Presidente dos Estados Unidos afirma que decidiu não tomar partido na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas volta a questionar o processo eleitoral brasileiro
Da Redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar as eleições presidenciais brasileiras nesta quinta-feira (29/10) e afirmou que decidiu não apoiar publicamente nenhum dos candidatos após receber uma orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração ocorreu quatro dias depois do segundo turno, no qual Lula foi reeleito ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao conversar com jornalistas, Trump classificou o processo eleitoral brasileiro como uma “vergonha” e afirmou que pretende tratar do assunto diretamente com Lula.
Segundo o presidente norte-americano, a decisão de não interferir na disputa ocorreu após um pedido do próprio chefe do Executivo brasileiro.
“Eu assisti à eleição. Não tomei partido. Deixei como estava. Fui orientado a não tomar partido pelo presidente [Lula], o atual presidente. Mas quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça”, declarou.
Trump também relacionou sua avaliação ao comportamento do mercado financeiro brasileiro após a votação.
“Bem, o mercado diz isso. Quer dizer, o mercado deles despencou. Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, acrescentou.
As declarações ocorreram após jornalistas questionarem o presidente norte-americano sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
No documento, o senador contestou o resultado das eleições, apresentou acusações de fraude e chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Questionado sobre um possível apoio à manifestação do parlamentar, Trump evitou assumir uma posição direta.
“Não quero comentar sobre isso agora, mas achei que a eleição foi um enorme constrangimento para o povo brasileiro”, respondeu.
Presidente americano afirma que conversará com Lula
Trump também informou que pretende conversar com o presidente brasileiro sobre o episódio.
“Vou falar com ele”, afirmou, sem detalhar quando o contato deverá ocorrer.
Até esta quinta-feira, segundo o relato divulgado, o governo norte-americano ainda não havia anunciado formalmente o reconhecimento da vitória de Lula no segundo turno.
As manifestações de Trump ocorrem um dia depois da chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, acompanhado de sua família.
O senador deixou o Brasil após o segundo turno e divulgou uma carta na qual afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do território norte-americano.
O governo dos Estados Unidos havia informado que autorizaria a emissão de vistos para Flávio e seus familiares.
Em entrevista concedida à CNN em setembro, Lula declarou que Trump havia comunicado sua intenção de não interferir nas eleições presidenciais brasileiras.
A manifestação desta quinta-feira retoma esse entendimento, embora o presidente norte-americano tenha voltado a fazer críticas públicas ao processo eleitoral.
As declarações ocorrem em um momento de atenção às relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante da presença de Flávio Bolsonaro em território norte-americano e dos possíveis desdobramentos políticos de sua permanência no país.





