Nelson Antônio de Souza afirma em entrevista ao CB.Poder que capitalização começa com contratação do crédito junto ao FGC e destaca mudanças de governança, auditorias e continuidade de operações sociais
Da Redação
O presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, destacou nesta terça-feira (11) as medidas que vêm sendo tomadas para a recuperação da instituição. Em entrevista ao CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, o dirigente ressaltou o otimismo para a audiência de conciliação prevista para esta quinta-feira (13) no Supremo Tribunal Federal sobre a liberação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos para a capitalização do banco.
Segundo Souza, as ações incluem estabilizar o banco economicamente, manter a liquidez e buscar a capitalização, que deverá ser efetivada com a reunião no Supremo. Do ponto de vista de medidas prudenciais de governança, foram realizadas mudanças na diretoria e no conselho, além de auditorias independentes e forense. Os achados foram encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público. Há Assembleia Geral Extraordinária aberta, com data para 24 de agosto, quando será buscada autorização do Conselho da Assembleia para responsabilização civil de dirigentes.
Além disso, 25 processos administrativos disciplinares de empregados foram abertos. Sobre a audiência no STF, o presidente afirmou ter a melhor expectativa possível. Há uma proposta com origem no Ministério da Fazenda, em que há um empréstimo do FGC para o GDF, com garantia dos grandes bancos brasileiros e contragarantia do Fundo de Participação dos Municípios e dos estados.
Outra opção é um empréstimo direto do FGC para o GDF, com a garantia dos fundos de participação, sem passar pelos bancos. Uma terceira possibilidade acompanha a passagem do GDF para a Capacidade de Pagamento A em julho, que pode permitir um aval soberano. Souza afirmou ver com otimismo a definição da contratação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões, início da capitalização do banco.
Entre outras medidas de capitalização, ele citou a securitização da dívida do GDF, com a primeira tranche de R$ 1,05 bilhão já realizada e uma segunda de R$ 1,2 bilhão em andamento. Somados aos R$ 6,6 bilhões, o valor chega a quase R$ 8,8 bilhões. Há imóveis aprovados pela Câmara Legislativa do DF que podem virar um fundo de investimento imobiliário.
O banco tem recebido investidores nacionais e internacionais interessados em aportar recursos. Cada ativo vendido da carteira do Master compõe liquidez e melhora o capital. O balanço será publicado após a capitalização, que começa com a contratação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões.
Souza afirmou que a gestão do BRB é técnica e não tem relação com as eleições. O Banco Central conhece o balanço de 2025. A documentação do plano de capital e do plano de negócio foi submetida ao FGC. O empréstimo é para o GDF, não para o BRB.
Sobre a capacidade de pagamento do GDF, o presidente afirmou que o balanço do governo é público e o Distrito Federal tem um dos menores endividamentos do Brasil. O empréstimo é do FGC para o GDF, acionista majoritário, que pagará as prestações. Com o tempo, o plano de negócio de 10 anos do BRB gerará dividendos para o pagamento da dívida.
Outra possibilidade é a venda de parte das ações a investidores após o aporte de capital. Souza destacou o cuidado com os correntistas e com os estados, além da preocupação com cinco Tribunais de Justiça que mantêm R$ 30 bilhões no banco. A verba de patrocínio e publicidade foi cortada em 70%.
Em relação ao Flamengo, foi feito um novo arranjo de rateio de resultados. Foi criado o banco digital Nação BRB Fla, no qual o BRB tem 53% e o Flamengo 47%. Após o fim do exercício, é feito o rateio do resultado. Trata-se de um banco múltiplo, com cartão próprio, seguro e empréstimos. É o único banco digital com agência física no Brasil, no Rio de Janeiro, com planos de abrir uma em cada capital, a segunda em Brasília.
A plataforma é separada do BRB. O plano de negócios de 10 anos é torná-lo o maior banco digital da América Latina. O BRB continua com todas as operações ativas e passivas, incluindo crédito pessoal, microempresa, microcrédito, habitacional, LCI, LCA, CDBs e fundos. Mantém a função de banco de desenvolvimento, operacionalizando programas sociais do governo e ampliando o microcrédito, com prioridade para Brasília e o Entorno.
Sobre o ressarcimento e a punição, Souza afirmou que o primeiro ato foi aprovar a auditoria independente forense das empresas Machado Meyer e Kroll. Os achados foram enviados à Polícia Federal, ao Banco Central, à CVM e ao Ministério Público. Há conversas diárias com a Polícia Federal e o Banco Central. Quem deu causa aos problemas terá consequências. Ele citou o ativo de R$ 21,9 bilhões e a necessidade de aporte de capital de R$ 8,8 bilhões.





