Seis meses após queda, GDF lança licitação para reconstruir viaduto que desabou no Eixão

Seis meses após queda, GDF lança licitação para reconstruir viaduto que desabou no Eixão

Por Gabriel Luiz, Marília Marques e Pedro Borges, G1 DF e TV Globo

O governo do Distrito Federal lançou nesta sexta-feira (3) o edital com as regras para a licitação que vai contratar uma empresa ou consórcio para tocar a restauração do viaduto do Eixão Sul que desabou em 6 de fevereiro, na região central de Brasília.

De acordo com o edital, publicado no Diário Oficial, a empresa terá cinco meses para concluir os trabalhos. A previsão de gasto é de R$ 12,86 milhões.

Este valor é menor do que os R$ 15 milhões que o governo tinha estimado quando apresentou o projeto de recuperação. Para fazer a reforma, o GDF decidiu demolir as outras quatro faixas que ficaram de pé. Inicialmente, também, não descartava a possibilidade de fazer uma contratação emergencial, em vez desta licitação.

Trecho do aviso de licitação para reforma do Eixão (Foto: Reprodução)
Trecho do aviso de licitação para reforma do Eixão (Foto: Reprodução)

Na época, duas das seis faixas da estrutura cairam sobre a Galeria dos Estados. Ninguém se feriu, mas quatro carros ficaram soterrados após queda do bloco. Um restaurante também foi danificado.

Impasse sobre demolição

O imbróglio sobre a demolição – ou não – do viaduto começou quando engenheiros da Universidade de Brasília (UnB) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) contradisseram o governo do DF e recomendaram a demolição completa do viaduto.

O laudo da UnB dizia que a degradação da estrutura havia ultrapassado o “dobro do limite crítico”. Na mesma linha, o Crea concluiu que os pilares de sustentação estavam corroídos e comparou a situação do viaduto com uma “casca de ovo”.

O GDF, por outro lado, até então insistia na recuperação da estrutura, sem necessidade de demolição completa. Em março, o governo decidiu acatar a recomendação da universidade e optou por demolir todo o viaduto do Eixão Sul.

O restante do complexo viário também vai passar por reformas. A corrosão das estruturas internas, inclusive, foram apontadas como motivo para o colapso do viaduto. No entanto, em maio deste ano o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) barrou o projeto apresentado pelo governo local para reconstruir a estrutura.

De acordo com o órgão, a proposta do GDF fere o tombamento de Brasília porque altera a arquitetura original. “A Superintendência do Iphan no Distrito Federal, em seu parecer sobre o viaduto da Galeria dos Estados, não aprovou o projeto apresentado pelo DER-DF/Novacap por entender que altera fortemente a arquitetura original e compromete a integridade arquitetônica e urbanística e, por extensão, do conjunto da Plataforma Rodoviária e sistema viário complementar.”

Entenda o caso

Parte do viaduto do Eixão Sul desabou na manhã de 6 de fevereiro, a menos de 1 km da Rodoviária do Plano Piloto. A estrutura cedeu e esmagou quatro carros, além de danificar um restaurante da Galeria dos Estados. Apesar da gravidade do acidente, não houve feridos.

O desabamento alterou o trânsito no Eixão. Às pressas, o DER teve de construir duas pequenas pistas de ligação para desafogar o tráfego na região dos setores Comercial e Bancário Sul.

Uma série de declarações à imprensa, inclusive cobranças por mais orçamento à manutenção dos viadutos, custou o cargo do então diretor do DER, Henrique Luduvice, exonerado no dia seguinte ao desabamento. O professor da UnB Márcio Buzar assumiu o cargo.

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