Deputados da CLDF repudiam nota falsa de Ricardo Vale (de camiseta vermelha) defendendo “carteirada” de Fábio Félix (PSOL) no bloco Rebu. PMDF agiu com correção na prisão de dois traficantes de drogas: spray só após tumulto incitado. A Lei tem que estar acima de privilégios

Deputados distritais da Câmara Legislativa do Distrito Federal reagiram com firmeza a uma nota emitida em nome da CLDF, feita pelo vice-presidente da Casa, Ricardo Vale (PT), que expôs, de forma cristalina, o abismo entre privilégio e responsabilidade pública.
Ricardo Vale cometeu o grave equívoco de emitir uma nota oficial “em nome de todos” defendendo o deputado Fábio Félix (PSOL). Isso ocorreu após o parlamentar tentar impedir a prisão de uma organizadora de um bloco carnavalesco que incitava a multidão contra a ação da Polícia Militar contra dois traficantes de drogas.
Parlamentares rejeitaram o uso indevido de seus nomes e deixam claro que não compactuam com essa tentativa de blindagem à “carteirada política” contra policiais que estavam trabalhando duro no combate ao crime durante o período de carnaval.
O primeiro a se manifestar publicamente foi o deputado Roosevelt Vilela (PL), que não titubeou: “Ricardo Vale não pode falar por mim. A posição dele não é a minha posição.”
De acordo com informações apuradas pelo Radar DF, o deputado Vale não podia assinar nota em nome da CLDF, já que o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), encontra-se em Brasília.
Entenda o caso:
A firme ação dos policiais militares da PMDF no incidente envolvendo o deputado distrital Fábio Félix (PSOL) merece total apoio e reconhecimento da sociedade.
Em meio à folia do bloco Rebu, no Setor Comercial Sul, na segunda-feira (16), os policiais atuaram com correção, proporcionalidade e foco na lei, garantindo a segurança coletiva sem ceder a pressões ou “carteiradas”.
Tudo começou quando um cão farejador do Batalhão de Polícia de Choque com Cães (BPCães) indicou a presença de entorpecentes em uma tenda.
Dois homens foram abordados e receberam voz de prisão por suspeita de comercialização de drogas. Uma organizadora do evento tentou impedir a condução dos suspeitos, mandou filmar a ação, incitou foliões contra os policiais e obstruiu o trabalho da PM, conduta que configura, em tese, resistência, desobediência e tumulto.
Diante da aglomeração exaltada e da ameaça real à integridade física dos agentes, um policial utilizou spray de pimenta, uma das principais armas não letais da PM em operações de grande porte como blocos carnavalescos.
Foi o mínimo necessário para restabelecer a ordem. Foi nesse momento que o deputado Fábio Félix, presente no bloco, decidiu intervir.
Questionou a prisão, tentou impor autoridade com o clássico tom “você sabe quem sou eu?” E chegou ao cúmulo de dar voz de prisão a um militar que atuava em serviço legítimo.
O resultado foi previsível: o parlamentar recebeu spray de pimenta e transformou um procedimento policial de rotina em suposto “caso de perseguição política”.
Não se trata de defender o spray ou de minimizar o desconforto de qualquer cidadão, inclusive de um deputado.
Quando um agente público, ainda mais um parlamentar, tenta interromper uma prisão por tráfico, obstrui o trabalho policial e incita a multidão, ele não está exercendo mandato: está cometendo abuso de autoridade contra quem cumpre a lei.
A nota de Ricardo Vale, assinada “em nome de todos”, foi o segundo erro grave. Além de politizar um fato estritamente policial, desrespeitou a autonomia de cada deputado e tentou criar a falsa impressão de que a Câmara Legislativa do DF se posicionava coletivamente contra a PMDF.
A sociedade brasiliense, cansada de impunidade e de “carteiradas”, aplaude a PMDF e os deputados que tiveram coragem de dizer não.
Porque, no final das contas, a mensagem que precisa ficar clara é uma só: ninguém, nem deputado, nem vice-presidente da Câmara, está acima da lei.
E quem tenta usar cargo para atrapalhar o trabalho da polícia merece, sim, ser cobrado, investigado e, se for o caso, punido.
A sociedade agradece aos policiais que cumpriram o dever e aos deputados que, ao repudiar a nota falsa de Ricardo Vale, defenderam algo mais valioso que qualquer partido político: a autoridade da lei.
*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF



