar segurança no trânsito, explica o DER estadual. Já o sistema de videomonitoramento, vai além da segurança imposta pelo limite de velocidade, abrange as normas e condutas exigidas no trânsito, em que não seja obrigatório a abordagem dos condutores.

    No videomonitoramento, a autoridade de trânsito ou o agente da autoridade de trânsito, podem exercer a fiscalização de forma remota, online, por meio de sistemas de videomonitoramento, em relação às normas gerais de circulação e condutas conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

    Atualmente, o DER/MG elabora estudos com o objetivo de realizar, num futuro próximo, a contratação, por meio de processo licitatório, de empresas especializadas, para implantação e manutenção de câmeras e de um sistema de videomonitoramento.

    Outro exemplo de videomonitoramento ocorre no Distrito Federal. O DER-DF conta com 61 câmeras instaladas em pontos estratégicos de rodovias que ajudam na fiscalização, mas também na agilidade para socorrer vítimas de acidentes. As imagens são captadas 24 horas por dia e registradas em 10 monitores de TV, observados por sete agentes de trânsito rodoviários. Os profissionais se intercalam no trabalho de monitoramento entre as 6h e às 21h diariamente, inclusive aos finais de semana e feriados.

    Questão Legal

    O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que autorizou a aplicação de multas de trânsito pelas câmeras de monitoramento. Segundo o MPF, o objetivo é garantir o direito à intimidade e privacidade do motorista e passageiros e “coibir violação ao princípio da legalidade e a ocorrência de cerceamento de defesa”. A matéria está sendo analisada pelo desembargador federal Leonardo Carvalho

    Os recursos são frutos de duas ações públicas ajuizadas no Ceará e Minas Gerais. Segundo os processos, o direito à defesa dos condutores de Fortaleza (CE) e Uberlândia fica comprometido porque as câmeras não gravam as imagens das infrações, o que dificultaria o motorista a recorrer de uma possível multa. Os recursos foram apresentados em  deste ano e, na época, esse tipo de autuações não tinham qualquer tipo de regulamentação por parte do CONTRAN.

    Porém, em fevereiro deste ano, a Advocacia-Geral da União (AGU) reverteu, no mesmo tribunal, a sentença que havia declarado a inconstitucionalidade da Resolução nº 532/2015 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Segundo a AGU, ressaltou que o videomonitoramento ocorre em tempo real e, por isso, não existe nenhum tipo de gravação que poderia afetar a privacidade do motorista. Além disso, explicou que essa fiscalização só poderá acontecer em vias sinalizadas, assim como garante a regularização.

    “Acreditamos que o direito à intimidade e à vida privada não são absolutos e irrestritos. Eles devem se compatibilizar com o restante da Constituição, que prevê, como direito e dever do Estado e dos órgãos e entidades que compõem o Sistema Nacional de Trânsito, a preservação da ordem pública, em que está incluída a segurança no trânsito, das pessoas e do patrimônio. Ou seja, a partir do momento em que se conferem mais meios de fiscalização, para aumentar a segurança de todos, isso tem que se sobrepor, num juízo de ponderação, ao direito à intimidade das pessoas”, explica o coordenador regional de Serviço Público da Procuradoria-Regional da União da 5ª Região (PRU-5), o advogado da União Hugo Menezes Peixoto

    Fonte: Brasil 61

    Em um ano, GDF entregou 132 mil medicamentos em casa de pacientes

    Em janeiro de 2021 foram efetuadas 8.162 entregas e no mesmo período deste ano o número aumentou para 10.575. O crescimento se dá pela maior adesão dos pacientes, além do aprimoramento do serviço | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

    Programa beneficia os que utilizam a rede pública de saúde, levando remédios em domicílio gratuitamente

    O programa Entregas de Medicamentos em Casa, da Secretaria de Saúde (SES), completa dois anos comemorando o bom resultado. Só no ano passado foram 132 mil remessas de remédios enviadas às residências dos pacientes.

    “O programa começou temporariamente devido à covid-19, mas foi visto que o benefício era grande para os pacientes. A cada mês tem um aumento gradual dos atendimentos”, explica a diretora de Assistência Farmacêutica substituta da SES, Ada Amália Urdapilleta.

    De acordo com os dados da pasta, em janeiro de 2021 foram efetuadas 8.162 entregas, enquanto no mesmo período neste ano, o número aumentou para 10.575. O crescimento se dá pela maior adesão dos pacientes, além do aprimoramento do serviço.

    Desde o início das entregas, as filas nas três unidades das Farmácias de Alto Custo na Asa Sul (Estação do Metrô da 102 Sul), no Gama (Praça 1 do Setor Leste) e em Ceilândia (Praça do Cidadão) foram reduzidas. “Temos mais de 30 mil pacientes cadastrados, apesar de nem todos eles aderirem ao programa, porque alguns gostam de ir fisicamente, já percebemos o efeito das entregas com a redução das filas. O atendimento tem sido mais rápido”, avalia Ada.

    “Estamos felizes em participar de um projeto de tamanha importância para a gente da nossa cidade”Paulo Henrique Costa, presidente do BRB

    O operador de telemarketing Vitor Rodrigues, 20 anos, é um dos beneficiários do programa. Há seis meses, o morador de Vicente Pires recebe em casa a insulina glargina para o tratamento de diabetes.

    Rodrigues prefere receber o medicamento a ter que se deslocar até uma unidade da farmácia de alto custo. “Gosto da comodidade de receber o medicamento em casa”, define. Além disso, ele elogia a praticidade do cadastro. “Foi rápido. Primeiramente me informei dos documentos necessários, a partir disso levei lá e em cerca de 10 dias já estava aprovado”, lembra.

    Cadastro

    A parte de agendamento, dispensação, embalagem e entrega dos medicamentos é conduzida pelo BRB Serviços. “A parceria do BRB com o GDF para a entrega de medicamentos de alto custo tem como objetivo a prestação de um serviço de qualidade para a população do Distrito Federal, garantindo conforto e proporcionando cuidado a quem precisa. Estamos felizes em participar de um projeto de tamanha importância para a gente da nossa cidade”, afirma o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

    O serviço costuma ser oferecido aos usuários. Quem ainda não é atendido pode pedir a inclusão no programa pelo telefone (61) 3029-8080. Estão habilitados a participar os pacientes cadastrados em uma das três farmácias de alto custo do DF.

    As farmácias de alto custo atendem uma linha de cuidado definida pelo Ministério da Saúde, com 113 protocolos e 264 tipos de medicamentos que tratam doenças crônicas e raras. Os tratamentos mais comuns são de lúpus, doença renal, esquizofrenia e artrite reumatoide.

    Mesmo com as entregas, o atendimento físico continua funcionando de segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábado das 7h às 12h. A Secretaria de Saúde trabalha para abrir mais uma unidade da farmácia de alto custo, em Sobradinho.

    Tentativa de latrocínio: Polícia Civil prende suspeitos de esfaquear jornalista em Brasília

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    Gabriel Luiz, de 29 anos, levou dez golpes de faca na noite de quinta-feira (14) por dois jovens, de 17 e 19 anos

    A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, na noite desta sexta-feira (15), os dois suspeitos de esfaquear o jornalista Gabriel Luiz, da TV Globo, em Brasília. Um dos autores da tentativa de latrocínio tem 19 anos, não teve o nome revelado até o momento e confessou o crime em depoimento.

    Mais cedo, investigadores da 3ª Delegacia de Polícia, no Cruzeiro, que apura o caso, apreenderam um adolescente de 17 anos que também confessou participação no crime. O jovem contou que segurou o repórter para o comparsa esfaqueá-lo.

    Gabriel Luiz, de 29 anos, foi esfaqueado na noite de quinta-feira (14), pouco depois das 23h, perto de sua casa no Sudoeste, um bairro da capital federal. Após passar por cirurgias, no Hospital de Base do DF, o jovem foi transferido para um hospital particular, onde segue internado em situação estável. Segundo as investigações, ele recebeu cerca de 10 golpes da faca, que atingiram regiões do abdômen, braços e pescoço.

    Motivação

    Em coletiva de imprensa, na noite desta sexta, os delegados responsáveis pelo caso disseram que a motivação do crime foi patrimonial, corroborada nos depoimentos dos envolvidos e nas provas colhidas.

    “Segundo eles relataram, em depoimento, um dos indivíduos deu um mata leão na vítima, enquanto o outro desferiu diversas facadas. Enquanto um estava dando as facadas, o outro conseguiu subtrair a carteira e o celular. E ambos disseram que efetivamente nem conheciam a vítima, foi uma vítima escolhida a esmo”, descreveu Douglas Fernandes, delegado-chefe adjunto da 3º Delegacia de Polícia.

    O delegado Peter Raquetat, responsável pelas principais diligências na região onde ocorreu o crime, acrescentou que os dois suspeitos levaram dinheiro que estava com a vítima. “Houve a subtração da carteira, que havia valores em reais, muito provavelmente R$ 250, descartando-se, com isso, as outras linhas de investigação que também apareceram ao longo do dia”.

    Além da carteira, os envolvidos na tentativa de latrocínio também levaram o celular da vítima. A carteira foi dispensada com documentos e cartões, e o celular também foi localizado nas proximidades do apartamento onde um dos autores do crime estava hospedado. O local seria a casa de um amigo.

    Ainda segundo os investigadores, os dois suspeitos disseram, em depoimento, que fizeram uso de drogas antes do crime para justificar a brutalidade do ataque. “Eles falam que estavam sob efeito de drogas e, por essa razão, realizaram esse ato brutal aqui na nossa região”, disse Fernandes.

    O jovem maior de idade preso não tem passagem pela polícia. Após a prisão em flagrante, ele deverá ser encaminhado para uma audiência de custódia com um juiz, que decidirá se converte ou não a prisão em preventiva. O adolescente apreendido terá o caso investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente.

    A Polícia Civil ainda espera colher o depoimento de Gabriel Luiz, quando ele tiver condições de saúde. O caso está sendo investigado como tentativa de latrocínio.

    Via Sacra de Planaltina leva 100 mil pessoas ao Morro da Capelinha

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    Vice-governador Paco Britto prestigia evento religioso que não era realizado há dois anos, devido à pandemia. Dom Paulo César, arcebispo de Brasília, visita o local pela primeira vez

    O espetáculo da fé voltou a acontecer em Planaltina e emocionou fiéis que lotaram o Morro da Capelinha e não arredaram o pé nem com a forte chuva que caiu no fim da tarde desta Sexta-feira (15) da Paixão. Após dois anos sem a realização da Via Sacra de Planaltina por conta da pandemia, a tradicional festa religiosa mobilizou cristãos de várias partes do DF. A novidade desta edição foi a celebração da cruz presidida pelo arcebispo de Brasília Dom Paulo César – presente ao local pela primeira vez -, assistida também pelas autoridades que prestigiaram o evento, entre elas, o vice-governador Paco Britto.

    Por volta das 16h, o público era de 20 mil pessoas, segundo informou o comandante Nava, da Polícia Militar. Segundo o militar, até o fim do dia, o total se aproximava de 100 mil pessoas. Os fiéis foram chegando aos poucos, devido à chuva que caiu no local, no início da tarde.

    “O pessoal estava com muitas saudades deste evento histórico em Planaltina e é justamente este o nosso tema de 2022. Poder compartilhar essa troca juntos é gratificante”Rafael da Silva Costa, padre da Paróquia São Sebastião

    A dramatização da morte e ressurreição de Jesus Cristo teve, neste ano, fomento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) de, aproximadamente, R$ 700 mil, assinado com o Grupo Via Sacra. O evento – realizado desde 1973 – completa 49 anos neste ano e teve transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da organização @viasacraoficial.

    Ao chegar ao local por volta das 15 horas, acompanhado de sua esposa Ana Paula Hoff, o vice-governador, Paco Britto, cumprimentou os fiéis, ratificando a importância do evento como um momento de exaltação à fé e a oportunidade de renovação da esperança do povo do Distrito Federal, especialmente, da região de Planaltina.

    Dom Paulo César, que tomou posse como arcebispo de Brasília em dezembro de 2020, também falou da alegria do momento. “É a primeira vez que venho aqui. Estou muito feliz em participar deste evento bonito, do qual eu tinha ouvido falar, e com a fé do nosso povo, revivendo esse momento de celebração da morte de Jesus”, disse, referindo-se à ação litúrgica.

    Rafael da Silva Costa, padre da Paróquia São Sebastião, responsável pela missa realizada na Sexta-feira da Paixão no Morro da Capelinha, comemora a retomada da encenação, após dois anos de interrupção. “O pessoal estava com muitas saudades deste evento histórico em Planaltina e é justamente este o nosso tema de 2022. Poder compartilhar essa troca juntos é gratificante”, arrematou.

    Para o administrador de Planaltina, Antônio Célio Rodrigues Pimentel, o momento é muito especial, com o retorno do contato humano. “É um momento que se trabalha a espiritualidade mais uma vez, pois reflete nossos pensamentos. Somos mais participativos. Planaltina tem uma veia cultural, histórica e turística muito forte”, considerou, lembrando das festas tradicionais locais, como a Folia de Reis – que celebra a herança cultural de caráter religioso e festivo, com ritos, cânticos e melodias, e que abriu a corrente de eventos. “De manhã, desde às 5h30, as pessoas vieram aqui para pagar suas promessas, subindo o morro de joelhos ou descalças”, frisou.

    A dramatização da morte e ressurreição de Jesus Cristo teve, neste ano, fomento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) de, aproximadamente, R$ 700 mil, assinado com o Grupo Via Sacra| Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

    “Sempre que participei, não foi pelo espetáculo em si, e sim pelo sentimento que a Via Sacra me passa como cristão”Herbert Souza, 28, que frequenta a Via Sacra há mais de 15 anos

    Com um terço pendurado ao corpo e uma camisa exaltando o céu, a auxiliar de nutricionista, Kátia Seleno Alves Ribeiro, 39 anos, estava animada por participar pela primeira vez do evento. Deslocou-se de Taguatinga até Planaltina para isso e não se arrependeu. “É a primeira vez que venho, sempre tive vontade de ver, mas ia adiando ano a ano”, conta. “Depois da pandemia decidi que era hora de vir, até como uma forma de agradecer pelas graças conquistadas diante desse grande problema enfrentado pela humanidade”, comenta.

    Morador de Planaltina, todos os anos o vigilante Silvano Oliveira Lemos assiste à Via Sacra que se tornou num dos maiores encontros religiosos do DF. Só não foi nos últimos dois anos por conta do confinamento imposto e interrupção do evento. Este ano fez questão de ir com a família toda. “Valeu a pena, é hora de agradecer e louvar a Deus e não há lugar melhor para isso do que aqui no Morro da Capelinha”, admite. “Estávamos ansiosos pelo retorno do evento, a Via Sacra já faz parte de nossas vidas”, agradece.

    Palco de gerações sucessoras, a Via Sacra de Planaltina também coleciona momentos que se repetem a cada nova geração familiar. Hebert Souza, 28, conta que frequenta a Via Sacra há mais de 15 anos e se sente membro do grupo. “Minha família sempre fez parte do grupo e eu nunca deixei de vir. Sempre que participei, não foi pelo espetáculo em si, e sim pelo sentimento que a Via Sacra me passa como cristão”, completou.

    No mês do trabalhador, GDF lança programa para amparar desempregados

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    Cesta do Trabalhador vai distribuir 100 mil cestas básicas a profissionais sem ocupação que se cadastrarem nas agências do trabalhador; investimento inicial no programa é de R$ 15 milhões

    O Governo do Distrito Federal (GDF) se prepara para lançar o programa Cesta do Trabalhador, que vai fornecer uma cesta básica pelo período de até três meses aos profissionais que se encontram sem ocupação há mais de seis meses e buscam recolocação no mercado de trabalho. A iniciativa começa a partir de maio, justamente no mês dedicado aos trabalhadores.

    O Cesta do Trabalhador é mais um programa do GDF no âmbito da assistência social, que chega para se somar a outras iniciativas como os cartões Prato Cheio, Material Escolar, Creche e Gás, programa DF Social, entre outros | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

    Coordenado pela Secretaria de Trabalho, o Cesta do Trabalhador vai distribuir 100 mil cestas básicas aos cadastrados no programa. Os insumos serão levados diretamente no endereço cadastrado pelo participante, que precisará fazer sua inscrição por meio de aplicativo a ser lançado pela pasta.

    “Muitos chefes de famílias sofrem com a fome porque ainda não se encaixaram no mercado de trabalho e a função do Estado nesse momento é amparar. Por isso, vamos dar mais essa ajuda para que as pessoas tenham condições de buscar mudanças e viver com dignidade”Governador Ibaneis Rocha

    Cada participante poderá receber, no máximo, três cestas básicas, seja por meses consecutivos ou intercaladas, no período de um ano. Apenas um membro por família poderá participar do programa e é necessário que a pessoa esteja desempregada há mais de seis meses, cadastrada no CadÚnico, e não faça parte de nenhum programa de assistência social.

    “Muitos chefes de famílias sofrem com a fome porque ainda não se encaixaram no mercado de trabalho e a função do Estado nesse momento é amparar. Por isso, vamos dar mais essa ajuda para que as pessoas tenham condições de buscar mudanças e viver com dignidade”, assegura o governador Ibaneis Rocha. A Cesta do Trabalhador é fruto do PL nº 2.445/2021, aprovado no fim do ano pela Câmara Legislativa e agora regulamentado.

    A Secretaria de Trabalho espera distribuir 10 mil cestas por mês. O investimento no programa, até o momento, é de R$ 15 milhões, valor que poderá ser ampliado por meio de emendas parlamentares e orçamento do governo.

    “A pessoa interessada deve se cadastrar por meio de aplicativo e também cadastrar o seu currículo junto à agência do trabalhador. Por até três meses ela pode receber a cesta em casa. Mas, se receber uma oferta de emprego, deixa de receber a cesta. A entrega será feita em até 72 horas pela Secretaria de Trabalho”, acrescenta o secretário de Trabalho, Thales Mendes.

    O Cesta do Trabalhador é mais um programa do GDF no âmbito da assistência social, que chega para se somar a outras iniciativas como os cartões Prato Cheio, Material Escolar, Creche e Gás, programa DF Social, entre outros.

     

    Brasilianês, um ‘idioma’ de múltiplas influências

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    “Temos por aqui um sotaque semelhante ao de um apresentador de telejornal nacional, neutralizado, com elementos e influências de vários estados brasileiros”, resume a pesquisadora Carolina Queiroz, do Departamento de Linguística da UnB| Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

    Linguistas analisam o sotaque de quem nasceu e foi criado na capital do país e, com o passar do tempo, desenvolveu um jeito próprio de falar, mas repleto de referências

    É bem provável que um jeito mais cantadinho de falar, “comendo” as últimas sílabas de palavras no diminutivo e acrescentando um “nó, “nuh” ou “trem”, tenha origem fácil de ser identificada. Ou que um chiado provocado pelo x no lugar do s, acompanhado de um “mermão”, remeta diretamente a outro lugar do Brasil. Mas, e se você quiser saber qual é o jeito de falar de quem nasceu na capital do país?

    Segundo estudos da linguista Carolina Queiroz, as duas primeiras gerações de brasilienses desenvolveram peculiaridades no sotaque até então neutro

    Quando Brasília foi fundada, pessoas de todos os cantos do país atenderam ao chamado do presidente Juscelino Kubitschek e vieram de mala e cuia para cá. Trouxeram consigo identidades regionais e linguísticas – o que inclui o jeito de falar. Formações dialetais, de tão distintas, foram, com o passar do tempo, se neutralizando – e assim foi nascendo o sotaque brasiliense.

    No documentário Fala Brasília, de 1966, o cineasta Nélson Pereira dos Santos aborda, em 12 minutos, a futura geração de habitantes da nova capital, formada por uma população com modos peculiares de falar, resultantes da mistura de diferentes modismos.

    Peculiaridades

    A pesquisadora e professora da pós-graduação do Departamento de Linguística da UnB Carolina Queiroz explica que todo grande contingente migratório causa isso. Autora de uma dissertação de mestrado e de uma tese de doutorado sobre o sotaque brasiliense, ela constatou que a primeira e a segunda gerações de nascidos na cidade deram prosseguimento a esse sotaque neutro, mas com algumas peculiaridades.

    “Temos por aqui um sotaque semelhante ao de um apresentador de telejornal nacional, neutralizado, com elementos e influências de vários estados brasileiros”, resume a pesquisadora. Minas Gerais é o estado com maior contingente de migrantes. E os estados nordestinos, juntos, fazem do Nordeste a maior região de forasteiros. Não é à toa a influência.

    O modo típico de falar de Minas e dos estados do Nordeste predominam na composição da fala brasiliense

    Por aqui, você já virou . Mas quem domina mesmo é o tu – com ligeira diferença da concordância dos usados nos estados do Sul ou do Nordeste. Os brasilienses também falam sibilando – como os mineiros de Belo Horizonte, com o s prolongado, mas, diferentemente deles, produzindo ditongos em uma das sílabas. Para exemplificar, os de lá falam “dezsss” e os daqui, “déizsss”.

    Stella Maris Bortoni é professora titular aposentada de Linguística da UnB e tem uma bagagem extensa de estudos sobre o tema. Para ela, o modo de falar dos jovens de Brasília não preserva marcas identificáveis de outros grupos, o que não quer dizer que seja neutro. “Aqui o sotaque é cada vez mais marcado pela curva melódica das palavras, mas não pelos traços típicos de falares regionais”, observa.

    E é em Brasília que a mesma pessoa tem no seu vocabulário o uso de expressões como uai e ôxe – que, respectivamente originárias de Minas e de estados do Nordeste, são expressões de espanto. Sem falar na abreviatura de cachoeira para “cachu” e de tomar banho por “banhar”.

    Uai, ôxe, cachu

    Mas é em Brasília que a mesma pessoa tem no vocabulário o uso de expressões como uai e ôxe – que, respectivamente originárias de Minas e de estados do Nordeste, são expressões de espanto. Sem falar na abreviatura de cachoeira para “cachu” e de tomar banho por “banhar”. E do bom e famoso “véi”, que deixou de ser uma gíria e passou a ser uma palavra com múltiplas funções no dialeto do brasiliense.

    “Muitos traços de variedades linguísticas localizadas nessa região do país podem ter origem histórica, [revelando] o modo como as terras do Centro-Oeste foram colonizadas, o perfil sociolinguístico das populações que vieram para cá e o tipo de contato que se estabeleceu ou que deixou de se estabelecer entre essas populações”, reforçou o doutor em linguística Marcus Lunguinho durante o II Congresso Internacional de Estudos Linguísticos da UnB de 2016.

    Universal desde sua fundação, a capital federal acaba sendo uma espécie de escola onde todos os sotaques, enfim, se misturam, produzindo, ao longo do tempo, a marca própria a diferenciá-la dos demais estados.