OPINIÃO Rollemberg: um tempo de paz para cuidar da política, ser político e fazer política

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Por Ricardo Callado

Depois da tormenta, sempre vem a calmaria. Os tempos têm sido realmente confusos. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) é nesses últimos dez meses um homem sem paz. Deve ter refletido bastante sobre sua chegada ao Palácio do Buriti. E todos os problemas que vem enfrentando.

Já vi muitas crises, e tudo sempre acaba voltando ao normal. Certamente que esta crise atual é a maior já vista no Distrito Federal. Mas, assim como as demais, também vai acabar.

A diferença do momento atual para as outras crises é que, desta vez, cada vez que um órgão competente faz um movimento na direção do salvamento, seu passo é compreendido como dado na direção errada. Ou o passo é tão grande que o sentimento que fica nas pessoas é que ainda falta caminhar mais. É o pessimismo atuando.

A crise atual merece sim, algumas reflexões. Se falta dinheiro, algumas consequências iremos sofrer. Rollemberg hoje se vira apenas para resolver o problema da folha de pagamento do funcionalismo público. E não há mesmo recursos.

Poucos foram a medidas aprovadas pela Câmara Legislativa ou tomadas diretamente pelo Palácio do Buriti que vão gerar a mágica de brotar dinheiro imediatamente. Os recursos do superávit do Iprev é um caso à parte. A maior parte é a médio ou a longo prazo.

Se não há dinheiro para salários, o que dizer para investimento. E o Distrito Federal não é diferente de qualquer outra região do País. É preciso investir em mobilidade, infraestrutura, segurança, saúde, educação. E em muitas outras áreas. A cidade cresce e precisa de investimentos para não parar. O governo tem que se rebolar em criatividade.

A vida de um governante não é só o servidor público. Não é apenas reuniões com sindicatos e negociações com movimentos grevistas. A população assiste tudo esperando que Rollemberg encontre uma saída. Torce por isso.

Índices baixos de avaliação não quer dizer que a torcida seja contrária. Significa que neste momento não está concordando com a condução do governo. Espera e exige resultados. E o Buriti tem esse compromisso a cumprir.

Com o fim das greves, e dois meses do caos completo, Rollemberg terá algum tempo de uma paz relativa para poder se concentrar em outras áreas. Reconstruir pontes. Terá tranquilidade para refletir melhor em suas decisões e cobrar resultados dos seus auxiliares. Afinal, não parece, mas a situação é muito cômoda para alguns do primeiro escalão. Sem recursos, tem a desculpa perfeita para não apresentar ações.

Rollemberg terá mais tempo para apagar os incêndios. Administrar o fogo amigo e as intrigas palacianas e consultivas. Cuidar da política, ser político e fazer política.

Existem diferenças entre política, ser político e fazer política. Senão vejamos. Política é uma ciência, é arte. É o meio de se fazer o bem comum, de cuidar.

No entanto a política é entendida pelo senso comum, apenas como um processo eleitoral para eleger pessoas. E o eleitor vota apenas para cumprir com sua obrigação, que o obriga a ir votar.

Ser político, na essência da palavra, é fazer valer os direitos dos cidadãos e o dever do Estado, conforme prever a legislação, a constituição. É ter a capacidade de envolver a sociedade e envolver-se na defesa intransigente da justiça, da equidade, da fraternidade, ou seja, é viver a construção de um mundo justo.

Fazer política exige de quem vai exercer um cargo ou mandato ter ética, compromisso, dignidade, honestidade e conhecimento do seu papel enquanto gestor. E é isso que Rollemberg precisa fazer. Mas sem um dia de paz, acabará sendo o administrador do caos. É preciso que o governador aproveite esse tempo para colocar a casa em ordem. E quando o caos voltar, e deve ser logo, esteja com uma equipe melhor preparada para enfrenta-lo. Depois da tormenta, sempre vem a calmaria. E o ciclo se repete. A roda gira.

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