Por Ricardo Callado
As próximas semanas serão decisivas para o Palácio do Buriti. O governo corre contra o tempo em busca de recursos. O GDF pode parar. A ameaça é bem simples. O Executivo pode não conseguir honrar os compromissos com salários de servidores.
As categorias, com razão, irão se manifestar através dos sindicatos. Primeiro, vem os protestos. Em seguida, as greves. Algumas áreas, como a Polícia Civil e a enfermagem, já estão nas ruas de braços cruzados. Outras farão o mesmo.
Setembro será o prazo para Rollemberg usar a criatividade e tirar dinheiro de algum lugar. Por mais que a comunicação do Buriti se esforce, a população não acredita na falta de dinheiro. Talvez a forma de se comunicar não seja a adequada. As vezes falta sinceridade, desconhecimento. Ou o modelo implantado esteja superado e engessado.
Se setembro passar sem solução, outubro virá para implodir o governo. Rollemberg vai administrar o caos. A Lei de Responsabilidade Fiscal vai enfocar mais ainda o Executivo. E limitar suas ações.
O problema é grave e atinge toda a sociedade. Aumento de tributos é uma solução. Mas a população não quer pagar pelos erros do governo. Nem os deputados distritais assumir o ônus de forçar o povo a pagar mais impostos.
Outra saída é uma ajuda federal. Uma hipótese remota. O Palácio do Planalto também está enforcado financeiramente por seus próprios erros. Rollemberg não desiste. Sempre que pode, pede socorro a presidente Dilma Rousseff. Mas não vai conseguir muita coisa da União.
Cortar despesas também é outra forma de sair do buraco. A questão é que hoje o GDF tem muito pouco a cortar. E os cortes não fazem nem cócegas no orçamento do GDF.
Parcerias público privadas podem ajudar, mas não irão acontecer de forma rápida. Demandam tempo. Quando começarem a ser concretizadas, os problemas já estarão ingovernáveis. Pode se comparar como uma metástase administrativa.
O governo perdeu a guerra da comunicação por seus próprios erros. Tem dificuldade de se explicar. E de gerenciar crises. Quando algo de grave acontece, sempre tem que correr atrás. Não consegue se antecipar. O modelo adotado é ruim. E o desgaste será unicamente do governador. Ninguém assumirá a culpa por ele. É assim que funciona.
O quadro é o pior possível. Rollemberg precisa de muita ajuda. Não adianta torcer contra porque o reflexo negativo atingirá toda a sociedade. O governador terá que contar com o apoio da Câmara Legislativa, Tribunal de Contas, do Judiciário, dos sindicatos, de todos os lados. Será preciso uma coalização para manter a governabilidade. Se todas as partes não se entenderem, teremos o pior período administrativo no Palácio do Buriti. E a conta sempre sobra para a sociedade.




