Por Ricardo Callado
O governador Rodrigo Rollemberg tem um desafio e tanto pela frente. Ao mesmo tempo que pretende reduzir a estrutura do primeiro e segundo escalões do Buriti, tem que compor a base aliada. E manter a governabilidade. Um governo nunca precisou tanto de apoio na Câmara Legislativa.
Nesta terça-feira (13), Rodrigo vai anunciar a reforma administrativa. Ou parte dela. Não está fácil costurar as mudanças que pretende e precisa fazer. O anúncio de criação das supersecretarias ouriçou partidos e políticos. O que era pra ser fácil, se tornou uma ação complexa.
Partidos e parlamentares querem uma megaestrutura para chamar de sua. E ainda manter o espaço existente dentro do governo. Ou seja, Rodrigo entrou em mais uma enrascada. Não tem como agradar todos. A reforma pretendida e os cortes não comportam a busca de mais espaços por aliados.
Algumas áreas já estão definidas. A cozinha do governador foi o mais fácil de resolver. A fusão da Casa Civil e Relações Institucionais (Serpi) vai gerar a Secretaria de Governo. Sérgio Sampaio ficará à frente da nova pasta. A Comunicação deve perder o status de secretaria e ficar debaixo da asa do governador.
Marcos Dantas deixa a Serpi e está certo na Secretaria de Mobilidade, no lugar de Carlos Tomé. Leany Lemos, do Planejamento, incorpora a Gestão Administrativa, de Alexandre Ribeiro, que passa a ser adjunto.
André Lima, atualmente no Meio Ambiente, é o nome certo para tocar a pasta, que será fundida à Gestão de Território e Habitação. Filiado a Rede, sua permanência no primeiro esaclão do governo é martelo batido.
Até aqui tudo fácil de se resolver. Quando a reforma chega nos partidos e nos políticos, a engrenagem trava. O PSB, partido do governador, não aceita perder espaço. A mudança de Marcos Dantas é um duro golpe para os socialistas. É a primeira perda da legenda do governador, já que Tomé também é da cota do PSB
Se concretizar a mudança na Secretaria de Turismo, o PSB ameaça de rebelar. Uma carta foi enviada ao gabinete de Rodrigo relatando a insatisfação do partido. O atual titular, Jaime Recena, é o vice-presidente da legenda. Dantas é o presidente.
Recena poderia estar tranquilo. No início do governo, o Turismo seria trasformado em empresa pública. Ele mesmo bateu o pé pelo status de secretário. A amizade com o governador bastou para o Turismo ser mantido como secretaria. Uma diretoria na Terracap pode ser a solução. O salário beira os 50 mil reais, além de mordomias. Mas politicamente, não é interessante.
Outro nó na reforma é a negociação com o deputado Joe Valle, convidado mais de uma vez para ocupar uma supersecretaria. Mudou até seus planos políticos. Nome certo para se filiar a Rede Sustentabilidade, se manteve no PDT para ocupar o supercargo. A Rede não permite que parlamentar vá para o Executivo, sob risco de perda de mandato.
Joe Valle não esconde de ninguém que pretende ocupar uma supersecretaria. Mas enfrenta um dilema. Só irá se a Agricultura não entrar na fusão e se mantiver como secretaria. E que o titular, José Guilherme Leal, fosse mantido no cargo. Se conseguir convencer o governador, Joe ganha o Turismo, o Trabalho, a Ciência e Tecnologia e o Desenvolvimento Econômico e de quebra ainda mantém sua indicação na Agricultura.
E Rodrigo Rollemberg coloca na Câmara o suplente de Joe, Roosevelt Vilela, do PSB, e tenta acalmar o seu partido
Se Joe recusar e preferir permanecer na Câmara, se cacifa como nome para suceder a presidente do Legislativo, Celina Leão. E o PSD se coloca como opção para a supersecretaria. Arthur Bernardes é o nome do partido do vice-governador Renato Santana e do deputado federal Rogério Rosso.
O PRB, da secretária de Esporte, Leila Barros e do líder do governo, Júlio Cesar, é outra dor de cabeça de Rodrigo. A Secretaria de Educação vai aglutinar o Esporte. Julio Cesar baté o pé e não aceita que o partido fique fora do primeiro escalão. E se for para ocupar também uma supersecretaria, melhor ainda. Para completar, o nome de Júlio é o mais cotado.
O destino de Leila será a Câmara Legislativa, como suplente do próprio Júlio Cesar. Mas ela não aceita ir para um gabinete sem poder nomear seus próprios assessores. Vai acabar tendo que engolir a situação, se o governador optar em levar o deputado para o Buriti. A pressão do PRB é grande.
No final na história, o que era para ser uma solução para o governo, pode trazer mais problema para Rodrigo Rollemberg.





