Por Ricardo Callado
A janela para troca de partidos de parlamentares animou o governador Rodrigo Rollemberg. Considera uma oportunidade de organizar sua base aliada. Ou fazê-la existir de fato. Buscar um rótulo mais a esquerda ou de centro esquerda. E, é claro, sem largar mão os apoiadores de direita e de centro direita, se é que ainda existe essas denominações nos dias de hoje.
Ideologias praticamente não existem mais. Raras são as exceções. Governos buscam governabilidade. Parlamentares querem um naco da administração pública. Independente de que lado ou partido estão os prováveis aliados. E com Rollemberg não é diferente. O termo velha política está na moda para atacar adversários. Quando viram aliados, continuam sendo atacados, mas em outro sentido: para não sobressair.
A política não deve ser feita nem de forma velha ou nova. Deve ser feita de forma limpa e honesta. Olho no olho. Com palavra dada e cumprida.
É sempre aconselhável desconfiar daqueles que bradam xingamentos as quatro redes sociais que fulano ou sicrano são da velha política.
Esse xingamento é a própria velha política. Apenas trocou os panfletos de antigamente por ativismo digital.
Voltando a base aliada, Rollemberg quer um novo rótulo, uma marca positiva. Só que ela não existe. Os personagens são os mesmos. Ou seja, os deputados. Não adianta mudar de partido se não mudar a essência. É preciso reciclar as ideias, as formas de fazer política.
O governador ensaia uma base com quatro partidos que, teoricamente, são de esquerda. São eles o PDT, o PSB, o PV e a Rede. Se esses partidos toparem o desgaste de ser governo, formarão um grupo com seis deputados.
Rollemberg precisa no mínimo de 13 parlamentares. E pode até conseguir. Até porque distritais de outros partidos já fazem parte da base aliada de forma envergonhada. Vergonha reciproca, é bom que se diga.
Na vida real, Rollemberg vai governar com deputados de todos os partidos que conseguir atrair. Mas pretende usar os quatro partidos mais a esquerda para dá uma cara moderna ao Buriti. E usará o capital político e as bandeiras dessas legendas para melhorar a sua imagem.
Se o governo der certo, os méritos serão do governador. Será tratado com um político habilidoso. Se der errado, PDT, PSB, PV e a Rede abonarão o desgaste. E terão seus projetos políticos atrapalhados.
Enquanto isso, na outra parte da base aliada é vida que segue. Terão suas imagens preservadas, até porque o próprio governo terá cautela em expor esses apoios. Só que isso é a maior bobagem.
No momento atual, a percepção da sociedade é que todos os políticos são iguais. E os próprios políticos cuidam para que essa percepção não mude. As práticas são as mesmas. As armadilhas estão por todas as partes.
Basta um político ou partido se destacar, que armações sujas são feitas para puxa-los de volta a planície enlameada da política. Recentemente, PSD e Rede foram alvos da sujeira política. E, em toda armação, ficam digitais.
Quando formatar sua nova-velha base aliada, Rollemberg terá mais um desafio. Fazer o seu governo dialogar com diferentes setores da sociedade. Passar a sensação que os problemas estão sendo resolvidos. Uma sensação de esperança. De otimismo. O que não acontece hoje. E se fizer a política da forma correta, terá a chance de ser diferente. Porque se continuar igual, não sairá do lugar.







