Presidente da OAS quer contar tudo sobre Gim; depoimento a Moro será na terça

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Por Eduardo Militão, d’Correio Braziliense – Duas semanas depois de perder o pré-acordo de delação premiada e um dia após ser preso novamente, o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, resolveu falar. Ontem pela manhã, os advogados conversaram com o juiz da Lava-Jato no Paraná, Sérgio Moro, e formalizaram um pedido para ele ser ouvido no processo em que é acusado de pagar propina ao ex-senador Gim Argello (ex-PTB-DF). À tarde, o magistrado marcou a data do novo interrogatório: terça-feira da semana que vem, às 13h30, em Curitiba.

Ele vai ser ouvido para colaborar com “o esclarecimento dos fatos”. De acordo com o Ministério Público, o ex-executivo liderou um grupo de empreiteiros que queriam se blindar em duas CPIs da Petrobras realizadas em 2014, a fim de evitar depoimentos, apurações e constrangimentos. Gim era o vice-presidente de uma das comissões.

Há pouco menos de duas semanas, em 24 de agosto, Léo Pinheiro negou-se a falar na ação penal de Gim. Fazia dois dias que ele tinha perdido sua negociação de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Segundo apurou o Correio, o objetivo era evitar passar informações sem ter nenhum benefício em troca.

Na segunda-feira, Pinheiro foi preso por ordem de Sérgio Moro, tendo em vista pedido do Ministério Público Federal de março. A petição integra a investigação da Operação “Vitória de Pirro”, fase da Lava-Jato que prendeu Gim em 12 de abril. Léo Pinheiro é acusado de ser um risco para obstruir as apurações, a exemplo do que fez nas CPIs da Petrobras.

ma terça-feira, o advogado do ex-executivo, Edward de Carvalho, pediu novo interrogatório, “a fim de que (o réu) colabore com os esclarecimentos dos fatos” do caso relacionado à comissão de inquérito e ao ex-senador. De acordo com Edward, a defesa fez “uma avaliação nova” da situação do cliente. “A intenção é colaborar com a instrução”, afirmou. O defensor não quis adiantar quais temas específicos serão explicados por Léo Pinheiro, como e-mails em que ele acerta com outros executivos de construtoras a aproximação a parlamentares das CPIs da Petrobras e o andamento de requerimentos de convocação de representantes de empresas. Para a Polícia Federal e o Ministério Público, Léo Pinheiro era o líder dos empresários que corromperam parlamentares na comissão.

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