OPINIÃO Governo faz o dever de casa, mas segue conselhos errados

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Ricardo Callado, do Anexo 6

Saiu a tão falada reforma administrativa. Política e futebol se assemelham em alguns pontos. Quando um time vai mal troca-se o técnico e busca-se reforços para a equipe. A troca do professor na política não é tão fácil assim. E se deve obedecer a escolha democrática. Mesmo que haja frustração. E apostar que pode dar certo.

Quem acompanha política há muito tempo, sabe o que significa uma reforma administrativa. Quando um governo vai mal, anuncia-se mudanças no secretariado. A intenção é desviar a atenção da mídia. Faz parte da velha política. A consultoria externa do governador sabe disso. E pratica isso. Já implantou o mesmo modelo no governo Roriz. Previsível e risível.

A tática é tão manjada que deveria se envergonhar quem propõe isso a um governo. Como a ideia foi aceita, é torcer que o governo melhore. O efeito do troca-troca de secretários dura até quinta-feira. Ai a pauta retorna a ser as reivindicações dos servidores públicos. E o caos financeiro.

Se a ideia era aproximar a Câmara Legislativa, a ação não deve surtir efeito. Foi o mais do mesmo. Não conseguiu um apoio a mais. E alguns parlamentares se sentiram preteridos. Criou-se uma expectativa, e mais nada. Ponto para a consultoria externa do governador. Consegue isolar o Buriti mais uma vez.

O PDT, que já tem espaço no governo e garante os votos aos projetos de interesse do Buriti, pode abriu mão de uma cadeira na Câmara. Basta o deputado Joe Valle encerrar a brincadeira de não-sei-se-vou-ou-não-se-fico e aceitar uma supersecretaria no GDF. Se for, abre uma vaga ao PSB no Legislativo, para o suplente Roosevelt Vilela. E acalma o partido do governador, o grande derrotado na reforma junto com o PRB, do líder do governo, deputado Júlio Cesar.

O novo responsável pelas relações institucionais, Igor Torkarski, terá um baita desafio. Além de começar o trabalho do zero. Iniciar com descontentamento dos deputados com o a reforma é um ingrediente a parte para Igor. Vai precisar de jogo de cintura.

A reforma, se de um lado não ajuda a desviar o foco, permite que o governo tenha mais recursos para atividades fins. A fusão de secretarias gera economia. E tudo que o governo precisa agora é melhorar o caixa. E ter paz para conseguir apoio de entidades sindicais e do Legislativo. E não de incendiários.

Quanto será a economia? Nem o governo sabe. “Só vamos saber a economia das secretarias com o passar dos meses. Isso permite, de cara, uma redução muito grande nas estruturas administrativas”, afirmou Rollemberg durante a coletiva desta terça-feira. A comunicação não funcionou.

Entre os destaques, a ida do secretário de Mobilidade, Carlos Tomé, para a chefia de gabinete do governador. E a de Marcos Dantas para a Mobilidade. As mudanças serão publicadas no Diário Oficial desta quarta-feira (14) e a posse dos novos secretários está marcada para o dia 20.

O governo pretende reduzir gastos com salários de funcionários em cargos de confiança. Que me perdoe os sindicatos, mas em algumas secretarias é o comissionado que carrega o piano. O gasto mensal com esses servidores em todo o governo está em torno de R$ 40 milhões. Rollemberg busca uma redução de R$ 8 milhões. É pingo num oceano. Mas não deixa de ser uma economia.

A ideia não é da cabeça de nenhum burocrata nem de fora ou de dentro do Executivo. O Buriti está amparado na Lei de Responsabilidade Fiscal que manda cortar 20% das despesas com cargos comissionados.

O governador tem a consciência e a sensibilidade que isso deve ser feito se forma paulatina. E evitar um colapso na máquina. Nesta quarta-feira começam os cortes. As primeiras publicações das reduções das estruturas e exonerações. O clima é de terror para quem está dentro do governo.

Rollemberg avalia se é melhor reduzir o valor dos cargos e reduzir as comissões, para evitar ao máximo as demissões. É preciso agir com a razão, mas também com o coração. E acredito que o governador saberá o que fazer. Sem consultorias, é claro.

Um ponto a se lamentar na reforma foi a mudança na Controladoria-Geral. Não pelo anúncio de Henrique Ziller, que tem currículo para ocupar o cargo. Mas pela saída do controlador Djacyr Cavalcanti de Arruda Filho, um dos melhores nomes do governo.

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