Mercado financeiro registra forte turbulência após resultado das eleições presidenciais, com quedas superiores a 30% em instituições financeiras e interrupção temporária das negociações na B3
Da Redação
O mercado financeiro brasileiro enfrenta uma segunda-feira (26/10) de forte instabilidade após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As ações de grandes instituições financeiras registraram quedas expressivas, enquanto o dólar apresentou forte valorização diante do real.
Entre os principais destaques negativos estão XP, BTG Pactual e Banco do Brasil, que chegaram a apresentar desvalorizações superiores a 30% durante a manhã.
A intensidade das vendas levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker, interrompendo temporariamente as negociações após o Ibovespa registrar queda superior a 16% na abertura do pregão.
O movimento ocorre no primeiro dia de negociações após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10).
XP cai mais de 47% e BTG perde quase 40%
De acordo com os números informados para o fim da manhã desta segunda-feira, a XP liderava as perdas entre as instituições financeiras analisadas, com desvalorização de 47,41%.
O BTG Pactual aparecia em seguida, com queda de 37,36%, enquanto o Banco do Brasil registrava recuo de 31,35%.
Outros grandes bancos também apresentavam desempenho negativo, embora com perdas menores.
Confira os percentuais informados:
| Instituição financeira | Variação |
|---|---|
| XP | -47,41% |
| BTG Pactual | -37,36% |
| Banco do Brasil | -31,35% |
| Bradesco | -24,55% |
| Itaú Unibanco | -15,63% |
| Santander Brasil | -4,50% |
<text color=”secondary” size=”xs”>Variações informadas para a manhã de 26 de outubro de 2026. Os percentuais são intradiários e podem mudar durante o pregão.</text>
Os números mostram que a pressão vendedora atingiu diferentes instituições do setor financeiro, com maior intensidade nos ativos mais expostos ao mercado brasileiro.
Ibovespa cai mais de 16% e B3 interrompe negociações
A forte desvalorização das ações levou a bolsa brasileira a acionar o circuit breaker, mecanismo utilizado para interromper temporariamente as negociações em situações de oscilação extrema.
Segundo as informações divulgadas, o pregão foi suspenso às 9h57, por um período de 30 minutos, com retomada prevista para aproximadamente 10h27.
O acionamento ocorreu depois que o Ibovespa apresentou queda superior a 16% na abertura.
Mesmo após a retomada das operações, o mercado continuou registrando forte pressão de venda, especialmente entre as ações de instituições financeiras.
A última utilização do mecanismo havia ocorrido em março de 2020, durante a turbulência provocada pelo início da pandemia de Covid-19.
Na sexta-feira (23/10), último pregão antes do segundo turno, o Ibovespa havia encerrado as negociações aos 205.082,56 pontos, com valorização de 0,47%.
A mudança de comportamento entre o fechamento de sexta-feira e a abertura desta segunda evidencia a intensidade da reação dos investidores ao resultado eleitoral.
Dólar sobe em meio à instabilidade
Além das perdas na bolsa, o dólar apresentou forte valorização diante do real nesta segunda-feira.
O movimento ocorre em um ambiente de aumento da cautela dos investidores e revisão das expectativas para os ativos brasileiros.
A alta da moeda norte-americana acompanha a pressão observada no mercado acionário, embora o material divulgado não informe a cotação exata do dólar nem o percentual de valorização registrado no período.
Por isso, ainda não é possível quantificar, com base nos dados apresentados, a dimensão da alta cambial.
Investidores reavaliam cenário econômico após eleições
A turbulência no mercado ocorre após a confirmação da vitória de Lula, que permanecerá na Presidência da República por mais quatro anos.
Entre as preocupações atribuídas aos investidores estão as perspectivas para a política fiscal, a trajetória das taxas de juros e a percepção de risco dos ativos brasileiros.
A expectativa de juros elevados por um período prolongado pode afetar as avaliações de empresas e instituições financeiras.
Da mesma forma, incertezas sobre a condução das contas públicas podem aumentar a cautela dos participantes do mercado.
Esses fatores ajudam a contextualizar a reação observada, mas não permitem atribuir todas as oscilações exclusivamente ao resultado eleitoral.
Vitória de Lula surpreendeu parte do mercado
Lula foi reeleito no domingo (25/10), após derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
O senador havia terminado o primeiro turno à frente na disputa presidencial, mas foi superado na votação decisiva.
O resultado provocou uma revisão das expectativas de parte dos investidores para os próximos quatro anos.
A reação desta segunda-feira também ocorre após o JP Morgan reduzir sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros, passando de overweight para marketweight.
A instituição financeira classificou o resultado eleitoral como inesperado e antecipou uma reavaliação significativa dos ativos nacionais.
Mercado permanece atento aos próximos movimentos
As fortes oscilações registradas nesta segunda-feira colocam o mercado financeiro brasileiro sob atenção de investidores e analistas.
O desempenho das ações bancárias, a trajetória do dólar e o comportamento dos títulos públicos deverão continuar sendo acompanhados ao longo das próximas sessões.
Como os percentuais apresentados correspondem a um momento específico da manhã, as perdas poderão aumentar ou diminuir até o encerramento do pregão.
A evolução dos preços dependerá das negociações e da avaliação dos investidores sobre as perspectivas econômicas do país após a eleição presidencial.






