Medida atinge parte das exportações do Brasil e pode gerar prejuízo de até US$ 11 bilhões, segundo estimativas do governo
Da Redação
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7), às 1h01 (horário de Brasília). A medida, determinada pelo presidente Donald Trump, estabelece uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) após investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano alega que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais, especialmente em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento.
O governo brasileiro estima que o tarifaço pode afetar cerca de 18% das exportações do Brasil aos Estados Unidos, com prejuízo estimado entre US$ 7,4 bilhões e US$ 11 bilhões.Produtos isentos e produtos atingidosApesar da sobretaxa, mais de 2,1 mil produtos brasileiros ficaram de fora da medida.
Entre os principais itens isentos estão:
- Carne bovina, café, laranja e suco de laranja;
- Aeronaves civis, semicondutores, celulares e computadores;
- Petróleo, minério de ferro e nióbio;
- Vacinas e insumos farmacêuticos.
Já os produtos que serão atingidos pela tarifa de 25% incluem:
- Etanol de cana-de-açúcar e outros biocombustíveis;
- Aço e alumínio semiacabados;
- Calçados, móveis de madeira e pisos;
- Máquinas agrícolas e equipamentos de mineração.
Reação do governo brasileiro
O governo federal estuda a possibilidade de adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em 2025. No entanto, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) sinalizou que o Brasil não pretende retaliar de forma imediata.
“Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade. A ideia não é retaliação. Olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos”, afirmou Alckmin.
O governo prepara um programa de apoio aos setores mais afetados pela medida.




