Personagem histórico da UnB, Chiquinho corre risco de ser retirado do ICC

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Reprodução/Facebook Página em apoio a permanência de Chiquinho no Minhocão da UnB
Reprodução/Facebook Página em apoio a permanência de Chiquinho no Minhocão da UnB

 

Como forma de impedir a retirada de Chiquinho do local, alunos, professores e representantes da sociedade civil organizada criaram uma página no Facebook que pede a permanência dele no ponto

Por Isa Stacciarini – Um personagem ícone da Universidade de Brasília (UnB) está ameaçado de perder o quiosque ocupado há 40 anos no Instituto Central de Ciências (ICC) Norte, mais conhecido como Minhocão. Francisco Joaquim de Carvalho, 56 anos, o Chiquinho, recebeu uma visita do reitor Ivan Camargo no fim da manhã de terça-feira (10/11) que questionou a possibilidade dele ser realocado para outro espaço. O livreiro que desde 1989 toca o próprio negócio no câmpus Darcy Ribeiro ficou abalado com a notícia. Como forma de impedir a retirada de Chiquinho do local, alunos, professores e representantes da sociedade civil organizada criaram uma página no Facebook que pede a permanência dele no ponto.

Chiquinho é conhecido pela comunidade da UnB e moradores de Brasília em geral. Tem, na ponta da língua, os nomes dos títulos mais requisitados de diversas áreas. Mas, na tarde desta quarta-feira (11/11) ele não escondia a tristeza de poder ser retirado de onde construiu a própria história. “O reitor veio conversar comigo, porque tem tempo que está tendo a mediação para a gente sair desse espaço. Mas, para mim, no sentido lato da palavra, eu não queria ir embora daqui não. Se isso acontecesse representaria todo o descoroamento da minha história”, lamentou.

A página “Chico fica!” tinha até às 17h30 desta quarta-feira (11/11) 698 curtidas. Chiquinho não é adepto a tecnologia, mas teve conhecimento da criação do grupo no Facebook por alunos e pessoas que frequentam a UnB. “O reitor teve uma conversa amistosa comigo, não houve pressão, mas ele falou da possibilidade de eu sair daqui. No meu sentimento mais profundo eu gostaria muito de permanecer”, destacou.

Para o livreiro, a mobilização pela permanência dele no espaço significa solidariedade. “Para mim, tudo isso representa um grande reconhecimento e parte disso são pelas amizades de todo o tempo de serviço. Se eu saísse daqui seria uma tragédia do século XXI”, considerou. “Eu perderia todo um trabalho de serviço a sociedade acadêmica”, acrescentou

O assessor da reitoria, professor Ebnezer Nogueira, explicou que há seis anos, em outra administração, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou que o ICC Norte e Sul não era o local apropriado para a atividade comercial. Na época três Módulos de Apoio e Serviços Comunitários (Mascs) chegaram a ser construídos: um próximo a Ala Sul, o outro perto da Ala Norte e o terceiro próximo a Faculdade de Direito. “Os órgãos de controle entenderam que se utilizou dinheiro público para essas construções e o TCU pede que os comércios sejam instalados nesses locais. Tanto o Chiquinho como outros permissionários estão no ICC Norte e Sul há mais de 20 anos. O próprio reitor não pode mais renovar os contratos deles”, alegou.

Segundo Nogueira, os permissionários que trabalham com alimentação têm um agravante em razão da inspeção da Vigilância Sanitária. “O Chiquinho é uma pessoa que conhecemos há anos e o reitor conversou com ele pessoalmente para tentar colocá-lo em um dos Mascs, porque uma vez que todos estiverem ocupados ele não terá como ir. Os órgãos de controle exigem que todos os permissionários do ICC Norte e Sul fechem. Estamos em um impasse”, ressaltou. “Tentamos negociar o ano todo, mas no Brasil as pessoas acham que os espaço público é deles após alguns anos ocupado”, acrescentou. (Do Correio Braziliense)

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