Nova assembleia será realizada nesta quinta-feira (12), às 9h, na Praça do Buriti.
Dezenas de professores da rede pública de ensino continuam em frente à sala da presidente da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão (PDT). Em greve de fome, eles exigem que os 24 parlamentares se envolvam diretamente na resolução do impasse entre a categoria e o GDF, que não cumpre lei aprovada pela casa para pagamento de reajuste salarial. Nova assembleia será realizada nesta quinta-feira (12), às 9h, na Praça do Buriti.
Em apoio ao grupo de 39 professores que desde as 9h ocupa a CLDF, outros trabalhadores da categoria realizam vigília em frente à Câmara, e afirmam que a ação continuará enquanto durar a ocupação.
“Os parlamentares precisam ser mais criativos com proposições ao Executivo. Não adianta só reunião, tem que ter proposta efetiva. O Plano de Carreira dos professores foi votado na Câmara Legislativa. Portanto, eles (os parlamentares) também são responsáveis pelo cumprimento da lei”, explica o dirigente do Sinpro-DF – sindicato que representa a categoria –, Cláudio Antunes.
A ocupação da CLDF foi realizada simultaneamente ao protesto realizado no gramado do Palácio do Buriti na manhã desta quarta-feira (11), após suspensão da assembleia da categoria, que acontecia na Praça do Buriti. Resultado do protesto, uma comissão de representantes dos professores foi recebida por representantes do Executivo local, além do agendamento de reunião com o governador Rodrigo Rollemberg para às 19h30 desta quarta.
Inabilidade para governar
De acordo com o dirigente do Sinpro-DF, Julio Barros, a maior dificuldade para solucionar a greve dos professores, que se estende desde o dia 15 de outubro, é a “falta de alternativa” por parte de Rodrigo Rollemberg. “O governo tem dificuldade de negociação porque ele não cria variáveis. Por exemplo: nós temos um auxílio saúde de R$ 200 por mês. A média do reajuste que nós estamos pedindo, referente ao cumprimento do plano de carreira, é de 3,7%, que dá em torno de R$ 200. Então, porque o governo não dobra o valor do auxílio saúde até começar a pagar o que nos deve do plano de carreira?”, questiona o sindicalista.
Para Julio Barros, “a cada nova rodada de negociação, o GDF consegue piorar a proposta apresentada aos professores”. “Ontem (10/11) ele (Rollemberg) nos apresentou um documento onde quer que nós concordemos com a privatização da educação infantil, e isso é inaceitável”. O dirigente sindical se refere ao 16º dos 17 pontos apresentados pelo governador do DF como proposta para tentar dar cabo à greve dos professores. No item, o GDF afirma que “não implantará nas modalidades de educação pública do DF o ‘modelo de gestão baseado em administração por OS’, excetuado o atendimento à Educação Infantil de 0 a 5 anos”.
“Nós não aceitamos que a educação pública e gratuita do Distrito Federal seja sucateada com a terceirização que o governo aponta em um documento entregue ao sindicato. O professor concursado tem uma formação continuada que o terceirizado não tem, devido à alta rotatividade da mão de obra no setor. Entendemos que a Constituição Federal determina que a educação é administrada através de concurso público, com professores contratados através de provas e títulos. A sociedade também perde com essas OS’s (organizações da sociedade) que onde ocupam, apresentam problemas tanto na qualidade da prestação do serviço, quanto na precarização do trabalhador, que vai exercer uma função com salário miserável para que os patrões, donos dessas empresas, de fato tenham lucro”, explica o dirigente do Sindicato dos Professores do DF, Cláudio Antunes.
Além de propor a terceirização de parte do ensino público, o GDF também anuncia o corte de ponto dos professores grevistas e não se pronunciou quanto a retirada da multa ao Sinpro-DF (devido a decretação de ilegalidade da greve), que está na casa dos R$ 10 milhões. “Além de querer derrotar e humilhar a categoria do magistério, ele (Rollemberg) adota a política de destruição da instituição sindical”, avalia Julio Barros, do Sinpro-DF. (Com informações da CUT Brasília)





