Documento cartorário cita Fernando Sarney, pastor e jornalista em abordagens de 2026; empresária da Go Up afirma que recusou colaboração
Da Redação
Ao cumprir mandados de busca nesta quinta-feira (10) contra Karina Gama, da produtora Go Up Entertainment, a Polícia Federal apreendeu documento de quatro páginas no qual a empresária responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, relata pressões para delatar Flávio Bolsonaro. A informação foi divulgada pela Veja.
O texto foi apresentado como declaração juramentada e registrada em cartório. Karina afirma que três pessoas a procuraram em momentos distintos: o empresário Fernando Sarney, um pastor evangélico e um jornalista. Segundo o relato, os três teriam mencionado colaboração premiada no período em que a produtora passou a ser alvo de apurações sobre o financiamento do filme.
Karina afirma que Fernando Sarney disse ter “grande proximidade com o ministro (Flávio Dino)” e ofereceu apoio jurídico caso aceitasse delação.
“No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07. Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma ‘delação premiada’.”
A empresária diz que não aceitou e que pretendia esclarecer os fatos com documentos e defesa. Ressalva que a suposta proximidade com Dino foi mencionada apenas pelo próprio empresário. “Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o Ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato.”
O segundo contato, segundo ela, ocorreu em 27 de agosto, por um pastor conhecido, que teria dito manter proximidade com integrantes do governo e ministros do STF e que lhe pediram transmitir a possibilidade de delação para “retirar do risco”.
O terceiro episódio envolveria um jornalista que, em nova conversa, teria dito que ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato” e associado a recusa a possíveis medidas judiciais.
Karina afirma temer operação por retaliação política. “Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito.”
O relato não comprova que as pessoas citadas tenham agido a mando de autoridades nem que tenha havido interferência na investigação. A própria empresária registra que vínculos com o governo foram relatados pelos interlocutores.





