Por Ricardo Callado
O Distrito Federal vive um vácuo na política. Não temos lideranças que consigam reunir um grupo político em torno de si. Todos estão dispersos. Cada deputado ou senador com mandato é uma ilha. E sem formar um arquipélago.
Ex-governadores estão impedidos de participar da vida política, seja por problemas na justiça, de saúde ou pela falta popularidade. Ou porque simplesmente não gosta da política em grupo.
Muitos são os postulantes a ocupar o cargo de líder. Mas falta capital político a eles. E, com isso, não conseguem atrair para si legitimidade suficiente para liderar um grupo ou um projeto político.
Capital político é uma espécie de crédito social. A eficácia desse capital simbólico liga-se ao reconhecimento que ele recebe. Para dar um exemplo, o capital que permite a um professor falar como “autoridade” sobre seu assunto está assentado no reconhecimento (pela sociedade e por seus pares) de que ele é, de fato, uma “autoridade”.
A chance foi dada ao governador Rodrigo Rollemberg. O primeiro ano foi desperdiçado politicamente. O governo renegou a política. A deixou em segundo plano por opção. É preciso correr atrás do tempo perdido.
Critica-se muito Rollemberg por nunca ter construído um grupo político em torno de si. Sempre foi absoluto no PSB. E nenhuma outra força política conseguiu espaço no partido. O PSB sempre foi o partido de um homem só. Mas no governo, a perspectiva é outra.
Se Rollemberg repetir o mesmo método de condução do partido no governo, vai promover o efeito inverso. Se no PSB ninguém conseguia espaço, no governo o isolamento e o centralismo irão fortalecer a formação de grupos contrários.
Ao invés de Rollemberg preencher o vácuo e se tornar uma liderança política, acabará incentivando a formação de grupos. E cada grupo tem, necessariamente, um líder.
Entre os nomes que surgem em busca de um capital político estão o da presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT), do líder da Rede na Câmara, Chico Leite, do deputado federal e líder do PSD na Câmara dos Deputados, Rogério Rosso, e dos deputados federais Izalci Lucas (PSDB) e Alberto Fraga (DEM). O PT e o PMDB ainda não conseguiram construir um nome. O desgaste de Agnelo e do governo federal ainda está colado neles.
Todos esses nomes devem se posicionar com uma possível candidatura ao Senado, para não assustar antecipadamente Rollemberg. Mas sonham mesmo com o cargo de governador. E dependendo do cenário de 2018, podemos ter a eleição com competitiva no DF.
Claro que tudo está muito distante. Rollemberg tem chance de se recuperar. E transformar o seu governo. Tem a máquina na mão e pode colher resultados até lá, planejamento uma agenda positiva de realizações.
É preciso que Rollemberg também forme em torno de si um grupo político que lhe dê sustentação. Não de forma envergonhada como é feita hoje. Os políticos têm receio de se aproximar do governador e serem chamados de oportunistas por auxiliares do governo.
E se a avaliação do Buriti continuar em tendência de baixa, o receio dará lugar a sobrevivência política. E o caminho contrário será feito. O governador terá que aproveitar as oportunidades para buscar apoio político. E consolidar sua candidatura à reeleição.
Enquanto isso, Celina, Chico Leite, Rosso, Izalci e Fraga estarão trabalhando para ser cacifar politicamente. E tornar viável suas candidaturas ao Senado. E porque não ao Palácio do Buriti!







