
Ricardo Callado
Na campanha de 2002, Tadeu Filippelli era o principal auxiliar do governador Joaquim Roriz. Secretário de Obras do GDF, presidente regional do PMDB e cuidava de parte dos negócios da família. Na época, era casado com uma sobrinha do então ex-governador.
Roriz disputava à reeleição. A mais difícil de sua carreira política. Ganhou por bem pouco do adversário, o petista Geraldo Magela. A eleição foi judicializada e decidida dois anos depois numa sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Só como registro, o advogado de Magela era o hoje ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, era recorrente pegar causas judiciais de petistas.
A campanha de 2002 não ficou registrada apenas pela intensidade da polarização entre os azuis e os vermelhos. Roriz conseguiu juntar um grande e competente time de assessores.
Estão lá Wellington Moraes, André Duda, Haroldo Meira, Carlos Honorato, Ricardo Callado, Marcos Machado, Hélio Doyle, Paulo Fona, entre outros. O caçula da turma era Rogério Rosso, com experiência apenas em empresas privadas. Foi, entre outras coisas, executivo da multinacional Fiat.
Roriz gostou do estilo de Rosso, que à época tinha 33 anos. A proximidade com a família Roriz se deu pela amizade estreita ainda da adolescência entre a esposa de Rosso, Karina, e a filha caçula do ex-governador, a hoje deputada distrital Liliane Roriz.
A partir desse momento, Rosso começou a ganhar espaço no governo Roriz e depois na política. Se ele ainda estava na planície, Filippelli já se encontrava no Planalto. Foi eleito o deputado federal mais votado do Distrito Federal com quase 170 mil votos. Licenciou da Câmara para chefiar uma superestrutura no GDF, nominada de Agência de Infraestrutura e Desenvolvimento Econômico. Rosso foi acomodado nessa estrutura.
Roriz apostou em Rosso. Deslocou na metade do governo para a Administração Regional de Ceilândia. Era a oportunidade do antigo executivo ser conhecido pela população. E foi comandar logo a cidade com maior número de eleitores do DF. Um presente e tanto.
Nas eleições de 2006, Roriz foi eleito senador, Filippelli o mais votado novamente para federal com quase 130 mil votos e, pelo PMDB, Rosso disputou sua primeira eleição, também para federal. Ficou na primeira suplência com 51 mil votos. José Roberto Arruda é eleito governador.
Mas a sorte sempre sorriu para Rosso. E pouco tempo depois os caminhos dele com Filippelli deixaram de ser os mesmos. Com a deflagração da Caixa de Pandora, Arruda perdeu o mandato e seu vice, Paulo Octávio, renunciou. Assumiu o governo o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, que iniciou o processo de eleições indiretos para o cargo de governador.
Sem mandato, sem cargo no governo, Rogério Rosso estava em casa de chinelos quando um grupo de políticos foi busca-lo para ser o candidato a governador. O GDF caiu no seu colo. Uma das primeiras medidas políticas foi romper com Filippelli.
A briga entre os dois ganhou o noticiário. Com acusações de ambos os lados. Com Roriz enfraquecido, pois havia renunciado o Senado no início do mandato por acusações no escândalo que ficou conhecido como Bezerra de Ouro, Filippelli conseguiu manobrar e expulsar o ex-governador do partido via Executiva Nacional. Os dois já estavam rompidos antes da renúncia.
Assim, ficou livre para levar o PMDB para a chapa do PT e ser o candidato a vice de Agnelo Queiroz. A dobradinha Agnelo-Filippelli venceu a eleição. Mas o governo foi um desastre. Saiu com a mais baixa popularidade já medida a um governo.
Rosso se negou a apoiar a chapa, mesmo estando no PMDB. Continuou com Roriz e apoio a sua candidatura a um quinto mandato, até que uma decisão da justiça contra o ex-governador. Rosso, então, apoiou e fez campanha para dona Weslian Roriz, que substituiu o marido na chapa contrária à de Agnelo-Filippelli. Rosso perdeu a eleição. Também não fez um bom governo. Foi considerado razoável.
Mas enquanto Agnelo-Filippelli naufragava em baixa popularidade, Rosso novamente foi contemplado. Gilberto Kassab viu nele um bom nome para montar e presidir o PSD, partido que estava sendo criado e já nasceu grande. De cara, filiou quatro deputados distritais. Antes das eleições, ficou sem nenhum, mas a organização do partido e o tempo de TV foram suficientes para eleger Rosso deputado federal.
Além disso, ainda indicou o vice-governador na chapa de Rodrigo Rollemberg. Com ajuda de Rosso, Filippelli perdeu a eleição junto com Agnelo. Não foram nem a um segundo turno. As posições foram invertidas.
Rosso começou a ganhar espaço no cenário nacional. Foi escolhido líder de uma bancada de quase 40 deputados. Depois, veio a presidência da Comissão Especial do Impeachment da presidente Dilma. Atualmente, é cotado para suceder a Eduardo Cunha na Presidência da Câmara dos Deputados. Terá força política para um cargo majoritário em 2018.
Filippelli ficou à sombra do PMDB nacional. Quando o vice-presidente assumiu a articulação política do governo, Filippelli foi com ele para o Palácio do Planalto. É um bom articulador, principalmente nos bastidores. Com a eminente posse de Temer na Presidência, será um dos homens fortes do novo governo. Terá força política para um cargo majoritário em 2018.
Enquanto isso, tenta descolar sua imagem do PT. E convencer a população que sua trajetória política sempre foi ligada ao sucesso do governo Roriz. E apagar Agnelo da sua vida.
Claro que falta combinar isso com os adversários e com a população. É considerado hoje um traidor do rorizismo e do petismo.
Em política isso não significa nada. Mas talvez o eleitor não esqueça. Se a estratégia der certo, vira muito forte.
Rosso e Filippelli terão um embate duro nas próximas eleições. Os dois querem a mesma coisa. E irão caminhar novamente em lados opostos.



