OPINIÃO Rollemberg precisa construir uma ponte entre pensamento e ação

Mais em

banner_opinião

 

 

Por Ricardo Callado, publicado originalmente no Anexo 6

Rodrigo Rollemberg tem ideias diferentes. E isso não é condenável. Pelo contrário, se forem boas, devem ser aplaudidas. Mas algumas difíceis de entender. Veio com a intenção de quebrar paradigmas. De não repetir as velhas práticas da direita e da esquerda. Algumas vezes beira a utopia. Outras, ao bom senso que todo governante deve ter. O zelo pela coisa pública.

Rollemberg esbarrou numa crise financeira. Seu projeto ficou prejudicado. O misto de laboratório acadêmico e consultores legislativos não deu certo. O Buriti não é uma universidade, tampouco o Congresso. O Executivo precisa de projetos, não de teses. Por isso, Rollemberg não consegue construir uma ponte entre pensamento e ação.

O governador precisa dar uma guinada. Mudar o rumo. Ouvir mais. Se aconselhar melhor. Existe vida inteligente e sensata fora do palácio e de seus sócios políticos. O que precisa neste momento é de união. Chega da discórdia. O enfrentamento e a quebra de braço não levarão a lugar nenhum. Não existem vencedores nessa situação. Só intolerância.

Rollemberg precisa ciscar para dentro. Buscar aliados reais. Unir as forças políticas, sindicais, sociais e empresariais por um bem comum. Pela nossa Brasília. Por todas as gerações de Brasília, e não apenas pela que está no poder.

A virtude política está na qualidade das instituições. É preciso saber criar e manter um governo. E ser capaz para manter-se sereno durante as ocasiões adversas.

A verdadeira virtude política é a capacidade para adaptar-se às circunstâncias. Ousadia para agarrar as boas ocasiões e força para não ser arrastado pelas más. A ousadia para mudar de atitude e comportamento é a verdadeira prudência de um governante.

Para uma ação política ser eficaz e responsável é necessário a informação correta, o diagnóstico oportuno. A avaliação adequada dos resultados previsíveis, capacidade de decisão e, sobretudo, sabedoria.

Nesses quase onze meses de governo, Rollemberg não teve um dia de paz. Os problemas se avolumam. As noites ficam mais curtas. O cansaço prejudica a visão. Um campo fértil para oportunistas sabotarem as decisões de governo, sob argumentos de sócios de um projeto. Só cego não vê. Rollemberg passa por uma cegueira momentânea. Existe vida fora da casinha.

Se o Palácio do Buriti age como uma República, a Câmara Legislativa é formada por Principados. Especificamente três espécies de principados: os hereditários, adquiridos por vínculos de parentesco; os mistos, adquiridos por meio da anexação a outro já existente, conseguida por meio de acordos econômicos e os eclesiásticos, vinculados à igreja. Existem ainda os independentes. São minorias. E barulhentos.

Cada um desses principados possui características próprias. E que deveriam ser observadas para que os governantes pudessem atuar e permanecer no poder. Alguns desses principados chegam ao poder. Rollemberg é uma exceção. Não habitava nenhum deles. Sempre atuou de forma isolada.

Podemos classificar como um Principado Civil. Governado por cidadãos que chegaram ao poder com o apoio de seus concidadãos e da opinião popular.

Costuma-se avaliar que quem chega ao poder de maneira súbita, muita das vezes aparenta estar despreparado e sem solidez. Logo, é preciso procurar se estabilizar através de inteligência, destreza, ser muito astuto e ter virtudes e vícios, e se possível for de perceber a ruína, suprir suas carências o quanto antes. Rollemberg demorou para perceber a ruína.

Outra coisa: manter o apoio e a estima do povo para manter-se no poder. Não se pode cercar de indivíduos que se igualam a ele, que não pode ordená-los. Isso é fundamental para saber se proteger.

Construir seu poder sob bons alicerces. E fugir de soldados mercenários. Esses promovem a desunião, são ambiciosos, sem disciplina e infiéis. Ousados entre amigos, covardes frente aos inimigos, não temem a Deus nem são leais.

Rollemberg precisa construir sua ponte entre pensamento e ação. Uma ponte com a sociedade. Se comunicar com a sociedade. Do contrário, não será entendido. E quando se governa só, termina o mandato só.

spot_img

Últimas Notícias