Raquel Dodge ganhou destaque com Operação Caixa de Pandora

Por Matheus Leitão

Primeira mulher a ser escolhida para o cargo de procuradora-geral da República, Raquel Dodge ganhou notoriedade ao comandar força-tarefa da Caixa de Pandora, operação que revelou um esquema de corrupção e compra de apoio parlamentar no Distrito Federal conhecido como “mensalão do DEM” (leia entrevista da procuradora ao blog).

Dodge foi designada para o cargo por Roberto Gurgel, então procurador-geral em 2009, porque desde o início das investigações suspeitava-se do envolvimento do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Na ocasião, ela passou a chefiar um combatente grupo de promotores do Núcleo de Combate ao Crime Organizado do Ministério do Público do DF – quadros que hoje têm atuação importante na Lava Jato sob o comando de Rodrigo Janot devido à experiência adquirida no combate à corrupção.

É dessa operação que nasceu o prestígio na categoria da provável futura procuradora-geral. A categoria despejou 587 votos em Dodge na eleição para a lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Ela deve assumir o cargo em setembro – antes, terá de ser aprovada em uma sabatina no Senado –, mesmo tendo sido a segunda mais votada e perdendo o primeiro lugar por 34 votos para Nicolao Dino, o mais próximo de Janot.

A Operação Caixa de Pandora trouxe um simbolismo, quebrando paradigmas, porque foi a primeira operação a prender um governador no exercício do mandato.

Arruda saiu do Palácio do Buriti direto para a prisão. E Raquel Dodge foi a responsável por produzir a denúncia contra todos os acusados do esquema, incluindo o ex-governador.

Isso aconteceu depois que mais de duas dezenas de vídeos gravados pelo delator do esquema, Durval Barbosa, foram divulgados e levaram aos brasileiros detalhes sobre um caso de corrupção nunca antes visto.

Na ocasião, mesmo na Caixa de Pandora, o uso da delação premiada já era conhecido por Dodge. Entre os procuradores mais velhos do MPF, comenta-se que ela foi a única mulher a fazer parte da força-tarefa para investigar o esquadrão da morte comandado pelo ex-coronel da PM e ex-deputado federal Hildebrando Pascoal.

O caso ficou conhecido como crime da motosserra na década de 90 no Acre.

“Foi um trabalho de todo o Ministério Público sob o comando de Geraldo Brindeiro (então procurador-geral). Mas Raquel foi voluntária e ia, se não estou enganado, amamentando, todo o final de semana para fazer as primeiras delações. Esta parte da força-tarefa foi a mais difícil para enfrentar a quadrilha”, explica um procurador mais velho que acompanhou o caso.

A ANPR concorda que a procuradora foi testada e aprovada para o cargo.

“Raquel Dodge tem uma carreira brilhante no Ministério Público em todas as áreas, seja criminal seja na área dos direitos humanos, reconhecida dentro da Casa. Ela tem todo o preparo para exercer o cargo”, afirma Robalinho Cavalcanti, presidente da entidade. “Mas nós levamos cada passo da escolha constitucional muito a sério e ainda falta o Senado Federal”.

O presidente da ANPR sempre defendeu – não só nesta eleição da lista tríplice, mas em outras – que qualquer um dos três integrantes poderia ser escolhido para o cargo.

Temer quebrou a tradição e escolheu a número 2, que, segundo a colunista do G1, Andreia Sadi, era a favorita do presidente. Desde 2003, o primeiro colocado sempre foi escolhido.

Contudo, para boa parte da categoria isso não será problema. Basta Raquel Dodge manter a combatividade na Lava Jato a partir de setembro, quando deve assumir o cargo.

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