CASO DAVI SEBBA: Após 14 anos, acusados irão a júri popular em Goiás

Mais em

Decisão publicada nesta segunda-feira designou para os dias 3 e 4 de setembro o Tribunal do Júri dos três policiais acusados pelo assassinato do advogado Davi Sebba

A Justiça de Goiás designou os dias 3 e 4 de setembro de 2026 a realização da sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri dos acusados Edinailton Pereira de Souza, Luiz Frederico de Oliveira e Jonathas Atenevir Jordão, no processo que apura o assassinato do advogado Davi Sebba. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (11) no Diário da Justiça eletrônico, no âmbito do processo nº 0299401-86.2012.8.09.0051.

A designação do júri representa, para a família e para todos que acompanham o caso, um passo profundamente aguardado depois de quase 14 anos de dor, luto e espera. Desde o crime, ocorrido em 5 de julho de 2012, a ausência de uma resposta definitiva da Justiça prolonga o sofrimento dos familiares e da vítima de execução.

Ao longo desses anos, o processo foi sucessivamente retardado por uma série de recursos judiciais apresentados pelas defesas dos acusados, em uma estratégia claramente voltada ao adiamento do julgamento. Tais medidas protelatórias foram todas rejeitadas pelas instâncias judiciais, sem impedir, contudo, que o caso se arrastasse por mais de uma década até a efetiva designação do Tribunal do Júri.

A sessão do Tribunal do Júri será realizada presencialmente, com comparecimento obrigatório do Ministério Público, da defesa e dos acusados. O juíz também determinou a intimação das testemunhas para comparecimento no primeiro dia da sessão plenária.

Ao longo dos anos, o caso Davi Sebba passou a simbolizar não apenas a luta de uma família por justiça, mas também a dor de tantas outras vítimas da violência policial no Brasil. O processo se tornou uma referência no debate público sobre a atuação letal de agentes estatais e sobre a persistência da impunidade em casos que devastam famílias e desafiam a confiança da sociedade nas instituições.

A morte de Davi também remete a uma realidade mais ampla e profundamente preocupante, marcada pela escalada da violência policial em diferentes estados brasileiros, especialmente em Goiás, onde as polícias têm tido o apoio público do Governo Estadual para ações de abuso de autoridade. Extorsão, tortura, desaparecimentos forçados e mortes seguem atingindo vítimas, impondo às instituições o dever de apurar com rigor, responsabilizar os autores e afirmar, sem ambiguidades, que a vida e a dignidade humana não podem ser relativizadas.

Relembre o caso

Davi Sebba foi executado poucos minutos antes do nascimento de seu primeiro filho, Gabriel Davi. Esse dado mantém viva a dimensão humana e irreparável dessa perda, lembrando que por trás do processo judicial há uma história interrompida de forma brutal e uma família que atravessa quase 14 anos sem encerrar o luto.

“Depois de quase 14 anos de espera, a definição da data do júri representa um passo fundamental para que haja justiça pelo assassinato de Davi. Nossa família e amigos do Davi esperam que a sociedade goiana possa, finalmente, conhecer em plenitude os fatos e que os responsáveis sejam julgados com a seriedade que o caso exige. A morte de Davi não destruiu apenas um projeto de vida; ela deixou uma ausência permanente em nossa família e também se tornou símbolo de uma violência policial que segue fazendo vítimas de forma injustificada e desumana”, afirma Pedro Ivo Sebba Ramalho, irmão da vítima.

A realização do Tribunal do Júri reacende a esperança de que o processo avance de forma definitiva e de que a memória de Davi Sebba seja honrada por meio da verdade, da responsabilização e da Justiça.

spot_img
spot_img

Últimas Notícias

spot_img