OPINIÃO: Decisão do TSE de esticar prazo para Federação Partidária desmonta articulações da oposição no DF

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Decisão é considerada ruim para opositores do governador Ibaneis Rocha, que se antes tinham dificuldade de um entendimento, agora estão em situação indefinida e perdidos nas alianças

POR RICARDO CALLADO

Considerada como a maior novidade para as eleições de 2022, a formação de federações partidárias foi regulamentada em dezembro do ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois de aprovada pelo Congresso. Em negociação, os partidos tentam superar seus impasses a tempo de viabilizar essas alianças, que têm prazo até 31 de maio, conforme foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (9).

A decisão colocou a já desorganizada oposição ao governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) numa encruzilhada. A maioria dos partidos de esquerda e extrema extrema esquerda do DF não possuem condições de seguirem sozinhos. A terceira via também navega pelas mesmas águas da indecisão e da desconfiança.

A velha política do DF, seja ela da esquerda mais radical ou da antiga direita repaginada, fazem as contas, conversam entre si para montar federações do tipo Frankenstein, sem que o eleitor perceba as saladas ideológica e fisiológica, que tem como alvo apenas a tomada de poder do Palácio do Buriti.

Quanto ao governador Ibaneis Rocha, a situação é a mais confortável possível. Ao mesmo tem que em que se intensifica o ritmo de entrega de obras, mostrando competência administrativa, as federações partidárias de nada atinge a sua posição no cenário político das eleições de 2022. É candidato natural à reeleição, vem apontando como favorito em pesquisas de consumo interna, e não vê adversários competitivos que possa ameaçar o seu segundo mandato.

Caso o MDB venha a fechar uma Federação Partidária com algum outra legenda, quem chegar vai ter que se adequar as regras do jogo ou procurar novos ninhos, caso tenha pretensões de disputar o Buriti.

Na política do Distrito Federal, atualmente nenhum nome é maior do que o seu próprio partido. E muito partidos se apequenaram nos últimos anos, como representantes de pouca expressão, e sonhando com passadas maiores que as pernas. Quem ainda tinha alguma relevância política, deu as costas para o Distrito Federal nos últimos anos, escondido no Congresso Nacional.

Até o dia 31 de maio, prazo máximo para se definir as federações, as tratativas de alianças irão se intensificar, um fator que deverá ser colocado corretamente na equação para não desequilibrar o projeto da oposição. Para isso, muitos políticos novos e as velhas raposas deverão ser sacrificadas em nome do tudo pelo poder.

Muitos não abrem mão da candidatura ao governo do DF. São candidatos de si próprio. Mas a criação da federação veio para colocar o freio de arrumação nos isolacionistas. Cada um do seu lado vai passar a defender que o outro seja candidato ao Senado, deixando a vaga de governador livre. Vai ser uma guerra com muitas fraturas expostas. E alianças que vão criar a situação de vaca desconhecer bezerro.

 

O que são as federações

Dois ou mais partidos políticos poderão se unir em uma federação, que atuará como se fosse uma única sigla por no mínimo quatro anos. O mecanismo interessa sobretudo às legendas menores, ameaçadas pela cláusula de barreira, que limita acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV aos partidos que não atingirem um mínimo de votos nas eleições. Ao se unirem, as siglas somarão o desempenho de todos os candidatos.

Os partidos devem permanecer filiados à federação por no mínimo quatro anos. Caso decidam sair antes, serão proibidos de ingressar em nova federação, de celebrar coligações nas duas eleições seguintes, e de utilizar o fundo partidário até completar o prazo mínimo remanescente. Na hipótese de desligamento de um ou mais partidos, a federação continuará em funcionamento, desde que nela permaneçam duas ou mais siglas.

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