Após suspensão de atendimento, PM do DF rompe contrato com hospitais. Unidades particulares interromperam serviço por falta de pagamento.
Por Isabella Formiga – A Polícia Militar informou na tarde desta segunda-feira (5) que rompeu contrato com o Grupo Santa, responsável pela gestão de dois hospitais particulares que mantinham convênio com a corporação. A decisão foi tomada após a suspensão do atendimento aos policiais militares pelos centros médicos na manhã de ontem.
Segundo o grupo, que administra o Hospital Maria Auxiliadora, no Gama, e o Santa Helena, na Asa Sul, os planos foram suspensos por falta de pagamento referente a serviços prestados em 2014. A empresa não informou o valor do débito.
A PM informou que vai abrir processo de credenciamento com outras unidades em um prazo de 30 dias. Durante o período, os PMs podem buscar atendimento na rede privada, quando o serviço não for oferecido na rede pública. Segundo a corporação, os policiais podem solicitar o ressarcimento correspondente ao serviço realizado, após o atendimento.
A PM informou que os pagamentos referentes a 2015 estão sendo feitos em dia, mas que a lei impede quitar dívidas anteriores. A PM diz que “tem buscado, junto ao GDF, alternativas legais para o saneamento de tais débitos.”
Segundo a corporação, o Grupo Santa alegou “problemas de relacionamento” com a empresa contratada para analisar as faturas apresentadas e que as auditorias têm sido “essenciais” para o pagamento das despesas.
O Sindicato Brasiliense de Hospitais Particulares, Casas de Saúde e Clínicas Particulares informou que o grupo foi o único que manteve o atendimento aos policiais militares depois de uma suspensão coletiva no atendimento no início do ano.
No início do ano, os hospitais Santa Marta e São Francisco já tinham rompido o contrato com a PM, informou o sindicato. À época, a dívida com os quatro hospitais alcançava R$ 60 milhões, segundo a entidade. (G1)
Entrevista do Blog do Poliglota
O Blog conversou com uma fonte de alta patente da PM que pediu para não ser identificada por questões óbvias e, segundo essa fonte, a história não é bem assim.
Desde dezembro de 2013 que a Polícia Militar vem enfrentando problemas na área de saúde. À época a frente da corporação, o coronel Jooziel Freire teve um entrevero com o então diretor de Saúde, coronel Sérgio Luiz de Souza Cordeiro, que antes de pedir sua exoneração do cargo cancelou todos os convênios com os hospitais credenciados. Alegou o coronel Cordeiro numa entrevista a um grupo de blogueiros policiais que atitudes irregulares estavam acontecendo e que ele se recusava a assinar e compactuar com essas irregularidades.
A fonte a qual o blog teve acesso exclusivo afirma que não existe razão para que os convênios fossem cancelados, suspensos ou reincididos já que existe previsão orçamentária oriunda do Fundo Constitucional do DF para bancar as despesas com a saúde de mais de 96 mil vidas de policiais e dependentes, além de existir também um desconto nos contracheques dos policiais referente ao Fundo de Saúde.
Disse ainda que a dívida alegada pelos hospitais realmente existe e que beira a casa dos 60 milhões de reais. No entanto, não foi paga porque o comando da corporação à época não fez a previsão em “restos a pagar” propositalmente, devolvendo recursos ao governo do Distrito Federal em dezembro de 2014, final de ano eleitoral e com o governo do petista Agnelo Queiroz precisando passar o caixa em dia ao atual governo Rollemberg.
Segundo ainda a mesma fonte, a previsão orçamentária de gastos anualmente com a saúde dos policiais e dependentes beira a casa dos 225 milhões de reais. Se levarmos em conta que haviam três hospitais credenciados a esses atendimentos (Rede Santa Helena, Hospital Santa Marta e Hospital São Francisco) o gasto mensal girava em torno de 19 milhões de reais, ou seja, mais de 6 milhões para cada hospital, disse.
Agora o que nos causou surpresa foi a afirmação da referida fonte de que o rompimento dos contratos (rescisão) pode ter sido feito de forma premeditada. Segundo ele, a rescisão desobriga a Polícia Militar a pagar os credenciados e com isso economizar recursos nos próximos 3 meses que podem chegar à cifra de 60 milhões de reais, recursos que servirão para fortalecer o caixa do governo nesse momento de austeridade imposto pelo governador Rollemberg.
Duas coisas devem ser analisadas com muita cautela pelo governador e a alta cúpula da PMDF: Os policiais e dependentes não podem ficar sem atendimento médico, já que o Hospital da PM não tem um quadro capaz de atender a demanda e a desmotivação da classe, que já se arrasta por mais de 5 anos, poderá trazer de volta uma operação que abalou a capital federal e da qual a principal vítima foi a sociedade. Hoje, o primeiro passo para isso foi o alerta em vídeo distribuído nas redes sociais do deputado federal Alberto Fraga (DEM), coronel da PM que disse: “Caso o problema não seja resolvido os policiais militares poderão ter atitudes drásticas, como o início da Operação Tartaruga”.
É aguardar os próximos capítulos dessa longa novela!
Por Poliglota…





