Brasília sempre foi decantada como a cidade planejada. Sonho de Dom Bosco, ousadia de JK e obstinação de milhares de brasileiros.
Já sofreu com o populismo que lhe tirou, em nome do fim das favelas, a sua característica mais importante: o planejamento.
Nos governos de esquerda sofre agora com um novo tipo de populismo, o vale tudo da irregularidade. Basta ter um pouquinho de apelo popular para que o governante se curve. Foi assim com o UBER, irregular, mas funcionando a todo vapor, com a venda de quentinhas que esvaziou o comércio de alimentos regular, se mostra incapaz frente às invasões de áreas públicas, cujo combate chega sempre depois de consumada a invasão, gerando desgastes e impedindo a discussão racional do problema.
A última agora é o incentivo aos camelôs na área tombada e nos centros das demais cidades. Se vivemos uma crise, nada como a falta de visão para piorá-la.
Com isto 2015 está se transformando num ano perdido. O comércio tão sofrido da nossa capital, recebe mais um baque do liberou geral. É a irregularidade vencendo quem paga tão caro pAra respeitar as leis.
As ações são de fachada e as entidades de classe do setor produtivo assistem indignadas esta falta de compromisso com quem paga seus impostos e taxas.
Todos numa só voz bradam o inconformismo de uma decisão tão desastrada. Assim a cada dia que passa o comércio informal vem ocupando ruas, calçadas, vielas, praças e as cidades de uma forma geral.
Ninguém faz nada, e quando faz não faltam as vozes ocultas para soprar um possível desgaste no ouvido do governador.
Dos cds e produtos piratas, passando por alimentos e brinquedos, tudo se comercializa à margem da lei. Tipo faroeste caboclo.
Nunca na história de nossa cidade se assistiu a tanta passividade, beirando a conivência. Sem condições de enfrentar os problemas que já existiam jogaram a fiscalização pAra se desgastar com o que estava bem cuidado e sem problemas, como a Orla do Lago Paranoá. Hoje sinônimo de abandono, sujeira e mato alto.
Com isto assistimos incrédulos o vale tudo no coração do Brasil, que aumenta o desemprego, desalenta comerciantes históricos e reduz a capacidade contributiva para os combalidos cofres do GDF, que ao fim e ao cabo só enxerga no aumento de alíquotas a saída fácil para o problema que cabeças coroadas do poder público criaram para si mesmos.
É só ter a curiosidade de levantar os números junto à Delegacia do Trabalho e verificar em quantitativos a triste realidade do desemprego numa área que sempre foi líder na absorção de mão de obra, ou seja, o comércio regular.
ACDF, Fecomércio e Sindohbar, gritam a plenos pulmões, mas os ouvidos mocos dos dirigentes não conseguem escutar. Propostas são apresentadas e ignoradas, com a maior facilidade. Tipo nem te ligo.
Nem mesmo plano de concessões privilegia o empresariado local. As riquezas turísticas e de lazer da Cidade Parque vão ser entregues aos empresários de fora, sem compromisso com o ontem, com o hoje é muito menos com o amanhã.
Se indignação não for suficiente para retratar o sentimento de quem tanto fez pela cidade, não faltarão verbos para retratar inconformismo de quem deu toda uma vida para se estabelecer e não vale um minuto para ter seu negócio findo, sem que a voz retumbante dos que acreditaram no cumprimento da lei e agora se vêem amordaçados pela invasão inserida do negócio fácil, sem controle e sem cobrança, que só a indignação silenciosa e doída consegue retratar.







