Por Ricardo Callado
O PDT está em baixa. Perdeu de uma tacada só dois senadores, a presidente da Câmara Legislativa e um suplente de senador. Cristovam Buarque, Celina Leão e José Carlos Vasconcellos embarcaram no PPS. José Reguffe vai ficar um tempo sem partido.
Dos quatro, apenas Reguffe não será candidato em 2018. Cristovam encerra seu segundo mandato. Irá completar 16 anos no Senado. Pode tentar um terceiro. Se eleito, chegará aos 24 anos na mais alta casa do Legislativo.
Cristovam ensaia voos maiores. Não esconde seu desejo de disputar novamente a presidência da República em 2018. Tem seu nome especulado também para ser vice na chapa da pré-candidata Marina Silva (Rede) ao Planalto. Pode ser ainda candidato novamente ao Palácio do Buriti. Mas deve ficar mesmo na disputa pelo Senado.
Celina pode entrar na briga por um cargo majoritário nas próximas eleições. Para o governo ou Senado. O projeto político passa pela definição de Cristovam. E pela sua recondução por mais dois anos na presidência da Câmara Legislativa. Se não conseguir, será um nome forte para uma cadeira de deputada federal.
Já Reguffe está de boa. Foi deputado distrital, federal e é senador eleito pelo PDT. Depois de vários anos e três mandatos pelo partido, fez seu discurso de despedida. Vai dar um tempo na vida partidária. O senador não tem pretensões de ser candidato em 2018.
Assim, Reguffe mantém o seu discurso ético de cumprir integralmente todos os mandatos. E de não sair para reeleição em nenhum deles. Como só sairá do Senado em 2023, será um nome forte para eleição em 2022. E virá com mais experiência política e com grandes chances de chegar ao Buriti. Em 2018, será um forte cabo eleitoral.
Um dia após a sua saída do PDT, José Reguffe defendeu o estatuto da Rede. Os Artigos 51 e 52 do partido de Marina Silva dizem que os parlamentares que assumirem cargos no Executivo devem, obrigatoriamente, renunciar ao mandato e a reeleição é permitida apenas uma vez.
O artigo 51 da Rede foi a inspiração do senador Reguffe para defender proposta de emenda à Constituição que exige de parlamentares a renúncia ao mandato caso queiram assumir algum cargo no poder Executivo.
Em plenário, Reguffe explicou que o objetivo é evitar casos como o ocorrido nesta semana, quando Marcelo Castro se exonerou do cargo de ministro da Saúde. Ele reassumiu o mandato de deputado federal apenas para votar no candidato apoiado pelo governo na eleição para líder do PMDB na Câmara dos Deputados.
Para o senador, essa manobra não passa de um desrespeito ao eleitor, que ajuda a eleger um candidato para ocupar uma vaga no Poder Legislativo. Mas acaba vendo o eleito ocupando um cargo no Executivo.
Em sintonia com o Estatuto da Rede, Reguffe continua: “Não pode estar um dia no Poder Legislativo, dia no Executivo, depois voltar para o Legislativo. Isso Está errado. Se a pessoa pedir a procuração da população para representá-la em um cargo, ela tem que ocupar esse cargo”.
Reguffe e Marina são muito próximos. Seu nome chegou a ser anunciado como filiado a Rede Sustentabilidade, mas preferiu esperar um pouco mais. O senador também recebeu proposta de outros partidos.
No Distrito Federal, o deputado Chico Leite (Rede) segue seus passos na Câmara Legislativa, na defesa da ética, transparência e moralização da coisa pública. Reguffe e Chico Leite também são afinados politicamente.
Nas eleições de 2018, Rede e PPS chegam com força política e devem assumir o protagonismo da esquerda e da centro-esquerda. A direita deve se organizar em duas chapas. PMDB e PT lutam pela sobrevivência política no DF. E Rollemberg busca ampliar a sua frente de partidos. Esse é um esboço inicial para a disputa do Buriti.







