Reunião que oficializou nome do senador revela divisão interna, com aliados defendendo composição com o vice Daniel Vilela para priorizar disputa ao Senado em 2026
Da Redação
A reunião que resultou no anúncio da pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás expôs um racha interno no partido, conforme revelado pela coluna Giro, do jornal O Popular, nesta quarta-feira (19). A maioria dos aliados de Morais, incluindo o deputado federal Gustavo Gayer (PL), defendeu que o PL não lance candidato próprio e, em vez disso, feche aliança com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e o vice Daniel Vilela (MDB). O grupo argumenta que a prioridade eleitoral da sigla em 2026 deve ser a disputa pelo Senado, não pelo Palácio das Esmeraldas.
Nos bastidores, dirigentes e parlamentares expressaram incômodo com a postura de Wilder Morais. Para uma ala do PL, a baixa movimentação política do senador, somada à resistência em conceder entrevistas e à oposição aberta ao governo Caiado, deixa o partido vulnerável, abrindo espaço para migração de prefeitos e deputados para a base governista — um movimento que já começou a ocorrer. Dos 26 prefeitos eleitos pelo PL em 2024, 14 migraram para o grupo de Caiado, e outros dois estão em tratativas avançadas.
Mesmo Wilder Morais admitiu, na conversa interna, que considerava precipitado entrar oficialmente na disputa agora, citando a distância até a eleição e a influência das articulações nacionais no tabuleiro goiano. Ainda assim, a direção buscou uma saída para acomodar os lados: a pré-candidatura foi anunciada como forma de posicionar o partido, mas sem descartar uma aliança futura. Entre os presentes, a leitura é pragmática: a definição de um nome fortalece o PL nas negociações com o governo e abre margem para recuar, caso haja acordo com Daniel Vilela.
“Se Wilder deslanchar, teremos uma chapa majoritária capaz de eleger um ou dois senadores. Se não, o caminho natural é a composição”, resumiu um interlocutor.
Com Jair Bolsonaro preso e sem protagonismo na campanha nacional, dirigentes do PL goiano têm repetido que o foco real da sigla em 2026 está no Senado, não no governo estadual. Nos bastidores, a postura de Wilder é lida como um “recado” para o governador e o vice, enquanto a debandada de prefeitos do PL para a base caiadista tende a se intensificar até o primeiro semestre de 2026.



